{"id":24142,"date":"2026-07-01T05:19:23","date_gmt":"2026-07-01T08:19:23","guid":{"rendered":"https:\/\/aprimora.site\/carvalhoalmeidaadvogados\/2026\/07\/01\/um-futuro-mais-equanime-comeca-pelo-cuidado-compartilhado\/"},"modified":"2026-07-01T05:19:23","modified_gmt":"2026-07-01T08:19:23","slug":"um-futuro-mais-equanime-comeca-pelo-cuidado-compartilhado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/aprimora.site\/carvalhoalmeidaadvogados\/2026\/07\/01\/um-futuro-mais-equanime-comeca-pelo-cuidado-compartilhado\/","title":{"rendered":"Um futuro mais equ\u00e2nime come\u00e7a pelo cuidado compartilhado"},"content":{"rendered":"<p>O futuro que desejamos construir come\u00e7a pelos inc\u00f4modos que escolhemos n\u00e3o ignorar. Quando algo nos parece natural por tempo suficiente, deixamos de question\u00e1-lo. Contudo, s\u00e3o exatamente esses desconfortos tidos como naturais que frequentemente servem de alicerce para a manuten\u00e7\u00e3o de desigualdades sociais.<\/p>\n<p>A licen\u00e7a parental \u00e9 um desses casos. Durante mais de 30 anos de vida profissional, carreguei uma inquieta\u00e7\u00e3o que nem sempre soube nomear com clareza. Sempre me pareceu estranho que homens e mulheres chegassem ao mercado de trabalho sob contratos que, na pr\u00e1tica, eram diferentes.<\/p>\n<p class=\"jota-cta\"><a href=\"https:\/\/www.jota.info\/produtos\/saude?utm_source=cta-site&amp;utm_medium=site&amp;utm_campaign=campanha_saude_q2&amp;utm_id=cta_texto_saude_q2_2023&amp;utm_term=cta_texto_saude&amp;utm_term=cta_texto_saude_meio_materias\"><span>Com not\u00edcias da Anvisa e da ANS, o <span class=\"jota\">JOTA<\/span> PRO Sa\u00fade entrega previsibilidade e transpar\u00eancia para empresas do setor<\/span><\/a><\/p>\n<p>De um lado, mulheres que ingressam nas organiza\u00e7\u00f5es j\u00e1 acompanhadas da expectativa de um eventual afastamento prolongado para exercer a maternidade. De outro, homens que permanecem vinculados a uma l\u00f3gica em que seu papel principal continua sendo o de provedor financeiro.<\/p>\n<p>Por muito tempo, esse inc\u00f4modo ficou apenas como uma sensa\u00e7\u00e3o de que algo n\u00e3o parecia justo. Nem para as mulheres, nem para os homens.<\/p>\n<p>Para as mulheres, porque a diferen\u00e7a contratual alimenta vieses conscientes e inconscientes que influenciam decis\u00f5es de contrata\u00e7\u00e3o, promo\u00e7\u00e3o e desenvolvimento de carreira. Para os homens, porque lhes nega o direito de viver plenamente um dos momentos mais transformadores da vida: a chegada de um filho.<\/p>\n<p>Essa percep\u00e7\u00e3o se tornou ainda mais concreta quando vivi minhas pr\u00f3prias experi\u00eancias de maternidade. Quem j\u00e1 passou por isso sabe que a chegada de uma crian\u00e7a altera completamente a din\u00e2mica familiar. A vida n\u00e3o muda apenas para a m\u00e3e. A fam\u00edlia inteira se reorganiza. Novas responsabilidades surgem, novas rotinas s\u00e3o constru\u00eddas e novos v\u00ednculos precisam ser estabelecidos.<\/p>\n<p>Por isso, nunca me pareceu razo\u00e1vel imaginar que a vida de um homem possa seguir exatamente igual, enquanto a vida da mulher \u00e9 transformada de forma t\u00e3o profunda.<\/p>\n<p>Nos \u00faltimos anos, esse inc\u00f4modo ganhou novos contornos. Ao conhecer experi\u00eancias de outros pa\u00edses e observar organiza\u00e7\u00f5es que adotavam modelos diferentes, percebi que aquilo que parecia inevit\u00e1vel era, na verdade, uma escolha social e institucional. Existiam outras formas poss\u00edveis de organizar o trabalho, o cuidado e a vida familiar.<\/p>\n<p>Foi ent\u00e3o que comecei a fazer uma pergunta simples: se pud\u00e9ssemos construir o futuro que desejamos, que tipo de sociedade escolher\u00edamos criar?<\/p>\n<p>Para mim, essa sociedade come\u00e7a por um princ\u00edpio fundamental: homens e mulheres devem ter as mesmas oportunidades, os mesmos direitos e as mesmas responsabilidades.<\/p>\n<p>Em abril de 2026, o Brasil deu um passo importante neste sentido ao ampliar a licen\u00e7a-paternidade para 20 dias. O avan\u00e7o merece reconhecimento. Mas tamb\u00e9m nos convida a refletir sobre o quanto ainda podemos evoluir. Ainda \u00e9 pouco. A evid\u00eancia dispon\u00edvel aponta que licen\u00e7as mais amplas geram benef\u00edcios para fam\u00edlias, organiza\u00e7\u00f5es e para a sociedade como um todo.<\/p>\n<p>Pais desenvolvem v\u00ednculos mais fortes com os filhos e dividem com as m\u00e3es a sobrecarga f\u00edsica e emocional. Casais constroem rela\u00e7\u00f5es mais equilibradas. E empresas observam ganhos de engajamento, clima organizacional e desenvolvimento de lideran\u00e7as.<\/p>\n<p>Uma licen\u00e7a parental verdadeiramente equitativa comunica que o cuidado \u00e9 uma responsabilidade compartilhada. Posiciona homens e mulheres como seres igualmente capazes de cuidar, acolher, educar e construir v\u00ednculos. Em outras palavras, ajuda a redefinir o contrato social que estabelecemos entre trabalho, fam\u00edlia e cuidado.<\/p>\n<p>Foi a partir dessa compreens\u00e3o que, na Roche, decidimos oferecer seis meses de licen\u00e7a parental para todos os colaboradores, independentemente de g\u00eanero ou configura\u00e7\u00e3o familiar.<\/p>\n<p class=\"jota-cta\"><a href=\"https:\/\/conteudo.jota.info\/marketing-lp-newsletter-ultimas-noticias?utm_source=jota&amp;utm_medium=lp&amp;utm_campaign=23-09-2024-jota-lp-eleicoes-2024-eleicoes-2024-none-audiencias-none&amp;utm_content=eleicoes-2024&amp;utm_term=none\"><span>Assine gratuitamente a newsletter \u00daltimas Not\u00edcias do <span class=\"jota\">JOTA<\/span> e receba as principais not\u00edcias jur\u00eddicas e pol\u00edticas do dia no seu email<\/span><\/a><\/p>\n<p>A decis\u00e3o n\u00e3o nasceu apenas de uma discuss\u00e3o sobre benef\u00edcios. Nasceu da convic\u00e7\u00e3o de que a equidade n\u00e3o se constr\u00f3i exclusivamente por meio de discursos ou compromissos p\u00fablicos. Ela se constr\u00f3i quando revisamos estruturas que produzem desigualdades e quando temos coragem de substituir modelos herdados por outros mais coerentes com o futuro que queremos criar.<\/p>\n<p>Uma sociedade em que a igualdade n\u00e3o existe apenas na lei, mas tamb\u00e9m nas estruturas que organizam a vida cotidiana.<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O futuro que desejamos construir come\u00e7a pelos inc\u00f4modos que escolhemos n\u00e3o ignorar. Quando algo nos parece natural por tempo suficiente, deixamos de question\u00e1-lo. Contudo, s\u00e3o exatamente esses desconfortos tidos como naturais que frequentemente servem de alicerce para a manuten\u00e7\u00e3o de desigualdades sociais. A licen\u00e7a parental \u00e9 um desses casos. 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