{"id":23792,"date":"2026-06-17T05:58:15","date_gmt":"2026-06-17T08:58:15","guid":{"rendered":"https:\/\/aprimora.site\/carvalhoalmeidaadvogados\/2026\/06\/17\/a-nova-geracao-dos-direitos-climaticos\/"},"modified":"2026-06-17T05:58:15","modified_gmt":"2026-06-17T08:58:15","slug":"a-nova-geracao-dos-direitos-climaticos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/aprimora.site\/carvalhoalmeidaadvogados\/2026\/06\/17\/a-nova-geracao-dos-direitos-climaticos\/","title":{"rendered":"A nova gera\u00e7\u00e3o dos direitos clim\u00e1ticos"},"content":{"rendered":"<p>Como n\u00f3s, h\u00e1 uma gera\u00e7\u00e3o de advogados e profissionais do direito nascidos ap\u00f3s os anos 1990, contempor\u00e2nea \u00e0 Conven\u00e7\u00e3o do Clima, adotada no Rio de Janeiro em 1992. Ao ingressar na faculdade de Direito, nos anos 2010, a quest\u00e3o clim\u00e1tica ainda aparecia como tema lateral. Em muitas institui\u00e7\u00f5es, o pr\u00f3prio direito ambiental sequer era disciplina obrigat\u00f3ria.<\/p>\n<p>Hoje, acompanhando negocia\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas e casos judiciais, vemos essa percep\u00e7\u00e3o mudar. A crise clim\u00e1tica deixou de ser uma preocupa\u00e7\u00e3o apenas \u201cambiental\u201d e passou a ocupar o centro dos debates sobre democracia, soberania, economia, energia e repara\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica.<\/p>\n<p class=\"jota-cta\"><a href=\"https:\/\/www.jota.info\/produtos\/poder?utm_source=cta-site&amp;utm_medium=site&amp;utm_campaign=campanha_poder_q2&amp;utm_id=cta_texto_poder_q2_2023&amp;utm_term=cta_texto_poder&amp;utm_term=cta_texto_poder_meio_materias\"><span>Conhe\u00e7a o <span class=\"jota\">JOTA<\/span> PRO Poder, plataforma de monitoramento que oferece transpar\u00eancia e previsibilidade para empresas<\/span><\/a><\/p>\n<p>Essa virada tem marcos concretos. Em 1992, a Conven\u00e7\u00e3o do Clima consolidou o princ\u00edpio das responsabilidades comuns, por\u00e9m diferenciadas. Em 1997, o Protocolo de Kyoto criou metas obrigat\u00f3rias de redu\u00e7\u00e3o de emiss\u00f5es para pa\u00edses desenvolvidos. Em 2015, o Acordo de Paris ampliou essa arquitetura, ao prever o objetivo de limitar o aquecimento global a bem abaixo de 2\u00b0C, com esfor\u00e7os para cont\u00ea-lo a 1,5\u00b0C.<\/p>\n<p>Mais recentemente, o sistema internacional passou a reconhecer que crise clim\u00e1tica e direitos humanos s\u00e3o insepar\u00e1veis. Em 2021, o Conselho de Direitos Humanos da ONU reconheceu o direito humano a um meio ambiente limpo, saud\u00e1vel e sustent\u00e1vel; em 2022, a Assembleia Geral da ONU afirmou esse mesmo direito em resolu\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica.<\/p>\n<p>Esse movimento ganhou for\u00e7a com a iniciativa de Vanuatu, pequeno Estado insular, que levou \u00e0 ONU pedido de opini\u00e3o consultiva da Corte Internacional de Justi\u00e7a (CIJ) sobre as obriga\u00e7\u00f5es dos Estados diante da crise clim\u00e1tica. Aceito por consenso em 2023, o pedido resultou, em 2025, em uma resposta contundente, reconhecendo que os pa\u00edses t\u00eam obriga\u00e7\u00f5es jur\u00eddicas de reduzir emiss\u00f5es e adaptar-se aos impactos inevit\u00e1veis, cooperando para proteger o sistema clim\u00e1tico.<\/p>\n<p>A Corte tamb\u00e9m afirmou que pa\u00edses desenvolvidos devem apoiar financeiramente a a\u00e7\u00e3o clim\u00e1tica nos pa\u00edses em desenvolvimento e que Estados podem ser responsabilizados por perdas e danos al\u00e9m de suas fronteiras, inclusive quando adotam decis\u00f5es incompat\u00edveis com a ci\u00eancia, como subsidiar ou autorizar novos projetos f\u00f3sseis.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/news.un.org\/pt\/story\/2026\/05\/1853219\">No final de maio deste ano<\/a>, a Assembleia Geral da ONU endossou essa virada jur\u00eddica em nova resolu\u00e7\u00e3o, aprovada por 141 votos a favor: a base do texto \u00e9 a determina\u00e7\u00e3o da CIJ de que os Estados t\u00eam a obriga\u00e7\u00e3o legal de proteger o planeta das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas.<\/p>\n<p>Os tribunais nacionais tamb\u00e9m contam essa hist\u00f3ria. Em 2019, no caso Urgenda, a Suprema Corte da Holanda determinou que o governo adotasse metas clim\u00e1ticas mais ambiciosas. O caso se tornou paradigm\u00e1tico ao mostrar que a omiss\u00e3o clim\u00e1tica configura viola\u00e7\u00e3o de direitos fundamentais.<\/p>\n<p>No Brasil, o Supremo Tribunal Federal tamb\u00e9m avan\u00e7ou. Em 2022, sete a\u00e7\u00f5es constitucionais, conhecidas como Pacote Verde, marcaram a incorpora\u00e7\u00e3o mais estruturada da quest\u00e3o clim\u00e1tica \u00e0 jurisprud\u00eancia nacional. Na ADPF 708, sobre o Fundo Clima, o STF aplicou aos tratados ambientais e clim\u00e1ticos a l\u00f3gica j\u00e1 reconhecida desde 2008 para tratados de direitos humanos: posi\u00e7\u00e3o superior \u00e0 legisla\u00e7\u00e3o ordin\u00e1ria.<\/p>\n<p>Com isso, compromissos internacionais sobre clima passaram a funcionar como par\u00e2metros normativos para controlar a atua\u00e7\u00e3o estatal. Em casos sobre o Fundo Amaz\u00f4nia e a prote\u00e7\u00e3o da floresta, o STF tamb\u00e9m tratou a paralisa\u00e7\u00e3o de instrumentos clim\u00e1ticos como poss\u00edvel descumprimento de deveres constitucionais. Como se v\u00ea, falar de clima nos tribunais, antes uma aposta ousada, tornou-se parte incontorn\u00e1vel da agenda jur\u00eddica.<\/p>\n<p class=\"jota-cta\"><a href=\"https:\/\/conteudo.jota.info\/marketing-lp-newsletter-ultimas-noticias?utm_source=jota&amp;utm_medium=lp&amp;utm_campaign=23-09-2024-jota-lp-eleicoes-2024-eleicoes-2024-none-audiencias-none&amp;utm_content=eleicoes-2024&amp;utm_term=none\"><span>Assine gratuitamente a newsletter \u00daltimas Not\u00edcias do <span class=\"jota\">JOTA<\/span> e receba as principais not\u00edcias jur\u00eddicas e pol\u00edticas do dia no seu email<\/span><\/a><\/p>\n<p>O que est\u00e1 em curso, portanto, \u00e9 mais estruturante do que a cria\u00e7\u00e3o de novas regras, resolu\u00e7\u00f5es, promessas. O direito se fortalece ao incorporar camadas clim\u00e1ticas cada vez mais densas, a ponto de j\u00e1 se discutir a autonomia dos direitos clim\u00e1ticos.<\/p>\n<p>Obriga\u00e7\u00f5es antes vistas como princ\u00edpios gen\u00e9ricos ou <em>soft law<\/em> ganham contornos normativos. Estados e entes subnacionais passam a ser cobrados por metas, planos, financiamento, adapta\u00e7\u00e3o e prote\u00e7\u00e3o de popula\u00e7\u00f5es vulnerabilizadas, como povos ind\u00edgenas, quilombolas e comunidades tradicionais.<\/p>\n<p>Empresas s\u00e3o pressionadas por emiss\u00f5es, cadeias produtivas, riscos clim\u00e1ticos e deveres de dilig\u00eancia. Institui\u00e7\u00f5es financeiras, por sua vez, passam a responder pela incorpora\u00e7\u00e3o de crit\u00e9rios clim\u00e1ticos e de direitos humanos em suas decis\u00f5es. Nenhuma transforma\u00e7\u00e3o jur\u00eddica, isoladamente, resolver\u00e1 o aquecimento global, por\u00e9m esse avan\u00e7o \u00e9 decisivo: mesmo diante dos imperativos sist\u00eamicos, o direito come\u00e7a a afirmar seu papel na constru\u00e7\u00e3o de respostas \u00e0 altura da crise clim\u00e1tica.<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Como n\u00f3s, h\u00e1 uma gera\u00e7\u00e3o de advogados e profissionais do direito nascidos ap\u00f3s os anos 1990, contempor\u00e2nea \u00e0 Conven\u00e7\u00e3o do Clima, adotada no Rio de Janeiro em 1992. Ao ingressar na faculdade de Direito, nos anos 2010, a quest\u00e3o clim\u00e1tica ainda aparecia como tema lateral. 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