{"id":23783,"date":"2026-06-16T18:58:29","date_gmt":"2026-06-16T21:58:29","guid":{"rendered":"https:\/\/aprimora.site\/carvalhoalmeidaadvogados\/2026\/06\/16\/crise-do-petroleo-em-ormuz-esta-promovendo-a-diversificacao-energetica-para-renovaveis-diz-ana-toni\/"},"modified":"2026-06-16T18:58:29","modified_gmt":"2026-06-16T21:58:29","slug":"crise-do-petroleo-em-ormuz-esta-promovendo-a-diversificacao-energetica-para-renovaveis-diz-ana-toni","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/aprimora.site\/carvalhoalmeidaadvogados\/2026\/06\/16\/crise-do-petroleo-em-ormuz-esta-promovendo-a-diversificacao-energetica-para-renovaveis-diz-ana-toni\/","title":{"rendered":"\u2018Crise do petr\u00f3leo em Ormuz est\u00e1 promovendo a diversifica\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica para renov\u00e1veis\u2019, diz Ana Toni"},"content":{"rendered":"<p>A poucos meses da COP31, marcada para novembro em Ant\u00e1lia, na Turquia, a diretora-executiva da COP30, <a href=\"https:\/\/www.jota.info\/tudo-sobre\/ana-toni\">Ana Toni<\/a>, participou da SB64. O evento \u00e9 uma rodada intersessional da Conven\u00e7\u00e3o-Quadro das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre Mudan\u00e7a do Clima (UNFCCC) que prepara o terreno para a pr\u00f3xima confer\u00eancia clim\u00e1tica.<\/p>\n<p>O encontro em Bonn, na Alemanha, ocorre em meio a uma crise energ\u00e9tica global agravada pelas tens\u00f5es no Oriente M\u00e9dio e sob a amea\u00e7a de um novo El Ni\u00f1o. Em <a href=\"https:\/\/www.jota.info\/coberturas-especiais\/dialogos-da-cop30\/ana-toni-combustivel-fossil-nao-pode-ser-um-tabu-em-negociacoes-climaticas\">entrevista exclusiva<\/a> ao <strong><span class=\"jota\">JOTA<\/span><\/strong>, Toni analisa como esses fatores est\u00e3o influenciando as negocia\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas e o debate sobre a transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica.<\/p>\n<p>Para ela, o fechamento do Estreito de Ormuz, que fez os pre\u00e7os do petr\u00f3leo dispararem, \u201c\u00e9 o que est\u00e1 promovendo diversifica\u00e7\u00e3o para energias renov\u00e1veis\u201d.<\/p>\n<p class=\"jota-cta\"><a href=\"https:\/\/www.jota.info\/coberturas-especiais\/matriz\">O <span class=\"jota\">JOTA<\/span> realizou in loco a cobertura da SB64, que reuniu o PIB global em peso de olho no futuro da energia e da economia verde \u2013 assuntos do projeto especial Matriz<\/a><\/p>\n<p>Segundo Ana Toni, o clima das negocia\u00e7\u00f5es em Bonn mudou significativamente em rela\u00e7\u00e3o ao ano passado. Enquanto a aprova\u00e7\u00e3o da agenda levou quase tr\u00eas dias em 2025, neste ano o processo foi conclu\u00eddo em menos de dez minutos. Isso reflete o legado da <a href=\"https:\/\/www.jota.info\/tudo-sobre\/cop-30\">COP30<\/a> \u2013 realizada em Bel\u00e9m e que na pr\u00e1tica ainda est\u00e1 em curso at\u00e9 a nova confer\u00eancia \u2013, e as transforma\u00e7\u00f5es recentes da geopol\u00edtica global. \u201cEntramos na fase da implementa\u00e7\u00e3o\u201d, afirma.<\/p>\n<p>Nesse novo contexto, temas que at\u00e9 pouco tempo atr\u00e1s provocavam forte resist\u00eancia passaram a ser discutidos de forma mais pragm\u00e1tica. Pela primeira vez, a transi\u00e7\u00e3o para longe dos combust\u00edveis f\u00f3sseis integra a programa\u00e7\u00e3o oficial de eventos da reuni\u00e3o, ainda que permane\u00e7a fora da agenda formal de negocia\u00e7\u00e3o. A presen\u00e7a do setor privado nas discuss\u00f5es, algo incomum em um encontro tradicionalmente t\u00e9cnico, tamb\u00e9m reflete essa mudan\u00e7a de foco.<\/p>\n<div class=\"jota-article__embed\"><\/div>\n<p>Na entrevista, Toni detalha os pr\u00f3ximos passos do chamado mapa do caminho para deixar os combust\u00edveis f\u00f3sseis \u2013 agenda proposta proposta pelo Brasil em Bel\u00e9m \u2013, explica por que a divis\u00e3o entre pa\u00edses desenvolvidos e em desenvolvimento j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 suficiente para organizar o debate, comenta a rela\u00e7\u00e3o entre eletrifica\u00e7\u00e3o e biocombust\u00edveis na agenda clim\u00e1tica e, por fim, analisa como a amea\u00e7a de um novo El Ni\u00f1o refor\u00e7a a urg\u00eancia das pol\u00edticas de adapta\u00e7\u00e3o. <strong>Confira abaixo a entrevista<\/strong>.<\/p>\n<p><strong>Vivian Oswald: No ano passado, voc\u00ea disse que a depend\u00eancia de combust\u00edveis f\u00f3sseis n\u00e3o podia ser tratada como tabu. Diante de tudo o que est\u00e1 em jogo agora, esse tema continua sendo um tabu? Como esse debate mudou?<\/strong><\/p>\n<p>Ana Toni: A gente tem percebido, nesta reuni\u00e3o em Bonn, que muita coisa mudou. No ano passado, demoramos quase tr\u00eas dias para aprovar a agenda. Neste ano, ela foi aprovada em menos de dez minutos. Isso reflete dois fatores: primeiro, a COP30 absorveu boa parte das demandas que os pa\u00edses vinham trazendo, especialmente temas como com\u00e9rcio e financiamento. Segundo, a geopol\u00edtica mudou e a escala dos problemas tamb\u00e9m.<\/p>\n<p>O da transi\u00e7\u00e3o para longe dos combust\u00edveis f\u00f3sseis ainda n\u00e3o est\u00e1 na agenda formal de negocia\u00e7\u00e3o, mas j\u00e1 faz parte da programa\u00e7\u00e3o oficial. Pela primeira vez, tamb\u00e9m vi nessas reuni\u00f5es a presen\u00e7a do setor privado, o que n\u00e3o \u00e9 comum nesse tipo de encontro, normalmente voltado aos negociadores. Isso mostra que o debate est\u00e1 muito mais focado na implementa\u00e7\u00e3o: como mobilizar os US$ 1,3 trilh\u00e3o necess\u00e1rios para a transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica, para o combate ao desmatamento e para outras frentes da agenda clim\u00e1tica.<\/p>\n<p>Isso n\u00e3o significa que exista um acordo. Os pa\u00edses continuam longe de um consenso e o tema segue sendo sens\u00edvel. Mas, depois da COP30, ficou estabelecido que precisamos discutir essa quest\u00e3o de forma pragm\u00e1tica, olhando para o que os pa\u00edses j\u00e1 est\u00e3o fazendo na pr\u00e1tica, seja por meio da eletrifica\u00e7\u00e3o, dos combust\u00edveis sustent\u00e1veis ou da retirada de subs\u00eddios aos combust\u00edveis f\u00f3sseis. Entramos na fase da implementa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Voc\u00ea mencionou o mapa do caminho. Pelo que temos ouvido aqui, a impress\u00e3o \u00e9 que esse processo vai funcionar como uma esp\u00e9cie de ponte at\u00e9 a COP31, e que o tema s\u00f3 deve avan\u00e7ar de fato na COP32. \u00c9 isso que podemos esperar?<\/strong><\/p>\n<p>\u00c9 importante deixar claro que o tema entrou na agenda oficial de eventos, n\u00e3o na agenda oficial de negocia\u00e7\u00e3o. Isso nunca esteve formalmente na pauta de negocia\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O embaixador Andr\u00e9 Corr\u00eaa do Lago assumiu o compromisso de apresentar o relat\u00f3rio final do Mapa do Caminho antes da COP31, e \u00e9 isso que vamos fazer. O que acontece depois ainda depende da maturidade do debate. O Mapa do Caminho foi criado justamente para servir de plataforma para essa conversa e o que temos visto, inclusive na reuni\u00e3o de Santa Marta, \u00e9 um grupo crescente de pa\u00edses interessado em mant\u00ea-la viva.<\/p>\n<p>N\u00e3o sei dizer se isso voltar\u00e1 \u00e0s negocia\u00e7\u00f5es na COP31 ou na COP32. Mas h\u00e1 um marco importante pela frente: a COP33, quando acontecer\u00e1 o segundo Global Stocktake. Foi no primeiro, aprovado em Dubai, que surgiu a refer\u00eancia \u00e0 transi\u00e7\u00e3o para longe dos combust\u00edveis f\u00f3sseis. Daqui a dois anos, teremos de avaliar o que foi implementado desde ent\u00e3o e o que ainda precisa avan\u00e7ar. Por isso, certamente ser\u00e1 um momento em que esse debate voltar\u00e1 a ganhar for\u00e7a.<\/p>\n<p><strong>No formato do mapa do caminho, podemos esperar mais clareza sobre a divis\u00e3o de responsabilidades entre pa\u00edses desenvolvidos e em desenvolvimento, principalmente sobre quem deve financiar essa transi\u00e7\u00e3o? Ou o documento ainda vai tentar agradar a todos para que o tema n\u00e3o saia da pauta?\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>O que estamos tentando fazer no mapa do caminho \u00e9 olhar primeiro para a demanda. Tr\u00eas quartos da popula\u00e7\u00e3o do mundo vivem em pa\u00edses que importam combust\u00edveis f\u00f3sseis. Isso mostra que a divis\u00e3o entre Norte e Sul, ou entre pa\u00edses desenvolvidos e em desenvolvimento, continua importante, mas n\u00e3o explica toda a complexidade do problema.<\/p>\n<p>Estamos analisando a demanda, a oferta e os efeitos econ\u00f4micos da transi\u00e7\u00e3o. Estamos trabalhando com diferentes grupos de pa\u00edses, levando em conta fatores como produ\u00e7\u00e3o, consumo, n\u00edvel de desenvolvimento e grau de prepara\u00e7\u00e3o para a transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica.<\/p>\n<p><strong>Diante desse cen\u00e1rio, a demanda por combust\u00edveis f\u00f3sseis continua existindo?<\/strong><\/p>\n<p>A demanda continua existindo, sem d\u00favida. O que muda \u00e9 a forma como os pa\u00edses est\u00e3o respondendo a ela. Eti\u00f3pia e Ruanda, por exemplo, n\u00e3o produzem combust\u00edveis f\u00f3sseis e dependem totalmente da importa\u00e7\u00e3o, mas aprovaram legisla\u00e7\u00f5es para restringir a entrada de ve\u00edculos a combust\u00e3o. A solu\u00e7\u00e3o que encontraram foi avan\u00e7ar na eletrifica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m n\u00e3o d\u00e1 mais para tratar a transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica de forma gen\u00e9rica. Dentro do pr\u00f3prio setor de transportes, os desafios s\u00e3o diferentes. A transi\u00e7\u00e3o dos carros leves est\u00e1 mais avan\u00e7ada do que a da avia\u00e7\u00e3o ou da navega\u00e7\u00e3o, que dependem de outras solu\u00e7\u00f5es tecnol\u00f3gicas. O que queremos mostrar com o mapa do caminho \u00e9 justamente isso: existem desafios e oportunidades diferentes para cada setor e para cada grupo de pa\u00edses.<\/p>\n<p class=\"jota-cta\"><a href=\"https:\/\/conteudo.jota.info\/marketing-lp-newsletter-ultimas-noticias?utm_source=jota&amp;utm_medium=lp&amp;utm_campaign=23-09-2024-jota-lp-eleicoes-2024-eleicoes-2024-none-audiencias-none&amp;utm_content=eleicoes-2024&amp;utm_term=none\">Assine gratuitamente a newsletter \u00daltimas Not\u00edcias do <span class=\"jota\">JOTA<\/span> e receba as principais not\u00edcias jur\u00eddicas e pol\u00edticas do dia no seu email<\/a><\/p>\n<p>N\u00e3o basta ampliar a oferta de energias renov\u00e1veis. \u00c9 preciso tamb\u00e9m planejar a redu\u00e7\u00e3o da depend\u00eancia dos combust\u00edveis f\u00f3sseis. As duas coisas precisam caminhar juntas, de forma justa e ordenada. Acabou o \u201cfla-flu\u201d. Agora precisamos entrar nos detalhes e ajudar os pa\u00edses que querem fazer essa transi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Os investimentos em energia sustent\u00e1vel parecem cada vez mais irrevers\u00edveis. Basta olhar para a crise recente em torno do Estreito de Ormuz para perceber que existe um incentivo econ\u00f4mico para acelerar essa mudan\u00e7a. Existe um caminho de oportunidades importante por tr\u00e1s dessa crise?<\/strong><\/p>\n<p>Foram os Estados Unidos que come\u00e7aram essa crise, n\u00e3o o Estreito de Ormuz. E, provavelmente sem inten\u00e7\u00e3o, essa crise est\u00e1 promovendo a diversifica\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica para os renov\u00e1veis.<\/p>\n<p>Tr\u00eas quartos da popula\u00e7\u00e3o do mundo dependem da importa\u00e7\u00e3o de combust\u00edveis f\u00f3sseis. Quando esse combust\u00edvel dobra ou triplica de pre\u00e7o, \u00e9 natural pensar em outras fontes, independentemente da discuss\u00e3o clim\u00e1tica. \u00c9 exatamente isso que est\u00e1 acontecendo.<\/p>\n<p>Os pa\u00edses importadores perceberam que n\u00e3o querem permanecer vulner\u00e1veis a fatores que n\u00e3o controlam. Eles podem investir em energia solar ou e\u00f3lica produzida localmente, reduzindo essa depend\u00eancia.<\/p>\n<p>Durante muito tempo, a seguran\u00e7a energ\u00e9tica foi associada ao uso de combust\u00edveis f\u00f3sseis. O que a crise atual est\u00e1 mostrando \u00e9 justamente o contr\u00e1rio: em muitos casos, \u00e9 a depend\u00eancia dos combust\u00edveis f\u00f3sseis que est\u00e1 gerando inseguran\u00e7a energ\u00e9tica. Isso est\u00e1 levando os pa\u00edses a reverem esse conceito e refor\u00e7ando o papel das energias renov\u00e1veis nesse processo.<\/p>\n<p><strong>Na primeira entrevista coletiva do presidente designado da COP31, a eletrifica\u00e7\u00e3o apareceu como uma das prioridades da agenda. O Brasil tem uma aposta hist\u00f3rica nos biocombust\u00edveis, frequentemente defendida pelo presidente Lula. O Brasil ficou um pouco de fora desse planejamento? E essas metas representam uma novidade ou aprofundam compromissos j\u00e1 discutidos em confer\u00eancias anteriores?<\/strong><\/p>\n<p>A COP31 est\u00e1 aprofundando uma estrutura criada pela agenda de a\u00e7\u00e3o da COP30. Na COP30 foram lan\u00e7ados 120 planos de acelera\u00e7\u00e3o. O que a COP31 fez foi destacar algumas dessas frentes e dar mais profundidade a elas.<\/p>\n<p>N\u00e3o vejo eletrifica\u00e7\u00e3o e combust\u00edveis sustent\u00e1veis como agendas concorrentes. Elas s\u00e3o complementares. Hoje, a m\u00e9dia global de eletrifica\u00e7\u00e3o gira em torno de 20%, faixa em que o Brasil tamb\u00e9m est\u00e1, embora tenha metas mais ambiciosas. E eletrifica\u00e7\u00e3o n\u00e3o significa apenas carros el\u00e9tricos. Ela envolve edif\u00edcios, efici\u00eancia energ\u00e9tica e diversos outros setores.<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo, os combust\u00edveis sustent\u00e1veis continuam fundamentais, especialmente para \u00e1reas como avia\u00e7\u00e3o e navega\u00e7\u00e3o, onde ainda existem poucas alternativas tecnol\u00f3gicas. Por isso, vejo a COP31 aprofundando temas que j\u00e1 estavam presentes na COP30, e n\u00e3o substituindo uma agenda pela outra.<\/p>\n<p><strong>\u00c9 uma agenda que agrada mais aos europeus?<\/strong><\/p>\n<p>N\u00e3o s\u00f3 aos europeus. \u00c9 uma agenda importante para qualquer pa\u00eds porque est\u00e1 diretamente ligada \u00e0 efici\u00eancia energ\u00e9tica. E efici\u00eancia energ\u00e9tica beneficia todo mundo, das fam\u00edlias \u00e0s empresas.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m n\u00e3o vejo nenhuma incompatibilidade entre eletrifica\u00e7\u00e3o e combust\u00edveis sustent\u00e1veis. Ao contr\u00e1rio, elas se complementam. Os combust\u00edveis sustent\u00e1veis est\u00e3o cada vez mais presentes no debate e ganharam muito espa\u00e7o no Mapa do Caminho, especialmente em setores como avia\u00e7\u00e3o e navega\u00e7\u00e3o, onde as alternativas ainda s\u00e3o limitadas.<\/p>\n<p><strong>Ainda n\u00e3o falamos sobre o El Ni\u00f1o. Sabemos que h\u00e1 pa\u00edses insulares e em desenvolvimento menos preparados para lidar com seus efeitos, e vimos recentemente o que aconteceu no Rio Grande do Sul. Como o fen\u00f4meno est\u00e1 impactando as discuss\u00f5es aqui?<\/strong><\/p>\n<p>O El Ni\u00f1o est\u00e1 impactando bastante as discuss\u00f5es. E o que me deixa muito orgulhosa \u00e9 que, para o Brasil e para a COP30, o tema da adapta\u00e7\u00e3o j\u00e1 era absolutamente central. Com o El Ni\u00f1o, ele se torna ainda mais importante.<\/p>\n<p>O fen\u00f4meno refor\u00e7a tudo o que constru\u00edmos na COP30, como o financiamento para adapta\u00e7\u00e3o e os indicadores de adapta\u00e7\u00e3o. Nesta reuni\u00e3o em Bonn, o n\u00famero de eventos sobre adapta\u00e7\u00e3o triplicou. Estamos muito mais focados em como acelerar esses instrumentos do que em discutir o que precisa ser feito. O El Ni\u00f1o torna tudo isso concreto, porque mostra o que cada pa\u00eds precisa fazer para lidar com impactos cada vez mais frequentes.<\/p>\n<p>Um dos grandes debates aqui tem sido a rela\u00e7\u00e3o entre adapta\u00e7\u00e3o e agricultura. O fen\u00f4meno vai influenciar a capacidade de produ\u00e7\u00e3o de alimentos em diversos pa\u00edses e exige planejamento antecipado. Dever\u00edamos ter come\u00e7ado essa conversa h\u00e1 dez anos. Estamos atrasados, mas pelo menos come\u00e7amos na COP30.<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A poucos meses da COP31, marcada para novembro em Ant\u00e1lia, na Turquia, a diretora-executiva da COP30, Ana Toni, participou da SB64. O evento \u00e9 uma rodada intersessional da Conven\u00e7\u00e3o-Quadro das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre Mudan\u00e7a do Clima (UNFCCC) que prepara o terreno para a pr\u00f3xima confer\u00eancia clim\u00e1tica. 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