{"id":23726,"date":"2026-06-15T10:58:23","date_gmt":"2026-06-15T13:58:23","guid":{"rendered":"https:\/\/aprimora.site\/carvalhoalmeidaadvogados\/2026\/06\/15\/piora-do-quadro-inflacionario-impoe-ajustes-em-projecoes\/"},"modified":"2026-06-15T10:58:23","modified_gmt":"2026-06-15T13:58:23","slug":"piora-do-quadro-inflacionario-impoe-ajustes-em-projecoes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/aprimora.site\/carvalhoalmeidaadvogados\/2026\/06\/15\/piora-do-quadro-inflacionario-impoe-ajustes-em-projecoes\/","title":{"rendered":"Piora do quadro inflacion\u00e1rio imp\u00f5e ajustes em proje\u00e7\u00f5es"},"content":{"rendered":"<p>O conflito no Oriente M\u00e9dio, o aumento de probabilidade de ocorr\u00eancia do fen\u00f4meno El Ni\u00f1o e as renovadas medidas de est\u00edmulo ao consumo s\u00e3o fatores que tornaram o ambiente inflacion\u00e1rio mais adverso neste ano, exigindo nova revis\u00e3o das proje\u00e7\u00f5es para o IPCA.<\/p>\n<p>Nesse sentido, diante da expectativa de maiores press\u00f5es em alimentos e, em menor grau, em administrados, servi\u00e7os e industrializados, elevamos a estimativa para a infla\u00e7\u00e3o (IPCA) deste ano de 4,7% para 5,3%.<\/p>\n<p class=\"jota-cta\"><a href=\"https:\/\/www.jota.info\/produtos\/poder?utm_source=cta-site&amp;utm_medium=site&amp;utm_campaign=campanha_poder_q2&amp;utm_id=cta_texto_poder_q2_2023&amp;utm_term=cta_texto_poder&amp;utm_term=cta_texto_poder_meio_materias\"><span>Conhe\u00e7a o <span class=\"jota\">JOTA<\/span> PRO Poder, plataforma de monitoramento que oferece transpar\u00eancia e previsibilidade para empresas<\/span><\/a><\/p>\n<p>Para 2027, a proje\u00e7\u00e3o passou de 3,9% para 4,2%, din\u00e2mica que refor\u00e7a o cen\u00e1rio de infla\u00e7\u00e3o ainda distante da meta no horizonte relevante para a pol\u00edtica monet\u00e1ria. Diante disso, nosso cen\u00e1rio para a Selic tamb\u00e9m foi alterado, e as expectativas de final de per\u00edodo em 2026 e 2027 passaram, respectivamente, de 13,00% para 13,50% e de 10,50% para 11,25%.<\/p>\n<p>Os pre\u00e7os de alimentos representaram a maior parte das revis\u00f5es promovidas nas proje\u00e7\u00f5es de infla\u00e7\u00e3o. Para 2026, a proje\u00e7\u00e3o para estes pre\u00e7os foi elevada de 5,2% para 7,2%, refletindo (i) \u00faltimos resultados acima do esperado; (ii) incorpora\u00e7\u00e3o de um fen\u00f4meno El Ni\u00f1o mais intenso e antecipado e (iii) ambiente de maiores custos com fretes e fertilizantes. A proje\u00e7\u00e3o para este grupo tamb\u00e9m foi aumentada em 2027, de 5,2% para 6,3%, como resposta ao aumento da probabilidade de ocorr\u00eancia do El Ni\u00f1o e \u00e0 expectativa de menor produ\u00e7\u00e3o agropecu\u00e1ria em alguns segmentos importantes.<\/p>\n<p>No caso dos pre\u00e7os administrados, as revis\u00f5es decorreram da guerra no Oriente M\u00e9dio, que se estende al\u00e9m do inicialmente esperado. A proje\u00e7\u00e3o para 2026 subiu de 4,4% para 4,7%, considerando reajustes maiores da gasolina, GLP e diesel. No entanto, dada a expectativa de corre\u00e7\u00e3o gradual dessas press\u00f5es, a proje\u00e7\u00e3o para a infla\u00e7\u00e3o de administrados em 2027 foi reduzida, de 3,9% para 3,5%.<\/p>\n<p>Destaca-se que, mesmo com o esperado t\u00e9rmino do conflito, um recuo mais forte da gasolina ser\u00e1 desafiado pela perspectiva de queda gradual do petr\u00f3leo, com a manuten\u00e7\u00e3o de algum pr\u00eamio sobre os pre\u00e7os do barril, pela retirada da subven\u00e7\u00e3o \u00e0 gasolina e pela exist\u00eancia de uma defasagem ainda elevada entre pre\u00e7os internos e externos. Ou seja, o recuo do barril ainda ter\u00e1 que recompor margens da Petrobras, antes de ser repassado \u00e0s distribuidoras.<\/p>\n<p>No caso dos itens industrializados, o aumento da infla\u00e7\u00e3o global \u2013 inclusive na China \u2013 traz a perspectiva de varia\u00e7\u00f5es mais elevadas. As proje\u00e7\u00f5es para esse grupo foram ajustadas de 3,3% para 3,6% em 2026 e de 1,9% para 2,7% em 2027. O grupo de servi\u00e7os dever\u00e1 sentir o avan\u00e7o dos pre\u00e7os dos alimentos, contaminando a infla\u00e7\u00e3o de alimenta\u00e7\u00e3o fora do domic\u00edlio, al\u00e9m de um maior efeito inercial decorrente de reajustes mais elevados em educa\u00e7\u00e3o e alugu\u00e9is (por conta da infla\u00e7\u00e3o cheia mais alta em 2026).<\/p>\n<p>Por fim, medidas de est\u00edmulo ao consumo em um contexto de mercado de trabalho ainda apertado tamb\u00e9m trazem riscos a esse grupo, cujas proje\u00e7\u00f5es foram revisadas de 5,6% para 5,8% em 2026 e de 4,8% para 4,9% em 2027.<\/p>\n<p>Diante da piora do quadro inflacion\u00e1rio, ratificada na revis\u00e3o das proje\u00e7\u00f5es e que sugere um maior desafio para a converg\u00eancia do IPCA \u00e0 meta, alteramos tamb\u00e9m a trajet\u00f3ria esperada para a Selic nos pr\u00f3ximos meses. \u00c9 fato que os passos seguintes da pol\u00edtica monet\u00e1ria seguem altamente dependentes dos eventos no Oriente M\u00e9dio, mas mesmo um desfecho positivo nas pr\u00f3ximas semanas n\u00e3o dever\u00e1 ser suficiente para abrir margem para cortes mais intensos nos juros, dados os riscos ainda presentes que v\u00e3o al\u00e9m da quest\u00e3o do choque do petr\u00f3leo, como mencionados anteriormente.<\/p>\n<p>Nessa linha, as preocupa\u00e7\u00f5es pendem para o lado oposto, no sentido de maior dura\u00e7\u00e3o da guerra for\u00e7ando o Banco Central a interromper os cortes de forma ainda mais prematura.<\/p>\n<p>Considerando esses elementos, as mensagens emitidas pelo Copom e a postura ainda bastante contracionista da pol\u00edtica monet\u00e1ria, avaliamos como mais prov\u00e1vel a continuidade deste chamado \u201cciclo de calibra\u00e7\u00e3o\u201d dos juros (como definido pelo pr\u00f3prio BC), por\u00e9m mantendo o ritmo modesto de ajuste praticado at\u00e9 aqui. Ap\u00f3s duas redu\u00e7\u00f5es de 25 bps em mar\u00e7o e abril, al\u00e9m de uma esperada queda de mesma magnitude na pr\u00f3xima reuni\u00e3o, em junho, contemplamos outros tr\u00eas cortes neste ano at\u00e9 o patamar de 13,50% a ser alcan\u00e7ado em novembro \u2013 nosso cen\u00e1rio anterior contemplava redu\u00e7\u00e3o neste ano at\u00e9 13,00%.<\/p>\n<p>Para 2027, o cen\u00e1rio considera a retomada da flexibiliza\u00e7\u00e3o monet\u00e1ria apenas na reuni\u00e3o de junho, e a Selic seria reduzida at\u00e9 11,25%. Os meses de espera decorrem da expectativa de n\u00e3o converg\u00eancia da infla\u00e7\u00e3o para n\u00edveis ao redor da meta no ano que vem, com os ajustes sendo viabilizados conforme (i) o ano de 2028 se torne o horizonte relevante e (ii) a economia demonstrar desacelera\u00e7\u00e3o mais intensa ao longo do primeiro semestre.<\/p>\n<p class=\"jota-cta\"><a href=\"https:\/\/conteudo.jota.info\/marketing-lp-newsletter-ultimas-noticias?utm_source=jota&amp;utm_medium=lp&amp;utm_campaign=23-09-2024-jota-lp-eleicoes-2024-eleicoes-2024-none-audiencias-none&amp;utm_content=eleicoes-2024&amp;utm_term=none\"><span>Assine gratuitamente a newsletter \u00daltimas Not\u00edcias do <span class=\"jota\">JOTA<\/span> e receba as principais not\u00edcias jur\u00eddicas e pol\u00edticas do dia no seu email<\/span><\/a><\/p>\n<p>Cabe destacar que este cen\u00e1rio tem como premissa central a ado\u00e7\u00e3o de medidas de ajuste fiscal pelo governo eleito, capaz de reduzir a percep\u00e7\u00e3o de risco sobre o tema e permitir uma descompress\u00e3o dos juros longos e das expectativas de infla\u00e7\u00e3o. E quais seriam riscos para esta trajet\u00f3ria? Para 2026, majoritariamente de alta em caso de maior demora para a resolu\u00e7\u00e3o do conflito e a consequente manuten\u00e7\u00e3o das press\u00f5es no petr\u00f3leo. Para 2027, de ambos os lados, como uma frustra\u00e7\u00e3o com a corre\u00e7\u00e3o fiscal (alta) e eventual piora mais acentuada da atividade econ\u00f4mica (baixa).<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O conflito no Oriente M\u00e9dio, o aumento de probabilidade de ocorr\u00eancia do fen\u00f4meno El Ni\u00f1o e as renovadas medidas de est\u00edmulo ao consumo s\u00e3o fatores que tornaram o ambiente inflacion\u00e1rio mais adverso neste ano, exigindo nova revis\u00e3o das proje\u00e7\u00f5es para o IPCA. 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