{"id":23596,"date":"2026-06-09T21:36:22","date_gmt":"2026-06-10T00:36:22","guid":{"rendered":"https:\/\/aprimora.site\/carvalhoalmeidaadvogados\/2026\/06\/09\/aparelho-celular-nao-e-bem-essencial-decide-stj\/"},"modified":"2026-06-09T21:36:22","modified_gmt":"2026-06-10T00:36:22","slug":"aparelho-celular-nao-e-bem-essencial-decide-stj","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/aprimora.site\/carvalhoalmeidaadvogados\/2026\/06\/09\/aparelho-celular-nao-e-bem-essencial-decide-stj\/","title":{"rendered":"Aparelho celular n\u00e3o \u00e9 bem essencial, decide STJ"},"content":{"rendered":"<p>Para a maioria dos ministros da 3\u00aa Turma do Superior Tribunal de Justi\u00e7a (STJ), aparelho celular n\u00e3o constitui produto essencial. Em decorr\u00eancia disso, quando h\u00e1 v\u00edcio de fabrica\u00e7\u00e3o, operadoras de telefonia n\u00e3o s\u00e3o obrigadas, de forma imediata, a substituir o produto, restituir a quantia paga e nem abater o dano do pre\u00e7o pago pelo consumidor. Conforme o STJ, as obriga\u00e7\u00f5es passam a valer somente se, ap\u00f3s o consumidor demandar a substitui\u00e7\u00e3o das partes viciadas, o defeito n\u00e3o for corrigido dentro de 30 dias.<\/p>\n<p class=\"jota-cta\"><a href=\"https:\/\/conteudo.jota.info\/marketing-lp-newsletter-ultimas-noticias?utm_source=jota&amp;utm_medium=lp&amp;utm_campaign=23-09-2024-jota-lp-eleicoes-2024-eleicoes-2024-none-audiencias-none&amp;utm_content=eleicoes-2024&amp;utm_term=none\"><span>Assine gratuitamente a newsletter \u00daltimas Not\u00edcias do <span class=\"jota\">JOTA<\/span> e receba as principais not\u00edcias jur\u00eddicas e pol\u00edticas do dia no seu email<\/span><\/a><\/p>\n<p>O caso julgado se originou de uma a\u00e7\u00e3o civil p\u00fablica da Defensoria P\u00fablica do Estado do Rio de Janeiro (DPE-RJ) contra as operadoras Claro, Tim, Vivo e Oi. O julgamento gerou desentendimento entre os ministros no final da sess\u00e3o, sobretudo entre a ministra Nancy Andrighi, relatora, e o ministro Moura Ribeiro, que acompanhou a diverg\u00eancia inaugurada por Vilas Boas Cu\u00eava.<\/p>\n<p>Andrighi acolheu o pleito da DPE-RJ, votando pelo conhecimento do recurso e pelo seu provimento, com o reconhecimento da essencialidade do celular. Ela foi acompanhada pela presidente do colegiado, Daniela Teixeira.<\/p>\n<p>O ministro Vilas B\u00f4as Cueva divergiu, dizendo que n\u00e3o enxergava a essencialidade de forma autom\u00e1tica. Ele foi seguido pelos magistrados Humberto Martins e Moura Ribeiro, sendo que Humberto Martins votou com a relatora apenas para superar a fase de conhecimento do recurso.<\/p>\n<p>O argumento da DPE-RJ, defendido nos autos, era de que o aparelho celular, atualmente, destina-se a fun\u00e7\u00f5es consideradas essenciais, como sa\u00fade, seguran\u00e7a, informa\u00e7\u00e3o e educa\u00e7\u00e3o. Seu uso, portanto, n\u00e3o seria \u201cmero conforto, sendo frequentemente necess\u00e1rio para situa\u00e7\u00f5es emergenciais, como chamadas de socorro, contatos m\u00e9dicos e obten\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00f5es cruciais\u201d, disse.<\/p>\n<p>J\u00e1 as operadoras sustentaram que a essencialidade ou n\u00e3o do celular deveria ser auferida caso a caso, para cada consumidor. Al\u00e9m disso, como afirmou a Tim em uma peti\u00e7\u00e3o, as vendedoras de aparelhos celulares n\u00e3o poderiam ser obrigadas a arcar imediatamente com custos que seriam do seu fornecedor, j\u00e1 que caberia ao fabricante realizar a manuten\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica do produto.<\/p>\n<p class=\"jota-cta\"><a href=\"https:\/\/www.jota.info\/produtos\/poder?utm_source=cta-site&amp;utm_medium=site&amp;utm_campaign=campanha_poder_q2&amp;utm_id=cta_texto_poder_q2_2023&amp;utm_term=cta_texto_poder&amp;utm_term=cta_texto_poder_meio_materias\"><span>Conhe\u00e7a o <span class=\"jota\">JOTA<\/span> PRO Poder, plataforma de monitoramento que oferece transpar\u00eancia e previsibilidade para empresas<\/span><\/a><\/p>\n<p>A controv\u00e9rsia residia em considerar a essencialidade ou n\u00e3o do aparelho celular para fins de aplica\u00e7\u00e3o do artigo 18 do C\u00f3digo de Defesa do Consumidor (CDC). O par\u00e1grafo 1\u00ba do dispositivo diz que, quando o v\u00edcio n\u00e3o \u00e9 sanado no prazo m\u00e1ximo de trinta dias, o consumidor pode exigir a substitui\u00e7\u00e3o do produto, a restitui\u00e7\u00e3o da quantia paga ou o abatimento proporcional do pre\u00e7o. J\u00e1 o par\u00e1grafo 3\u00ba prev\u00ea que as alternativas citadas podem ser exigidas imediatamente \u201csempre que, em raz\u00e3o da extens\u00e3o do v\u00edcio, a substitui\u00e7\u00e3o das partes viciadas puder comprometer a qualidade ou caracter\u00edsticas do produto, diminuir-lhe o valor ou se tratar de produto essencial\u201d.<\/p>\n<h2>Votos<\/h2>\n<p>A ministra Nancy Andrighi destacou em seu voto que \u201c\u00e9 imperioso reconhecer o aparelho celular como produto essencial independente de an\u00e1lise casu\u00edstica da situa\u00e7\u00e3o de cada consumidor\u201d. Segundo ela, ainda que o n\u00edvel da depend\u00eancia do celular n\u00e3o seja uniforme entre os consumidores, a essencialidade do bem se projeta de forma generalizada.<\/p>\n<p>Ela disse que a medida de obrigar as operadoras a fornecerem alternativa imediata aos consumidores n\u00e3o \u00e9 desproporcional e que a operadora \u201cn\u00e3o pode transpor o \u00f4nus de ter fornecido um produto impr\u00f3prio ao consumidor, impondo que esse encontre outro aparelho para usar enquanto aguarda conserto do bem\u201d.<\/p>\n<p>Andrighi demonstrou preocupa\u00e7\u00e3o com a dificuldade de se fabricar provas que demonstrassem, caso a caso, que o bem \u00e9 essencial. \u201c\u00c9 o fornecedor que tem que julgar a indispensabilidade do celular para mim? Ele n\u00e3o sabe da minha vida. Ent\u00e3o ter\u00e1 que haver prova, uma instru\u00e7\u00e3o, eu n\u00e3o sei como\u201d, falou.<\/p>\n<p>Seguindo essa linha, a ministra Daniela Teixeira afirmou que apenas 33% dos brasileiros possui computador em casa e que 60% acessa a internet exclusivamente por meio do celular, que foi \u201cconvertido em componente de multifuncionalidade\u201d. Tamb\u00e9m de acordo com dados citados em seu voto, a popula\u00e7\u00e3o que usa servi\u00e7os p\u00fablicos digitalmente corresponde a 66,3% da popula\u00e7\u00e3o adulta brasileira. \u201cE a\u00ed n\u00f3s estamos falando dos mais b\u00e1sicos, como bolsa fam\u00edlia, acesso ao SUS, cart\u00f5es de vacina\u00e7\u00e3o\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>Cueva, por outro lado, entendeu que a pretens\u00e3o da Defensoria parece afrontar os princ\u00edpios da proporcionalidade. \u201cSe considerarmos que 4% dos aparelhos novos apresentam algum tipo de defeito, conforme c\u00e1lculo da Claro, chegaremos \u00e0 quantia de 160 mil aparelhos colocados \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o do consumidor em regime de comodato\u201d, o que implicaria, de acordo com o magistrado, a contrata\u00e7\u00e3o de m\u00e3o de obra e implementa\u00e7\u00e3o de log\u00edstica reversa para descarte de res\u00edduos s\u00f3lidos.<\/p>\n<p>Nesse sentido, \u00a0o provimento ao recurso da Defensoria poderia, na sua vis\u00e3o, causar um aumento de custo do pr\u00f3prio produto, que seria repassado aos consumidores \u201capesar da tentativa de proteg\u00ea-los\u201d.<\/p>\n<p>\u201cA interpreta\u00e7\u00e3o do conceito jur\u00eddico de produto essencial deve, por um lado, estar atrelada a um microssistema de prote\u00e7\u00e3o do consumidor, ou seja, tutelar a justa expectativa do comprador de poder fazer uso imediato do produto adquirido. Mas, por outro lado, sem descuidar da no\u00e7\u00e3o de abuso de direito\u201d, falou Cueva.<\/p>\n<h2>Discuss\u00e3o<\/h2>\n<p>Na hora de colher os votos, o ministro Moura Ribeiro disse que acompanharia a diverg\u00eancia aberta por Cueva porque a essencialidade do aparelho celular n\u00e3o seria autom\u00e1tica.<\/p>\n<p>\u201cMe desculpe pela minha ignor\u00e2ncia, aonde vai fazer a prova da essencialidade? Vai ajuizar uma a\u00e7\u00e3o?\u201d, questionou Nancy Andrighi.<\/p>\n<p>\u201cPode ser uma prova dif\u00edcil de ser feita\u201d, respondeu Moura Ribeiro.<\/p>\n<p>Nancy rebateu dizendo que sua d\u00favida era sobre o local. \u201cJuizados especiais, no f\u00f3rum, onde?\u201d, perguntou.<\/p>\n<p>\u201cNo juiz de direito. A prova de essencialidade tem que ser no juiz de direito\u201d, retrucou o ministro.<\/p>\n<p>Andrighi questionou ent\u00e3o qual juiz consegue marcar uma audi\u00eancia em menos de 30 dias. \u201c\u00c9 a\u00ed que eu pergunto: onde Vossa Excel\u00eancia, no Brasil, vai encontrar?\u2026\u201d, disse a relatora, que foi interrompida pelo colega.<\/p>\n<p>\u201cNo \u00fanico lugar que todo cidad\u00e3o bate, ministra, ou seja, no Poder Judici\u00e1rio\u201d, respondeu Moura Ribeiro.<\/p>\n<p>\u201cCoitado\u201d, murmurou Nancy.<\/p>\n<p>O caso tramita como REsp 222661.<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Para a maioria dos ministros da 3\u00aa Turma do Superior Tribunal de Justi\u00e7a (STJ), aparelho celular n\u00e3o constitui produto essencial. 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