{"id":23527,"date":"2026-06-07T05:22:23","date_gmt":"2026-06-07T08:22:23","guid":{"rendered":"https:\/\/aprimora.site\/carvalhoalmeidaadvogados\/2026\/06\/07\/flavio-bolsonaro-pode-sufocar-na-propria-cortina-de-fumaca\/"},"modified":"2026-06-07T05:22:23","modified_gmt":"2026-06-07T08:22:23","slug":"flavio-bolsonaro-pode-sufocar-na-propria-cortina-de-fumaca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/aprimora.site\/carvalhoalmeidaadvogados\/2026\/06\/07\/flavio-bolsonaro-pode-sufocar-na-propria-cortina-de-fumaca\/","title":{"rendered":"Fl\u00e1vio Bolsonaro pode sufocar na pr\u00f3pria cortina de fuma\u00e7a"},"content":{"rendered":"<p>Vivemos sob o regime de permanente breaking news. A pol\u00edtica se realiza hoje em meio a uma dieta digital feita de alertas, cortes, indigna\u00e7\u00f5es instant\u00e2neas e microdoses de dopamina distribu\u00eddas ao longo do dia. A cada hora, um esc\u00e2ndalo. A cada minuto, um enquadramento. A cada segundo, uma tentativa de capturar nossa aten\u00e7\u00e3o antes que a pr\u00f3xima notifica\u00e7\u00e3o nos arraste para outro inc\u00eandio.<\/p>\n<p>Essa din\u00e2mica \u00e9 potencializada pelas plataformas digitais e por seus magnatas, a partir de uma l\u00f3gica algor\u00edtmica opaca, afetivamente polarizadora e orientada \u00e0 reten\u00e7\u00e3o da audi\u00eancia. Como j\u00e1 nos ensinaram Giuliano da Empoli, Max Fisher e tantos outros autores, o caos deixou de ser ru\u00eddo do sistema: tornou-se m\u00e9todo pol\u00edtico, ambiente de neg\u00f3cios e tecnologia de poder.<\/p>\n<p class=\"jota-cta\"><a href=\"https:\/\/www.jota.info\/produtos\/poder?utm_source=cta-site&amp;utm_medium=site&amp;utm_campaign=campanha_poder_q2&amp;utm_id=cta_texto_poder_q2_2023&amp;utm_term=cta_texto_poder&amp;utm_term=cta_texto_poder_meio_materias\"><span>Conhe\u00e7a o <span class=\"jota\">JOTA<\/span> PRO Poder, plataforma de monitoramento que oferece transpar\u00eancia e previsibilidade para empresas<\/span><\/a><\/p>\n<p>\u00c9 nesse cen\u00e1rio que os processos pol\u00edticos, em geral, e os eleitorais, em particular, se realizam. No caso brasileiro, o quadro \u00e9 ainda mais agudo porque o eleitorado se divide em dois grandes blocos difusos: antipetistas e anti-antipetistas. Dentro deles, emergem duas identidades pol\u00edticas coletivas bastante consolidadas, que funcionam como minorias majorit\u00e1rias e hegemonizam, ainda que de forma contingente e provis\u00f3ria, o protagonismo de seus respectivos campos: bolsonarismo e lulismo.<\/p>\n<p>Por isso entramos na corrida eleitoral com uma disputa t\u00e3o acirrada. De um lado, <a href=\"https:\/\/www.jota.info\/tudo-sobre\/lula\">Lula<\/a>. De outro, <a href=\"https:\/\/www.jota.info\/tudo-sobre\/flavio-bolsonaro\">Fl\u00e1vio Bolsonaro<\/a>. Dois sobrenomes altamente conhecidos (Lula da Silva e Bolsonaro), ambos com mais de 93% de conhecimento; pisos elevados de voto, superiores a 43% nas simula\u00e7\u00f5es de segundo turno; tetos baixos, marcados por rejei\u00e7\u00f5es acima de 40%; e diferen\u00e7as sempre dentro da margem de erro dos principais institutos. Uma antecipa\u00e7\u00e3o radical da din\u00e2mica de segundo turno, do voto \u00fatil e da guerra de rejei\u00e7\u00f5es, deslocada para a pr\u00e9-campanha muitos meses antes das urnas.<\/p>\n<p>Essa moldura \u00e9 fundamental para compreender o que ocorreu no debate p\u00fablico brasileiro nos \u00faltimos dez dias.<\/p>\n<p>Recordemos.<\/p>\n<p>H\u00e1 pouco mais de uma semana, Fl\u00e1vio Bolsonaro saiu em carreira para Washington. Aguardou de prontid\u00e3o em seu hotel at\u00e9 receber um sinal da Casa Branca para que, ao lado do irm\u00e3o Eduardo e de seu escudeiro Paulo Figueiredo, pudesse ser recebido por Donald Trump.<\/p>\n<p>O prop\u00f3sito era evidente: virar a pauta pol\u00edtica dom\u00e9stica que pesava sobre sua candidatura desde a divulga\u00e7\u00e3o das conversas com Daniel Vorcaro. O caso <em>Dark Horse<\/em>, repleto de opacidades, vers\u00f5es contradit\u00f3rias e perguntas sem resposta, havia deixado o senador na defensiva. Era preciso produzir outro assunto, outro palco, outra imagem.<\/p>\n<p>E a empreitada, num primeiro momento, teve \u00eaxito.<\/p>\n<p>No dia 26 de maio, Fl\u00e1vio conseguiu a foto ao lado do presidente norte-americano. Com ela, ergueu a cortina de fuma\u00e7a que buscava. O debate se deslocou da rela\u00e7\u00e3o com Vorcaro para a relev\u00e2ncia, os prop\u00f3sitos e os efeitos da viagem aos Estados Unidos. O esc\u00e2ndalo do Banco Master n\u00e3o desapareceu, mas foi empurrado para um segundo plano, em estado residual, como registrou o <a href=\"https:\/\/institutodx.org\/publicacoes\/tariflavio\/\">Boletim Especial do Instituto Democracia em Xeque<\/a>.<\/p>\n<p>A partir da\u00ed, come\u00e7ou a montanha-russa da disputa pelo enquadramento narrativo da viagem.<\/p>\n<p>O primeiro momento foi de equil\u00edbrio. Esquerda e direita disputaram o sentido da foto de Fl\u00e1vio na Casa Branca. Para a direita, tratava-se de uma demonstra\u00e7\u00e3o de prest\u00edgio internacional, de acesso ao centro do poder mundial e de capacidade de interlocu\u00e7\u00e3o com Trump. Para a esquerda, era uma visita improvisada, submissa, destinada a criar uma cortina de fuma\u00e7a para o caso Vorcaro e a abrir flancos graves em mat\u00e9ria de soberania nacional.<\/p>\n<p>Na quinta-feira, 28 de maio, veio a segunda curva da montanha-russa. Com a classifica\u00e7\u00e3o de PCC e Comando Vermelho como organiza\u00e7\u00f5es terroristas pelo Departamento de Estado dos EUA, a extrema direita partiu para a ofensiva. O debate sobre a viagem de Fl\u00e1vio foi reenquadrado em terreno favor\u00e1vel ao cl\u00e3: seguran\u00e7a p\u00fablica. A pauta deixava de ser o banqueiro encrencado e passava a ser o enfrentamento ao crime organizado. A base bolsonarista se reanimou. Fl\u00e1vio sa\u00eda da defensiva e tentava se apresentar como interlocutor capaz de provocar uma resposta dura dos Estados Unidos contra as fac\u00e7\u00f5es brasileiras.<\/p>\n<p>Mas essa designa\u00e7\u00e3o n\u00e3o foi recebida de forma inocente pelos eleitores pendulares. O <a href=\"https:\/\/institutodx.org\/semanaldx\/painel\/01062026\/\">Painel Narrativo do Instituto DX<\/a>, de 1\u00ba de junho, mostrou uma percep\u00e7\u00e3o mais sofisticada e ambivalente: parte dos entrevistados admitia que a medida poderia, no limite, ajudar no combate ao crime organizado; mas tamb\u00e9m desconfiava dos reais interesses norte-americanos. \u201cTrump e os EUA n\u00e3o fazem nada por caridade\u201d, resumiram alguns participantes. Amaz\u00f4nia, petr\u00f3leo, min\u00e9rios e Pix apareciam como poss\u00edveis objetos de cobi\u00e7a da Casa Branca.<\/p>\n<p>Ainda assim, para Fl\u00e1vio, a situa\u00e7\u00e3o parecia manej\u00e1vel. Discutir seguran\u00e7a p\u00fablica era muito melhor do que discutir Vorcaro. Ter sua milit\u00e2ncia novamente animada era melhor do que v\u00ea-la acuada. Manter <em>Dark Horse<\/em> no passado recente parecia, naquele momento, uma vit\u00f3ria poss\u00edvel.<\/p>\n<p>Quando tudo parecia caminhar a favor do senador, a montanha-russa voltou a surpreender.<\/p>\n<p>Na madrugada de ter\u00e7a-feira, 2 de junho, o USTR (<strong>Escrit\u00f3rio do Representante Comercial dos Estados Unidos) <\/strong>anunciou uma nova ofensiva tarif\u00e1ria contra produtos brasileiros de 25%. Junto a ela, os Estados Unidos inclu\u00edram o Brasil em uma lista de pa\u00edses sob suspeita de \u201cfalha no combate ao trabalho for\u00e7ado\u201d, abrindo a possibilidade de tarifa adicional de mais 12,5%. Mais do que o impacto econ\u00f4mico e comercial, a medida produziu um efeito pol\u00edtico imediato: pareceu confirmar, aos olhos de parte importante da opini\u00e3o p\u00fablica, que a Casa Branca n\u00e3o estava interessada na seguran\u00e7a cotidiana dos brasileiros, mas em obter vantagens econ\u00f4micas, comerciais e geopol\u00edticas.<\/p>\n<p>O detalhe mais sens\u00edvel veio com as reiteradas refer\u00eancias cr\u00edticas ao Pix no relat\u00f3rio norte-americano. Aquilo que no <a href=\"https:\/\/institutodx.org\/semanaldx\/painel\/01062026\/\">Painel Narrativo do DX<\/a> aparecia como hip\u00f3tese improv\u00e1vel e quase paranoica \u2013 uma eventual tentativa dos EUA de pressionar o sistema brasileiro de pagamentos instant\u00e2neos \u2013 ganhava concretude pol\u00edtica. Os participantes haviam sido claros: mexer no Pix seria inadmiss\u00edvel. Quando soberania deixa de ser abstra\u00e7\u00e3o e passa a significar dinheiro na conta, pagamento no com\u00e9rcio, transfer\u00eancia para a fam\u00edlia e autonomia tecnol\u00f3gica nacional, o tema muda de escala.<\/p>\n<p>Como se n\u00e3o bastasse, a ofensiva veio acompanhada de outros gestos pol\u00edticos do Departamento de Estado. Primeiro, Marco Rubio enquadrou o Brasil, em fala no Senado norte-americano, ao lado de pa\u00edses apresentados como advers\u00e1rios da Am\u00e9rica. Depois, a indica\u00e7\u00e3o de um novo embaixador dos EUA no Brasil, feita sem o respeito da liturgia diplom\u00e1tica esperada, refor\u00e7ou a percep\u00e7\u00e3o de hostilidade. O perfil escolhido \u2013um deputado republicano da Fl\u00f3rida, filho de cubanos, pertencente \u00e0 ala mais ruidosa do MAGA e pr\u00f3ximo a Rubio \u2013agravou a leitura de que Washington pretende tratar o Brasil menos como parceiro soberano e mais como territ\u00f3rio em disputa.<\/p>\n<p>\u00c0 agressividade do tarifa\u00e7o, somaram-se soberba, desprezo pelo governo brasileiro e desrespeito \u00e0 soberania nacional. O Brasil foi tratado como se ainda coubesse na velha caricatura da republiqueta bananeira.<\/p>\n<p>A cereja do bolo veio de Trump. Pouco depois, o presidente norte-americano publicou a foto da visita de Fl\u00e1vio ao Sal\u00e3o Oval. O gesto carimbou duas coisas ao mesmo tempo. De um lado, o interesse expl\u00edcito de Trump em se imiscuir no processo eleitoral brasileiro, apoiando o filho de Jair. De outro, a responsabiliza\u00e7\u00e3o de Fl\u00e1vio pela nova escalada tarif\u00e1ria.<\/p>\n<p>A cortina de fuma\u00e7a que deveria esconder Vorcaro come\u00e7ava a sufocar Fl\u00e1vio.<\/p>\n<p>O pr\u00e9-candidato do PL tentou desesperadamente surfar a narrativa de que \u201ca culpa do tarifa\u00e7o \u00e9 de Lula\u201d. E arrastou para esse enquadramento outros pr\u00e9-candidatos da oposi\u00e7\u00e3o, especialmente aqueles que endossaram a leitura de que o governo brasileiro seria respons\u00e1vel pela rea\u00e7\u00e3o norte-americana. O problema \u00e9 que a narrativa soou descabida demais, at\u00e9 mesmo para um debate p\u00fablico acostumado ao absurdo.<\/p>\n<p>A surra nas redes foi expressiva. Segundo o <a href=\"https:\/\/institutodx.org\/publicacoes\/tariflavio\/\">Boletim Especial do DX<\/a>, o total de men\u00e7\u00f5es que atribu\u00edam culpa a Fl\u00e1vio pelas tarifas foi quase dez vezes maior do que aquelas que responsabilizavam Lula. O <a href=\"https:\/\/sbtnews.sbt.com.br\/colunas\/coluna-da-nathalia-fruet\/maioria-responsabiliza-flavio-por-nova-fase-de-tarifaco\">monitoramento da Palver<\/a> corroborou a goleada nos aplicativos de mensagem: 81% das mensagens analisadas atribu\u00edam ao senador participa\u00e7\u00e3o direta ou indireta nas tarifas propostas pelos EUA.<\/p>\n<p>Esses n\u00fameros sugerem algo politicamente relevante: os filhos de Jair, com o alinhamento subordinado de setores da direita, conseguiram o prod\u00edgio de unificar parcelas que raramente caminham juntas. O ter\u00e7o de eleitores de esquerda, a maior parte dos independentes que n\u00e3o se identificam nem com Lula nem com Bolsonaro e at\u00e9 setores de direita n\u00e3o bolsonarista passaram a convergir em uma percep\u00e7\u00e3o: o \u201cm\u00e9rito\u201d pelo novo tarifa\u00e7o pertence ao cl\u00e3 Bolsonaro.<\/p>\n<p>A prova do desconcerto foi a dificuldade dos principais atores digitais da direita em fixar uma narrativa \u00fanica. Desde o an\u00fancio das tarifas, o campo conservador ficou na defensiva, dividido entre atacar a pol\u00edtica externa de Lula e tentar separar o tarifa\u00e7o da imagem de Fl\u00e1vio. Nenhuma das duas frentes pegou.<\/p>\n<p>A esquerda, por sua vez, surfou a onda. Conseguiu tornar dominante o enquadramento que associa a defesa do Pix e a cr\u00edtica ao tarifa\u00e7o ao \u201centreguismo\u201d de Fl\u00e1vio Bolsonaro em troca do apoio de Trump na elei\u00e7\u00e3o de outubro. A alcunha \u201cTarifl\u00e1vio\u201d viralizou porque condensou, em uma palavra, a acusa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica: tarifa, Fl\u00e1vio, Trump, soberania e trai\u00e7\u00e3o aos interesses nacionais.<\/p>\n<p>H\u00e1 um elemento adicional que ajuda a explicar a ades\u00e3o imediata a essa leitura. Eduardo Bolsonaro j\u00e1 estava identificado, na mem\u00f3ria recente do debate p\u00fablico, como respons\u00e1vel pelo tarifa\u00e7o anterior de 50%, ap\u00f3s suas gest\u00f5es na Casa Branca. N\u00e3o satisfeito, ainda defendeu o sistema norte-americano Zelle como alternativa ao Pix, misturando sabujice com not\u00e1vel falta de intelig\u00eancia pol\u00edtica. Ajudou, assim, at\u00e9 os mais incr\u00e9dulos a colocarem o novo tarifa\u00e7o no colo de seu irm\u00e3o.<\/p>\n<p>Fl\u00e1vio conseguiu, portanto, virar a pauta de sua rela\u00e7\u00e3o com Vorcaro. Mas n\u00e3o da maneira que imaginava.<\/p>\n<p>O caso <em>Dark Horse<\/em> segue em estado de lat\u00eancia. Adormecido, mas n\u00e3o esquecido. O <a href=\"https:\/\/institutodx.org\/semanaldx\/painel\/01062026\/\">Painel Narrativo do DX<\/a> mostrou tamb\u00e9m que eleitores ainda cobram documentos, explica\u00e7\u00f5es e coer\u00eancia nas vers\u00f5es. O pr\u00f3prio Tarc\u00edsio de Freitas, aliado inc\u00f4modo, afirmou esperar que Fl\u00e1vio desse explica\u00e7\u00f5es. Novas opera\u00e7\u00f5es da Pol\u00edcia Federal, novos vazamentos ou novas reportagens investigativas, como a do The Intercept, podem reavivar a demanda por esclarecimentos.<\/p>\n<p>O diabo, para Fl\u00e1vio, \u00e9 que a cortina de fuma\u00e7a produzida na Casa Branca saiu de controle. A montanha-russa narrativa descarrilou. O enquadramento hoje dominante \u00e9 profundamente desfavor\u00e1vel ao senador: n\u00e3o apenas porque o associa a Trump, mas porque o associa ao custo concreto de uma ofensiva contra o Brasil, contra o Pix, contra setores da economia e contra a soberania nacional.<\/p>\n<p>O que come\u00e7ou como tentativa de escapar do caso Vorcaro virou risco de carregar no peito o selo do entreguismo. O que deveria projet\u00e1-lo como interlocutor internacional acabou refor\u00e7ando sua imagem de depend\u00eancia externa. O que parecia cortina de fuma\u00e7a para esconder um esc\u00e2ndalo pode se transformar em fuma\u00e7a t\u00f3xica para sua pr\u00f3pria candidatura.<\/p>\n<p class=\"jota-cta\"><a href=\"https:\/\/conteudo.jota.info\/marketing-lp-newsletter-ultimas-noticias?utm_source=jota&amp;utm_medium=lp&amp;utm_campaign=23-09-2024-jota-lp-eleicoes-2024-eleicoes-2024-none-audiencias-none&amp;utm_content=eleicoes-2024&amp;utm_term=none\"><span>Assine gratuitamente a newsletter \u00daltimas Not\u00edcias do <span class=\"jota\">JOTA<\/span> e receba as principais not\u00edcias jur\u00eddicas e pol\u00edticas do dia no seu email<\/span><\/a><\/p>\n<p>Pode ser que, nos pr\u00f3ximos dias, novos movimentos recoloquem a montanha-russa nos trilhos e devolvam algum oxig\u00eanio ao senador. Pode ser que a direita encontre outra pauta, outro inimigo, outro esc\u00e2ndalo, outra distra\u00e7\u00e3o. Na pol\u00edtica digital, a pr\u00f3xima notifica\u00e7\u00e3o sempre amea\u00e7a apagar a anterior.<\/p>\n<p>Mas conv\u00e9m n\u00e3o demorar demais.<\/p>\n<p>Fl\u00e1vio foi a Washington buscar ar, mas pode terminar sufocado pela pr\u00f3pria fuma\u00e7a.<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Vivemos sob o regime de permanente breaking news. A pol\u00edtica se realiza hoje em meio a uma dieta digital feita de alertas, cortes, indigna\u00e7\u00f5es instant\u00e2neas e microdoses de dopamina distribu\u00eddas ao longo do dia. A cada hora, um esc\u00e2ndalo. A cada minuto, um enquadramento. 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