{"id":23458,"date":"2026-06-03T05:19:31","date_gmt":"2026-06-03T08:19:31","guid":{"rendered":"https:\/\/aprimora.site\/carvalhoalmeidaadvogados\/2026\/06\/03\/o-avanco-do-crime-organizado-e-o-peso-da-seguranca-publica-na-eleicao\/"},"modified":"2026-06-03T05:19:31","modified_gmt":"2026-06-03T08:19:31","slug":"o-avanco-do-crime-organizado-e-o-peso-da-seguranca-publica-na-eleicao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/aprimora.site\/carvalhoalmeidaadvogados\/2026\/06\/03\/o-avanco-do-crime-organizado-e-o-peso-da-seguranca-publica-na-eleicao\/","title":{"rendered":"O avan\u00e7o do crime organizado e o peso da seguran\u00e7a p\u00fablica na elei\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>Em 2008, foi publicado pela Editora FGV o livro <em>N\u00e3o matar\u00e1s: desenvolvimento, desigualdade e homic\u00eddio<\/em>, do cientista social Gl\u00e1ucio Soares, um dos precursores dos estudos emp\u00edricos sobre viol\u00eancia e seguran\u00e7a p\u00fablica no Brasil. Nele, o pesquisador discorre sobre nuances da criminalidade ainda pouco debatidas no \u00e2mbito acad\u00eamico sob a \u00f3tica da pesquisa cient\u00edfica. O autor introduziu na academia uma perspectiva sistematizada sobre o tema, influenciando, at\u00e9 hoje, a maneira pela qual grandes institutos de pesquisa examinam a seguran\u00e7a p\u00fablica, \u00e0 luz de evid\u00eancias.<\/p>\n<p>Nesse contexto, a realidade, al\u00e9m de ser observada, pode ser medida, testada e comparada. A sistematiza\u00e7\u00e3o dos dados, sejam eles quantitativos ou qualitativos, ocupa um lugar central na an\u00e1lise da criminalidade e deve pressupor \u00a0a tomada de decis\u00e3o.<\/p>\n<p>O Atlas da Viol\u00eancia 2025 e o Anu\u00e1rio Brasileiro de Seguran\u00e7a P\u00fablica, por exemplo, h\u00e1 anos v\u00eam evidenciando um cen\u00e1rio preocupante no Brasil, que em 2024 registrou queda nas mortes violentas intencionais e alcan\u00e7ou a menor taxa de homic\u00eddios dos \u00faltimos 11 anos. Contudo, apesar desse decr\u00e9scimo, somente neste mesmo ano foram contabilizadas cerca de 44 mil mortes violentas no pa\u00eds, o que ainda coloca o Brasil entre as na\u00e7\u00f5es com as maiores taxas de homic\u00eddio do mundo.<\/p>\n<p class=\"jota-cta\"><a href=\"https:\/\/www.jota.info\/produtos\/poder?utm_source=cta-site&amp;utm_medium=site&amp;utm_campaign=campanha_poder_q2&amp;utm_id=cta_texto_poder_q2_2023&amp;utm_term=cta_texto_poder&amp;utm_term=cta_texto_poder_meio_materias\"><span>Conhe\u00e7a o <span class=\"jota\">JOTA<\/span> PRO Poder, plataforma de monitoramento que oferece transpar\u00eancia e previsibilidade para empresas<\/span><\/a><\/p>\n<p>Em grande medida, esse problema \u00e9 atribu\u00eddo \u00e0 presen\u00e7a de um poder paralelo imposto pelo crime organizado. Conforme pesquisa Datafolha encomendada pelo F\u00f3rum Brasileiro de Seguran\u00e7a P\u00fablica, cerca de 68,7 milh\u00f5es de brasileiros, ou 41% da popula\u00e7\u00e3o, afirmam conviver diariamente com a presen\u00e7a do crime organizado nos bairros onde vivem. Al\u00e9m disso, 35% dos entrevistados acreditam que essas organiza\u00e7\u00f5es influenciam diretamente regras, decis\u00f5es e a din\u00e2mica das comunidades locais.<\/p>\n<p>Aproximadamente 12,5% disseram ser obrigados a contratar servi\u00e7os indicados por criminosos, como internet, \u00e1gua ou energia, enquanto 9% relatam press\u00e3o para consumir determinados produtos ou marcas. O medo tamb\u00e9m se manifesta de forma intensa: 75% evitam circular por determinadas \u00e1reas devido \u00e0 viol\u00eancia e 71% das fam\u00edlias temem que parentes se envolvam com o tr\u00e1fico de drogas, evidenciando o poder social e territorial dessas organiza\u00e7\u00f5es em diversas comunidades brasileiras. O medo faz parte do cotidiano dessas pessoas, cuja vida j\u00e1 se encontra sob jugo desigual entre o imp\u00e9rio do crime e o Estado.<\/p>\n<p>Cidades como Morada Nova, no Cear\u00e1, onde o avan\u00e7o do conflito entre fac\u00e7\u00f5es levou moradores a abandonarem suas casas e contribuiu para o esvaziamento do distrito de Uiraponga, ou Cabedelo, cidade tur\u00edstica da Para\u00edba, onde foi instalado um verdadeiro \u201chome office\u201d do crime organizado, ilustram a nova din\u00e2mica da criminalidade no pa\u00eds: alta capilaridade territorial com benef\u00edcios difusos. Em Cabedelo, lideran\u00e7as criminosas controlavam remotamente o territ\u00f3rio e infiltravam-se em empresas contratadas pela prefeitura.<\/p>\n<p>Durante muito tempo, a viol\u00eancia e a criminalidade foram percebidas como problemas restritos aos grandes centros urbanos e tratadas pelos gestores p\u00fablicos como temas secund\u00e1rios na agenda governamental. Em uma vis\u00e3o substancialista, entendia-se que seriam apenas consequ\u00eancias das desigualdades sociais e das idiossincrasias econ\u00f4micas.<\/p>\n<p>Todavia, estudos emp\u00edricos iniciados h\u00e1 d\u00e9cadas por pesquisadores como Soares demonstram que existem outras dimens\u00f5es, isto \u00e9, vari\u00e1veis, que precisam ser consideradas para compreender a din\u00e2mica real da criminalidade no Brasil para s\u00f3 assim elaborar pol\u00edticas p\u00fablicas eficazes, efetivas e eficientes.<\/p>\n<p>Todo esse contexto tem levado os eleitores a pressionarem os candidatos por solu\u00e7\u00f5es. Segundo pesquisas qualitativas da Quaest, a criminalidade e a viol\u00eancia aparecem entre os problemas que mais preocupam os eleitores, fazendo da seguran\u00e7a p\u00fablica uma das principais pol\u00edticas reivindicadas da atua\u00e7\u00e3o estatal.<\/p>\n<p>Entretanto, observa-se que a percep\u00e7\u00e3o sobre o tema varia conforme a classe social do entrevistado. Aqueles inseridos em contextos de maior vulnerabilidade social tendem a condenar a viol\u00eancia policial e reivindicar uma seguran\u00e7a p\u00fablica mais estrat\u00e9gica e menos truculenta. J\u00e1 os grupos economicamente mais est\u00e1veis costumam demandar um Estado mais punitivista e maior prote\u00e7\u00e3o patrimonial.<\/p>\n<p class=\"jota-cta\"><a href=\"https:\/\/conteudo.jota.info\/marketing-lp-newsletter-ultimas-noticias?utm_source=jota&amp;utm_medium=lp&amp;utm_campaign=23-09-2024-jota-lp-eleicoes-2024-eleicoes-2024-none-audiencias-none&amp;utm_content=eleicoes-2024&amp;utm_term=none\"><span>Assine gratuitamente a newsletter \u00daltimas Not\u00edcias do <span class=\"jota\">JOTA<\/span> e receba as principais not\u00edcias jur\u00eddicas e pol\u00edticas do dia no seu email<\/span><\/a><\/p>\n<p>Vencer\u00e1 o candidato que mais pautar a seguran\u00e7a p\u00fablica em seus discursos? N\u00e3o necessariamente. No campo do debate pol\u00edtico, tende a ser melhor percebido aquele que souber posicionar estrategicamente a discuss\u00e3o sobre um tema multidimensional.<\/p>\n<p>Para que haja uma mudan\u00e7a efetiva na realidade da seguran\u00e7a p\u00fablica brasileira, faz-se necess\u00e1rio que os incumbentes e demais candidatos sigam uma m\u00e1xima defendida por Maquiavel no s\u00e9culo 14: cercar-se de pessoas competentes. E quem seriam essas pessoas? Aquelas que, como fazia o professor Gl\u00e1ucio Soares, dedicam-se \u00e0 compreens\u00e3o das pol\u00edticas p\u00fablicas a partir de evid\u00eancias.<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em 2008, foi publicado pela Editora FGV o livro N\u00e3o matar\u00e1s: desenvolvimento, desigualdade e homic\u00eddio, do cientista social Gl\u00e1ucio Soares, um dos precursores dos estudos emp\u00edricos sobre viol\u00eancia e seguran\u00e7a p\u00fablica no Brasil. 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