{"id":23444,"date":"2026-06-02T16:08:20","date_gmt":"2026-06-02T19:08:20","guid":{"rendered":"https:\/\/aprimora.site\/carvalhoalmeidaadvogados\/2026\/06\/02\/cabo-eleitoral-ou-algoz-eua-entram-em-definitivo-na-cena-eleitoral-brasileira\/"},"modified":"2026-06-02T16:08:20","modified_gmt":"2026-06-02T19:08:20","slug":"cabo-eleitoral-ou-algoz-eua-entram-em-definitivo-na-cena-eleitoral-brasileira","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/aprimora.site\/carvalhoalmeidaadvogados\/2026\/06\/02\/cabo-eleitoral-ou-algoz-eua-entram-em-definitivo-na-cena-eleitoral-brasileira\/","title":{"rendered":"Cabo eleitoral ou algoz? EUA entram em definitivo na cena eleitoral brasileira"},"content":{"rendered":"<p><span>A quatro meses da elei\u00e7\u00e3o presidencial, os EUA radicalizam, mostram que a esperada interfer\u00eancia come\u00e7ou e aumentam a press\u00e3o sobre as campanhas. Com uma sucess\u00e3o de sinais contradit\u00f3rios, Donald Trump fez afagos \u00e0 oposi\u00e7\u00e3o liderada pelo cl\u00e3 Bolsonaro, ao mesmo tempo em que mostrou encantamento com o que chamou de qu\u00edmica com o presidente Lula. Ao final, prevalece a ideia do America First. \u00c9 a confirma\u00e7\u00e3o de algo em que o <strong><span class=\"jota\">JOTA<\/span><\/strong> tem insistido: a pol\u00edtica externa ter\u00e1 peso in\u00e9dito nesta elei\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p><span>A classifica\u00e7\u00e3o de fac\u00e7\u00f5es do crime organizado no Brasil como grupos terroristas, como tanto queriam Fl\u00e1vio Bolsonaro e seus apoiadores, e a possibilidade de taxa\u00e7\u00e3o das exporta\u00e7\u00f5es brasileiras em 25%, o que o filho 01 do ex-presidente garantiu ter pedido expressamente que n\u00e3o acontecesse, s\u00e3o medidas que ter\u00e3o impacto direto n\u00e3o s\u00f3 sobre a economia brasileira, mas sobre a cena eleitoral.<\/span><\/p>\n<p class=\"jota-cta\"><a href=\"https:\/\/www.jota.info\/produtos\/poder?utm_source=cta-site&amp;utm_medium=site&amp;utm_campaign=campanha_poder_q2&amp;utm_id=cta_texto_poder_q2_2023&amp;utm_term=cta_texto_poder&amp;utm_term=cta_texto_poder_meio_materias\"><span>Conhe\u00e7a o <span class=\"jota\">JOTA<\/span> PRO Poder, plataforma de monitoramento que oferece transpar\u00eancia e previsibilidade para empresas<\/span><\/a><\/p>\n<p><span>O desafio, por ora, \u00e9 identificar para qual lado a conta pol\u00edtica ser\u00e1 mais favor\u00e1vel. Os dados \u2014ou, mais precisamente, a aus\u00eancia deles \u2014recomendam cautela. O governo ainda n\u00e3o pode afirmar que o epis\u00f3dio enfraqueceu Fl\u00e1vio Bolsonaro, enquanto o senador tamb\u00e9m n\u00e3o disp\u00f5e de evid\u00eancias de que a associa\u00e7\u00e3o com Trump tenha lhe rendido ganhos junto ao eleitorado.<\/span><\/p>\n<h2>O timing foi ruim<\/h2>\n<p><span>Vai ser dif\u00edcil para Fl\u00e1vio dissociar sua foto no Sal\u00e3o Oval da imagem de submiss\u00e3o a Washington, a partir dos acontecimentos. Ainda que a indica\u00e7\u00e3o do novo tarifa\u00e7o j\u00e1 estivesse em curso, a proximidade de seu an\u00fancio \u00e0 visita do candidato da oposi\u00e7\u00e3o a Trump acaba por atrel\u00e1-lo \u00e0 decis\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p><span>Para o governo, que viu que as negocia\u00e7\u00f5es n\u00e3o andavam na dire\u00e7\u00e3o desejada, n\u00e3o deixa de ser um al\u00edvio. O americano passaria de algoz a cabo eleitoral, refor\u00e7ando o discurso da soberania, como no ano passado, quando Lula estava nas cordas. Esta \u00e9 a \u201cbala de prata\u201d para a campanha, como vem sendo chamada pelo entorno do presidente.<\/span><\/p>\n<p><span>Na manh\u00e3 desta ter\u00e7a-feira (2\/6), integrantes da Esplanada dos Minist\u00e9rios estiveram por mais de duas horas na Vice-presid\u00eancia em uma esp\u00e9cie de gabinete de crise. Estavam presentes Geraldo Alckmin, al\u00e9m dos ministros do Desenvolvimento, M\u00e1rcio Elias Rosa, da Secretaria de Comunica\u00e7\u00e3o, Sid\u00f4nio Palmeira, da Fazenda, Dario Durigan, do Planejamento, Bruno Moretti, da Secretaria de Rela\u00e7\u00f5es Institucionais, Jos\u00e9 Guimar\u00e3es, e o embaixador Mauricio Lyrio, pelo Minist\u00e9rio das Rela\u00e7\u00f5es Exteriores. A estrat\u00e9gia \u00e9 decidir os pr\u00f3ximos passos e organizar a narrativa. No Pal\u00e1cio do Planalto, a ordem \u00e9 aprofundar a argumenta\u00e7\u00e3o considerada at\u00e9 aqui bem-sucedida da defesa da soberania e da democracia, al\u00e9m de mirar nos erros da oposi\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<h2>A ala dura prevaleceu<\/h2>\n<p><span>Por mais que os canais de di\u00e1logo se mantenham abertos, o que n\u00e3o era o caso no ano passado, e que os presidentes tenham uma rela\u00e7\u00e3o cordial, o clima da rela\u00e7\u00e3o azedou. Mais do que isso, est\u00e1 claro que h\u00e1 uma disputa de grupos de interesse dentro da administra\u00e7\u00e3o Trump. A ala mais radical, liderada pelo secret\u00e1rio de Estado, Marco Rubio, conseguiu impor-se nas \u00faltimas semanas.<\/span><\/p>\n<p><span>No foco da press\u00e3o da Casa Branca est\u00e3o os meios de pagamento eletr\u00f4nico, sobretudo o Pix, as big techs e os minerais cr\u00edticos. Vale lembrar que estes \u00faltimos ficaram na lista de isen\u00e7\u00e3o dos eventuais 25% que podem ser aplicados ao Brasil, se as negocia\u00e7\u00f5es falharem de vez at\u00e9 15 de julho.<\/span><\/p>\n<p><span>Desde a posse de Trump, a avalia\u00e7\u00e3o dentro do governo Lula era a de que a interfer\u00eancia americana na elei\u00e7\u00e3o era inevit\u00e1vel, como mostrou o <span class=\"jota\">JOTA<\/span> ainda em janeiro, pouco depois da posse do americano.<\/span><\/p>\n<p><span>A maior preocupa\u00e7\u00e3o naquela \u00e9poca, e agora, continua sendo com a press\u00e3o insidiosa, ou escancarada, via big techs, a partir das plataformas e das redes sociais. No arrazoado do relat\u00f3rio preliminar da investiga\u00e7\u00e3o comercial sob a se\u00e7\u00e3o 301 apresentado no final da noite de segunda-feira (1\/6), fica claro que os argumentos do lado americano n\u00e3o mudaram. Nem mesmo ap\u00f3s sucessivas rodadas de negocia\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p><span>O USTR volta a falar em ordens secretas e relembra o caso de Allan dos Santos e Paulo Figueiredo, aliados bolsonaristas, que estiveram em parte das justificativas usadas pela Casa Branca para anunciar o tarifa\u00e7o contra o Brasil em julho de 2025, na carta em que condicionava o percentual \u00e0 interfer\u00eancia no processo que levou o ex-presidiente Jair Bolsonaro \u00e0 pris\u00e3o.<\/span><\/p>\n<h2>Cabo eleitoral ou algoz?<\/h2>\n<p><span>Para Fl\u00e1vio Bolsonaro, o encontro com Trump produziu forte repercuss\u00e3o pol\u00edtica e midi\u00e1tica, mas ainda n\u00e3o se converteu em ganho l\u00edquido de opini\u00e3o p\u00fablica. Um levantamento da Real Time Big Data, empresa de pesquisas ligada \u00e0 Rede Record e ao Republicanos, divulgado ontem, sugere que o epis\u00f3dio n\u00e3o produziu um saldo pol\u00edtico claramente favor\u00e1vel para nenhum dos lados. Segundo a pesquisa, 42% dos entrevistados classificam o encontro como neutro, enquanto avalia\u00e7\u00f5es positivas e negativas sobre o encontro aparecem empatadas em 29%.<\/span><\/p>\n<p><span>A pesquisa n\u00e3o perguntou diretamente sobre as tarifas nem sobre a classifica\u00e7\u00e3o do PCC e do CV como organiza\u00e7\u00f5es terroristas. O que foi medido foi a percep\u00e7\u00e3o dos eleitores sobre o encontro entre Fl\u00e1vio e Trump. O equil\u00edbrio entre avalia\u00e7\u00f5es favor\u00e1veis e desfavor\u00e1veis sugere que, ao mesmo tempo em que o epis\u00f3dio encontra respaldo entre simpatizantes do campo bolsonarista, desperta resist\u00eancia semelhante em outros segmentos do eleitorado. At\u00e9 aqui, portanto, a aproxima\u00e7\u00e3o com Trump parece ter produzido mais visibilidade do que ganho eleitoral para o senador.<\/span><\/p>\n<p><span>Para o Planalto, o risco est\u00e1 em superestimar o potencial de desgaste do advers\u00e1rio decorrente das medidas anunciadas pela administra\u00e7\u00e3o Trump. Lula j\u00e1 foi beneficiado politicamente pelo tarifa\u00e7o imposto por Trump em meados de 2025, epis\u00f3dio que ofereceu ao presidente uma oportunidade de ocupar o centro do debate p\u00fablico sob a bandeira da defesa da soberania nacional, das institui\u00e7\u00f5es, do agroneg\u00f3cio e das empresas do pa\u00eds. O epis\u00f3dio tamb\u00e9m contribuiu para aproximar Lula de eleitores independentes, que n\u00e3o se reconhecem plenamente nem no campo lulista nem no bolsonarista.<\/span><\/p>\n<h2>O limite do crescimento<\/h2>\n<p><span>O contexto atual, contudo, \u00e9 diferente. A poucos meses do in\u00edcio efetivo da disputa presidencial, n\u00e3o est\u00e1 claro quanto espa\u00e7o adicional existe para crescimento eleitoral. O consenso das pesquisas no agregador do <span class=\"jota\">JOTA<\/span> coloca Lula na faixa de 45% a 46% das inten\u00e7\u00f5es de voto totais, j\u00e1 inclu\u00eddos brancos, nulos e indecisos.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span>Trata-se de um n\u00edvel elevado de apoio, que o aproxima da marca simb\u00f3lica de metade do eleitorado. Em outras palavras, mesmo que o epis\u00f3dio produza algum desgaste para o advers\u00e1rio, n\u00e3o \u00e9 evidente que esse dano se traduza automaticamente em amplia\u00e7\u00e3o do apoio para o presidente. Uma tarefa naturalmente mais dif\u00edcil quando se parte de patamares j\u00e1 elevados de inten\u00e7\u00e3o de voto e diante da exist\u00eancia de um contingente expressivo de eleitores que v\u00ea com reservas a perspectiva de um quarto mandato de Lula.<\/span><\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A quatro meses da elei\u00e7\u00e3o presidencial, os EUA radicalizam, mostram que a esperada interfer\u00eancia come\u00e7ou e aumentam a press\u00e3o sobre as campanhas. Com uma sucess\u00e3o de sinais contradit\u00f3rios, Donald Trump fez afagos \u00e0 oposi\u00e7\u00e3o liderada pelo cl\u00e3 Bolsonaro, ao mesmo tempo em que mostrou encantamento com o que chamou de qu\u00edmica com o presidente Lula. 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