{"id":23440,"date":"2026-06-02T14:36:01","date_gmt":"2026-06-02T17:36:01","guid":{"rendered":"https:\/\/aprimora.site\/carvalhoalmeidaadvogados\/2026\/06\/02\/vitoria-ou-fracasso-como-a-copa-pode-influenciar-no-jogo-eleitoral-brasileiro\/"},"modified":"2026-06-02T14:36:01","modified_gmt":"2026-06-02T17:36:01","slug":"vitoria-ou-fracasso-como-a-copa-pode-influenciar-no-jogo-eleitoral-brasileiro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/aprimora.site\/carvalhoalmeidaadvogados\/2026\/06\/02\/vitoria-ou-fracasso-como-a-copa-pode-influenciar-no-jogo-eleitoral-brasileiro\/","title":{"rendered":"Vit\u00f3ria ou fracasso: como a Copa pode influenciar no jogo eleitoral brasileiro"},"content":{"rendered":"<p><span>A ditadura militar no Brasil (1964-1985) mostrou que a apropria\u00e7\u00e3o dos s\u00edmbolos ligados ao futebol, mais especificamente, da sele\u00e7\u00e3o brasileira, pode ser um importante instrumento de propaganda pol\u00edtica e, em alguma medida, de aliena\u00e7\u00e3o das massas.<\/span><\/p>\n<p><span>O exemplo mais bem acabado disso \u00e9 a Copa do Mundo de 1970, no M\u00e9xico, quando o ent\u00e3o presidente, general Em\u00edlio Garrastazu M\u00e9dici, chegou a interferir na convoca\u00e7\u00e3o do \u201cescrete canarinho\u201d, o famoso \u201cEsquadr\u00e3o de Ouro\u201d, e provocou a demiss\u00e3o do jornalista Jo\u00e3o Saldanha do comando t\u00e9cnico do time.<\/span><\/p>\n<p><span>O t\u00edtulo mundial daquela sele\u00e7\u00e3o foi capitalizado pela ditadura e tratado como uma vit\u00f3ria do regime autorit\u00e1rio, o que est\u00e1 longe de ser verdade porque ele foi conquistado dentro de campo por jogadores fant\u00e1sticos, alguns deles, opositores dos militares. Parte dessa hist\u00f3ria est\u00e1 contada na miniss\u00e9rie <em>Brasil 70: A Saga do Tri<\/em>, da Netflix, que acaba de chegar ao streaming.<\/span><\/p>\n<p class=\"jota-cta\"><a href=\"https:\/\/www.jota.info\/produtos\/poder?utm_source=cta-site&amp;utm_medium=site&amp;utm_campaign=campanha_poder_q2&amp;utm_id=cta_texto_poder_q2_2023&amp;utm_term=cta_texto_poder&amp;utm_term=cta_texto_poder_meio_materias\"><span>Conhe\u00e7a o <span class=\"jota\">JOTA<\/span> PRO Poder, plataforma de monitoramento que oferece transpar\u00eancia e previsibilidade para empresas<\/span><\/a><\/p>\n<p><span>Desde ent\u00e3o, grande parte dos brasileiros passou a enxergar o futebol e nossa sele\u00e7\u00e3o n\u00e3o apenas como um time, mas como um s\u00edmbolo manipul\u00e1vel de propaganda. Ap\u00f3s a redemocratiza\u00e7\u00e3o, a Confedera\u00e7\u00e3o Brasileira de Futebol (CBF) manteve seus v\u00ednculos com o mundo da pol\u00edtica, a ponto de a gest\u00e3o de Ricardo Teixeira \u00e0 frente da entidade ter criado no Congresso uma \u201cbancada da bola\u201d, ou seja, parlamentares alinhados com a agenda dos cartolas.<\/span><\/p>\n<p><span>Nesse per\u00edodo, por exemplo, parlamentares e pol\u00edticos que se mostravam leais ou simp\u00e1ticos aos interesses da CBF recebiam jogos da sele\u00e7\u00e3o em seus redutos eleitorais. Para adicionar ainda mais tempero \u00e0 mistura, o calend\u00e1rio eleitoral e a Copa do Mundo caminham juntos no Brasil. Foi assim que, no final de 2001, a sele\u00e7\u00e3o brasileira se classificou para o Mundial do ano seguinte jogando em S\u00e3o Lu\u00eds (MA), da ent\u00e3o governadora e pr\u00e9-candidata ao Planalto, Roseana Sarney, (PFL).<\/span><\/p>\n<p><span>Meses depois, a sele\u00e7\u00e3o se despediu dos gramados nacionais e da torcida brasileira jogando em Fortaleza, em mar\u00e7o de 2002. O Cear\u00e1 era governado por Tasso Jereissati (PSDB), pr\u00e9-candidato ao Senado, simp\u00e1tico \u00e0 CBF e um dos grandes aliados do ent\u00e3o presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB). Naquela altura, Roseana j\u00e1 enfrentava desgaste pol\u00edtico com o caso Lunus, e a CBF achou por bem fazer um agrado ao mundo tucano.<\/span><\/p>\n<p><span>A sele\u00e7\u00e3o brasileira de Ronaldo, Rivaldo e Ronaldinho Ga\u00facho venceu a Copa do Mundo do Jap\u00e3o e da Coreia do Sul, em 2002, e foi recebida por FHC em Bras\u00edlia, com a ta\u00e7a na m\u00e3o e com Vampeta dando cambalhotas. O triunfo canarinho, no entanto, n\u00e3o ajudou o candidato de FHC, Jos\u00e9 Serra (PSDB). Lula (PT) soube transmutar a euforia da torcida em \u201cesperan\u00e7a\u201d e venceu as elei\u00e7\u00f5es daquele ano.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span>Muito mais recentemente, o uso de camisas da sele\u00e7\u00e3o brasileira em manifesta\u00e7\u00f5es pol\u00edticas refor\u00e7ou a percep\u00e7\u00e3o da exist\u00eancia de uma rela\u00e7\u00e3o simb\u00f3lica entre futebol e ideologia, principalmente ap\u00f3s o fortalecimento do chamado \u201cbolsonarismo\u201d, o conjunto de signos, gestos, ideais, teses e atitudes ligadas ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).<\/span><\/p>\n<p><span>Em 2018, quando Bolsonaro se candidatou a presidente e venceu as elei\u00e7\u00f5es, a sele\u00e7\u00e3o brasileira foi eliminada nas quartas-de-final da Copa da R\u00fassia. A derrota para a B\u00e9lgica, se n\u00e3o alterou radicalmente os \u00e2nimos dos eleitores, tamb\u00e9m n\u00e3o serviu para mitigar a sensa\u00e7\u00e3o dominante de que nada andava bem no Brasil, de que todo o \u201csistema\u201d estava podre e tudo precisava ser mudado.<\/span><\/p>\n<p><span>Quatro anos antes, o fiasco da sele\u00e7\u00e3o em solo p\u00e1trio, a derrota por 7 a 1 contra a Alemanha, havia inoculado em parte da popula\u00e7\u00e3o o v\u00edrus da desconfian\u00e7a, do descr\u00e9dito e da baixa autoestima. N\u00e3o apenas com o time, mas com a pr\u00f3pria realiza\u00e7\u00e3o do torneio no Brasil, um festival de suntuosas obras tocadas por empreiteiras e de promessas n\u00e3o cumpridas.<\/span><\/p>\n<p><span>A elimina\u00e7\u00e3o na semifinal contra a Alemanha n\u00e3o foi suficiente para tirar a vit\u00f3ria eleitoral da ent\u00e3o presidente Dilma Rousseff (PT), mas os protestos registrados na ocasi\u00e3o contra a Copa e o mau humor geral ap\u00f3s a derrota, com certeza, foram determinantes na onda de manifesta\u00e7\u00f5es que, menos de um ano depois, culminariam no impeachment da petista.<\/span><\/p>\n<p><span>Em 2022, a Copa do Mundo no Qatar come\u00e7ou quase um m\u00eas depois das elei\u00e7\u00f5es, vencidas por Lula. Assim, a elimina\u00e7\u00e3o nas quartas contra a Cro\u00e1cia n\u00e3o teve interfer\u00eancia nos \u00e2nimos do eleitor na hora de apertar os bot\u00f5es da urna. Agora, por\u00e9m, o cen\u00e1rio \u00e9 diferente, e a pergunta se faz v\u00e1lida: o desempenho do Brasil na Copa pode favorecer ou atrapalhar Lula, Fl\u00e1vio Bolsonaro (PL), Ronaldo Caiado (PSD), Romeu Zema (Novo) e Renan Santos (Miss\u00e3o)?<\/span><\/p>\n<p><span>A resposta, acima de tudo, depender\u00e1 da campanha do Brasil e de seu desempenho dentro de campo. Uma elimina\u00e7\u00e3o humilhante, em tese, dever\u00e1 favorecer a oposi\u00e7\u00e3o, pois aumentar\u00e1 o mau humor geral, o que jamais ajudou os incumbentes. No entanto, os bolsonaristas tentaram se apropriar de tal maneira da camisa da sele\u00e7\u00e3o e de seu universo nacionalista que Fl\u00e1vio tamb\u00e9m tende a sair prejudicado nessa hip\u00f3tese de fracasso retumbante.<\/span><\/p>\n<p class=\"jota-cta\"><a href=\"https:\/\/conteudo.jota.info\/marketing-lp-newsletter-ultimas-noticias?utm_source=jota&amp;utm_medium=lp&amp;utm_campaign=23-09-2024-jota-lp-eleicoes-2024-eleicoes-2024-none-audiencias-none&amp;utm_content=eleicoes-2024&amp;utm_term=none\"><span>Assine gratuitamente a newsletter \u00daltimas Not\u00edcias do <span class=\"jota\">JOTA<\/span> e receba as principais not\u00edcias jur\u00eddicas e pol\u00edticas do dia no seu email<\/span><\/a><\/p>\n<p><span>E em caso de uma vit\u00f3ria, de uma conquista do t\u00edtulo? Obviamente, todo mundo tentar\u00e1 tirar uma lasquinha da ta\u00e7a, especialmente a direita ufanista e verde-amarela, incluindo Caiado, Zema e Renan. Do outro lado, Lula tamb\u00e9m dever\u00e1 embarcar no nacionalismo e empacotar o triunfo como mais uma afirma\u00e7\u00e3o da soberania brasileira, conquistada, justamente, nos EUA, terra de Donald Trump.<\/span><\/p>\n<p><span>Se for campe\u00e3, n\u00e3o sei se a sele\u00e7\u00e3o poder\u00e1 ser recebida em Bras\u00edlia pelo presidente (por conta das regras eleitorais) nem se haver\u00e1 essa inten\u00e7\u00e3o por parte da CBF ou dos jogadores. Caso isso aconte\u00e7a, criar\u00e1 uma imagem poderosa eleitoralmente. De qualquer forma, um triunfo em uma Copa sempre ajuda a desanuviar o ambiente e a abrir a percep\u00e7\u00e3o do eleitor para eventuais avan\u00e7os e conquistas do governo, a famosa \u201cboa vontade\u201d que gera esperan\u00e7a.<\/span><\/p>\n<p><span>Portanto, quando a bola rolar para a sele\u00e7\u00e3o brasileira a partir de 13 de junho, muita gente ter\u00e1 motivos para torcer pelo Brasil, cada um \u00e0 sua maneira e com seus objetivos.<\/span><\/p>\n<h2><span>Vai \u00e9 que tua<\/span><\/h2>\n<p><span>Em tempos de discursos nacionalistas embalados pela Copa, um profundo conhecedor da pol\u00edtica e seus meandros faz uma an\u00e1lise interessante ap\u00f3s os EUA terem proposto tarifa de 25% sobre mercadorias brasileiras. Segundo ele, pela terceira vez (a primeira no tarifa\u00e7o, a segunda na visita presidencial recente e a terceira nessa nova \u201cbatalha do Pix\u201d), Trump d\u00e1 a Lula algo que seu governo tem dificuldade em obter: sentido, prop\u00f3sito, miss\u00e3o e dire\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<h2><span>Vai que \u00e9 tua 2<\/span><\/h2>\n<p><span>Um outro s\u00e1bio analista pondera: a decis\u00e3o deve prejudicar Fl\u00e1vio Bolsonaro. Mas a classifica\u00e7\u00e3o do PCC e do CV como organiza\u00e7\u00f5es terroristas j\u00e1 deu ao filho de Jair uma agenda eleitoral s\u00f3lida, a da seguran\u00e7a p\u00fablica, al\u00e9m de ter refor\u00e7ado sua liga\u00e7\u00e3o com o trumpismo, trazendo-o de novo para o jogo. N\u00e3o fosse isso, do que estar\u00edamos falando? Talvez ainda das liga\u00e7\u00f5es de Fl\u00e1vio com Daniel Vorcaro.<\/span><\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A ditadura militar no Brasil (1964-1985) mostrou que a apropria\u00e7\u00e3o dos s\u00edmbolos ligados ao futebol, mais especificamente, da sele\u00e7\u00e3o brasileira, pode ser um importante instrumento de propaganda pol\u00edtica e, em alguma medida, de aliena\u00e7\u00e3o das massas. 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