{"id":23384,"date":"2026-06-01T06:27:34","date_gmt":"2026-06-01T09:27:34","guid":{"rendered":"https:\/\/aprimora.site\/carvalhoalmeidaadvogados\/2026\/06\/01\/flexibilizacao-de-regras-para-motofrete-exige-responsabilidade-nao-improviso\/"},"modified":"2026-06-01T06:27:34","modified_gmt":"2026-06-01T09:27:34","slug":"flexibilizacao-de-regras-para-motofrete-exige-responsabilidade-nao-improviso","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/aprimora.site\/carvalhoalmeidaadvogados\/2026\/06\/01\/flexibilizacao-de-regras-para-motofrete-exige-responsabilidade-nao-improviso\/","title":{"rendered":"Flexibiliza\u00e7\u00e3o de regras para motofrete exige responsabilidade, n\u00e3o improviso"},"content":{"rendered":"<p>O Brasil vive hoje uma grave crise de seguran\u00e7a vi\u00e1ria. Em 2024, o pa\u00eds registrou 37.150 mortes no tr\u00e2nsito, o maior n\u00famero desde 2016. As estat\u00edsticas revelam ainda um dado alarmante: o crescimento acelerado da letalidade envolvendo motociclistas.<\/p>\n<p>Segundo o Atlas da Viol\u00eancia, levantamento recente do Instituto de Pesquisa Econ\u00f4mica Aplicada (Ipea) e do F\u00f3rum Brasileiro de Seguran\u00e7a P\u00fablica (FBSP), as mortes pelo uso de motocicletas correspondem a 41,6% dos \u00f3bitos.<\/p>\n<p class=\"jota-cta\"><a href=\"https:\/\/www.jota.info\/produtos\/poder?utm_source=cta-site&amp;utm_medium=site&amp;utm_campaign=campanha_poder_q2&amp;utm_id=cta_texto_poder_q2_2023&amp;utm_term=cta_texto_poder&amp;utm_term=cta_texto_poder_meio_materias\"><span>Conhe\u00e7a o <span class=\"jota\">JOTA<\/span> PRO Poder, plataforma de monitoramento que oferece transpar\u00eancia e previsibilidade para empresas<\/span><\/a><\/p>\n<p>Diante desse cen\u00e1rio, \u00e9 preocupante a decis\u00e3o do governo federal de flexibilizar exig\u00eancias de qualifica\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica para motofretistas e mototaxistas por meio da <a href=\"https:\/\/www.congressonacional.leg.br\/materias\/medidas-provisorias\/-\/mpv\/174221\">MP 1.360\/2026<\/a>. A retirada da obrigatoriedade do curso especializado para profissionais que atuam no transporte remunerado sobre duas rodas representa um relevante retrocesso em uma atividade reconhecidamente exposta a elevados riscos operacionais e humanos.<\/p>\n<p>N\u00e3o se trata de debater uma burocracia, mas de priorizar a preserva\u00e7\u00e3o de vidas. N\u00e3o h\u00e1 d\u00favidas de que a forma\u00e7\u00e3o especializada desses profissionais \u00e9 um instrumento essencial de preven\u00e7\u00e3o de acidentes, condu\u00e7\u00e3o defensiva, gerenciamento de riscos e conscientiza\u00e7\u00e3o sobre responsabilidade no tr\u00e2nsito.<\/p>\n<p>Portanto, \u00e9 imperativo deduzir que qualifica\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica n\u00e3o pode ser tratada como mera exig\u00eancia formal ou entrave regulat\u00f3rio. \u00c9 uma pol\u00edtica p\u00fablica voltada diretamente \u00e0 preserva\u00e7\u00e3o da vida e \u00e0 redu\u00e7\u00e3o da viol\u00eancia vi\u00e1ria.<\/p>\n<p>E nenhuma pol\u00edtica p\u00fablica s\u00e9ria pode ignorar que estamos discutindo uma atividade de alto risco, que exige preparo t\u00e9cnico m\u00ednimo para proteger trabalhadores, passageiros e toda a sociedade. O pa\u00eds j\u00e1 assistiu, em diferentes momentos, \u00e0 ado\u00e7\u00e3o de decis\u00f5es de forte impacto midi\u00e1tico, mas de baixa sustentabilidade t\u00e9cnica e institucional. Seguran\u00e7a p\u00fablica, rela\u00e7\u00f5es de trabalho e mobilidade urbana n\u00e3o podem ser tratadas sob a l\u00f3gica do improviso.<\/p>\n<p>Paralelamente, \u00e9 preciso observar com cautela iniciativas que, ainda que sob o argumento de est\u00edmulo econ\u00f4mico, acabam por refor\u00e7ar a l\u00f3gica de valoriza\u00e7\u00e3o do transporte individual em detrimento de solu\u00e7\u00f5es coletivas. Esse movimento aprofunda desequil\u00edbrios j\u00e1 evidentes nas grandes cidades, onde a expans\u00e3o da frota individual est\u00e1 associada ao aumento dos congestionamentos, da sinistralidade e da press\u00e3o sobre a infraestrutura urbana.<\/p>\n<p>Al\u00e9m dos impactos sobre a seguran\u00e7a vi\u00e1ria, essa orienta\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m contraria compromissos ambientais relevantes. O transporte individual responde por parcela expressiva das emiss\u00f5es do setor, enquanto o transporte coletivo, mais eficiente por passageiro transportado, contribui para reduzir poluentes e racionalizar o uso do espa\u00e7o urbano. Priorizar pol\u00edticas p\u00fablicas com maior retorno coletivo, portanto, n\u00e3o \u00e9 apenas uma quest\u00e3o de mobilidade, mas de sa\u00fade p\u00fablica, sustentabilidade e qualidade de vida nas cidades.<\/p>\n<p>Chama a aten\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m a tramita\u00e7\u00e3o na C\u00e2mara dos Deputados de um marco regulat\u00f3rio para o trabalho de motoristas e entregadores de aplicativos. A regulamenta\u00e7\u00e3o deve assegurar mecanismos de financiamento da previd\u00eancia, condizentes com a realidade da presta\u00e7\u00e3o do servi\u00e7o. Al\u00e9m disso, conceder instrumentos sindicais t\u00edpicos a trabalhadores de aplicativo sem impor \u00e0s plataformas os mesmos \u00f4nus e obriga\u00e7\u00f5es das empresas convencionais agrava a assimetria concorrencial no transporte.<\/p>\n<p>Portanto, o Brasil precisa de pol\u00edticas estruturantes, de m\u00e9dio e longo prazo, e n\u00e3o de atalhos que buscam repercuss\u00e3o imediata. A experi\u00eancia mostra que flexibiliza\u00e7\u00f5es sem crit\u00e9rios tendem a produzir consequ\u00eancias severas: aumento de acidentes, maior press\u00e3o sobre o SUS, crescimento de afastamentos previdenci\u00e1rios, inseguran\u00e7a jur\u00eddica e eleva\u00e7\u00e3o dos custos sociais e econ\u00f4micos para o pa\u00eds. O aparente benef\u00edcio imediato frequentemente se converte em preju\u00edzo coletivo duradouro.<\/p>\n<p class=\"jota-cta\"><a href=\"https:\/\/conteudo.jota.info\/marketing-lp-newsletter-ultimas-noticias?utm_source=jota&amp;utm_medium=lp&amp;utm_campaign=23-09-2024-jota-lp-eleicoes-2024-eleicoes-2024-none-audiencias-none&amp;utm_content=eleicoes-2024&amp;utm_term=none\"><span>Assine gratuitamente a newsletter \u00daltimas Not\u00edcias do <span class=\"jota\">JOTA<\/span> e receba as principais not\u00edcias jur\u00eddicas e pol\u00edticas do dia no seu email<\/span><\/a><\/p>\n<p>O setor de transportes conhece bem de perto essa realidade. Todos os avan\u00e7os obtidos nas \u00faltimas d\u00e9cadas em seguran\u00e7a vi\u00e1ria vieram justamente da combina\u00e7\u00e3o entre fiscaliza\u00e7\u00e3o, profissionaliza\u00e7\u00e3o, educa\u00e7\u00e3o no tr\u00e2nsito e exig\u00eancia t\u00e9cnica. Enfraquecer esses pilares, como indica a Medida Provis\u00f3ria 1.360, \u00e9 caminhar na dire\u00e7\u00e3o oposta ao que o Brasil precisa.<\/p>\n<p>Modernizar regras \u00e9 leg\u00edtimo, mas n\u00e3o se pode, dentro dessa premissa, fragilizar mecanismos m\u00ednimos de seguran\u00e7a. A CNT seguir\u00e1 defendendo que gera\u00e7\u00e3o de oportunidades, simplifica\u00e7\u00e3o regulat\u00f3ria e desenvolvimento econ\u00f4mico caminhem lado a lado com responsabilidade, qualifica\u00e7\u00e3o profissional e preserva\u00e7\u00e3o da vida.<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Brasil vive hoje uma grave crise de seguran\u00e7a vi\u00e1ria. Em 2024, o pa\u00eds registrou 37.150 mortes no tr\u00e2nsito, o maior n\u00famero desde 2016. As estat\u00edsticas revelam ainda um dado alarmante: o crescimento acelerado da letalidade envolvendo motociclistas. 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