{"id":23307,"date":"2026-05-28T11:02:01","date_gmt":"2026-05-28T14:02:01","guid":{"rendered":"https:\/\/aprimora.site\/carvalhoalmeidaadvogados\/2026\/05\/28\/reducao-para-40h-em-2-anos-ameaca-557-mil-empregos-formais\/"},"modified":"2026-05-28T11:02:01","modified_gmt":"2026-05-28T14:02:01","slug":"reducao-para-40h-em-2-anos-ameaca-557-mil-empregos-formais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/aprimora.site\/carvalhoalmeidaadvogados\/2026\/05\/28\/reducao-para-40h-em-2-anos-ameaca-557-mil-empregos-formais\/","title":{"rendered":"Redu\u00e7\u00e3o para 40h em 2 anos amea\u00e7a 557 mil empregos formais"},"content":{"rendered":"<p>A <a href=\"https:\/\/www.jota.info\/legislativo\/camara-dos-deputados-aprova-pec-sobre-o-fim-da-escala-6x1\">PEC do fim da escala 6\u00d71<\/a>, que reduz a jornada semanal m\u00e1xima de trabalho de 44 para 40 horas, ganhou desenho de transi\u00e7\u00e3o gradual: dois anos para chegar ao novo teto, \u00e0 raz\u00e3o de duas horas a menos por ano. A proposta \u00e9 mais branda que a vers\u00e3o original \u2014 que falava em 36 horas semanais \u2014 e procura responder \u00e0 cr\u00edtica de que cortes mais agressivos comprometeriam o emprego formal.<\/p>\n<p>Mesmo nesse formato suavizado, contudo, simula\u00e7\u00e3o setorial calibrada com a PNADc 2025, dados do Observat\u00f3rio da Produtividade Regis Bonelli (FGV\/IBRE) e a RAIS 2023 estima uma perda de empregos formais celetistas no setor privado de 557 mil postos em um per\u00edodo de seis anos em rela\u00e7\u00e3o ao cen\u00e1rio sem reforma.<\/p>\n<p class=\"jota-cta\"><a href=\"https:\/\/conteudo.jota.info\/marketing-lp-conversao-jota-pro-trabalhista?utm_source=site&amp;utm_medium=lp&amp;utm_campaign=11-03-2025-site-lp-cta-pro-trabalhista-lead-site-audiencias-trabalhista&amp;utm_content=site-lp-cta-pro-trabalhista-lead-site-trabalhista&amp;utm_term=audiencias\"><span class=\"jota\">JOTA<\/span> PRO Trabalhista \u2013 Conhe\u00e7a a solu\u00e7\u00e3o corporativa que antecipa as principais movimenta\u00e7\u00f5es trabalhistas no Judici\u00e1rio, Legislativo e Executivo<\/a><\/p>\n<p>A trajet\u00f3ria \u00e9 progressiva: 111 mil postos a menos no primeiro ano, 342 mil no segundo, 456 mil no terceiro, com estabiliza\u00e7\u00e3o pr\u00f3xima de 557 mil entre o quinto e o sexto ano. O choque se concentra nos setores em que a maior parte dos v\u00ednculos j\u00e1 opera no teto de 44 horas: ind\u00fastria, constru\u00e7\u00e3o, com\u00e9rcio e agropecu\u00e1ria re\u00fanem mais de 90% dos celetistas privados com jornada contratual acima de 40 horas, segundo a RAIS.<\/p>\n<p>O efeito sobre a informalidade \u00e9 menor em magnitude, mas direcionalmente claro: a taxa oficial PNADc subiria de 37,8% para 38,2%, um acr\u00e9scimo de 0,4 ponto percentual. Parte dos trabalhadores deslocados do formal celetista migra para o setor informal \u2014 perdendo carteira, FGTS, 13\u00ba e contribui\u00e7\u00e3o previdenci\u00e1ria; o restante engrossa a fila do desemprego.<\/p>\n<p>A compensa\u00e7\u00e3o que zera a perda do trabalho formal tem pre\u00e7o definido. A al\u00edquota do FGTS \u2014 hoje em 8% sobre a folha, depositada na conta vinculada do trabalhador \u2014 teria de ser reduzida em 5 pontos percentuais, para 3%. O mecanismo \u00e9 direto: al\u00edquota menor reduz o custo de contrata\u00e7\u00e3o e compensa, na margem, o encarecimento do sal\u00e1rio-hora trazido pela jornada menor.<\/p>\n<p class=\"jota-cta\"><a href=\"https:\/\/conteudo.jota.info\/cadastro-em-newsletter-saideira-jota-pro-trabalhista\">Receba gratuitamente no seu email as principais not\u00edcias sobre o Direito do Trabalho<\/a><\/p>\n<p>A escolha entre \u201cPEC 6\u00d71 sem mexer em encargos\u201d e \u201cPEC 6\u00d71 com compensa\u00e7\u00e3o\u201d \u00e9, no fim, sobre qual lado da equa\u00e7\u00e3o absorve o ajuste: trabalhadores via desemprego e migra\u00e7\u00e3o para a informalidade, ou trabalhadores via ren\u00fancia de mais da metade da contribui\u00e7\u00e3o que financia seu patrim\u00f4nio futuro.<\/p>\n<p>*<\/p>\n<h2>Ap\u00eandice metodol\u00f3gico<\/h2>\n<p><strong>Modelo<\/strong><\/p>\n<p>Equil\u00edbrio parcial setorial de demanda por trabalho com ajuste din\u00e2mico. Para cada um dos dez grupamentos de atividade da PNADc, o choque de custo unit\u00e1rio do trabalho efetivo combina dois canais: (i) o salto do sal\u00e1rio-hora pela raz\u00e3o entre a jornada contratual original e a nova, sob hip\u00f3tese de irredutibilidade salarial (CF\/88, art. 7\u00ba, VI), descontado da recupera\u00e7\u00e3o parcial de produtividade hor\u00e1ria, e ponderado pela parcela do setor que opera acima do novo teto; e (ii) a varia\u00e7\u00e3o proporcional do custo de folha decorrente da mudan\u00e7a da al\u00edquota do FGTS. A demanda por trabalho formal responde ao choque agregado pela elasticidade-pre\u00e7o pr\u00f3pria do emprego.<\/p>\n<p>A migra\u00e7\u00e3o para o setor informal absorve uma fra\u00e7\u00e3o das vagas formais perdidas; o restante sai para o desemprego. A din\u00e2mica converge ao novo equil\u00edbrio segundo um modelo de ajuste parcial \u00e0 la Caballero, Engel e Haltiwanger (1997). A al\u00edquota de FGTS que neutraliza a queda de empregos formais no sexto ano \u00e9 obtida por busca num\u00e9rica (bissec\u00e7\u00e3o).<\/p>\n<p><strong>Calibra\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>Universo afetado: 39,09 milh\u00f5es de empregados com carteira no setor privado; popula\u00e7\u00e3o ocupada total de 102,02 milh\u00f5es; jornada contratual m\u00e9dia ponderada de 41,2 horas semanais. Par\u00e2metros estruturais: elasticidade-pre\u00e7o da demanda por trabalho formal \u03b5LD = \u22120,50; recupera\u00e7\u00e3o de produtividade hor\u00e1ria \u03b1 = 0,40; fra\u00e7\u00e3o das vagas formais perdidas que migra para a informalidade \u03c1FI = 0,50; velocidade de ajuste \u03bb = 0,50 ao ano; encargos sobre folha = 103%. Cen\u00e1rio de transi\u00e7\u00e3o da jornada: 44 \u2192 42 \u2192 40 \u2192 40 \u2192 40 \u2192 40 horas; cen\u00e1rio de transi\u00e7\u00e3o do FGTS resolvido endogenamente para zerar a varia\u00e7\u00e3o de empregos formais no ano 6.<\/p>\n<p><strong>Fontes de dados<\/strong><\/p>\n<p>PNADc trimestral (IBGE\/SIDRA). Novo CAGED (Minist\u00e9rio do Trabalho e Emprego), Jan\u2013Dez 2025. Observat\u00f3rio da Produtividade Regis Bonelli (FGV\/IBRE), s\u00e9ries setoriais 1995\u20132025 e Tabelas 1 e 2 de Barbosa Filho e Peruchetti (2025). RAIS 2023 (MTE), distribui\u00e7\u00e3o de v\u00ednculos por faixa de jornada contratual e CNAE 2.0 Divis\u00e3o.<\/p>\n<p>Barbosa Filho, F. H. (2025). Potenciais custos do fim da Jornada 6\u00d71. FGV\/IBRE. \u2014 Barbosa Filho, F. H., e Peruchetti, P. (2025). Impactos setoriais da redu\u00e7\u00e3o da jornada de trabalho. FGV\/IBRE. \u2014 Barros, R., Corseuil, C., e Bahia, M. (1999). Labor market regulations and the duration of employment in Brazil. IPEA. \u2014 Caballero, R., Engel, E., e Haltiwanger, J. (1997). Aggregate employment dynamics: Building from microeconomic evidence. American Economic Review, 87(1). \u2014 Engbom, N., e Moser, C. (2022). Earnings inequality and the minimum wage: Evidence from Brazil. American Economic Review, 112(12). \u2014 Gonzaga, Gustavo M., Na\u00e9rcio Aquino Menezes Filho, and Jos\u00e9 M\u00e1rcio Camargo. \u201cOs efeitos da redu\u00e7\u00e3o da jornada de trabalho de 48 para 44 horas semanais em 1988.\u201d <em>Revista Brasileira de Economia<\/em>\u00a057 (2003): 369-400. \u2014 Hamermesh, D. (1993). Labor Demand. Princeton University Press. \u2014 Meghir, C., Narita, R., e Robin, J.-M. (2015). Wages and informality in developing countries. American Economic Review, 105(4). \u2014 Pastore, J. (2004). Informalidade: estragos e solu\u00e7\u00f5es. Trabalho apresentado no Congresso do COPPEAD, Rio de Janeiro. \u2014 Pencavel, J. (2015). The productivity of working hours. Economic Journal, 125. \u2014 Ulyssea, G. (2018). Firms, informality, and development: Theory and evidence from Brazil. American Economic Review, 108(8).<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A PEC do fim da escala 6\u00d71, que reduz a jornada semanal m\u00e1xima de trabalho de 44 para 40 horas, ganhou desenho de transi\u00e7\u00e3o gradual: dois anos para chegar ao novo teto, \u00e0 raz\u00e3o de duas horas a menos por ano. 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