{"id":23177,"date":"2026-05-25T06:54:17","date_gmt":"2026-05-25T09:54:17","guid":{"rendered":"https:\/\/aprimora.site\/carvalhoalmeidaadvogados\/2026\/05\/25\/qual-o-futuro-do-esg\/"},"modified":"2026-05-25T06:54:17","modified_gmt":"2026-05-25T09:54:17","slug":"qual-o-futuro-do-esg","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/aprimora.site\/carvalhoalmeidaadvogados\/2026\/05\/25\/qual-o-futuro-do-esg\/","title":{"rendered":"Qual o futuro do ESG?"},"content":{"rendered":"<p>No Brasil, a Comiss\u00e3o de Valores Mobili\u00e1rios (<a href=\"https:\/\/www.jota.info\/tudo-sobre\/CVM\">CVM<\/a>) divulgou, recentemente, um <a href=\"https:\/\/www.gov.br\/cvm\/pt-br\/centrais-de-conteudo\/publicacoes\/estudos\/arr_rcvm59_informacoes_asg_no_fre.pdf\">estudo<\/a> acerca da efic\u00e1cia da Agenda Regulat\u00f3ria <a href=\"https:\/\/conteudo.cvm.gov.br\/legislacao\/resolucoes\/resol059.html\">CVM 59<\/a> sobre o <a href=\"https:\/\/www.jota.info\/tudo-sobre\/ESG\">ESG<\/a> (boas pr\u00e1ticas ambientais, sociais e de governan\u00e7a) nos formul\u00e1rios de refer\u00eancia de empresas listadas em Bolsa, concluindo que houve amplia\u00e7\u00e3o da transpar\u00eancia ESG no mercado de capitais do Brasil.<\/p>\n<p>O estudo tra\u00e7a uma cronologia da regula\u00e7\u00e3o brasileira e coteja com as principais jurisdi\u00e7\u00f5es internacionais (Estados Unidos, Uni\u00e3o Europeia, Reino Unido, Austr\u00e1lia e China). O trabalho foi elaborado pela Assessoria de An\u00e1lise Econ\u00f4mica, Gest\u00e3o de Riscos e Integridade (ASA) da CVM.<\/p>\n<p class=\"jota-cta\"><a href=\"https:\/\/www.jota.info\/produtos\/poder?utm_source=cta-site&amp;utm_medium=site&amp;utm_campaign=campanha_poder_q2&amp;utm_id=cta_texto_poder_q2_2023&amp;utm_term=cta_texto_poder&amp;utm_term=cta_texto_poder_meio_materias\"><span>Conhe\u00e7a o <span class=\"jota\">JOTA<\/span> PRO Poder, plataforma de monitoramento que oferece transpar\u00eancia e previsibilidade para empresas<\/span><\/a><\/p>\n<p>A ideia de que os relat\u00f3rios ESG atuam como ferramentas de transpar\u00eancia e presta\u00e7\u00e3o de contas j\u00e1 est\u00e1 amplamente difundida. Eles permitem que os stakeholders (investidores, consumidores, \u00f3rg\u00e3os reguladores, colaboradores, comunidade, governo, m\u00eddia etc.) compreendam como a empresa administra seus riscos, oportunidades e impactos sustent\u00e1veis.<\/p>\n<p>Em um ambiente de neg\u00f3cios cada vez mais complexo, em decorr\u00eancia de conflitos socioambientais e geopol\u00edticos, essa transpar\u00eancia se tornou um diferencial competitivo e, em muitos casos, um requisito b\u00e1sico para a sobreviv\u00eancia corporativa.<\/p>\n<p>Em 2004, quando o conceito ESG come\u00e7ava a tomar forma com base na <a href=\"https:\/\/documents1.worldbank.org\/curated\/en\/280911488968799581\/pdf\/113237-WP-WhoCaresWins-2004.pdf\">publica\u00e7\u00e3o<\/a> do Banco Mundial e do Pacto Global da ONU (<em>Who Cares Wins<\/em>), juntamente com a provoca\u00e7\u00e3o do ent\u00e3o secret\u00e1rio-geral da ONU, Kofi Annan, \u00e0s maiores institui\u00e7\u00f5es financeiras para capitanearem uma transforma\u00e7\u00e3o mundial; n\u00e3o se poderia prever que esses crit\u00e9rios, antes restritos a um nicho, ganhariam peso estrat\u00e9gico e influenciariam a cultura, os neg\u00f3cios e o futuro das empresas.<\/p>\n<p>Em curto per\u00edodo de tempo, o ESG ganhou vida pr\u00f3pria. Como afirma um dos intelectuais mais originais do Brasil, o ge\u00f3grafo Milton Santos[1], \u201c\u00e9 l\u00edcito dizer que o futuro s\u00e3o muitos; e resultar\u00e3o de arranjos diferentes, segundo nosso grau de consci\u00eancia, entre o reino das possibilidades e o reino das vontades\u201d. \u00c9 nesse espectro que podemos analisar o futuro do ESG.<\/p>\n<p>No reino das possibilidades est\u00e1 a transpar\u00eancia, um conceito-chave para o ESG, especialmente diante de um cen\u00e1rio no qual as empresas s\u00e3o cada vez mais cobradas por ampliar a coer\u00eancia entre o discurso e a pr\u00e1tica sustent\u00e1vel. Nesse contexto, a transpar\u00eancia funciona como o mecanismo que permite verificar, comparar e confiar \u2014 algo que se torna ainda mais evidente diante do fato de o ESG depender de informa\u00e7\u00f5es confi\u00e1veis.<\/p>\n<p>Sem d\u00favida, um dos aspectos mais relevantes dos relat\u00f3rios ESG est\u00e1 em sua contribui\u00e7\u00e3o para a transpar\u00eancia financeira. Ao integrar informa\u00e7\u00f5es socioambientais com dados econ\u00f4micos, as empresas oferecem uma vis\u00e3o mais completa de sua performance e permitem aos stakeholders avaliarem resultados imediatos.<\/p>\n<p>A transpar\u00eancia financeira associada ao ESG reduz assimetrias de informa\u00e7\u00e3o, aumenta a previsibilidade e fortalece a confian\u00e7a. Em mercados vol\u00e1teis, essa confian\u00e7a \u00e9 um ativo valioso, capaz de influenciar decis\u00f5es de investimento, parcerias e at\u00e9 mesmo pol\u00edticas p\u00fablicas.<\/p>\n<p>No reino das vontades est\u00e1 a complexidade regulat\u00f3ria \u2014 caso das normas que se equilibram diante das dificuldades de padronizar as divulga\u00e7\u00f5es de dados ESG. Nessa perspectiva, a transpar\u00eancia deixa de ser volunt\u00e1ria e se torna uma exig\u00eancia estrat\u00e9gica. Al\u00e9m disso, a transpar\u00eancia reduz o risco de <em>greenwashing<\/em> e <em>social washing<\/em>, pr\u00e1ticas que corroem a confian\u00e7a e podem gerar danos reputacionais severos.<\/p>\n<p>Nos arranjos do futuro poss\u00edvel, h\u00e1 quem reforce que o ESG est\u00e1 moldando o futuro econ\u00f4mico global ao delinear as mitiga\u00e7\u00f5es e adapta\u00e7\u00f5es \u00e0s altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas; ao compromisso social com a diversidade e melhores condi\u00e7\u00f5es de trabalho; e a uma governan\u00e7a voltada a pr\u00e1ticas negociais mais \u00e9ticas, com um conselho administrativo mais inclusivo, trazendo para o centro do debate a gest\u00e3o de g\u00eanero.<\/p>\n<p>Pelos dados do presente, o ESG deixa antever que est\u00e1 longe da satura\u00e7\u00e3o e parece muito resistente \u00e0s press\u00f5es conflitantes, especialmente dos par\u00e2metros de conformidade, sejam da Uni\u00e3o Europeia, dos Estados Unidos, da China ou de outros pa\u00edses. Na verdade, encontra-se em um momento de transforma\u00e7\u00e3o profunda, no qual amadurece como pr\u00e1tica empresarial ao mesmo tempo em que se expande para novas fronteiras regulat\u00f3rias, tecnol\u00f3gicas e estrat\u00e9gicas. Seu potencial continua em ascens\u00e3o porque combina elementos de inova\u00e7\u00e3o, vantagem competitiva e press\u00e3o regulat\u00f3ria crescente.<\/p>\n<p>\u00c0 medida que o ESG incorporou os Objetivos de Desenvolvimento Sustent\u00e1vel (<a href=\"https:\/\/www.jota.info\/tudo-sobre\/ODS\">ODS<\/a>) da ONU e se alinhou a marcos regulat\u00f3rios, como a Lei de Cadeia de Abastecimento (<em>Supply Chain Due Diligence<\/em>) da Uni\u00e3o Europeia, ampliou seu escopo e aprofundou sua relev\u00e2ncia. A cadeia de suprimentos, ali\u00e1s, permanece como um dos pontos mais vulner\u00e1veis e cr\u00edticos dos riscos ESG \u2014 justamente por envolver m\u00faltiplos atores, diferentes jurisdi\u00e7\u00f5es e n\u00edveis variados de conformidade socioambiental.<\/p>\n<p>Esse movimento demonstra que o ESG n\u00e3o est\u00e1 em decl\u00ednio. Pelo contr\u00e1rio: est\u00e1 entrando em uma fase mais exigente, t\u00e9cnica e estrat\u00e9gica, na qual empresas que tratam o tema apenas como reputa\u00e7\u00e3o tendem a perder espa\u00e7o para aquelas que o integram \u00e0 inova\u00e7\u00e3o e \u00e0 governan\u00e7a de riscos.<\/p>\n<p>No reino da vontade, a Lei da Cadeia de Suprimentos, consagrada em normas como a <em>Lieferkettengesetz<\/em> alem\u00e3, a Diretiva Europeia de <em>Due Diligence<\/em> e outros instrumentos regulat\u00f3rios internacionais, representa um dos movimentos mais relevantes para o futuro do ESG. Seu prop\u00f3sito central \u00e9 assegurar que empresas monitorem, previnam e solucionem viola\u00e7\u00f5es socioambientais ao longo de toda a cadeia de valor, abrangendo desde fornecedores diretos at\u00e9 impactos indiretos relacionados aos direitos humanos, \u00e0 preven\u00e7\u00e3o do trabalho infantil e do trabalho for\u00e7ado e \u00e0 mitiga\u00e7\u00e3o de danos ambientais.<\/p>\n<p>O ESG estabelece a vis\u00e3o, os compromissos e as metas de longo prazo das organiza\u00e7\u00f5es, enquanto a legisla\u00e7\u00e3o sobre cadeias de suprimentos fornece os instrumentos pr\u00e1ticos para que tais objetivos sejam efetivamente cumpridos. Trata-se de uma rela\u00e7\u00e3o de complementaridade em que sustentabilidade, governan\u00e7a e responsabilidade corporativa deixam de ser apenas diferenciais reputacionais e passam a constituir exig\u00eancias concretas do ambiente econ\u00f4mico global.<\/p>\n<p>Sob a perspectiva temporal, o ESG projeta tend\u00eancias futuras, metas clim\u00e1ticas e estrat\u00e9gias de sustentabilidade de longo prazo, enquanto a Lei da Cadeia de Suprimentos atua na corre\u00e7\u00e3o imediata de riscos e danos existentes. Essa intera\u00e7\u00e3o entre vis\u00e3o estrat\u00e9gica e conformidade regulat\u00f3ria tende a definir a pr\u00f3xima etapa da governan\u00e7a corporativa global, sendo a inclus\u00e3o dos crit\u00e9rios ESG na cadeia global um <a href=\"https:\/\/felss.com\/en\/blog\/focus-on-sustainability-how-esg-is-shaping-the-future-of-the-global-economy\/\">processo cont\u00ednuo<\/a>.<\/p>\n<p>Para as empresas, essa complementaridade possui import\u00e2ncia crescente em raz\u00e3o do endurecimento regulat\u00f3rio internacional e da press\u00e3o exercida por stakeholders mais empoderados e organismos multilaterais. A integra\u00e7\u00e3o entre ESG e normas de <em>due diligence<\/em> fortalece a governan\u00e7a corporativa, reduz riscos legais e reputacionais, amplia o acesso a mercados internacionais, melhora a efici\u00eancia operacional e aumenta a resili\u00eancia das cadeias de valor.<\/p>\n<p class=\"jota-cta\"><a href=\"https:\/\/conteudo.jota.info\/marketing-lp-newsletter-ultimas-noticias?utm_source=jota&amp;utm_medium=lp&amp;utm_campaign=23-09-2024-jota-lp-eleicoes-2024-eleicoes-2024-none-audiencias-none&amp;utm_content=eleicoes-2024&amp;utm_term=none\"><span>Assine gratuitamente a newsletter \u00daltimas Not\u00edcias do <span class=\"jota\">JOTA<\/span> e receba as principais not\u00edcias jur\u00eddicas e pol\u00edticas do dia no seu email<\/span><\/a><\/p>\n<p>No futuro do ESG est\u00e3o presentes nuances que misturam o reino das possibilidades e o da vontade, a que se referiu Milton Santos. O futuro emerge justamente do choque entre esses dois reinos. Quando as possibilidades avan\u00e7am mais r\u00e1pido do que as vontades, cria-se um vazio: tecnologias que n\u00e3o encontram prop\u00f3sito, mudan\u00e7as que n\u00e3o encontram ades\u00e3o, solu\u00e7\u00f5es que n\u00e3o encontram defensores.<\/p>\n<p>Quando as vontades avan\u00e7am mais r\u00e1pido do que as possibilidades, instala-se a frustra\u00e7\u00e3o: desejos que n\u00e3o se realizam, promessas que n\u00e3o se sustentam, projetos que n\u00e3o encontram meios para existir. O conflito entre possibilidades e vontades ser\u00e1, portanto, o motor propulsor da hist\u00f3ria futura do ESG.<\/p>\n<p>[1] SANTOS, Milton. Por uma outra globaliza\u00e7\u00e3o. 34\u00aa ed. Rio de Janeiro: Record, 2022, p.183.<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No Brasil, a Comiss\u00e3o de Valores Mobili\u00e1rios (CVM) divulgou, recentemente, um estudo acerca da efic\u00e1cia da Agenda Regulat\u00f3ria CVM 59 sobre o ESG (boas pr\u00e1ticas ambientais, sociais e de governan\u00e7a) nos formul\u00e1rios de refer\u00eancia de empresas listadas em Bolsa, concluindo que houve amplia\u00e7\u00e3o da transpar\u00eancia ESG no mercado de capitais do Brasil. 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