{"id":22918,"date":"2026-05-14T20:27:24","date_gmt":"2026-05-14T23:27:24","guid":{"rendered":"https:\/\/aprimora.site\/carvalhoalmeidaadvogados\/2026\/05\/14\/os-desafios-dos-departamentos-juridicos-de-empresas-responsaveis-por-grandes-eventos\/"},"modified":"2026-05-14T20:27:24","modified_gmt":"2026-05-14T23:27:24","slug":"os-desafios-dos-departamentos-juridicos-de-empresas-responsaveis-por-grandes-eventos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/aprimora.site\/carvalhoalmeidaadvogados\/2026\/05\/14\/os-desafios-dos-departamentos-juridicos-de-empresas-responsaveis-por-grandes-eventos\/","title":{"rendered":"Os desafios dos departamentos jur\u00eddicos de empresas respons\u00e1veis por grandes eventos"},"content":{"rendered":"<p>Como reduzir riscos de problemas jur\u00eddicos em um evento que re\u00fane 100 mil pessoas por dia e envolve mais de 2 mil contratos, inclusive com 750 artistas, a maioria conhecidos em todo o mundo? Desafios como o do departamento jur\u00eddico da empresa que faz o Rock in Rio e de outras grandes empresas foram debatidos nesta quinta-feira durante a AB2L Lawtech Experience 2026, congresso de Direito e tecnologia promovido no Rio de Janeiro pela Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Lawtechs e Legaltechs (AB2L).<\/p>\n<p>\u201cO jur\u00eddico n\u00e3o est\u00e1 ali para dizer n\u00e3o, mas para viabilizar o evento\u201d, afirmou Alessandra Salgueiro, da empresa Rock World, respons\u00e1vel pelo Rock in Rio, The Town e Lollapalooza, tr\u00eas dos maiores festivais de m\u00fasica do Brasil.<\/p>\n<p class=\"jota-cta\"><a href=\"https:\/\/conteudo.jota.info\/marketing-lp-newsletter-ultimas-noticias?utm_source=jota&amp;utm_medium=lp&amp;utm_campaign=23-09-2024-jota-lp-eleicoes-2024-eleicoes-2024-none-audiencias-none&amp;utm_content=eleicoes-2024&amp;utm_term=none\"><span>Assine gratuitamente a newsletter \u00daltimas Not\u00edcias do <span class=\"jota\">JOTA<\/span> e receba as principais not\u00edcias jur\u00eddicas e pol\u00edticas do dia no seu email<\/span><\/a><\/p>\n<p>\u201c\u00c9 claro que \u00e0s vezes precisamos barrar certas ideias. Um patrocinador do Rock in Rio queria adotar a c\u00e2mera do beijo\u201d. Trata-se de c\u00e2meras que flagram casais durante shows e exibem em tel\u00f5es. Em julho de 2025, durante show da banda Coldplay em Boston, uma brincadeira desse tipo flagrou o CEO de uma empresa de tecnologia, casado, beijando a chefe do departamento de recursos humanos dessa mesma empresa. A imagem viralizou e o caso teve repercuss\u00e3o internacional. \u201cPerguntei ao patrocinador: \u2018Ser\u00e1 que esse risco compensa?&#8217;\u201d, contou Salgueiro, que convenceu a empresa a desistir do plano, segundo narrou durante o painel \u201cUm palco para Dion\u00edsio: quem \u00e9 o Jur\u00eddico nos bastidores do espet\u00e1culo?\u201d.<\/p>\n<p>O advogado Rafael Menin Soriano, do departamento jur\u00eddico do Grupo Globo, contou no mesmo painel que tamb\u00e9m j\u00e1 precisou se opor a ideias de patrocinadores: \u201cUma empresa de bet (apostas online) queria colocar um ca\u00e7a-n\u00edqueis durante um evento que patrocinava. Expliquei que a lei brasileira n\u00e3o permite\u201d, relembrou.<\/p>\n<p>O departamento jur\u00eddico em que ele atua \u00e9 respons\u00e1vel por eventos ligados a produtos jornal\u00edsticos da Editora Globo, como o Rio Gastronomia e um camarote no samb\u00f3dromo do Rio durante o Carnaval, do jornal O Globo, e o Baile da (revista) Vogue, evento anual realizado \u00e0s v\u00e9speras do Carnaval no hotel Copacabana Palace.<\/p>\n<p class=\"jota-cta\"><a href=\"https:\/\/www.jota.info\/produtos\/poder?utm_source=cta-site&amp;utm_medium=site&amp;utm_campaign=campanha_poder_q2&amp;utm_id=cta_texto_poder_q2_2023&amp;utm_term=cta_texto_poder&amp;utm_term=cta_texto_poder_meio_materias\"><span>Conhe\u00e7a o <span class=\"jota\">JOTA<\/span> PRO Poder, plataforma de monitoramento que oferece transpar\u00eancia e previsibilidade para empresas<\/span><\/a><\/p>\n<p>\u201cUma situa\u00e7\u00e3o muito comum que enfrento \u00e9 o marketing de emboscada. Influencers digitais se hospedam no Copacabana Palace antes do baile pra gravar v\u00eddeos e fazer propaganda de marcas que n\u00e3o patrocinam o baile e \u00e0s vezes s\u00e3o concorrentes dos patrocinadores. Em geral, a solu\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 exatamente jur\u00eddica: eu aviso a influencer que ela n\u00e3o ser\u00e1 mais convidada para o baile, a\u00ed ela muda de ideia rapidinho\u201d, conta Soriano.<\/p>\n<p>Salgueiro, por sua vez, est\u00e1 habituada a enfrentar emerg\u00eancias. \u201cTodos os artistas cujos shows ser\u00e3o transmitidos pela TV precisam assinar a autoriza\u00e7\u00e3o de direitos de imagem, e \u00e0s vezes isso \u00e9 acertado verbalmente, mas eu preciso ter o documento assinado. J\u00e1 entrei em camarim atr\u00e1s de artista, ele estava quase subindo no palco, a\u00ed falei com o empres\u00e1rio e deu tudo certo\u201d, relembrou.<\/p>\n<p>O Rock in Rio une representantes de mais de 80 \u00f3rg\u00e3os p\u00fablicos, que mant\u00eam pequenas estruturas no local do evento. \u201cCom tanta gente envolvida, \u00e9 natural que haja emerg\u00eancias, ent\u00e3o n\u00f3s temos um comit\u00ea de gest\u00e3o de crise para situa\u00e7\u00f5es de emerg\u00eancia\u201d, conta Salgueiro. \u201cMas essa \u00e9 s\u00f3 a participa\u00e7\u00e3o final do departamento jur\u00eddico, que tem in\u00edcio mais de um ano antes, assim que o evento come\u00e7a a ser planejado.<\/p>\n<p>Na primeira edi\u00e7\u00e3o do The Town, em 2023, decidiram que um dos palcos iria reproduzir pr\u00e9dios ic\u00f4nicos de S\u00e3o Paulo, ent\u00e3o imediatamente come\u00e7amos a negociar os direitos autorais\u201d, contou. Soriano j\u00e1 viveu situa\u00e7\u00e3o semelhante: \u201cUm dos bailes da Vogue teve como tema \u2018Brasilidades\u2019 e queriam usar obras da Tarsila do Amaral, ent\u00e3o fomos atr\u00e1s das autoriza\u00e7\u00f5es pra reproduzir os quadros.\u201d<\/p>\n<p>\u201cDurante os eventos, os departamentos jur\u00eddicos precisam funcionar 24 horas por dia, porque a qualquer momento surgem problemas\u201d, diz Soriano. \u201cAdvogado que quer previsibilidade deve evitar trabalhar nesse \u00e1rea\u201d, alerta.<\/p>\n<p>Empresas de outros setores tamb\u00e9m exigem aten\u00e7\u00e3o cont\u00ednua de seus departamentos jur\u00eddicos. \u201cTemos que tomar conhecimento e respeitar qualquer san\u00e7\u00e3o relativa ao com\u00e9rcio internacional, que est\u00e3o bem comuns hoje\u201d, contou Roberta Carvalhal, do departamento jur\u00eddico da empresa Wilson Sons, que atua no transporte mar\u00edtimo. \u201cDesrespeitar uma san\u00e7\u00e3o internacional gera uma s\u00e9rie de puni\u00e7\u00f5es, ent\u00e3o a aten\u00e7\u00e3o precisa ser permanente\u201d, relatou a advogada durante o painel \u201cDominando as mar\u00e9s de Poseidon: portos, log\u00edstica e o desafio de operar em cadeias complexas\u201d.<\/p>\n<h2>Encerramento<\/h2>\n<p>No encerramento do evento, nesta quinta-feira (14\/5), os norte-americanos Joshua Walker e Roland Vogl fizeram palestras individuais.<\/p>\n<p>Ambos s\u00e3o fundadores do Centro de Inform\u00e1tica Legal da faculdade de Direito da Universidade de Stanford, conhecido como Codex e considerado um dos grandes centros acad\u00eamicos dedicados \u00e0 tecnologia inserida no Direito em todo o mundo. Walker tamb\u00e9m \u00e9 co-fundador da Lex Machina, empresa pioneira nesse segmento.<\/p>\n<p>\u201cNos anos 1990 ningu\u00e9m achava que tecnologia e Direito podiam andar juntos, e criamos um banco de dados que come\u00e7ou a mudar essa percep\u00e7\u00e3o. Voc\u00ea nunca pode ser arrogante e achar que sabe tudo, sempre tem algo a aprender\u201d, afirmou Walker.<\/p>\n<p>Vogl, que \u00e9 diretor executivo do Codex, afirmou que a intelig\u00eancia artificial ainda vai se aprimorar muito mais. \u201cNa \u00e1rea do Direito, a IA precisa entender a inten\u00e7\u00e3o do ser humano, porque se mato algu\u00e9m de prop\u00f3sito \u00e9 uma situa\u00e7\u00e3o e se fiz isso sem querer \u00e9 diferente. Mas, mesmo no est\u00e1gio atual, a IA j\u00e1 representa uma grande revolu\u00e7\u00e3o no Direito\u201d, concluiu.<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Como reduzir riscos de problemas jur\u00eddicos em um evento que re\u00fane 100 mil pessoas por dia e envolve mais de 2 mil contratos, inclusive com 750 artistas, a maioria conhecidos em todo o mundo? 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