{"id":22849,"date":"2026-05-13T06:12:09","date_gmt":"2026-05-13T09:12:09","guid":{"rendered":"https:\/\/aprimora.site\/carvalhoalmeidaadvogados\/2026\/05\/13\/rios-poluidos-expoem-o-atraso-do-saneamento-ambiental-no-brasil\/"},"modified":"2026-05-13T06:12:09","modified_gmt":"2026-05-13T09:12:09","slug":"rios-poluidos-expoem-o-atraso-do-saneamento-ambiental-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/aprimora.site\/carvalhoalmeidaadvogados\/2026\/05\/13\/rios-poluidos-expoem-o-atraso-do-saneamento-ambiental-no-brasil\/","title":{"rendered":"Rios polu\u00eddos exp\u00f5em o atraso do saneamento ambiental no Brasil"},"content":{"rendered":"<p>Florestas, uso do solo e \u00e1gua integram o mesmo sistema. A maneira pela qual nos relacionamos com as matas, ocupamos os territ\u00f3rios e tratamos nossos res\u00edduos define diretamente a qualidade da \u00e1gua dos rios.<\/p>\n<p>Nesse sistema, por\u00e9m, existe um elo negligenciado no debate ambiental brasileiro: o saneamento ambiental. Sem coleta e tratamento adequados de esgoto, os rios continuam funcionando como destino de efluentes dom\u00e9sticos e industriais e de poluentes, al\u00e9m de sofrerem com assoreamento.<\/p>\n<h3><a href=\"https:\/\/www.jota.info\/produtos\/poder?utm_source=cta-site&amp;utm_medium=site&amp;utm_campaign=campanha_poder_q2&amp;utm_id=cta_texto_poder_q2_2023&amp;utm_term=cta_texto_poder&amp;utm_term=cta_texto_poder_meio_materias\"><span>Conhe\u00e7a o <span class=\"jota\">JOTA<\/span> PRO Poder, plataforma de monitoramento que oferece transpar\u00eancia e previsibilidade para empresas<\/span><\/a><\/h3>\n<p>Em 2025, volunt\u00e1rios do programa Observando os Rios, da Funda\u00e7\u00e3o SOS Mata Atl\u00e2ntica, realizaram an\u00e1lises em 128 rios e corpos d\u2019\u00e1gua de 14 estados do bioma. Dos pontos monitorados, 78,4% foram considerados regulares, 15,4% ruins e 3,1% p\u00e9ssimos. Apenas 3,1% apresentaram \u00e1gua boa \u2013 e, mais uma vez, nenhum registrou qualidade \u00f3tima.<\/p>\n<p>Em retrospecto, o que vemos \u00e9 uma estagna\u00e7\u00e3o preocupante. Se reabilitar um rio exige d\u00e9cadas de investimento, planejamento e mobiliza\u00e7\u00e3o social, poluir \u00e9 r\u00e1pido. Afinal, menos da metade da popula\u00e7\u00e3o conta com coleta e tratamento de esgoto adequados: uma parcela significativa dos res\u00edduos urbanos continua, portanto, a ter como destino os cursos d\u2019\u00e1gua.<\/p>\n<p>Esse quadro se soma ao desmatamento nas bacias hidrogr\u00e1ficas, \u00e0 contamina\u00e7\u00e3o por atividades industriais e agr\u00edcolas e ao crescimento urbano desordenado. Segundo o MapBiomas, as \u00e1reas urbanizadas no Brasil aumentaram duas vezes e meia em 40 anos.<\/p>\n<p>O resultado \u00e9 a degrada\u00e7\u00e3o cont\u00ednua da qualidade da \u00e1gua. Rios contaminados e com entornos degradados perdem a capacidade de diluir poluentes, evitar inunda\u00e7\u00f5es \u2013 pois ficam assoreados \u2013 e sustentar ecossistemas aqu\u00e1ticos. Num contexto de eventos clim\u00e1ticos extremos cada vez mais frequentes, com secas severas de um lado e chuvas intensas de outro, essa fragilidade h\u00eddrica se torna ainda mais preocupante e exige gest\u00e3o integrada e investimento em pol\u00edticas p\u00fablicas de prote\u00e7\u00e3o e de restaura\u00e7\u00e3o ambiental para adapta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A Mata Atl\u00e2ntica, que concentra mais de 70% da popula\u00e7\u00e3o brasileira, tem papel estrat\u00e9gico nesse cen\u00e1rio. Mesmo reduzido a cerca de um quarto de sua cobertura florestal original, o bioma abriga bacias hidrogr\u00e1ficas respons\u00e1veis pelo abastecimento de grandes regi\u00f5es metropolitanas. A degrada\u00e7\u00e3o de nascentes, zonas de recarga de aqu\u00edferos e matas ciliares afeta diretamente a quantidade e, sobretudo, a qualidade da \u00e1gua dispon\u00edvel.<\/p>\n<p>Portanto, falar sobre rios \u00e9 discutir pol\u00edtica p\u00fablica. O C\u00f3digo Florestal \u00e9 essencial para a seguran\u00e7a h\u00eddrica do pa\u00eds, mas ainda avan\u00e7a de forma lenta e desigual, assim como a Lei da Mata Atl\u00e2ntica, atacada por projetos de lei que tramitam na contram\u00e3o do que precisamos.<\/p>\n<p>A universaliza\u00e7\u00e3o do saneamento, prevista no marco legal do setor at\u00e9 2033, precisa deixar de ser promessa e se tornar prioridade real de investimentos e planejamento. Nos \u00faltimos anos, o debate p\u00fablico se concentrou na privatiza\u00e7\u00e3o dos servi\u00e7os de saneamento. O ponto central, por\u00e9m, deveria ser outro: fazer com que\u00a0 os investimentos cheguem na ponta, para que os servi\u00e7os avancem e diminuam as desigualdades. Mas os rios nos mostram que isso n\u00e3o vem acontecendo.<\/p>\n<p>Experi\u00eancias locais apontam que podemos fazer diferente. Melhorias registradas em alguns pontos monitorados est\u00e3o diretamente associadas \u00e0 amplia\u00e7\u00e3o da rede de coleta e tratamento de esgoto, programas municipais de regulariza\u00e7\u00e3o de liga\u00e7\u00f5es clandestinas, restaura\u00e7\u00e3o de florestas e recupera\u00e7\u00e3o de bacias hidrogr\u00e1ficas.<\/p>\n<p>Quando pol\u00edticas p\u00fablicas estruturantes s\u00e3o implementadas de forma integrada e consistente, os rios respondem. Proteg\u00ea-los \u00e9 prioridade estrat\u00e9gica de desenvolvimento.<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Florestas, uso do solo e \u00e1gua integram o mesmo sistema. A maneira pela qual nos relacionamos com as matas, ocupamos os territ\u00f3rios e tratamos nossos res\u00edduos define diretamente a qualidade da \u00e1gua dos rios. 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