{"id":22813,"date":"2026-05-12T06:23:33","date_gmt":"2026-05-12T09:23:33","guid":{"rendered":"https:\/\/aprimora.site\/carvalhoalmeidaadvogados\/2026\/05\/12\/adicional-de-periculosidade-para-motociclistas-o-que-muda-apos-o-tst\/"},"modified":"2026-05-12T06:23:33","modified_gmt":"2026-05-12T09:23:33","slug":"adicional-de-periculosidade-para-motociclistas-o-que-muda-apos-o-tst","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/aprimora.site\/carvalhoalmeidaadvogados\/2026\/05\/12\/adicional-de-periculosidade-para-motociclistas-o-que-muda-apos-o-tst\/","title":{"rendered":"Adicional de periculosidade para motociclistas: o que muda ap\u00f3s o TST"},"content":{"rendered":"<p>Recentemente, o Tribunal Superior do Trabalho (TST), ao julgar recursos repetitivos (Tema 101), firmou entendimento com potencial impacto direto sobre empresas que utilizam motocicletas em suas opera\u00e7\u00f5es. A Corte definiu que o art. 193, \u00a74\u00ba, da CLT possui natureza autoaplic\u00e1vel, ou seja, n\u00e3o depende de regulamenta\u00e7\u00e3o pr\u00e9via para o reconhecimento do direito ao adicional de periculosidade.<\/p>\n<p>Na pr\u00e1tica, isso significa que a utiliza\u00e7\u00e3o de motocicleta em vias p\u00fablicas, no exerc\u00edcio das atividades laborais, pode ser suficiente para caracterizar a periculosidade, independentemente de regulamenta\u00e7\u00e3o espec\u00edfica.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/conteudo.jota.info\/marketing-lp-conversao-jota-pro-trabalhista?utm_source=site&amp;utm_medium=lp&amp;utm_campaign=11-03-2025-site-lp-cta-pro-trabalhista-lead-site-audiencias-trabalhista&amp;utm_content=site-lp-cta-pro-trabalhista-lead-site-trabalhista&amp;utm_term=audiencias\">Conhe\u00e7a o <span class=\"jota\">JOTA<\/span> PRO Trabalhista, solu\u00e7\u00e3o corporativa que antecipa as movimenta\u00e7\u00f5es trabalhistas no Judici\u00e1rio, Legislativo e Executivo<\/a><\/p>\n<p>A controv\u00e9rsia, contudo, n\u00e3o \u00e9 recente. Por longo per\u00edodo, houve diverg\u00eancia quanto \u00e0 necessidade de regulamenta\u00e7\u00e3o, especialmente ap\u00f3s a edi\u00e7\u00e3o da Portaria n\u00ba 1.565\/2014 e sua posterior suspens\u00e3o. Com a tese firmada pelo TST, esse argumento tende a perder relev\u00e2ncia no \u00e2mbito judicial.<\/p>\n<p>Ainda assim, persistem zonas de incerteza sob a \u00f3tica da seguran\u00e7a jur\u00eddica. Parte da doutrina e da jurisprud\u00eancia sustenta que a caracteriza\u00e7\u00e3o da atividade perigosa deveria observar crit\u00e9rios t\u00e9cnicos previamente definidos, a fim de evitar interpreta\u00e7\u00f5es ampliativas e imprevis\u00edveis. Nesse contexto, a aus\u00eancia de regulamenta\u00e7\u00e3o detalhada pode dificultar a delimita\u00e7\u00e3o objetiva das hip\u00f3teses de incid\u00eancia do adicional, refor\u00e7ando a necessidade de an\u00e1lise t\u00e9cnica individualizada.<\/p>\n<p>Importante destacar, contudo, que o entendimento do TST n\u00e3o implica o reconhecimento autom\u00e1tico do adicional em toda e qualquer situa\u00e7\u00e3o envolvendo motocicleta. A an\u00e1lise deve considerar as circunst\u00e2ncias concretas da presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os, especialmente quanto \u00e0 habitualidade e \u00e0 forma de utiliza\u00e7\u00e3o do ve\u00edculo.<\/p>\n<p>Na pr\u00e1tica, esse \u00e9 um dos principais pontos de controv\u00e9rsia em reclama\u00e7\u00f5es trabalhistas. J\u00e1 se observa que o uso eventual de motocicleta, quando n\u00e3o devidamente documentado, pode ser interpretado de forma desfavor\u00e1vel \u00e0s empresas. Isso porque o pr\u00f3prio entendimento do TST admite exce\u00e7\u00f5es, desde que devidamente comprovadas. Nesse cen\u00e1rio, ganha relev\u00e2ncia a produ\u00e7\u00e3o de prova t\u00e9cnica, especialmente por meio de laudos elaborados por profissionais habilitados, capazes de demonstrar a aus\u00eancia de exposi\u00e7\u00e3o habitual ao risco.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, a Portaria n\u00ba 2.021\/2025 trouxe diretrizes relevantes para a an\u00e1lise da periculosidade, especialmente em hip\u00f3teses como: uso eventual ou por tempo extremamente reduzido; deslocamentos realizados em \u00e1reas privadas ou de baixa circula\u00e7\u00e3o; utiliza\u00e7\u00e3o da motocicleta exclusivamente no trajeto entre resid\u00eancia e local de trabalho.<\/p>\n<p>Outro aspecto relevante, com impacto direto no passivo trabalhista, \u00e9 que o eventual enquadramento nessas exce\u00e7\u00f5es n\u00e3o produz efeitos autom\u00e1ticos nem retroativos. N\u00e3o basta a mera alega\u00e7\u00e3o: \u00e9 imprescind\u00edvel a comprova\u00e7\u00e3o robusta das condi\u00e7\u00f5es reais de trabalho.<\/p>\n<p>Na pr\u00e1tica empresarial, ainda \u00e9 comum a ado\u00e7\u00e3o de abordagens gen\u00e9ricas sobre o tema, sem a devida an\u00e1lise da din\u00e2mica concreta das atividades desempenhadas pelos empregados. \u00c9 justamente nesse ponto que se concentram os maiores riscos de condena\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Diante desse cen\u00e1rio, mais do que discutir a simples utiliza\u00e7\u00e3o de motocicleta, recomenda-se que as empresas adotem uma abordagem estruturada, que contemple: mapeamento detalhado das atividades que envolvem o uso de motocicletas; avalia\u00e7\u00e3o da habitualidade e da exposi\u00e7\u00e3o ao risco; elabora\u00e7\u00e3o de laudos t\u00e9cnicos espec\u00edficos, quando necess\u00e1rio; adequada formaliza\u00e7\u00e3o e documenta\u00e7\u00e3o das condi\u00e7\u00f5es de trabalho. Essa atua\u00e7\u00e3o preventiva n\u00e3o apenas reduz o risco de passivos trabalhistas, como tamb\u00e9m fortalece a posi\u00e7\u00e3o da empresa em eventual lit\u00edgio.<\/p>\n<p>O entendimento firmado pelo TST representa um avan\u00e7o na consolida\u00e7\u00e3o da interpreta\u00e7\u00e3o sobre o adicional de periculosidade para motociclistas, mas tamb\u00e9m amplia o n\u00edvel de exposi\u00e7\u00e3o das empresas a riscos jur\u00eddicos. Nesse contexto, a ado\u00e7\u00e3o de medidas preventivas, com base em an\u00e1lise t\u00e9cnica e documenta\u00e7\u00e3o consistente, torna-se essencial para garantir maior seguran\u00e7a jur\u00eddica e previsibilidade nas rela\u00e7\u00f5es de trabalho.<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Recentemente, o Tribunal Superior do Trabalho (TST), ao julgar recursos repetitivos (Tema 101), firmou entendimento com potencial impacto direto sobre empresas que utilizam motocicletas em suas opera\u00e7\u00f5es. 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