{"id":22587,"date":"2026-05-04T21:58:32","date_gmt":"2026-05-05T00:58:32","guid":{"rendered":"https:\/\/aprimora.site\/carvalhoalmeidaadvogados\/2026\/05\/04\/nao-sou-um-juiz-parcial-diz-presidente-do-tst-ao-justificar-fala-que-viralizou\/"},"modified":"2026-05-04T21:58:32","modified_gmt":"2026-05-05T00:58:32","slug":"nao-sou-um-juiz-parcial-diz-presidente-do-tst-ao-justificar-fala-que-viralizou","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/aprimora.site\/carvalhoalmeidaadvogados\/2026\/05\/04\/nao-sou-um-juiz-parcial-diz-presidente-do-tst-ao-justificar-fala-que-viralizou\/","title":{"rendered":"\u2018N\u00e3o sou um juiz parcial\u2019, diz presidente do TST ao justificar fala que viralizou"},"content":{"rendered":"<p>O ministro Luiz Philippe Vieira de Mello Filho, presidente do Tribunal Superior do Trabalho (<a href=\"https:\/\/www.jota.info\/tudo-sobre\/TST\">TST<\/a>), declarou n\u00e3o ser um juiz parcial durante a abertura da sess\u00e3o do \u00d3rg\u00e3o Especial desta segunda-feira (04\/5). A declara\u00e7\u00e3o de Vieira de Mello Filho ocorreu em justificativa a uma fala que viralizou neste fim de semana, que fazia distin\u00e7\u00e3o entre ju\u00edzes trabalhistas \u201cazuis e vermelhos\u201d.<\/p>\n<p>A r\u00e9plica do presidente do TST, que disse dever satisfa\u00e7\u00e3o p\u00fablica \u00e0 sociedade brasileira e \u00e0 comunidade jur\u00eddica, foi tamb\u00e9m direcionada ao ministro Ives Gandra Martins Filho, que durante participa\u00e7\u00e3o em um curso pr\u00e1tico formulado para ensinar a advogar na Corte trabalhista, apresentou slides que faziam uma divis\u00e3o entre ministros \u201cazuis e vermelhos\u201d. Ou seja, segundo a classifica\u00e7\u00e3o dos slides, os magistrados seriam mais liberais (azuis) ou mais intervencionistas (vermelhos), mais legalistas (azuis) ou ativistas (vermelhos), mais patronais (azuis) ou mais protecionistas (vermelhos).<\/p>\n<p class=\"jota-cta\"><a href=\"https:\/\/conteudo.jota.info\/marketing-lp-conversao-jota-pro-trabalhista?utm_source=site&amp;utm_medium=lp&amp;utm_campaign=11-03-2025-site-lp-cta-pro-trabalhista-lead-site-audiencias-trabalhista&amp;utm_content=site-lp-cta-pro-trabalhista-lead-site-trabalhista&amp;utm_term=audiencias\">Conhe\u00e7a o <span class=\"jota\">JOTA<\/span> PRO Trabalhista, solu\u00e7\u00e3o corporativa que antecipa as movimenta\u00e7\u00f5es trabalhistas no Judici\u00e1rio, Legislativo e Executivo<\/a><\/p>\n<p>O curso foi coordenado pelo ministro Guilherme Caputo Bastos, vice-presidente do TST. Em sua manifesta\u00e7\u00e3o, Vieira de Mello Filho disse considerar a participa\u00e7\u00e3o dos colegas no evento pago como um conflito \u00e9tico, principalmente em raz\u00e3o do alto custo das inscri\u00e7\u00f5es aos advogados, o que tamb\u00e9m poderia excluir a participa\u00e7\u00e3o de profissionais que eventualmente n\u00e3o conseguiriam arcar com os valores.<\/p>\n<p>Na \u00faltima sexta-feira (01\/5), em palestra de encerramento do 22\u00b0 Congresso Nacional dos Magistrados e Magistradas da Justi\u00e7a do Trabalho (Conamat), realizado pela Associa\u00e7\u00e3o Nacional das Magistradas e dos Magistrados da Justi\u00e7a do Trabalho (Anamatra), Vieira de Mello Filho afirmou que \u201cos ju\u00edzes \u2018vermelhos\u2019 t\u00eam causas, e n\u00e3o interesses\u201d. A declara\u00e7\u00e3o do ministro ent\u00e3o ganhou uma grande repercuss\u00e3o midi\u00e1tica, motivo pelo qual ele disse que deveria fazer um pronunciamento acerca da fala proferida.<\/p>\n<p>Segundo o presidente do TST, a sua manifesta\u00e7\u00e3o no evento p\u00fablico da Anamatra foi no sentido de dizer que ele \u00e9 um defensor da Justi\u00e7a. Assim, declarou que essa Justi\u00e7a foi constru\u00edda no \u00e2mbito de um pa\u00eds que ele classificou como desigual \u201cpor for\u00e7a de uma luta social na defesa, na tutela e na prote\u00e7\u00e3o de trabalhadores brasileiros, que conquistaram com muita luta os seus direitos\u201d.<\/p>\n<p>Desse modo, afirmou que, batizado pela cor que lhe foi dada nos slides \u2013 ou seja, a cor vermelha \u2013, gostaria de deixar claro qual seria a sua causa. \u201cA minha causa \u00e9 a defesa dessa institui\u00e7\u00e3o. \u00c9 por isso que eu me manifesto expressamente para que toda a popula\u00e7\u00e3o saiba. N\u00e3o sou um juiz parcial, n\u00e3o. Eu tenho quase 40 anos de hist\u00f3ria como magistrado e eu sei o que a comunidade jur\u00eddica pensa a meu respeito\u201d, destacou Vieira de Mello Filho.<\/p>\n<p>\u201cPodem n\u00e3o gostar de uma coisa ou outra, mas eles sabem que eu decido sempre com a t\u00e9cnica e com a minha maneira de interpretar a Constitui\u00e7\u00e3o e as leis do pa\u00eds, sobretudo a CLT\u201d, prosseguiu.<\/p>\n<p>Vieira de Mello Filho frisou ainda que \u201cningu\u00e9m tem direito de me julgar se eu sou ativista ou n\u00e3o ativista\u201d e disse ter provas documentadas de onde toda a hist\u00f3ria come\u00e7ou. \u201cE eu tenho certeza que o ministro Ives [Gandra Martins Filho], na sua dignidade, n\u00e3o vai dizer que n\u00e3o come\u00e7ou neste evento, o primeiro encontro de como atuar no Tribunal Superior do Trabalho\u201d, destacou o presidente da Corte.<\/p>\n<h2>\u2018Se isso \u00e9 ofensivo, deixo de fazer\u2019, replicou Gandra Filho<\/h2>\n<p>Depois de se manifestar publicamente na abertura da sess\u00e3o, o presidente do TST ent\u00e3o passou a palavra ao colega, ministro Ives Gandra Martins Filho. O ministro afirmou tamb\u00e9m ser \u201cmuito transparente\u201d e comentou que se fosse ofensivo dividir os colegas da Corte trabalhista em cores, deixaria de faz\u00ea-lo.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, Gandra Filho destacou que a realidade n\u00e3o poderia ser escondida. \u201cE qual \u00e9 a realidade?\u201d, indagou o ministro. \u201cA realidade \u00e9 que h\u00e1 divis\u00e3o interna dentro do tribunal do ponto de vista de ver o Direito do Trabalho de uma forma ou de outra. E exatamente como eu coloquei, procurei colocar no curso. H\u00e1 ministros que t\u00eam uma vis\u00e3o mais liberal, h\u00e1 ministros que t\u00eam uma vis\u00e3o mais intervencionista. Isso \u00e9 uma realidade que n\u00f3s vemos diuturnamente aqui no tribunal\u201d, disse.<\/p>\n<p>Logo, enfatizou a necessidade de os magistrados saberem viver com diverg\u00eancias sempre respeitando um ao outro. Em outro momento, Gandra Filho dirigiu-se a Vieira de Mello Filho e afirmou que, quando o presidente do TST em sua fala mencionou causa e interesse, de certa forma ele fez um ju\u00edzo moral.<\/p>\n<p>\u201cEm que sentido? Causa, como se aqui estou defendendo valores, e voc\u00eas que fazem parte de um determinado grupo, estariam defendendo interesses ou vendendo senten\u00e7as no sentido de interesse. Ent\u00e3o, \u00e9 interesse no capital, se est\u00e1 defendendo o interesse do capital. Ficou uma coisa que foi ofensiva para v\u00e1rios colegas\u201d, ilustrou o ministro.<\/p>\n<p>Gandra filho ent\u00e3o concluiu afirmando que procurou externar na aula do curso a vis\u00e3o que ele tem sobre o que est\u00e1 acontecendo no TST. \u201cGostaria que n\u00f3s tiv\u00e9ssemos mais posi\u00e7\u00f5es em que soub\u00e9ssemos conjugar mais esses dois princ\u00edpios: da prote\u00e7\u00e3o e da subsidiariedade\u201d, destacou.<\/p>\n<h2>Terceiro Reich<\/h2>\n<p>Ao longo do embate entre os ministros, Vieira de Mello Filho tamb\u00e9m mencionou o trecho do discurso que Gandra Filho teria feito durante a aula do curso. Segundo o presidente do TST, o ministro teria exibido uma foto da sala de togas do Tribunal Superior do Trabalho, localizada no t\u00e9rreo do pr\u00e9dio da Corte e afirmado que era preciso conhecer as institui\u00e7\u00f5es internamente, utilizando a express\u00e3o \u201cpor dentro do Terceiro Reich\u201d \u2013 em refer\u00eancia ao per\u00edodo nazista da Alemanha \u2013 para justificar ent\u00e3o o que estaria \u201cdentro do TST\u201d.<\/p>\n<p>\u201cVou por dentro do Terceiro Reich aqui e por dentro do TST. Eu sou legalista, voltamos para antes da Revolu\u00e7\u00e3o Francesa pelo ativismo do Judici\u00e1rio. O juiz n\u00e3o tem aplicado a lei\u201d, teria dito Gandra Filho na aula, segundo mencionou Vieira de Mello Filho.<\/p>\n<p>O presidente do TST disse que h\u00e1 diverg\u00eancias internas na Corte trabalhista, mas que elas s\u00e3o constru\u00eddas com ideias e argumentos, mas n\u00e3o com r\u00f3tulos. \u201cE eu s\u00f3 quero deixar claro para a comunidade jur\u00eddica e para o pa\u00eds que n\u00e3o fui eu que dividi em azul e vermelho. Ali\u00e1s, eu acho que at\u00e9 sem nenhum preconceito eu sou cor de rosa, estou misturado com o azul e o vermelho\u201d, concluiu.<\/p>\n<p class=\"jota-cta\"><a href=\"https:\/\/conteudo.jota.info\/marketing-lp-newsletter-ultimas-noticias?utm_source=jota&amp;utm_medium=lp&amp;utm_campaign=23-09-2024-jota-lp-eleicoes-2024-eleicoes-2024-none-audiencias-none&amp;utm_content=eleicoes-2024&amp;utm_term=none\">Assine gratuitamente a newsletter \u00daltimas Not\u00edcias do <span class=\"jota\">JOTA<\/span> e receba as principais not\u00edcias jur\u00eddicas e pol\u00edticas do dia no seu email<\/a><\/p>\n<h2>\u2018N\u00e3o vejo necessidade de repreender colegas\u2019, disse Peduzzi<\/h2>\n<p>Ap\u00f3s as manifesta\u00e7\u00f5es de Vieira de Mello Filho e do ministro Gandra Filho, a ministra Maria Cristina Peduzzi pediu a palavra e lamentou a ocorr\u00eancia da discuss\u00e3o entre os dois no \u00e2mbito da sess\u00e3o do \u00d3rg\u00e3o Especial. Ao se manifestar, Peduzzi afirmou reconhecer a diverg\u00eancia como fundamental no regime democr\u00e1tico.<\/p>\n<p>\u201cN\u00f3s vivemos numa democracia. E, por isso mesmo, vivemos num regime onde h\u00e1 separa\u00e7\u00e3o de poderes e h\u00e1 liberdade. Liberdade de pensamento, liberdade de agir, de fazer, e cada um \u00e9 maior e respons\u00e1vel, e vai responder perante os poderes constitu\u00eddos, perante a sociedade, pelos seus atos\u201d, frisou.<\/p>\n<p>Assim, Peduzzi disse n\u00e3o vislumbrar nenhuma atitude democr\u00e1tica num bate-boca como esse travado pelos dois ministros. Tamb\u00e9m afirmou n\u00e3o ver necessidade de \u201crepreender colegas, de repreender ministros\u201d, visto que todos na Corte atuam em nome e s\u00e3o agentes da Justi\u00e7a.<\/p>\n<p>Segundo a ministra, ningu\u00e9m do tribunal est\u00e1 comprometido com interesses ou causas, mas em aplicar a lei e cumpri-la. \u201cTodos temos liberdade. N\u00e3o devemos ser tutelados e, no exerc\u00edcio desse direito fundamental que \u00e9 a liberdade, cada um \u00e9 maior de idade, \u00e9 respons\u00e1vel e dever\u00e1 responder individualmente, mas n\u00e3o no sistema tutela\u201d, concluiu Peduzzi.<\/p>\n<p>Vieira de Mello Filho novamente retomou a palavra e respondeu \u00e0 colega que \u201cningu\u00e9m est\u00e1 tentando submeter ou decotar a autonomia de quem quer que seja\u201d. De acordo com o presidente do TST, ele estava fazendo exatamente o contr\u00e1rio, no sentido de n\u00e3o querer ser tutelado com uma dicotomia que foi criada pelo ministro Gandra Filho.<\/p>\n<p>\u201cComo vossa excel\u00eancia bem o sabe, eu tenho o dever de zelar pela minha institui\u00e7\u00e3o. Se tiver alguma conduta irregular aqui, quem tem a obriga\u00e7\u00e3o de verificar sou eu. \u00c9 o que diz o regimento e \u00e9 o que me diz a Constitui\u00e7\u00e3o. Todos t\u00eam liberdade, mas a magistratura tem uma liberdade que tem um certo patamar. E eu s\u00f3 quero transpar\u00eancia\u201d, disse o presidente da Corte trabalhista.<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O ministro Luiz Philippe Vieira de Mello Filho, presidente do Tribunal Superior do Trabalho (TST), declarou n\u00e3o ser um juiz parcial durante a abertura da sess\u00e3o do \u00d3rg\u00e3o Especial desta segunda-feira (04\/5). 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