{"id":22039,"date":"2026-04-14T06:36:10","date_gmt":"2026-04-14T09:36:10","guid":{"rendered":"https:\/\/aprimora.site\/carvalhoalmeidaadvogados\/2026\/04\/14\/com-foco-em-grandes-inadimplentes-pgfn-edita-regras-sobre-pedidos-de-falencia\/"},"modified":"2026-04-14T06:36:10","modified_gmt":"2026-04-14T09:36:10","slug":"com-foco-em-grandes-inadimplentes-pgfn-edita-regras-sobre-pedidos-de-falencia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/aprimora.site\/carvalhoalmeidaadvogados\/2026\/04\/14\/com-foco-em-grandes-inadimplentes-pgfn-edita-regras-sobre-pedidos-de-falencia\/","title":{"rendered":"Com foco em grandes inadimplentes, PGFN edita regras sobre pedidos de fal\u00eancia"},"content":{"rendered":"<p>A Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (<a href=\"https:\/\/www.jota.info\/tudo-sobre\/pgfn\">PGFN<\/a>) estabeleceu cinco requisitos necess\u00e1rios para o ajuizamento de pedidos de fal\u00eancia contra devedores da Uni\u00e3o e do <a href=\"https:\/\/www.jota.info\/tudo-sobre\/fgts\">FGTS<\/a>. A medida \u00e9 uma estrat\u00e9gia recente de recupera\u00e7\u00e3o da d\u00edvida ativa e ter\u00e1 car\u00e1ter excepcional com foco nos grandes inadimplentes, com d\u00edvidas a partir de R$ 15 milh\u00f5es.<\/p>\n<p>Especialistas consultados pelo <strong><span class=\"jota\">JOTA<\/span><\/strong> apontam que o movimento vai exigir que a gest\u00e3o fiscal seja acompanhada de forma rigorosa pelos contribuintes.<\/p>\n<p class=\"jota-cta\"><a href=\"https:\/\/www.jota.info\/produtos\/tributos?utm_source=cta-site&amp;utm_medium=site&amp;utm_campaign=campanha_tributos_q2&amp;utm_id=cta_texto_tributos_q2_2023&amp;utm_term=cta_texto_tributos&amp;utm_term=cta_texto_tributos_meio_materias\">Esta reportagem foi antecipada a assinantes <span class=\"jota\">JOTA<\/span> PRO Tributos em 9\/4. Conhe\u00e7a a plataforma do <span class=\"jota\">JOTA<\/span> de monitoramento tribut\u00e1rio para empresas e escrit\u00f3rios, que traz decis\u00f5es e movimenta\u00e7\u00f5es do Carf, STJ e STF<\/a><\/p>\n<p>As regras constam na <a href=\"https:\/\/www.in.gov.br\/en\/web\/dou\/-\/portaria-pgfn\/mf-n-903-de-31-de-marco-de-2026-697100808\">Portaria PGFN 903\/2026<\/a>, publicada no Di\u00e1rio Oficial da Uni\u00e3o (DOU) do dia 2 de mar\u00e7o. O texto altera uma portaria de 2018 e atualiza as regras da averba\u00e7\u00e3o pr\u00e9-execut\u00f3ria, da primeira cobran\u00e7a e da comunica\u00e7\u00e3o enviada ao devedor logo ap\u00f3s a inscri\u00e7\u00e3o em d\u00edvida.<\/p>\n<h2>Requisitos previstos<\/h2>\n<p>A portaria elenca os requisitos que precisam ser observados pela procuradoria para entrar com o pedido de fal\u00eancia. Al\u00e9m do foco nos contribuintes que devem R$ 15 milh\u00f5es ou mais, deve haver a \u201cfrustra\u00e7\u00e3o da pretens\u00e3o executiva\u201d, quando os meios dispon\u00edveis para atingir o patrim\u00f4nio do devedor s\u00e3o ineficazes no \u00e2mbito da execu\u00e7\u00e3o fiscal.<\/p>\n<p>Em outro ponto, a portaria aponta a necessidade de seguir as disposi\u00e7\u00f5es da Lei de Fal\u00eancias (Lei 11.101\/2005) sobre as hip\u00f3teses para decreta\u00e7\u00e3o de fal\u00eancia do devedor. Entre as situa\u00e7\u00f5es est\u00e1, por exemplo, o devedor que liquida seus ativos de forma precipitada ou que promove fraudes para realizar pagamentos.<\/p>\n<p>A aus\u00eancia de proposta de negocia\u00e7\u00e3o individual pendente \u00e9 mais um requisito previsto para a procuradoria levar adiante o pedido de fal\u00eancia. Tamb\u00e9m ser\u00e1 necess\u00e1ria a autoriza\u00e7\u00e3o pr\u00e9via da Coordena\u00e7\u00e3o-Geral de Estrat\u00e9gias de Recupera\u00e7\u00e3o de Cr\u00e9ditos da Procuradoria-Geral Adjunta da D\u00edvida Ativa da Uni\u00e3o e do FGTS.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, sempre que poss\u00edvel, o pedido de fal\u00eancia de devedor ou grupo de devedores dever\u00e1 ser apresentado em conjunto ou em regime de coopera\u00e7\u00e3o com a procuradoria do Estado, do Distrito Federal e do munic\u00edpio correspondente.<\/p>\n<p>Em nota, a PGFN afirmou que a regulamenta\u00e7\u00e3o da portaria \u201ctem a finalidade de ressaltar o car\u00e1ter excepcional no uso da prerrogativa da Fazenda Nacional, que n\u00e3o deve alcan\u00e7ar todo e qualquer devedor, mas apenas aqueles que efetivamente n\u00e3o se mostrem sens\u00edveis aos instrumentos ordin\u00e1rios de cobran\u00e7a da d\u00edvida ativa\u201d.<\/p>\n<p>Desde o ano passado, apenas dois pedidos de fal\u00eancia foram protocolados, segundo a PGFN. A institui\u00e7\u00e3o destacou que \u201cn\u00e3o h\u00e1 um risco de banaliza\u00e7\u00e3o do instituto\u201d afirmando que \u201cn\u00e3o h\u00e1 o menor interesse da Fazenda Nacional em dar in\u00edcio a um processo que pode ensejar o encerramento das atividades de empresas que poderiam, por outros meios, regularizar o passivo fiscal em aberto\u201d.<\/p>\n<p class=\"jota-cta\"><a href=\"https:\/\/conteudo.jota.info\/cadastro-em-newsletter-curadoria-jota-pro-tributos\">Receba de gra\u00e7a todas as sextas-feiras um resumo da semana tribut\u00e1ria no seu email<\/a><\/p>\n<h2>Cen\u00e1rio jurisprudencial<\/h2>\n<p>Embora a PGFN j\u00e1 tivesse respaldo na Lei de Fal\u00eancias para pedir a \u201cquebra de devedores\u201d, a advogada Kecy Kohler Ceccato, s\u00f3cia do Atra Advogados, explica que n\u00e3o havia um rito pr\u00f3prio, cadeia de autoriza\u00e7\u00e3o interna e crit\u00e9rios objetivos.<\/p>\n<p>At\u00e9 ent\u00e3o, diz a tributarista Carolina Argente, advogada do escrit\u00f3rio \/asbz, a legitimidade da Uni\u00e3o para pedir a fal\u00eancia n\u00e3o era pac\u00edfica. \u201cHavia resist\u00eancia, sobretudo porque a cobran\u00e7a do tributo \u00e9 atividade vinculada e, em regra, deve seguir a via pr\u00f3pria da Lei de Execu\u00e7\u00f5es Fiscais, com seus privil\u00e9gios e especificidades. Esse entendimento foi superado pelo STJ [Superior Tribunal de Justi\u00e7a], que passou a reconhecer que a Lei de Fal\u00eancias n\u00e3o distingue os credores aptos a formular o pedido\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>A minuta da portaria surgiu ap\u00f3s essa mudan\u00e7a no cen\u00e1rio jurisprudencial promovida com a decis\u00e3o da 3\u00aa Turma STJ. Em fevereiro, por unanimidade, o colegiado <a href=\"https:\/\/www.jota.info\/justica\/fazenda-pode-pedir-falencia-de-empresa-se-execucao-fiscal-for-ineficaz-decide-stj\">entendeu<\/a> que a Fazenda P\u00fablica pode pedir a fal\u00eancia de empresas devedoras, caso a execu\u00e7\u00e3o fiscal da d\u00edvida na Justi\u00e7a n\u00e3o tenha resultados. O Resp 2196073\/SE \u00e9 o primeiro precedente sobre o assunto.<\/p>\n<p>Antes disso, a PGFN e a Procuradoria Geral do Rio de Janeiro (PGE-RJ) j\u00e1 haviam pedido a fal\u00eancia de empresas do Grupo Victor Hugo. O pedido fora protocolado em dezembro de 2025 e aceito pela Justi\u00e7a do Rio de Janeiro em fevereiro, dando in\u00edcio a abertura do processo de fal\u00eancia. A d\u00edvida ultrapassa R$ 1,2 bilh\u00e3o, segundo a PGFN.<\/p>\n<h2>Negocia\u00e7\u00e3o<\/h2>\n<p>Nos \u00faltimos anos, a PGFN vem priorizando a solu\u00e7\u00e3o de lit\u00edgios de forma consensual, e a alternativa vai continuar aberta para as empresas. Ainda que o pedido de fal\u00eancia seja acolhido pelo Poder Judici\u00e1rio, a nova portaria deixa claro que n\u00e3o h\u00e1 impedimento para negociar a d\u00edvida.<\/p>\n<p>Esse ponto chama a aten\u00e7\u00e3o de especialistas como o advogado Greg\u00f3rio Caballero, do Candido Martins Cukier, que demonstrou preocupa\u00e7\u00e3o com o uso da medida como forma de pressionar a negocia\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>As regras da portaria n\u00e3o ser\u00e3o aplicadas nos pedidos de convola\u00e7\u00e3o de recupera\u00e7\u00e3o judicial em fal\u00eancia e nos pedidos de fal\u00eancia j\u00e1 ajuizados at\u00e9 a publica\u00e7\u00e3o da norma.<\/p>\n<h2>Preocupa\u00e7\u00e3o com impactos<\/h2>\n<p>O advogado e consultor tribut\u00e1rio Jos\u00e9 Eduardo de Paula Saran aponta que o pedido de fal\u00eancia desloca a cobran\u00e7a tribut\u00e1ria para um plano mais gravoso, com impactos econ\u00f4micos e reputacionais relevantes. \u201cDiferentemente da execu\u00e7\u00e3o fiscal, pode levar \u00e0 extin\u00e7\u00e3o da empresa, afetando empregos, cadeias produtivas e a pr\u00f3pria arrecada\u00e7\u00e3o futura\u201d, explica.<\/p>\n<p>De acordo com Saran, caso seja utilizado de forma ampla, \u201co instrumento pode se aproximar das chamadas \u2018san\u00e7\u00f5es pol\u00edticas\u2019, pressionando o pagamento por meio da amea\u00e7a de encerramento das atividades, o que tensiona garantias fundamentais em um sistema j\u00e1 marcado por alta litigiosidade\u201d.<\/p>\n<p>Carolina Argente aponta que embora tenha sido apresentada como medida excepcional, \u201co efeito pr\u00e1tico tende a ser a antecipa\u00e7\u00e3o do deslocamento de empresas em dificuldade para o ambiente falimentar\u201d.<\/p>\n<p>\u201cA dificuldade de garantir a execu\u00e7\u00e3o \u2014 condi\u00e7\u00e3o para a apresenta\u00e7\u00e3o de embargos \u2014 ilustra como esse deslocamento pode ocorrer na pr\u00e1tica, podendo levar \u00e0 r\u00e1pida caracteriza\u00e7\u00e3o de frustra\u00e7\u00e3o executiva, enquanto o ajuizamento do pedido costuma acionar gatilhos contratuais e restringir o acesso a cr\u00e9dito. Nesse contexto, tende a se exigir das empresas uma postura mais proativa na gest\u00e3o de seus passivos fiscais\u201d, afirma.<\/p>\n<p>A advogada Kecy Kohler Ceccato concorda com a necessidade de monitorar ativamente o passivo fiscal. Para ela, a portaria n\u00e3o muda o direito, \u201cmuda a realidade operacional de milhares de empresas brasileiras\u201d e o passivo, que antes resultava em execu\u00e7\u00e3o e penhora, passa a poder resultar em pedido de fal\u00eancia.<\/p>\n<p>Diante desse cen\u00e1rio, ela afirma que \u201cmanter declara\u00e7\u00f5es acess\u00f3rias em dia, preservar canais de negocia\u00e7\u00e3o abertos com a Fazenda e estruturar mecanismos internos de governan\u00e7a tribut\u00e1ria deixaram de ser recomenda\u00e7\u00e3o de boas pr\u00e1ticas para serem, agora, instrumentos concretos de prote\u00e7\u00e3o contra um risco que, at\u00e9 ontem, era apenas te\u00f3rico\u201d.<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) estabeleceu cinco requisitos necess\u00e1rios para o ajuizamento de pedidos de fal\u00eancia contra devedores da Uni\u00e3o e do FGTS. 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