{"id":21735,"date":"2026-04-01T05:58:25","date_gmt":"2026-04-01T08:58:25","guid":{"rendered":"https:\/\/aprimora.site\/carvalhoalmeidaadvogados\/2026\/04\/01\/mineracao-em-terras-indigenas-o-que-esta-em-jogo-no-mi-7516\/"},"modified":"2026-04-01T05:58:25","modified_gmt":"2026-04-01T08:58:25","slug":"mineracao-em-terras-indigenas-o-que-esta-em-jogo-no-mi-7516","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/aprimora.site\/carvalhoalmeidaadvogados\/2026\/04\/01\/mineracao-em-terras-indigenas-o-que-esta-em-jogo-no-mi-7516\/","title":{"rendered":"Minera\u00e7\u00e3o em Terras Ind\u00edgenas: o que est\u00e1 em jogo no MI 7516?"},"content":{"rendered":"<p>O aproveitamento econ\u00f4mico de bens minerais em <a href=\"https:\/\/www.jota.info\/tudo-sobre\/terras%20ind%C3%ADgenas\">terras ind\u00edgenas<\/a> \u00e9 um dos temas mais sens\u00edveis da agenda nacional, mobilizando debates intensos nos planos pol\u00edtico, jur\u00eddico e social e retornando ciclicamente ao centro das discuss\u00f5es p\u00fablicas.<\/p>\n<p>A Constitui\u00e7\u00e3o, nos arts. 176, \u00a71\u00ba, e 231, \u00a73\u00ba, admite o aproveitamento de recursos minerais em terras ind\u00edgenas, mas o condiciona \u00e0 edi\u00e7\u00e3o de legisla\u00e7\u00e3o espec\u00edfica, \u00e0 autoriza\u00e7\u00e3o do Congresso Nacional e \u00e0 oitiva das comunidades afetadas, assegurando-lhes participa\u00e7\u00e3o nos resultados da lavra. A interpreta\u00e7\u00e3o conjunta desses dispositivos indica que o constituinte n\u00e3o proibiu a minera\u00e7\u00e3o nessas \u00e1reas, mas a submeteu a condicionantes institucionais e participativas cuja efetiva\u00e7\u00e3o depende de regulamenta\u00e7\u00e3o legislativa.<\/p>\n<p class=\"jota-cta\"><a href=\"https:\/\/www.jota.info\/produtos\/poder?utm_source=cta-site&amp;utm_medium=site&amp;utm_campaign=campanha_poder_q2&amp;utm_id=cta_texto_poder_q2_2023&amp;utm_term=cta_texto_poder&amp;utm_term=cta_texto_poder_meio_materias\"><span>Conhe\u00e7a o <span class=\"jota\">JOTA<\/span> PRO Poder, plataforma de monitoramento que oferece transpar\u00eancia e previsibilidade para empresas<\/span><\/a><\/p>\n<p>Entretanto, decorridos quase 40 anos desde a promulga\u00e7\u00e3o da Carta de 1988, a regulamenta\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria jamais foi feita.<\/p>\n<p>Foi essa lacuna normativa que voltou a tensionar o debate. Ao apreciar o Mandado de Injun\u00e7\u00e3o 7516, impetrado pela Patjamaaj, o ministro Fl\u00e1vio Dino, reconheceu a exist\u00eancia de omiss\u00e3o inconstitucional por parte do Congresso quanto \u00e0 regulamenta\u00e7\u00e3o da explora\u00e7\u00e3o mineral em terras ind\u00edgenas.<\/p>\n<p>A autora do MI representa um dos povos ind\u00edgenas historicamente estabelecidos na Amaz\u00f4nia. A Terra Ind\u00edgena Roosevelt, tradicionalmente ocupada pelos Cinta Larga, localiza-se na divisa entre MT e RO e integra o Parque Ind\u00edgena Aripuan\u00e3. Trata-se de comunidade cuja organiza\u00e7\u00e3o social e subsist\u00eancia est\u00e3o vinculadas \u00e0 integridade de seu territ\u00f3rio, hoje pressionado por atividades ilegais.<\/p>\n<p>A associa\u00e7\u00e3o sustenta que o MI foi manejado justamente para enfrentar a lacuna existente. Argumenta-se que a aus\u00eancia de lei que regulamente o art. 231, \u00a73\u00ba impede o exerc\u00edcio do direito das comunidades ind\u00edgenas \u00e0 participa\u00e7\u00e3o nos resultados da explora\u00e7\u00e3o mineral e do aproveitamento de recursos em seus territ\u00f3rios. Embora o ordenamento reconhe\u00e7a tal prerrogativa, sua efetividade permaneceria inviabilizada enquanto n\u00e3o editada a lei que discipline as condi\u00e7\u00f5es para o desenvolvimento dessas atividades.<\/p>\n<p>A inicial tamb\u00e9m enfatiza efeitos concretos dessa omiss\u00e3o: enquanto propriedades rurais situadas no entorno das terras ind\u00edgenas disp\u00f5em de acesso a cr\u00e9dito e financiamento para atividades produtivas, as comunidades ind\u00edgenas permaneceriam privadas de instrumentos econ\u00f4micos que lhes permitam desenvolver iniciativas sustent\u00e1veis e aut\u00f4nomas.<\/p>\n<p>Sustenta-se ainda que a aus\u00eancia de um regime jur\u00eddico claro teria criado um verdadeiro \u201cv\u00e1cuo normativo\u201d, favorecendo a intensifica\u00e7\u00e3o de conflitos e a expans\u00e3o da explora\u00e7\u00e3o mineral ilegal na regi\u00e3o, com a atua\u00e7\u00e3o de garimpos clandestinos e organiza\u00e7\u00f5es criminosas.<\/p>\n<p>Com base nessas premissas, a peti\u00e7\u00e3o requereu cautelar para que o STF reconhe\u00e7a a mora legislativa e estabele\u00e7a par\u00e2metros provis\u00f3rios para atividades de pesquisa e lavra nas terras do povo Cinta Larga, sob supervis\u00e3o federal e com consulta pr\u00e9via \u00e0s comunidades afetadas, at\u00e9 que o Congresso edite a legisla\u00e7\u00e3o regulamentadora.<\/p>\n<p>Em fevereiro, ao apreciar o pedido liminar, o ministro Dino reconheceu a omiss\u00e3o legislativa na regulamenta\u00e7\u00e3o dos arts. 176, \u00a71\u00ba, e 231, \u00a73\u00ba, da Constitui\u00e7\u00e3o. Diante disso, fixou prazo de 24 meses para que o Congresso edite a legisla\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria e, at\u00e9 l\u00e1, determinou a aplica\u00e7\u00e3o de um regime provis\u00f3rio destinado a suprir a lacuna normativa e viabilizar a participa\u00e7\u00e3o dos povos ind\u00edgenas nos resultados da explora\u00e7\u00e3o mineral em seus territ\u00f3rios<a href=\"https:\/\/www.jota.info\/#_edn1\">[1]<\/a>.<\/p>\n<p>Na decis\u00e3o, o ministro destacou que a explora\u00e7\u00e3o mineral em terras ind\u00edgenas j\u00e1 ocorre de forma disseminada, marcada pela ilegalidade, viol\u00eancia e aus\u00eancia de controle ambiental. Nesse cen\u00e1rio, os benef\u00edcios econ\u00f4micos s\u00e3o apropriados por terceiros, enquanto \u00e0s comunidades ind\u00edgenas restam apenas os \u00f4nus da atividade, como pobreza, explora\u00e7\u00e3o do trabalho e danos ambientais. A cautelar busca enfrentar essa distor\u00e7\u00e3o ao estabelecer par\u00e2metros provis\u00f3rios para a participa\u00e7\u00e3o das comunidades ind\u00edgenas em atividades econ\u00f4micas em seus territ\u00f3rios, sem afastar a necessidade de autoriza\u00e7\u00e3o do Congresso, consulta pr\u00e9via \u00e0s comunidades afetadas e cumprimento das normas ambientais.<\/p>\n<p>Entre as condicionantes fixadas na decis\u00e3o est\u00e3o a realiza\u00e7\u00e3o de consulta livre, pr\u00e9via e informada \u00e0s comunidades ind\u00edgenas, a limita\u00e7\u00e3o da \u00e1rea eventualmente explorada a at\u00e9 1% do territ\u00f3rio demarcado e o reconhecimento da prefer\u00eancia dos pr\u00f3prios ind\u00edgenas na explora\u00e7\u00e3o dos recursos minerais presentes em seus territ\u00f3rios, incentivando-se a organiza\u00e7\u00e3o em cooperativas ind\u00edgenas com apoio t\u00e9cnico e financeiro do poder p\u00fablico. Caso optem por n\u00e3o exercer diretamente esse direito de prioridade, mas autorizem a realiza\u00e7\u00e3o da atividade por terceiros, foi assegurado o direito a receber 50% do valor total da CFEM devida.<\/p>\n<p>A solu\u00e7\u00e3o adotada n\u00e3o \u00e9 in\u00e9dita na atua\u00e7\u00e3o recente do relator. Em decis\u00e3o anterior no MI 7490, envolvendo comunidades ind\u00edgenas afetadas por Belo Monte, o Min. Dino tamb\u00e9m reconheceu, em sede cautelar, a omiss\u00e3o legislativa quanto \u00e0 regulamenta\u00e7\u00e3o dos arts. 176, \u00a71\u00ba, e 231 da Constitui\u00e7\u00e3o e fixou prazo de 24 meses para que o Congresso editasse a legisla\u00e7\u00e3o correspondente<a href=\"https:\/\/www.jota.info\/#_edn2\">[2]<\/a>. A l\u00f3gica adotada no MI 7516 segue linha semelhante: diante de uma omiss\u00e3o legislativa prolongada, o STF busca estabelecer par\u00e2metros tempor\u00e1rios que permitam a efetiva\u00e7\u00e3o do direito constitucional at\u00e9 a regulamenta\u00e7\u00e3o definitiva mat\u00e9ria.<\/p>\n<p>Mas, afinal, o que decidiu o STF? A Corte n\u00e3o alterou o regime constitucional da minera\u00e7\u00e3o em terras ind\u00edgenas nem autorizou genericamente essa atividade. Reconheceu, sim, que a prolongada aus\u00eancia de regulamenta\u00e7\u00e3o gerou inseguran\u00e7a jur\u00eddica e fixou par\u00e2metros provis\u00f3rios at\u00e9 que o Congresso discipline a mat\u00e9ria, refor\u00e7ando a observ\u00e2ncia das normas ambientais e o protagonismo das comunidades ind\u00edgenas nas decis\u00f5es sobre seus territ\u00f3rios.<\/p>\n<p>A decis\u00e3o parte de um diagn\u00f3stico importante: a aus\u00eancia de um marco regulat\u00f3rio claro n\u00e3o impediu a explora\u00e7\u00e3o mineral, mas contribuiu para que ela ocorresse \u00e0 margem da legalidade. Em um ambiente sem regras definidas, operadores que atuam dentro de padr\u00f5es institucionais de governan\u00e7a e controle ambiental tendem a se afastar, enquanto pr\u00e1ticas clandestinas encontram terreno prop\u00edcio para se expandir.<\/p>\n<p>Esse diagn\u00f3stico n\u00e3o se limita ao plano te\u00f3rico. A hist\u00f3ria da regi\u00e3o ocupada pelo povo Cinta Larga mostra como disputas ligadas \u00e0 explora\u00e7\u00e3o ilegal podem gerar epis\u00f3dios de extrema viol\u00eancia. Um dos casos mais conhecidos \u00e9 o Massacre do Paralelo 11 (1963), quando uma expedi\u00e7\u00e3o armada ligada a interesses econ\u00f4micos atacou comunidades Cinta Larga na regi\u00e3o do Juruena. O epis\u00f3dio, investigado posteriormente e mencionado no relat\u00f3rio da Comiss\u00e3o da Verdade, integrou uma sequ\u00eancia de ataques que resultou em milhares de mortes desse povo ind\u00edgena<a href=\"https:\/\/www.jota.info\/#_edn3\">[3]<\/a>.<\/p>\n<p>D\u00e9cadas depois, a mesma regi\u00e3o seguiria marcada por conflitos associados \u00e0 explora\u00e7\u00e3o ilegal. Em 2004, a Terra Ind\u00edgena Roosevelt foi palco de um epis\u00f3dio de extrema gravidade, quando 29 garimpeiros foram mortos em confrontos relacionados \u00e0 extra\u00e7\u00e3o ilegal de diamantes.<\/p>\n<p>Embora n\u00e3o seja poss\u00edvel reduzir a complexidade desses eventos a uma \u00fanica causa, eles ilustram de forma concreta os efeitos que um quadro prolongado de aus\u00eancia institucional e indefini\u00e7\u00e3o normativa pode produzir. A persist\u00eancia de um v\u00e1cuo regulat\u00f3rio tende a favorecer a prolifera\u00e7\u00e3o de atividades il\u00edcitas e a ampliar o risco de conflitos violentos, evidenciando que a omiss\u00e3o legislativa n\u00e3o permanece restrita ao plano jur\u00eddico, mas projeta impactos diretos sobre a seguran\u00e7a territorial e a estabilidade social nas terras ind\u00edgenas.<\/p>\n<p>\u00c9 nesse contexto que se insere a decis\u00e3o do STF. Ao reconhecer a omiss\u00e3o legislativa e estabelecer par\u00e2metros provis\u00f3rios, a Corte busca enfrentar um cen\u00e1rio de ilegalidades e aus\u00eancia de controle institucional. Ainda assim, ressalta que a minera\u00e7\u00e3o permanece condicionada ao cumprimento dos requisitos constitucionais e legais, incluindo a autoriza\u00e7\u00e3o das comunidades ind\u00edgenas, o licenciamento e a fiscaliza\u00e7\u00e3o ambiental.<\/p>\n<p>Assim, qualquer discuss\u00e3o sobre minera\u00e7\u00e3o em terras ind\u00edgenas deve partir da centralidade dos pr\u00f3prios povos ind\u00edgenas. Caso a atividade venha a ser regulamentada, sua implementa\u00e7\u00e3o deve estar condicionada ao Consentimento Livre, Pr\u00e9vio e Informado das comunidades afetadas, consagrado pela Conven\u00e7\u00e3o n\u00ba 169 da OIT. O CLPI reconhece a autonomia e a autodetermina\u00e7\u00e3o desses povos, permitindo que cada comunidade defina seus pr\u00f3prios protocolos de consulta sobre iniciativas capazes de impactar seus territ\u00f3rios e modos de vida.<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo, \u00e9 essencial separar o debate regulat\u00f3rio da realidade do garimpo ilegal. A explora\u00e7\u00e3o clandestina de minerais, em qualquer local, deve ser firmemente combatida pelo Estado, pois alimenta redes criminosas, intensifica conflitos territoriais e provoca graves danos sociais e ambientais, exigindo repress\u00e3o e responsabiliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Portanto, a constru\u00e7\u00e3o de um marco regulat\u00f3rio pode reduzir a assimetria entre a ilegalidade e a atividade formal, oferecendo seguran\u00e7a jur\u00eddica para que empreendimentos miner\u00e1rios, quando autorizados pelas comunidades e observadas as exig\u00eancias constitucionais e ambientais, sejam conduzidos dentro da legalidade e com responsabilidade socioambiental.<\/p>\n<p class=\"jota-cta\"><a href=\"https:\/\/conteudo.jota.info\/marketing-lp-newsletter-ultimas-noticias?utm_source=jota&amp;utm_medium=lp&amp;utm_campaign=23-09-2024-jota-lp-eleicoes-2024-eleicoes-2024-none-audiencias-none&amp;utm_content=eleicoes-2024&amp;utm_term=none\"><span>Assine gratuitamente a newsletter \u00daltimas Not\u00edcias do <span class=\"jota\">JOTA<\/span> e receba as principais not\u00edcias jur\u00eddicas e pol\u00edticas do dia no seu email<\/span><\/a><\/p>\n<p>A experi\u00eancia das \u00faltimas d\u00e9cadas mostra que a aus\u00eancia de regulamenta\u00e7\u00e3o, muitas vezes apresentada como prote\u00e7\u00e3o, n\u00e3o foi capaz de resguardar essas comunidades. Ao contr\u00e1rio, o vazio normativo favoreceu a explora\u00e7\u00e3o ilegal e ampliou as amea\u00e7as aos povos ind\u00edgenas, al\u00e9m de impedir o exerc\u00edcio de um direito previsto na Constitui\u00e7\u00e3o: a participa\u00e7\u00e3o nos benef\u00edcios do aproveitamento das riquezas de seus pr\u00f3prios territ\u00f3rios.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.jota.info\/#_ednref1\">[1]<\/a> Ap\u00f3s o voto do ministro Fl\u00e1vio Dino (relator) pelo referendo da medida cautelar nos termos em que deferida monocraticamente, acompanhado pelos ministros Dias Toffoli e Andr\u00e9 Mendon\u00e7a, o processo foi destacado pelo ministro Edson Fachin (presidente). O ministro Gilmar Mendes antecipou voto no mesmo sentido. O caso aguarda aprecia\u00e7\u00e3o pelo plen\u00e1rio.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.jota.info\/#_ednref2\">[2]<\/a> Enquanto n\u00e3o suprida a lacuna normativa, foram estabelecidas regras provis\u00f3rias para assegurar aos povos ind\u00edgenas participa\u00e7\u00e3o nos resultados da explora\u00e7\u00e3o de recursos naturais em seus territ\u00f3rios, determinando-se, no caso espec\u00edfico de Belo Monte, o repasse integral \u00e0s comunidades ind\u00edgenas do valor destinado \u00e0 Uni\u00e3o a t\u00edtulo de CFURH.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.jota.info\/#_ednref3\">[3]<\/a> Sobre o Massacre do Paralelo 11, recomenda-se a leitura do livro <em>When We Sold God\u2019s Eye: Diamonds, Murder, and a Clash of Worlds in the Amazon<\/em>. 2024, de Alex Cuadros.<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O aproveitamento econ\u00f4mico de bens minerais em terras ind\u00edgenas \u00e9 um dos temas mais sens\u00edveis da agenda nacional, mobilizando debates intensos nos planos pol\u00edtico, jur\u00eddico e social e retornando ciclicamente ao centro das discuss\u00f5es p\u00fablicas. 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