{"id":21712,"date":"2026-03-31T11:01:49","date_gmt":"2026-03-31T14:01:49","guid":{"rendered":"https:\/\/aprimora.site\/carvalhoalmeidaadvogados\/2026\/03\/31\/quem-vai-salvar-o-brb\/"},"modified":"2026-03-31T11:01:49","modified_gmt":"2026-03-31T14:01:49","slug":"quem-vai-salvar-o-brb","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/aprimora.site\/carvalhoalmeidaadvogados\/2026\/03\/31\/quem-vai-salvar-o-brb\/","title":{"rendered":"Quem vai salvar o BRB?"},"content":{"rendered":"<p>O <a href=\"https:\/\/www.jota.info\/tudo-sobre\/banco-central\">Banco Central<\/a> fixou em 31 de mar\u00e7o de 2026 o prazo para que o <a href=\"https:\/\/www.jota.info\/tudo-sobre\/brb\">BRB<\/a> apresente o balan\u00e7o de 2025 acompanhado de uma solu\u00e7\u00e3o concreta para o rombo aberto pela opera\u00e7\u00e3o com o <a href=\"https:\/\/www.jota.info\/tudo-sobre\/banco-master\">Banco Master<\/a>. O prazo venceu. O balan\u00e7o n\u00e3o ser\u00e1 publicado. Esta tarde, os executivos do banco t\u00eam reuni\u00e3o no Banco Central \u00e0s 17h em que v\u00e3o pedir \u00e0 autoridade monet\u00e1ria prazo de pelo menos mais um m\u00eas para negociar uma \u00faltima alternativa de salvamento. O banco est\u00e1 h\u00e1 mais de nove meses sem publicar demonstrativos financeiros, tendo deixado de entregar inclusive o balan\u00e7o do terceiro trimestre de 2025.<\/p>\n<p>A crise tem uma origem precisa. O BRB adquiriu R$ 12,2 bilh\u00f5es em carteiras de cr\u00e9dito do Master, institui\u00e7\u00e3o posteriormente liquidada pelo Banco Central por envolvimento em fraudes. A reavalia\u00e7\u00e3o desses ativos revelou perdas que exigem um aporte m\u00ednimo de R$ 6,6 bilh\u00f5es para que o banco volte a operar dentro dos par\u00e2metros regulat\u00f3rios. A S&amp;P rebaixou o <em>rating<\/em> do BRB para brB- em mar\u00e7o de 2026, segundo corte em menos de dois meses, mantendo a institui\u00e7\u00e3o em <em>CreditWatch<\/em> negativo. O custo de capta\u00e7\u00e3o subiu porque o mercado passou a exigir pr\u00eamio para absorver o risco de uma institui\u00e7\u00e3o que n\u00e3o divulga seus n\u00fameros.<\/p>\n<p class=\"jota-cta\"><a href=\"https:\/\/www.jota.info\/produtos\/poder?utm_source=cta-site&amp;utm_medium=site&amp;utm_campaign=campanha_poder_q2&amp;utm_id=cta_texto_poder_q2_2023&amp;utm_term=cta_texto_poder&amp;utm_term=cta_texto_poder_meio_materias\"><span>Conhe\u00e7a o <span class=\"jota\">JOTA<\/span> PRO Poder, plataforma de monitoramento que oferece transpar\u00eancia e previsibilidade para empresas<\/span><\/a><\/p>\n<p>A primeira tentativa de solu\u00e7\u00e3o foi o Fundo de Investimento Imobili\u00e1rio lastreado em nove im\u00f3veis do Governo do Distrito Federal, autorizado pela Lei Distrital 7.845\/2026. A opera\u00e7\u00e3o naufragou em ritmo acelerado: uma liminar da 2\u00aa Vara da Fazenda P\u00fablica do Distrito Federal suspendeu a lei em 16 de mar\u00e7o, e embora o desembargador Roberval Belinati, no exerc\u00edcio da presid\u00eancia do TJDFT, tenha cassado a liminar no dia seguinte, a inseguran\u00e7a jur\u00eddica j\u00e1 havia inviabilizado o calend\u00e1rio. Nenhum investidor institucional entra numa opera\u00e7\u00e3o de capitaliza\u00e7\u00e3o banc\u00e1ria quando a lei que a autoriza pode ser suspensa novamente na semana seguinte. O FII que injetaria R$ 6,6 bilh\u00f5es no patrim\u00f4nio do BRB n\u00e3o saiu do papel.<\/p>\n<p>A segunda tentativa foi cont\u00e1bil: reconhecimento do cr\u00e9dito fiscal diferido sobre o preju\u00edzo e convers\u00e3o de d\u00edvida subordinada em capital. Ambos s\u00e3o tecnicamente l\u00edcitos. Nenhum dos dois coloca liquidez no caixa, que \u00e9 o que o banco precisa de forma urgente quando o depositante chega \u00e0 ag\u00eancia e pede seu dinheiro. O balan\u00e7o \u00e9 o documento que se apresenta numa reuni\u00e3o com o regulador. A liquidez responde a uma l\u00f3gica diferente e mais implac\u00e1vel. Os rem\u00e9dios cont\u00e1beis s\u00e3o apenas mais um dado de um problema muito maior.<\/p>\n<p>O plano que os executivos do BRB pretendem apresentar ao Banco Central hoje envolve R$ 4 bilh\u00f5es do Fundo Garantidor de Cr\u00e9dito mais R$ 3 bilh\u00f5es obtidos com a venda de terrenos do governo distrital que n\u00e3o estejam ligados a empresas p\u00fablicas ou com complica\u00e7\u00f5es burocr\u00e1ticas. Esses terrenos seriam assumidos por um fundo formado por investidores privados.<\/p>\n<p>Falta, por\u00e9m, combinar com o pr\u00f3prio FGC. Fontes da c\u00fapula do fundo afirmam que n\u00e3o h\u00e1 a menor chance de ele emprestar dinheiro sozinho ao Banco de Bras\u00edlia. O FGC s\u00f3 entraria em algum esfor\u00e7o de salvamento em cons\u00f3rcio com a participa\u00e7\u00e3o de todos os grandes bancos. At\u00e9 agora, n\u00e3o h\u00e1 nada de concreto sobre isso no mercado.<\/p>\n<p>O que poucos observadores notaram \u00e9 que o peso regulat\u00f3rio do FGC mudou em janeiro de 2026. Em resposta direta \u00e0s crises do Master e do Will Bank, o Conselho Monet\u00e1rio Nacional aprovou altera\u00e7\u00f5es no estatuto e no regulamento do fundo que ampliaram substancialmente seus instrumentos de atua\u00e7\u00e3o. At\u00e9 ent\u00e3o, o FGC s\u00f3 podia agir depois que a liquida\u00e7\u00e3o havia sido decretada pelo BC.<\/p>\n<p>Com as novas regras, passou a poder atuar preventivamente em situa\u00e7\u00f5es de dificuldade financeira relevante reconhecidas pelo regulador, com mecanismos que incluem opera\u00e7\u00f5es de mudan\u00e7a de controle e transfer\u00eancia de ativos e passivos para outras institui\u00e7\u00f5es. N\u00e3o \u00e9 mais uma solu\u00e7\u00e3o especulativa com questionamentos sobre desvio de finalidade: \u00e9 instrumento expressamente previsto no regulamento para exatamente esse tipo de situa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O contexto pol\u00edtico mudou de forma abrupta na v\u00e9spera do prazo. Ibaneis Rocha (MDB) renunciou ao governo nesta segunda-feira (30) para disputar o Senado em outubro. Celina Le\u00e3o (PP), que o substituiu, vai procurar o presidente Lula (PT) e pedir que bancos estatais como Caixa e Banco do Brasil participem do socorro ao BRB.<\/p>\n<p>O movimento encontra um obst\u00e1culo de primeira grandeza: Lula deu ordem unida aos integrantes de seu governo para se manterem longe do imbr\u00f3glio do BRB, e s\u00f3 mesmo ele para inverter a orienta\u00e7\u00e3o. No Governo do Distrito Federal, a esperan\u00e7a \u00e9 de que a sa\u00edda de Ibaneis abra um per\u00edodo de mais boa vontade do governo federal e do Banco Central com o banco. Esperan\u00e7a, como se sabe, n\u00e3o \u00e9 plano.<\/p>\n<p>Ibaneis deixa para a sucessora um n\u00f3 cuidadosamente constru\u00eddo. Na sexta-feira passada (27), em entrevista p\u00fablica, afirmou que n\u00e3o tinha como avaliar a compra do Banco Master porque \u201cn\u00e3o sabe nem passar um Pix\u201d. A declara\u00e7\u00e3o \u00e9 reveladora n\u00e3o apenas da impropriedade intelectual do argumento, mas do que o mercado j\u00e1 precifica: Ibaneis \u00e9 tido como alvo prov\u00e1vel de uma futura dela\u00e7\u00e3o de Daniel Vorcaro. Al\u00e9m disso, era o avalista de Paulo Henrique Costa, o presidente do BRB \u00e0 \u00e9poca da opera\u00e7\u00e3o com o Master. Um controlador que alega ignor\u00e2ncia t\u00e9cnica absoluta enquanto responde pessoalmente por quem assinou o neg\u00f3cio \u00e9, no m\u00ednimo, um elemento complicador desnecess\u00e1rio neste momento.<\/p>\n<p>Celina Le\u00e3o ao assumir o cargo fez quest\u00e3o de declarar que n\u00e3o participou de nenhuma decis\u00e3o e nem sequer foi consultada sobre a compra do Master pelo BRB. Seu primeiro desafio no cargo ser\u00e1 desfazer o n\u00f3 que o antecessor deixou. O \u00fanico problema \u00e9 que talvez seja tarde demais. O Banco Central, na avalia\u00e7\u00e3o interna da autarquia transmitida pelo presidente Gal\u00edpolo, entende que a solu\u00e7\u00e3o passa mais pelo Governo do Distrito Federal do que pela gest\u00e3o atual do banco, e que a extens\u00e3o do prazo agravaria a situa\u00e7\u00e3o porque a demora do controlador em cumprir compromissos de capitaliza\u00e7\u00e3o corr\u00f3i a credibilidade da institui\u00e7\u00e3o a cada dia que passa.<\/p>\n<p>Do ponto de vista regulat\u00f3rio, o BRB est\u00e1 preso numa armadilha de dupla face. Se entregar o balan\u00e7o atrasado com o preju\u00edzo sem a solu\u00e7\u00e3o de capitaliza\u00e7\u00e3o, exp\u00f5e a extens\u00e3o do dano e abre caminho para san\u00e7\u00f5es. Se n\u00e3o entregar nada no curto prazo, a inadimpl\u00eancia regulat\u00f3ria produz o mesmo resultado pelo caminho inverso.<\/p>\n<p>A sequ\u00eancia que o BC costuma adotar nessas situa\u00e7\u00f5es \u00e9 clara e segue uma grada\u00e7\u00e3o prevista na pr\u00f3pria Resolu\u00e7\u00e3o CMN 4.019\/2011: primeiro o endurecimento progressivo das restri\u00e7\u00f5es operacionais, cumulativas e sucessivas, que v\u00e3o desde veda\u00e7\u00f5es espec\u00edficas como a que j\u00e1 impede o BRB de comprar carteiras de terceiros at\u00e9 restri\u00e7\u00f5es sobre distribui\u00e7\u00e3o de resultados e contrata\u00e7\u00e3o de novas opera\u00e7\u00f5es. S\u00f3 depois vem o Regime de Administra\u00e7\u00e3o Especial Tempor\u00e1ria, o RAET, criado pelo Decreto-Lei 2.321\/87.<\/p>\n<p>Diferente da interven\u00e7\u00e3o cl\u00e1ssica da Lei 6.024\/74, o RAET n\u00e3o interrompe servi\u00e7os nem gera o estigma de colapso imediato, mas permite que o banco continue operando normalmente para clientes e depositantes enquanto o BC assume o controle da gest\u00e3o e conduz o saneamento. Foi desenhado precisamente para situa\u00e7\u00f5es em que o problema \u00e9 de capital, n\u00e3o de liquidez imediata, que \u00e9 exatamente o diagn\u00f3stico do BRB.<\/p>\n<p>O hist\u00f3rico brasileiro mostra que RAET em banco p\u00fablico tende a desembocar em transfer\u00eancia de controle ou federaliza\u00e7\u00e3o, n\u00e3o em liquida\u00e7\u00e3o. A liquida\u00e7\u00e3o extrajudicial, embora legalmente poss\u00edvel, \u00e9 o cen\u00e1rio mais improv\u00e1vel: n\u00e3o por raz\u00e3o jur\u00eddica, mas porque um banco com R$ 80 bilh\u00f5es em ativos, R$ 30 bilh\u00f5es em dep\u00f3sitos judiciais e fun\u00e7\u00e3o central no sistema financeiro do Distrito Federal n\u00e3o \u00e9 liquidado sem consequ\u00eancias que nenhum ator pol\u00edtico quer assumir.<\/p>\n<p class=\"jota-cta\"><a href=\"https:\/\/conteudo.jota.info\/marketing-lp-newsletter-ultimas-noticias?utm_source=jota&amp;utm_medium=lp&amp;utm_campaign=23-09-2024-jota-lp-eleicoes-2024-eleicoes-2024-none-audiencias-none&amp;utm_content=eleicoes-2024&amp;utm_term=none\"><span>Assine gratuitamente a newsletter \u00daltimas Not\u00edcias do <span class=\"jota\">JOTA<\/span> e receba as principais not\u00edcias jur\u00eddicas e pol\u00edticas do dia no seu email<\/span><\/a><\/p>\n<p>O BRB custodia recursos de tribunais, fundos de pens\u00e3o e serve \u00e0 folha salarial de servidores da unidade administrativa com maior renda <em>per capita<\/em> do pa\u00eds. N\u00e3o tem porte para provocar crise sist\u00eamica. Tem porte mais que suficiente para provocar crise pol\u00edtica e social de dimens\u00e3o consider\u00e1vel no Distrito Federal.<\/p>\n<p>A reuni\u00e3o das 17h de hoje no Banco Central n\u00e3o vai resolver o problema. Vai, no melhor cen\u00e1rio, comprar mais um m\u00eas para que a pergunta que ningu\u00e9m respondeu at\u00e9 agora seja finalmente enfrentada: quem coloca dinheiro real na institui\u00e7\u00e3o, em que prazo e com qual arcabou\u00e7o jur\u00eddico suficientemente est\u00e1vel para que os envolvidos n\u00e3o recuem no dia seguinte por conta de uma liminar?<\/p>\n<p>O FGC n\u00e3o vai sozinho. O governo federal se afastou do problema. Os terrenos do GDF ainda precisam ser vendidos. Os bancos privados ainda n\u00e3o formaram o cons\u00f3rcio. E o prazo, desta vez, j\u00e1 venceu. Fica a pergunta ent\u00e3o: quem vai salvar o BRB?<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Banco Central fixou em 31 de mar\u00e7o de 2026 o prazo para que o BRB apresente o balan\u00e7o de 2025 acompanhado de uma solu\u00e7\u00e3o concreta para o rombo aberto pela opera\u00e7\u00e3o com o Banco Master. O prazo venceu. O balan\u00e7o n\u00e3o ser\u00e1 publicado. 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