{"id":21692,"date":"2026-03-30T17:05:31","date_gmt":"2026-03-30T20:05:31","guid":{"rendered":"https:\/\/aprimora.site\/carvalhoalmeidaadvogados\/2026\/03\/30\/proibido-e-mais-gostoso-nao-so-mais-caro\/"},"modified":"2026-03-30T17:05:31","modified_gmt":"2026-03-30T20:05:31","slug":"proibido-e-mais-gostoso-nao-so-mais-caro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/aprimora.site\/carvalhoalmeidaadvogados\/2026\/03\/30\/proibido-e-mais-gostoso-nao-so-mais-caro\/","title":{"rendered":"Proibido \u00e9 mais gostoso? N\u00e3o, s\u00f3 mais caro"},"content":{"rendered":"<p>A m\u00e1xima do t\u00edtulo desta newsletter remonta ao Renascimento, movimento que recolocava o homem no centro ap\u00f3s o protagonismo da religi\u00e3o na Idade M\u00e9dia. Na \u00e9poca, idos do s\u00e9culo 16, o fil\u00f3sofo e jurista franc\u00eas Michel de Montaigne cravou que\u00a0<strong>\u201cproibir algo \u00e9 despertar o desejo\u201d<\/strong>. Essa ideia viajou at\u00e9 os dias atuais em cren\u00e7as populares, como a de que \u201cescondido \u00e9 mais divertido\u201d e, para n\u00e3o ati\u00e7ar o desejo pelo subversivo, \u00e9 \u201cproibido proibir\u201d. \ud83d\udeab<\/p>\n<p>Apesar de ter atravessado s\u00e9culos,\u00a0<strong>a no\u00e7\u00e3o de que divers\u00e3o est\u00e1 conectada \u00e0 proibi\u00e7\u00e3o n\u00e3o resiste aos dados<\/strong>. No Brasil, os homic\u00eddios associados ao proibicionismo das drogas \u2013 desde relacionados \u00e0s interven\u00e7\u00f5es do Estado at\u00e9 \u00e0s disputas no mercado ilegal \u2013 resultam em uma\u00a0<strong>redu\u00e7\u00e3o de 4,2 meses na expectativa de vida ao nascer, totalizando 1,148 milh\u00e3o de anos potenciais de vida perdidos.\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>A vida dura menos para as v\u00edtimas, e essa viol\u00eancia impacta o consumo, a gera\u00e7\u00e3o de renda e as chances de sobreviv\u00eancia para toda a sociedade. As mortes associadas \u00e0 pol\u00edtica repressiva das drogas no Brasil t\u00eam um\u00a0<strong>custo de bem-estar, o indicador econ\u00f4mico que quantifica a perda de qualidade de vida ou felicidade, de R$ 50 bilh\u00f5es por ano. \ud83d\udc94<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u25b6\ufe0fEssas s\u00e3o as conclus\u00f5es de um estudo publicado em 2023 por Daniel Cerqueira, pesquisador do Instituto de Pesquisa Econ\u00f4mica Aplicada (Ipea) e um dos entrevistados desta edi\u00e7\u00e3o da Economia Legal.<\/strong><\/p>\n<p><strong>O debate, como veremos, vai muito al\u00e9m da dicotomia entre proibi\u00e7\u00f5es e legaliza\u00e7\u00f5es. Pol\u00edticas p\u00fablicas incompletas, frequentemente sustentadas em interdi\u00e7\u00f5es, t\u00eam um alto pre\u00e7o \u2013 humano e econ\u00f4mico.<\/strong><\/p>\n<p>Isso e mais voc\u00ea entende em v\u00eddeo e na reportagem de Victoria Lacerda. Carolina Unzelte \u00e9 a editora convidada desta newsletter, e Let\u00edcia Paiva \u00e9 coordenadora criativa do projeto Economia Legal. O conte\u00fado \u00e9 editorial do\u00a0<strong><span class=\"jota\">JOTA<\/span><\/strong>, exceto pela mensagem do patrocinador.<\/p>\n<p>Boa leitura!<\/p>\n<p><em>\u23f1\ufe0f Tempo de Leitura: 7 min | \ud83d\udcdd Editado por Carolina Unzelte<\/em><\/p>\n<p>\ud83d\udfe2\u1be4 Esta newsletter tamb\u00e9m est\u00e1 dispon\u00edvel em \u00e1udio. <a href=\"https:\/\/open.spotify.com\/episode\/0bAgen5q5d2IcZp0Sbz3SD\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Ou\u00e7a agora<\/a><\/p>\n<p><span><strong>EXPLICADO<\/strong><\/span><\/p>\n<h2><strong>Por que proibir n\u00e3o elimina mercados ilegais? A pol\u00edtica de drogas responde<\/strong><\/h2>\n<div>\n<p>\u00a0<\/p>\n<div>\n<div><\/div>\n<div>\n<div><\/div>\n<div><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div><\/div>\n<div><\/div>\n<div>\n<div>Ver essa foto no Instagram<\/div>\n<\/div>\n<div><\/div>\n<div>\n<div>\n<div><\/div>\n<div><\/div>\n<div><\/div>\n<\/div>\n<div>\n<div><\/div>\n<div><\/div>\n<\/div>\n<div>\n<div><\/div>\n<div><\/div>\n<div><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div>\n<div><\/div>\n<div><\/div>\n<\/div>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/reel\/DWW6ujxCuHX\/?utm_source=ig_embed&amp;utm_campaign=loading\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Um post compartilhado por <span class=\"jota\">JOTA<\/span> (@jotaflash)<\/a><\/p>\n<\/div>\n<p>\u201cTudo \u00e9 droga. O que muda \u00e9 se ela est\u00e1 dentro de um regime regulado ou proibido. E isso define o grau de controle que o Estado consegue exercer sobre ela\u201d, diz Fernando Aith, professor da Faculdade de Sa\u00fade P\u00fablica da Universidade de S\u00e3o Paulo. \ud83d\udc8a<\/p>\n<p>\u2696 Esses graus de controle podem envolver regula\u00e7\u00e3o, proibi\u00e7\u00e3o e criminaliza\u00e7\u00e3o. Proibir por si s\u00f3 significa vetar, por vias administrativas, o acesso ao produto, e puni\u00e7\u00f5es podem incluir desde apreens\u00e3o de produtos at\u00e9 cancelamento de licen\u00e7as ou alvar\u00e1s.<\/p>\n<p>\u274c J\u00e1 a criminaliza\u00e7\u00e3o leva o controle ao \u00e2mbito penal, com penas mais duras, como reclus\u00e3o. Mas, para que a proibi\u00e7\u00e3o e a criminaliza\u00e7\u00e3o produzam efeitos duradouros, devem fazer parte de um conjunto mais amplo de pol\u00edticas p\u00fablicas.<\/p>\n<p>Enquanto isso, a regula\u00e7\u00e3o estabelece um regime ditado pelo Estado, com regras espec\u00edficas para produ\u00e7\u00e3o, venda e consumo, de modo a controlar o mercado e garantir padr\u00f5es de qualidade e seguran\u00e7a. A partir disso, como desenhar a regula\u00e7\u00e3o se tona ainda outra quest\u00e3o, indo muito al\u00e9m da dicotomia entre proibir e liberar.<\/p>\n<p>Regular tamb\u00e9m passa por diferenciar usu\u00e1rios e agentes da cadeia produtiva e distributiva. O Brasil deu um passo nesse sentido em 2024, quando o Supremo Tribunal Federal (STF) estabeleceu a posse de at\u00e9 40 gramas de maconha ou o cultivo de at\u00e9 seis plantas f\u00eameas como caracteriza\u00e7\u00e3o de uso pessoal. \ud83d\udc69\u200d\u2696\ufe0f<\/p>\n<p>\ud83d\udcad \u201cA decis\u00e3o melhora a seguran\u00e7a jur\u00eddica, mas a aplica\u00e7\u00e3o ainda \u00e9 desigual. O sistema continua operando com margens de interpreta\u00e7\u00e3o que acabam reproduzindo distor\u00e7\u00f5es\u201d, afirma o advogado criminalista Antonio Gon\u00e7alves.<\/p>\n<p>Somado a isso, o foco no pequeno varejo tamb\u00e9m produz efeitos de longo prazo sobre a pr\u00f3pria din\u00e2mica da criminalidade. Em um sistema prisional marcado por superlota\u00e7\u00e3o e baixa capacidade de reintegra\u00e7\u00e3o, o encarceramento por crimes de menor gravidade pode funcionar como porta de entrada para organiza\u00e7\u00f5es criminosas.<\/p>\n<p>\u25b6\ufe0f <a href=\"https:\/\/www.jota.info\/coberturas-especiais\/economia-legal\/por-que-proibir-nao-elimina-mercados-ilegais-a-politica-de-drogas-explica\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Leia a reportagem completa de Victoria Lacerda.<\/a><\/p>\n<p><span><strong>UMA MENSAGEM PATROCINADA PELO IBJR<\/strong><\/span><\/p>\n<h2><strong>Bets reguladas apoiam combate ao crime; clandestinas o financiam<\/strong><\/h2>\n<p>Fotomontagem: Ca Aulucci\/<span class=\"jota\">JOTA<\/span><\/p>\n<p>Operadoras de apostas esportivas autorizadas pela Secretaria de Pr\u00eamios e Apostas, da Fazenda geram empregos e recolhem tributos. Enquanto isso, o mercado ilegal, que det\u00e9m 51% das opera\u00e7\u00f5es no Brasil, atua como bra\u00e7o financeiro do crime organizado e da lavagem de dinheiro.<\/p>\n<p>No mercado regulado, 30% da arrecada\u00e7\u00e3o \u00e9 destinada \u00e0 seguran\u00e7a p\u00fablica, enquanto o ilegal financia cadeias criminosas. Bets que aceitam pagamentos n\u00e3o rastre\u00e1veis s\u00e3o usadas para circular dinheiro \u201csujo\u201d e inseri-lo no sistema financeiro. Elas tamb\u00e9m geram risco tribut\u00e1rio e o consumidor \u00e9 empurrado para o mercado clandestino: as bets irregulares podem oferecer odds (o potencial de retorno) mais altas j\u00e1 que n\u00e3o pagam impostos.<\/p>\n<p>Para o Instituto Brasileiro do Jogo Respons\u00e1vel (IBJR), a regulamenta\u00e7\u00e3o \u00e9 a via mais eficaz para desidratar a clandestinidade. As plataformas id\u00f4neas seguem a Lei 14.790\/2023, utilizam m\u00e9todos de pagamento rastre\u00e1veis e identifica\u00e7\u00e3o rigorosa, o que impede a reintegra\u00e7\u00e3o de recursos il\u00edcitos ao sistema financeiro. Um meio essencial para o apostador diferenciar o mercado \u00edntegro do ilegal \u00e9 utilizar canais oficiais, como o <a href=\"https:\/\/betalert.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">BetAlert<\/a>.<\/p>\n<p><strong><span>CASE DE SUCESSO<\/span><\/strong><\/p>\n<h2>As escolhas de Portugal e Canad\u00e1 ao lidar com as drogas<\/h2>\n<p>Fotomontagem: Ca Aulucci\/<span class=\"jota\">JOTA<\/span><\/p>\n<p>Experi\u00eancias internacionais ajudam a ilustrar caminhos alternativos para enfrentar o dilema da proibi\u00e7\u00e3o. Em Portugal, desde 2001, o porte de todas as drogas para uso pessoal foi descriminalizado, o que significa que a conduta deixou de ser tratada como crime, mas n\u00e3o foi legalizada. A produ\u00e7\u00e3o, o tr\u00e1fico e a comercializa\u00e7\u00e3o continuam sendo il\u00edcitos penais.<\/p>\n<p>Na pr\u00e1tica, usu\u00e1rios flagrados com quantidades consideradas para consumo pessoal n\u00e3o s\u00e3o levados ao sistema penal, mas encaminhados a comiss\u00f5es administrativas compostas por profissionais de sa\u00fade e assist\u00eancia social. Esse modelo permitiu deslocar o foco da repress\u00e3o para a sa\u00fade p\u00fablica. \ud83c\udfe5<\/p>\n<p>\ud83c\udf3fNo Canad\u00e1, a regula\u00e7\u00e3o da cannabis, implementada em 2018, permitiu a cria\u00e7\u00e3o de um mercado formal, com controle de qualidade, rastreabilidade e tributa\u00e7\u00e3o. Dados oficiais indicam que, ao longo dos anos seguintes, a maior parte do consumo migrou gradualmente para o mercado legal, reduzindo o espa\u00e7o do mercado ilegal.<\/p>\n<p>Ainda assim, a transposi\u00e7\u00e3o desses modelos para o Brasil envolve desafios relevantes. As experi\u00eancias internacionais ocorreram em contextos institucionais, econ\u00f4micos e sociais distintos, com maior capacidade estatal de regula\u00e7\u00e3o e fiscaliza\u00e7\u00e3o. \u2194\ufe0f<\/p>\n<p><span><strong>RADAR<\/strong><\/span><\/p>\n<h2>O que acompanhar nesta quinzena<\/h2>\n<p>O show vai come\u00e7ar\u2026 \ud83c\udfafOs senadores foram, na \u00faltima quarta (25) ao Supremo Tribunal Federal (STF) para solicitar a instala\u00e7\u00e3o de uma Comiss\u00e3o Parlamentar de Inqu\u00e9rito (CPI) sobre o esc\u00e2ndalo do Banco Master. O requerimento da CPI j\u00e1 angariou assinaturas suficientes para abertura, mas depende da decis\u00e3o do presidente Davi Alcolumbre (Uni\u00e3o-AP).<br \/>\nOu acabar? \ud83d\udd3dJ\u00e1 a CPMI do INSS, que investiga esquema de descontos indevidos em pagamentos de aposentados e pensionistas, estava prevista para acabar nesta semana, mas o ministro Andr\u00e9 Mendon\u00e7a, em decis\u00e3o monocr\u00e1tica, determinou sua prorroga\u00e7\u00e3o \u2013 decis\u00e3o que pode ser derrubada em plen\u00e1rio.<br \/>\nEnquanto isso, a CPI do Crime Organizado tamb\u00e9m se aproxima do fim, previsto para o pr\u00f3ximo dia 14. Em entrevista ao Estad\u00e3o, o relator Alessandro Vieira (MDB-SE) afirmou que vai incluir o Master no relat\u00f3rio final, apontando omiss\u00f5es do Banco Central e da Comiss\u00e3o de Valores Mobili\u00e1rios.<br \/>\nPr\u00f3xima atra\u00e7\u00e3o. \ud83d\udcfaUm dos t\u00f3picos priorit\u00e1rios na campanha eleitoral deste ano, a seguran\u00e7a p\u00fablica j\u00e1 est\u00e1 na boca dos pr\u00e9-candidatos. Fl\u00e1vio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou nesta semana que, se eleito, recriar\u00e1 o Minist\u00e9rio da Seguran\u00e7a P\u00fablica.<br \/>\nNa \u00faltima campanha, Lula tamb\u00e9m havia feito a promessa. Com a san\u00e7\u00e3o nesta ter\u00e7a (24\/3) da Lei Antifac\u00e7\u00e3o, que endurece o cerco contra o crime organizado e foi cooptada pela oposi\u00e7\u00e3o no Legislativo, o presidente busca se cacifar no tema com a PEC da Seguran\u00e7a P\u00fablica, que aguarda aprova\u00e7\u00e3o no Senado.<\/p>\n<p class=\"jota-cta\"><a href=\"https:\/\/inteligencia.jota.info\/economia-legal\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Conhe\u00e7a a newsletter especial Economia Legal sobre como a inseguran\u00e7a p\u00fablica impacta seu setor e como se antecipar \u00e0 manchete.<\/a><\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A m\u00e1xima do t\u00edtulo desta newsletter remonta ao Renascimento, movimento que recolocava o homem no centro ap\u00f3s o protagonismo da religi\u00e3o na Idade M\u00e9dia. Na \u00e9poca, idos do s\u00e9culo 16, o fil\u00f3sofo e jurista franc\u00eas Michel de Montaigne cravou que\u00a0\u201cproibir algo \u00e9 despertar o desejo\u201d. 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