{"id":21678,"date":"2026-03-30T11:04:20","date_gmt":"2026-03-30T14:04:20","guid":{"rendered":"https:\/\/aprimora.site\/carvalhoalmeidaadvogados\/2026\/03\/30\/os-perigos-do-colunismo-pro-supremo\/"},"modified":"2026-03-30T11:04:20","modified_gmt":"2026-03-30T14:04:20","slug":"os-perigos-do-colunismo-pro-supremo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/aprimora.site\/carvalhoalmeidaadvogados\/2026\/03\/30\/os-perigos-do-colunismo-pro-supremo\/","title":{"rendered":"Os perigos do colunismo pr\u00f3-Supremo"},"content":{"rendered":"<p>O desenrolar do esc\u00e2ndalo do <a href=\"https:\/\/www.jota.info\/tudo-sobre\/banco-master\">Banco Master<\/a> \u2013 e com ele o poss\u00edvel envolvimento de uma parcela crescente do Supremo Tribunal Federal \u2013 fez com que um setor do debate p\u00fablico tivesse que trabalhar com ainda mais afinco: o colunismo pr\u00f3-Supremo.<\/p>\n<p>Marcado por uma atua\u00e7\u00e3o sem grande compromisso \u00e9tico, o colunismo pr\u00f3-Supremo tem sido incans\u00e1vel na tentativa de defender alguns ministros do STF n\u00e3o s\u00f3 de ataques liberticidas, mas de qualquer cr\u00edtica democr\u00e1tica e republicana que deve ser feita \u00e0queles que ocupam institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas.<\/p>\n<p class=\"jota-cta\"><a href=\"https:\/\/www.jota.info\/produtos\/poder?utm_source=cta-site&amp;utm_medium=site&amp;utm_campaign=campanha_poder_q2&amp;utm_id=cta_texto_poder_q2_2023&amp;utm_term=cta_texto_poder&amp;utm_term=cta_texto_poder_meio_materias\"><span>Conhe\u00e7a o <span class=\"jota\">JOTA<\/span> PRO Poder, plataforma de monitoramento que oferece transpar\u00eancia e previsibilidade para empresas<\/span><\/a><\/p>\n<p>Por colunismo pr\u00f3-Supremo, n\u00e3o me refiro \u00e0 defesa leg\u00edtima do tribunal contra ataques autorit\u00e1rios, nem \u00e0 discord\u00e2ncia honesta diante de cr\u00edticas pontuais a decis\u00f5es ou ministros. Falo, na verdade, de um tipo de interven\u00e7\u00e3o p\u00fablica estrat\u00e9gica, praticada por advogados, juristas e at\u00e9 mesmo jornalistas, que funciona como linha auxiliar de prote\u00e7\u00e3o do poder \u2013 \u00e9 o pre\u00e7o do acesso privilegiado, que costuma ser pago com juros emprestados do banco da dignidade.<\/p>\n<p>O m\u00e9todo j\u00e1 \u00e9 conhecido. Surge uma not\u00edcia inc\u00f4moda para o tribunal; entra em a\u00e7\u00e3o o colunismo. O conte\u00fado da not\u00edcia cede espa\u00e7o \u00e0s suas inten\u00e7\u00f5es. O que foi revelado tamb\u00e9m n\u00e3o tem import\u00e2ncia, pois o colunismo pr\u00f3-Supremo s\u00f3 tem olhos para quem teve a ousadia de fazer a revela\u00e7\u00e3o. E quando o que \u00e9 descoberto \u00e9 uma conduta grave? Nesse caso, a not\u00edcia ganha um falso contraste com os riscos de fortalecimento do iliberalismo ou do lavajatismo rec\u00e9m-ressurrecto.<\/p>\n<p>Esse tipo de expediente \u00e9 sorrateiro e nocivo ao debate p\u00fablico. Primeiro, porque se vale de argumentos artificiais para blindar o tribunal contra qualquer tipo de responsabiliza\u00e7\u00e3o. Segundo, porque corrompe o vocabul\u00e1rio p\u00fablico, instrumentalizando r\u00f3tulos vazios e frases de efeito como forma de evitar quest\u00f5es dif\u00edceis. O produto desse comportamento \u00e9 uma defer\u00eancia seletiva, que s\u00f3 admite cr\u00edticas que venham acompanhadas por rosas e um cart\u00e3o de reconhecimento dos servi\u00e7os prestados pela institui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>No meio jur\u00eddico, o fen\u00f4meno ganha um colorido ainda mais grave. H\u00e1 uma nova gera\u00e7\u00e3o de juristas adapt\u00e1veis, cuja volubilidade das opini\u00f5es se adequa \u00e0s necessidades de certos ministros. Alguns desses s\u00e3o particularmente mais perigosos, pois emprestam a reputa\u00e7\u00e3o que constru\u00edram para dar verniz normativo ao absurdo. Essa disposi\u00e7\u00e3o para embaralhar o debate p\u00fablico \u00e9 s\u00f3 uma forma elegante de normalizar o que deveria causar esc\u00e2ndalo.<\/p>\n<p>Diante disso, a quest\u00e3o que naturalmente se imp\u00f5e \u00e9: por que essas figuras continuam sendo ouvidas?<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 por desconhecimento sobre suas inten\u00e7\u00f5es. O padr\u00e3o \u00e9, h\u00e1 muito, bastante conhecido. Sabemos quem s\u00e3o e onde costumam publicar. Sabemos a quem servem e por que o fazem. O colunista pr\u00f3-Supremo, que ontem denunciava os abusos judiciais, hoje os celebra com um vocabul\u00e1rio diferente. O jurista que construiu reputa\u00e7\u00e3o criticando os erros e problemas do tribunal agora o trata como intoc\u00e1vel. Tudo feito \u00e0 luz do dia, diante de nossos olhos. E, ainda assim, funciona.<\/p>\n<p>Mas por qu\u00ea? Por que essas figuras continuam relevantes? A resposta, claro, \u00e9 porque h\u00e1 quem as sustente. Ve\u00edculos de imprensa que valorizam o acesso privilegiado ao tribunal. Escrit\u00f3rios de advocacia que precificam a proximidade com o poder. Universidades que confundem prest\u00edgio institucional com autoridade intelectual. O colunismo pr\u00f3-Supremo n\u00e3o brota em solo inf\u00e9rtil; ele \u00e9 irrigado por uma economia de favores em que a moeda \u00e9 a defer\u00eancia e o retorno \u00e9 a visibilidade.<\/p>\n<p>Enfrentar o colunismo pr\u00f3-Supremo tamb\u00e9m \u00e9 uma tarefa desafiadora. Porque quando debatemos se uma cr\u00edtica \u00e9 \u201clavajatista\u201d ou \u201cbolsonarista\u201d, estamos involuntariamente legitimando esse enquadramento. E isso faz parte do <em>modus operandi<\/em> dessas figuras. Elas n\u00e3o precisam vencer o debate; basta que disputem os argumentos feitos.<\/p>\n<p>Por isso, a solu\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 mais refuta\u00e7\u00e3o. \u00c9 o ostracismo intelectual.<\/p>\n<p class=\"jota-cta\"><a href=\"https:\/\/conteudo.jota.info\/marketing-lp-newsletter-ultimas-noticias?utm_source=jota&amp;utm_medium=lp&amp;utm_campaign=23-09-2024-jota-lp-eleicoes-2024-eleicoes-2024-none-audiencias-none&amp;utm_content=eleicoes-2024&amp;utm_term=none\"><span>Assine gratuitamente a newsletter \u00daltimas Not\u00edcias do <span class=\"jota\">JOTA<\/span> e receba as principais not\u00edcias jur\u00eddicas e pol\u00edticas do dia no seu email<\/span><\/a><\/p>\n<p>N\u00e3o se trata de censura, nem de intoler\u00e2ncia ao dissenso. Trata-se de reconhecer que h\u00e1 uma diferen\u00e7a entre o interlocutor que erra e o interlocutor que engana \u2013 e que conferir a ambos a mesma envergadura \u00e9 uma forma de desonestidade intelectual.<\/p>\n<p>Quem sistematicamente distorce o debate p\u00fablico de forma autointeressada n\u00e3o merece ser tratado como cr\u00edtico, mas como agente de desinforma\u00e7\u00e3o com diploma. A dignidade intelectual do debate exige que saibamos quem deve ser ouvido \u2013 e quem deve ser ignorado.<\/p>\n<p>Relegar tais figuras \u00e0 insignific\u00e2ncia \u00e9, portanto, um ato de higiene republicana.<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O desenrolar do esc\u00e2ndalo do Banco Master \u2013 e com ele o poss\u00edvel envolvimento de uma parcela crescente do Supremo Tribunal Federal \u2013 fez com que um setor do debate p\u00fablico tivesse que trabalhar com ainda mais afinco: o colunismo pr\u00f3-Supremo. 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