{"id":21443,"date":"2026-03-20T06:22:04","date_gmt":"2026-03-20T09:22:04","guid":{"rendered":"https:\/\/aprimora.site\/carvalhoalmeidaadvogados\/2026\/03\/20\/entre-a-cruz-e-a-jornada-o-verdadeiro-custo-do-fim-da-escala-6x1\/"},"modified":"2026-03-20T06:22:04","modified_gmt":"2026-03-20T09:22:04","slug":"entre-a-cruz-e-a-jornada-o-verdadeiro-custo-do-fim-da-escala-6x1","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/aprimora.site\/carvalhoalmeidaadvogados\/2026\/03\/20\/entre-a-cruz-e-a-jornada-o-verdadeiro-custo-do-fim-da-escala-6x1\/","title":{"rendered":"Entre a cruz e a jornada: o verdadeiro custo do fim da escala 6\u00d71"},"content":{"rendered":"<p>\u201c<em>Atualmente, a nossa s<\/em><em>itua\u00e7\u00e3o \u00e9 esta: de um lado, uma minoria de privilegiados, com direito ao \u00f3cio, quase sempre mal aproveitado, danoso e danado; do outro, o Povo, colocado entre duas cruzes: a cruz do trabalho escravo, intenso e mal remunerado, e a cruz pior de todas, a do \u00f3cio for\u00e7ado, a do lazer a pulso do desemprego.\u201d<\/em><\/p>\n<p>Quando Ariano Suassuna escreveu estas palavras se referia ao que via em 1972, mas bem que podia ser 2026, com o jugo da precariza\u00e7\u00e3o e a amea\u00e7a do desemprego afligindo os trabalhadores que ousam sonhar com alguma emancipa\u00e7\u00e3o.<a href=\"https:\/\/www.jota.info\/#_ftn1\">[1]<\/a><\/p>\n<p>Apesar do fim da <a href=\"https:\/\/www.jota.info\/tudo-sobre\/escala%206x1\">escala 6\u00d71<\/a> contar com mais de 70% de aprova\u00e7\u00e3o popular, setores empresariais e pol\u00edticos insistem em negar ao trabalhador o direito b\u00e1sico de descansar. Segundo eles, uma vida al\u00e9m do trabalho pode fazer o pa\u00eds quebrar.<a href=\"https:\/\/www.jota.info\/#_ftn2\">[2]<\/a><\/p>\n<p class=\"jota-cta\"><a href=\"https:\/\/conteudo.jota.info\/marketing-lp-conversao-jota-pro-trabalhista?utm_source=site&amp;utm_medium=lp&amp;utm_campaign=11-03-2025-site-lp-cta-pro-trabalhista-lead-site-audiencias-trabalhista&amp;utm_content=site-lp-cta-pro-trabalhista-lead-site-trabalhista&amp;utm_term=audiencias\">Conhe\u00e7a o <span class=\"jota\">JOTA<\/span> PRO Trabalhista, solu\u00e7\u00e3o corporativa que antecipa as movimenta\u00e7\u00f5es trabalhistas no Judici\u00e1rio, Legislativo e Executivo<\/a><\/p>\n<p>O avan\u00e7o dos direitos humanos e sociais de fato pode levar ao aumento de despesas p\u00fablicas e a impactos na economia, mas esses dois motivos podem, por si s\u00f3, impedir conquistas civilizat\u00f3rias? O fim da escala 6\u00d71 e os benef\u00edcios da\u00ed decorrentes para uma parcela significativa da popula\u00e7\u00e3o n\u00e3o compensam eventuais adapta\u00e7\u00f5es no mercado? O fim da escala 6\u00d71 realmente ocasionar\u00e1 um aumento no desemprego?<\/p>\n<p>Essa \u00faltima quest\u00e3o merece uma abordagem mais detida. Em 2017, durante os debates que envolveram a reforma trabalhista, um dos principais argumentos a favor da dita moderniza\u00e7\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es de trabalho foi que ela criaria pelo menos seis milh\u00f5es de postos de trabalho, em raz\u00e3o da redu\u00e7\u00e3o dos custos com o trabalhador.<\/p>\n<p>Tr\u00eas anos ap\u00f3s a entrada em vigor da reforma, os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) evidenciaram a cria\u00e7\u00e3o de apenas 286,5 mil novos postos de trabalho, um n\u00famero muito menor do que aquele que os entusiastas da precariza\u00e7\u00e3o esperavam.<a href=\"https:\/\/www.jota.info\/#_ftn3\">[3]<\/a><\/p>\n<p>Essa mesma l\u00f3gica, de que o custo do trabalhador \u00e9 determinante para o emprego ou desemprego, agora \u00e9 usada contra o fim da escala 6\u00d71 ao argumento que levar\u00e1 \u00e0 redu\u00e7\u00e3o de postos de trabalho. Mas, se a diminui\u00e7\u00e3o dos custos n\u00e3o levou ao aumento significativo das taxas de emprego, o aumento do valor da hora de trabalho causado pelo fim da escala 6\u00d71 ocasionar\u00e1, isoladamente, o aumento do desemprego? Se avaliado do ponto de vista dos resultados da reforma trabalhista, a resposta \u00e9 que a redu\u00e7\u00e3o de postos de trabalho, se houver, ser\u00e1 estatisticamente insignificante.<\/p>\n<p>Isso porque o aumento ou redu\u00e7\u00e3o de postos de emprego n\u00e3o guarda rela\u00e7\u00e3o direta com o custo do trabalho, mas sim com os n\u00edveis da atividade econ\u00f4mica e do mercado de consumo. Se a demanda for alta, o pr\u00f3prio mercado garantir\u00e1 as vagas de trabalho necess\u00e1rias \u00e0 fabrica\u00e7\u00e3o e comercializa\u00e7\u00e3o dos seus produtos e, \u00e9 claro, a manuten\u00e7\u00e3o dos seus lucros.<\/p>\n<p class=\"jota-cta\"><a href=\"https:\/\/conteudo.jota.info\/cadastro-em-newsletter-saideira-jota-pro-trabalhista\">Receba gratuitamente no seu email as principais not\u00edcias sobre o Direito do Trabalho<\/a><\/p>\n<p>O custo do descanso dos trabalhadores, portanto, n\u00e3o ser\u00e1 suportado pelo mercado, mas pela sociedade brasileira como um todo, que j\u00e1 demonstrou que sua posi\u00e7\u00e3o \u00e9 sim, pelo fim da escala 6\u00d71. Ali\u00e1s, me valendo mais uma vez de Suassuna, reconhe\u00e7o que \u201c<em>N\u00f3s, Povos castanhos do mundo, sabemos, ao contr\u00e1rio, que o \u00fanico verdadeiro objetivo do Trabalho \u00e9 a Pregui\u00e7a que ele proporciona depois, e na qual podemos nos entregar \u00e0 alegria do \u00fanico trabalho verdadeiramente digno, o trabalho criador, livre e gratuito\u201d<\/em>.<a href=\"https:\/\/www.jota.info\/#_ftn4\">[4]<\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.jota.info\/#_ftnref1\">[1]<\/a> SUASSUNA, Ariano. Farsa da boa pregui\u00e7a. 14 ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2020. p. 19.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.jota.info\/#_ftnref2\">[2]<\/a> https:\/\/www.cnnbrasil.com.br\/economia\/macroeconomia\/datafolha-71-dos-brasileiros-apoiam-fim-da-escala-6\u00d71\/<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.jota.info\/#_ftnref3\">[3]<\/a> https:\/\/g1.globo.com\/economia\/concursos-e-emprego\/noticia\/2020\/11\/11\/reforma-trabalhista-completa-3-anos-veja-os-principais-efeitos.ghtml<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.jota.info\/#_ftnref4\">[4]<\/a> SUASSUNA, Ariano. Farsa da boa pregui\u00e7a. 14 ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2020. p. 12.<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cAtualmente, a nossa situa\u00e7\u00e3o \u00e9 esta: de um lado, uma minoria de privilegiados, com direito ao \u00f3cio, quase sempre mal aproveitado, danoso e danado; do outro, o Povo, colocado entre duas cruzes: a cruz do trabalho escravo, intenso e mal remunerado, e a cruz pior de todas, a do \u00f3cio for\u00e7ado, a do lazer a [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":0,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[1],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/aprimora.site\/carvalhoalmeidaadvogados\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21443"}],"collection":[{"href":"https:\/\/aprimora.site\/carvalhoalmeidaadvogados\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/aprimora.site\/carvalhoalmeidaadvogados\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/aprimora.site\/carvalhoalmeidaadvogados\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=21443"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/aprimora.site\/carvalhoalmeidaadvogados\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21443\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/aprimora.site\/carvalhoalmeidaadvogados\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=21443"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/aprimora.site\/carvalhoalmeidaadvogados\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=21443"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/aprimora.site\/carvalhoalmeidaadvogados\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=21443"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}