{"id":21333,"date":"2026-03-17T05:05:04","date_gmt":"2026-03-17T08:05:04","guid":{"rendered":"https:\/\/aprimora.site\/carvalhoalmeidaadvogados\/2026\/03\/17\/a-necessidade-de-solucoes-consensuais-para-o-avanco-da-infraestrutura\/"},"modified":"2026-03-17T05:05:04","modified_gmt":"2026-03-17T08:05:04","slug":"a-necessidade-de-solucoes-consensuais-para-o-avanco-da-infraestrutura","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/aprimora.site\/carvalhoalmeidaadvogados\/2026\/03\/17\/a-necessidade-de-solucoes-consensuais-para-o-avanco-da-infraestrutura\/","title":{"rendered":"A necessidade de solu\u00e7\u00f5es consensuais para o avan\u00e7o da infraestrutura"},"content":{"rendered":"<p>A transi\u00e7\u00e3o de um modelo de controle externo puramente sancionat\u00f3rio para um paradigma de consensualismo no Tribunal de Contas da Uni\u00e3o (<a href=\"https:\/\/www.jota.info\/tudo-sobre\/tcu\">TCU<\/a>) representa um dos marcos mais profundos do Direito Administrativo contempor\u00e2neo, impulsionado pela virada pragm\u00e1tica trazida pela Lei 13.655\/2018, que alterou a Lei de Introdu\u00e7\u00e3o \u00e0s Normas do Direito Brasileiro (<a href=\"https:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/decreto-lei\/del4657compilado.htm\">LINDB<\/a>).<\/p>\n<p>Essa nova perspectiva do Direito P\u00fablico exige que a atua\u00e7\u00e3o dos \u00f3rg\u00e3os de controle considere as dificuldades reais do gestor e as consequ\u00eancias pr\u00e1ticas de suas decis\u00f5es, superando o legalismo abstrato em favor da seguran\u00e7a jur\u00eddica e da efici\u00eancia administrativa.<\/p>\n<p class=\"jota-cta\"><a href=\"https:\/\/www.jota.info\/produtos\/poder?utm_source=cta-site&amp;utm_medium=site&amp;utm_campaign=campanha_poder_q2&amp;utm_id=cta_texto_poder_q2_2023&amp;utm_term=cta_texto_poder&amp;utm_term=cta_texto_poder_meio_materias\"><span>Conhe\u00e7a o <span class=\"jota\">JOTA<\/span> PRO Poder, plataforma de monitoramento que oferece transpar\u00eancia e previsibilidade para empresas<\/span><\/a><\/p>\n<p>No \u00e2mago dessa transforma\u00e7\u00e3o, a consensualidade emerge como ferramenta indispens\u00e1vel para o avan\u00e7o da infraestrutura brasileira, setor historicamente marcado por inseguran\u00e7a jur\u00eddica e paralisa\u00e7\u00f5es de investimentos. A natureza aberta e de longo prazo dos contratos de concess\u00e3o pressup\u00f5e que tais aven\u00e7as sejam incompletas por defini\u00e7\u00e3o, sujeitas a \u00e1leas econ\u00f4micas e varia\u00e7\u00f5es f\u00e1ticas que demandam repactua\u00e7\u00f5es estruturais ao longo de d\u00e9cadas.<\/p>\n<p>\u00c9 nesse cen\u00e1rio que a Secretaria de Controle Externo de Solu\u00e7\u00e3o Consensual e Preven\u00e7\u00e3o de Conflitos (Secex-Consenso) do TCU assume papel protagonista, ao permitir que a administra\u00e7\u00e3o e os particulares encontrem sa\u00eddas t\u00e9cnicas para contratos em crise.<\/p>\n<p>A legitimidade desse modelo \u00e9 atualmente objeto de escrut\u00ednio no Supremo Tribunal Federal por meio da <a href=\"https:\/\/portal.stf.jus.br\/processos\/detalhe.asp?incidente=6990125\">ADPF 1.183<\/a>, que questiona se o TCU estaria usurpando compet\u00eancias do Executivo ao participar da formata\u00e7\u00e3o dessas solu\u00e7\u00f5es. O argumento central dos cr\u00edticos \u00e9 que o TCU estaria atuando na elabora\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas e dos contratos de infraestrutura, como coautor da decis\u00e3o administrativa e no exerc\u00edcio de um controle pr\u00e9vio n\u00e3o previsto taxativamente no art. 71 da Constitui\u00e7\u00e3o Federal.<\/p>\n<p>N\u00e3o nos coadunamos com esta leitura. N\u00e3o h\u00e1 viola\u00e7\u00e3o \u00e0 separa\u00e7\u00e3o de poderes, j\u00e1 que o TCU atua como um facilitador e n\u00e3o como o decisor substituto. Como a ades\u00e3o ao procedimento consensual \u00e9 volunt\u00e1ria por parte do Minist\u00e9rio e da concession\u00e1ria, a autonomia do Poder Executivo permanece preservada.<\/p>\n<p>A nosso ver, a consensualidade n\u00e3o retira a independ\u00eancia do controle, mas a qualifica. Em um Estado Democr\u00e1tico de Direito, o controle n\u00e3o deve ser um fim em si mesmo, mas um instrumento para a realiza\u00e7\u00e3o do interesse p\u00fablico. Se a solu\u00e7\u00e3o negociada demonstra maior vantajosidade e economicidade em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 alternativa sancionat\u00f3ria, ela atende aos princ\u00edpios constitucionais da efici\u00eancia e da razoabilidade.<\/p>\n<p>A alternativa \u00e0 renegocia\u00e7\u00e3o dos contratos em crise \u00e9 seu encerramento antecipado, que acarreta custos transacionais vultosos, o risco de descontinuidade de servi\u00e7os p\u00fablicos essenciais, o retardamento de investimentos em infraestrutura e o pagamento de indeniza\u00e7\u00f5es bilion\u00e1rias por ativos n\u00e3o amortizados, o que fere o princ\u00edpio da economicidade.<\/p>\n<p>Atacar o consensualismo \u00e9 intentar contra a evolu\u00e7\u00e3o e fomentar a hiperjudicializa\u00e7\u00e3o, que drena recursos p\u00fablicos e privados. A melhor forma de proteger o interesse da coletividade \u00e9, muitas vezes, atrav\u00e9s de acordos que evitem a paralisia do Estado. Impedir o TCU de participar dessas mesas de negocia\u00e7\u00e3o \u00e9 for\u00e7ar o retorno ao modelo formalista de controle que aponta o erro ap\u00f3s o dano consolidado, em vez de colaborar na constru\u00e7\u00e3o da solu\u00e7\u00e3o jur\u00eddica vi\u00e1vel.<\/p>\n<p class=\"jota-cta\"><a href=\"https:\/\/conteudo.jota.info\/marketing-lp-newsletter-ultimas-noticias?utm_source=jota&amp;utm_medium=lp&amp;utm_campaign=23-09-2024-jota-lp-eleicoes-2024-eleicoes-2024-none-audiencias-none&amp;utm_content=eleicoes-2024&amp;utm_term=none\"><span>Assine gratuitamente a newsletter \u00daltimas Not\u00edcias do <span class=\"jota\">JOTA<\/span> e receba as principais not\u00edcias jur\u00eddicas e pol\u00edticas do dia no seu email<\/span><\/a><\/p>\n<p>Portanto, ao chancelar repactua\u00e7\u00f5es que visem \u00e0 continuidade do investimento e \u00e0 otimiza\u00e7\u00e3o do servi\u00e7o, o TCU n\u00e3o apenas cumpre seu papel fiscalizat\u00f3rio, mas atua como viabilizador do desenvolvimento nacional, reconhecendo que a manuten\u00e7\u00e3o qualificada do contrato, sob estrita observ\u00e2ncia do interesse p\u00fablico e da vantajosidade t\u00e9cnica, \u00e9 o caminho mais c\u00e9lere e eficiente para a moderniza\u00e7\u00e3o do pa\u00eds.<\/p>\n<p>A consolida\u00e7\u00e3o dessa vis\u00e3o consensualista, pautada nos artigos 20 e 26 da LINDB, \u00e9 o que garante que o controle externo seja um aliado da boa governan\u00e7a, e n\u00e3o um obst\u00e1culo paralisante, transformando o Direito P\u00fablico em um instrumento de realiza\u00e7\u00e3o de resultados sociais e econ\u00f4micos tang\u00edveis.<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A transi\u00e7\u00e3o de um modelo de controle externo puramente sancionat\u00f3rio para um paradigma de consensualismo no Tribunal de Contas da Uni\u00e3o (TCU) representa um dos marcos mais profundos do Direito Administrativo contempor\u00e2neo, impulsionado pela virada pragm\u00e1tica trazida pela Lei 13.655\/2018, que alterou a Lei de Introdu\u00e7\u00e3o \u00e0s Normas do Direito Brasileiro (LINDB). 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