{"id":20605,"date":"2026-02-24T06:06:01","date_gmt":"2026-02-24T09:06:01","guid":{"rendered":"https:\/\/aprimora.site\/carvalhoalmeidaadvogados\/2026\/02\/24\/identidade-comercio-e-poder-o-brasil-na-disputa-do-seculo-21\/"},"modified":"2026-02-24T06:06:01","modified_gmt":"2026-02-24T09:06:01","slug":"identidade-comercio-e-poder-o-brasil-na-disputa-do-seculo-21","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/aprimora.site\/carvalhoalmeidaadvogados\/2026\/02\/24\/identidade-comercio-e-poder-o-brasil-na-disputa-do-seculo-21\/","title":{"rendered":"Identidade, com\u00e9rcio e poder: o Brasil na disputa do s\u00e9culo 21"},"content":{"rendered":"<p>O sistema internacional atravessa uma inflex\u00e3o hist\u00f3rica. Durante d\u00e9cadas, prevaleceu a expectativa de converg\u00eancia sob a primazia americana e a universaliza\u00e7\u00e3o liberal. Hoje, essa promessa d\u00e1 sinais de eros\u00e3o. O mundo caminha menos para a homogeneiza\u00e7\u00e3o e mais para a pluraliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A disputa contempor\u00e2nea n\u00e3o \u00e9 apenas material. N\u00e3o se resume a PIB, or\u00e7amento militar ou capacidade tecnol\u00f3gica. Trata-se de legitimidade, identidade e narrativa. Quem define o que \u00e9 desenvolvimento, democracia e soberania disputa a arquitetura normativa do sistema.<\/p>\n<p class=\"jota-cta\"><a href=\"https:\/\/www.jota.info\/produtos\/poder?utm_source=cta-site&amp;utm_medium=site&amp;utm_campaign=campanha_poder_q2&amp;utm_id=cta_texto_poder_q2_2023&amp;utm_term=cta_texto_poder&amp;utm_term=cta_texto_poder_meio_materias\"><span>Conhe\u00e7a o <span class=\"jota\">JOTA<\/span> PRO Poder, plataforma de monitoramento que oferece transpar\u00eancia e previsibilidade para empresas<\/span><\/a><\/p>\n<p>O cientista pol\u00edtico norte-americano Alexander Wendt, refer\u00eancia do construtivismo nas rela\u00e7\u00f5es internacionais, j\u00e1 advertia que interesses derivam de identidades socialmente constru\u00eddas. Estados agem conforme a forma como se percebem e como desejam ser percebidos.<\/p>\n<p>Da mesma maneira, Joseph Nye, professor da Universidade Harvard e formulador do conceito de soft power, demonstrou que o poder tamb\u00e9m se constr\u00f3i pela atra\u00e7\u00e3o, n\u00e3o apenas pela coer\u00e7\u00e3o. Soft power depende de coer\u00eancia interna, credibilidade institucional e vitalidade cultural.<\/p>\n<p>A China compreendeu essa dimens\u00e3o identit\u00e1ria. Investe em educa\u00e7\u00e3o estrat\u00e9gica, presen\u00e7a acad\u00eamica, tecnologia pr\u00f3pria e diplomacia cultural. Constr\u00f3i uma narrativa de civiliza\u00e7\u00e3o milenar e rejuvenescimento nacional.<\/p>\n<p>A Coreia do Sul transformou cultura em pol\u00edtica de Estado. O \u00eaxito do K-pop, do cinema e das s\u00e9ries globais n\u00e3o \u00e9 casual, \u00e9 planejado.<\/p>\n<p>Os Estados Unidos enfrentam tens\u00f5es internas que repercutem na reputa\u00e7\u00e3o externa. Identidade \u00e9 reputa\u00e7\u00e3o, e reputa\u00e7\u00e3o influencia poder. A competi\u00e7\u00e3o sist\u00eamica tornou-se tamb\u00e9m cultural e civilizacional.<\/p>\n<p>Nesse cen\u00e1rio, o Brasil n\u00e3o pode ser espectador. Possu\u00edmos diversidade singular, criatividade reconhecida e capital simb\u00f3lico expressivo. Somos pot\u00eancia ambiental, agr\u00edcola, energ\u00e9tica e cultural. Temos voca\u00e7\u00e3o para o di\u00e1logo e tradi\u00e7\u00e3o diplom\u00e1tica respeitada.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, registramos crescimento consistente no com\u00e9rcio global. O Brasil ampliou mercados, diversificou destinos e alcan\u00e7ou aumento expressivo das exporta\u00e7\u00f5es nos \u00faltimos anos. Expandimos presen\u00e7a na \u00c1sia, no Oriente M\u00e9dio e na \u00c1frica. Fortalecemos cadeias agroindustriais, ampliamos a exporta\u00e7\u00e3o de prote\u00ednas, gr\u00e3os, minerais e produtos de maior valor agregado. Tamb\u00e9m avan\u00e7amos em servi\u00e7os, tecnologia e economia criativa.<\/p>\n<p>Esse desempenho resulta de estrat\u00e9gia comercial ativa, abertura de novos mercados e fortalecimento de parcerias. Quanto maior a capilaridade exportadora, maior nossa relev\u00e2ncia sist\u00eamica.<\/p>\n<p>Contudo, cultura sem estrat\u00e9gia n\u00e3o gera protagonismo. \u00c9 preciso estruturar um projeto identit\u00e1rio no plano internacional. Protagonismo n\u00e3o \u00e9 ret\u00f3rica, \u00e9 constru\u00e7\u00e3o institucional e narrativa coerente.<\/p>\n<p>O presidente Lula tem reiterado que o Brasil deseja ser sujeito ativo na reorganiza\u00e7\u00e3o da ordem global. Sua \u00eanfase na integra\u00e7\u00e3o sul-americana, no fortalecimento do Sul Global e na reforma da governan\u00e7a internacional aponta nessa dire\u00e7\u00e3o. Ao defender multilateralismo, combate \u00e0 fome e transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica justa, Lula recoloca o Brasil no centro dos grandes debates.<\/p>\n<p>O vice-presidente Geraldo Alckmin, ao liderar a agenda de desenvolvimento, ind\u00fastria e com\u00e9rcio, refor\u00e7a a dimens\u00e3o produtiva desse protagonismo. N\u00e3o h\u00e1 identidade internacional consistente sem base econ\u00f4mica s\u00f3lida. Reindustrializa\u00e7\u00e3o, inova\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica e inser\u00e7\u00e3o qualificada nas cadeias globais s\u00e3o instrumentos de poder.<\/p>\n<p>Protagonismo \u00e9 oportunidade porque o mundo busca refer\u00eancias confi\u00e1veis. Busca sociedades abertas ao di\u00e1logo, capazes de mediar conflitos e oferecer solu\u00e7\u00f5es. O Brasil pode ser ponte entre Norte e Sul, entre tradi\u00e7\u00e3o e inova\u00e7\u00e3o, entre crescimento e sustentabilidade.<\/p>\n<p>Para isso, precisamos alinhar discurso e pr\u00e1tica. Investir em educa\u00e7\u00e3o, ci\u00eancia e forma\u00e7\u00e3o de elites globais. Internacionalizar universidades, valorizar nossa produ\u00e7\u00e3o cultural e consolidar uma marca-pa\u00eds coerente. Transformar diversidade em ativo estrat\u00e9gico.<\/p>\n<p class=\"jota-cta\"><a href=\"https:\/\/conteudo.jota.info\/marketing-lp-newsletter-ultimas-noticias?utm_source=jota&amp;utm_medium=lp&amp;utm_campaign=23-09-2024-jota-lp-eleicoes-2024-eleicoes-2024-none-audiencias-none&amp;utm_content=eleicoes-2024&amp;utm_term=none\"><span>Assine gratuitamente a newsletter \u00daltimas Not\u00edcias do <span class=\"jota\">JOTA<\/span> e receba as principais not\u00edcias jur\u00eddicas e pol\u00edticas do dia no seu email<\/span><\/a><\/p>\n<p>A nova ordem n\u00e3o ser\u00e1 definida apenas por quem acumula for\u00e7a, mas por quem inspira confian\u00e7a. O Brasil tem condi\u00e7\u00f5es de oferecer modelo de conviv\u00eancia plural, democracia vibrante e compromisso ambiental. Se articularmos identidade, desenvolvimento e estrat\u00e9gia comercial, deixaremos de reagir ao mundo e passaremos a influenciar sua configura\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Protagonismo, portanto, n\u00e3o \u00e9 ambi\u00e7\u00e3o desmedida. \u00c9 leitura adequada do tempo hist\u00f3rico. Em uma ordem em disputa, identidade bem constru\u00edda converte-se em poder. E poder, quando orientado por valores, com\u00e9rcio din\u00e2mico e vis\u00e3o de futuro, transforma-se em oportunidade.<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O sistema internacional atravessa uma inflex\u00e3o hist\u00f3rica. Durante d\u00e9cadas, prevaleceu a expectativa de converg\u00eancia sob a primazia americana e a universaliza\u00e7\u00e3o liberal. Hoje, essa promessa d\u00e1 sinais de eros\u00e3o. O mundo caminha menos para a homogeneiza\u00e7\u00e3o e mais para a pluraliza\u00e7\u00e3o. A disputa contempor\u00e2nea n\u00e3o \u00e9 apenas material. 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