{"id":20045,"date":"2026-01-28T06:05:28","date_gmt":"2026-01-28T09:05:28","guid":{"rendered":"https:\/\/aprimora.site\/carvalhoalmeidaadvogados\/2026\/01\/28\/a-nova-desordem-global-e-o-teste-de-2026\/"},"modified":"2026-01-28T06:05:28","modified_gmt":"2026-01-28T09:05:28","slug":"a-nova-desordem-global-e-o-teste-de-2026","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/aprimora.site\/carvalhoalmeidaadvogados\/2026\/01\/28\/a-nova-desordem-global-e-o-teste-de-2026\/","title":{"rendered":"A nova desordem global e o teste de 2026"},"content":{"rendered":"<p>O ano de 2026 n\u00e3o deve ser compreendido como mais um cap\u00edtulo turbulento da pol\u00edtica internacional. Ele se imp\u00f5e como um marco de transi\u00e7\u00e3o estrutural, em que a ordem global deixa de cumprir sua principal fun\u00e7\u00e3o, organizar expectativas, reduzir incertezas e oferecer previsibilidade m\u00ednima aos Estados, \u00e0s economias e \u00e0s sociedades. As institui\u00e7\u00f5es permanecem formalmente em funcionamento, os tratados seguem vigentes e as alian\u00e7as continuam sendo evocadas, mas o seu poder real de coordena\u00e7\u00e3o se esvazia de forma acelerada.<\/p>\n<p>Vivemos um momento em que as regras sobrevivem, por\u00e9m j\u00e1 n\u00e3o orientam decis\u00f5es estrat\u00e9gicas. O sistema internacional n\u00e3o entra em colapso, torna-se disfuncional. E isso representa um risco maior do que a ruptura aberta, pois normaliza a instabilidade como estado permanente e reduz os incentivos \u00e0 coopera\u00e7\u00e3o de longo prazo.<\/p>\n<p class=\"jota-cta\"><a href=\"https:\/\/www.jota.info\/produtos\/poder?utm_source=cta-site&amp;utm_medium=site&amp;utm_campaign=campanha_poder_q2&amp;utm_id=cta_texto_poder_q2_2023&amp;utm_term=cta_texto_poder&amp;utm_term=cta_texto_poder_meio_materias\"><span>Conhe\u00e7a o <span class=\"jota\">JOTA<\/span> PRO Poder, plataforma de monitoramento que oferece transpar\u00eancia e previsibilidade para empresas<\/span><\/a><\/p>\n<p>Nesse contexto, os Estados Unidos deixam de atuar como eixo estabilizador do sistema e passam a ser um de seus principais vetores de incerteza. A reorganiza\u00e7\u00e3o interna do Estado americano, marcada pela redu\u00e7\u00e3o dos freios institucionais, pela concentra\u00e7\u00e3o decis\u00f3ria e pela politiza\u00e7\u00e3o expl\u00edcita da economia, produz um ambiente de imprevisibilidade estrutural. O poder passa a ser exercido de forma mais direta, menos normatizado e menos previs\u00edvel, com impactos que se irradiam para al\u00e9m de suas fronteiras.<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo, a disputa estrat\u00e9gica entre Estados Unidos e China deixa de ser apenas ideol\u00f3gica ou comercial e assume uma dimens\u00e3o material profunda. A China consolida sua lideran\u00e7a em baterias, energia limpa, ve\u00edculos el\u00e9tricos, infraestrutura e intelig\u00eancia artificial aplicada. Trata-se do controle das bases f\u00edsicas e tecnol\u00f3gicas do s\u00e9culo 21. Em contrapartida, os Estados Unidos refor\u00e7am sua aposta em petr\u00f3leo, g\u00e1s e instrumentos tradicionais de poder econ\u00f4mico. A disputa deixa de ser apenas por mercados e passa a ser pela arquitetura do futuro.<\/p>\n<p>A retomada expl\u00edcita da l\u00f3gica da Doutrina Monroe amplia ainda mais as tens\u00f5es, sobretudo no hemisf\u00e9rio ocidental. N\u00e3o se trata mais de prote\u00e7\u00e3o regional, mas de controle direto, por meio de coer\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, econ\u00f4mica e estrat\u00e9gica. Esse movimento reduz o espa\u00e7o de autonomia dos pa\u00edses latino-americanos e eleva a volatilidade regional, em um ambiente com menos media\u00e7\u00e3o diplom\u00e1tica e maior imposi\u00e7\u00e3o de interesses.<\/p>\n<p>Na Europa, o cen\u00e1rio \u00e9 de paralisia simult\u00e2nea. Fran\u00e7a, Alemanha e Reino Unido enfrentam crises pol\u00edticas que n\u00e3o se limitam a governos espec\u00edficos. O que est\u00e1 em curso \u00e9 o enfraquecimento do centro pol\u00edtico europeu, incapaz de formular consensos estrat\u00e9gicos duradouros. A Uni\u00e3o Europeia deixa de ser um ator geopol\u00edtico coeso e passa a funcionar como espa\u00e7o de disputa, vulner\u00e1vel a press\u00f5es externas e fragmenta\u00e7\u00f5es internas.<\/p>\n<p>No front oriental, a guerra envolvendo a R\u00fassia se transforma. O conflito se afasta das trincheiras convencionais e se espalha por m\u00faltiplas frentes, ataques cibern\u00e9ticos, sabotagens, drones, desinforma\u00e7\u00e3o e opera\u00e7\u00f5es h\u00edbridas. A rea\u00e7\u00e3o da Otan, ainda que calibrada, eleva o risco de escaladas n\u00e3o intencionais em um ambiente onde a distin\u00e7\u00e3o entre guerra e paz se torna cada vez mais difusa.<\/p>\n<p>No plano econ\u00f4mico, avan\u00e7a um capitalismo de Estado \u00e0 americana, no qual subs\u00eddios, tarifas, contratos e pol\u00edticas industriais passam a responder mais \u00e0 l\u00f3gica pol\u00edtica do que \u00e0 racionalidade econ\u00f4mica. Empresas alinhadas ao poder s\u00e3o protegidas, enquanto aquelas percebidas como cr\u00edticas tornam-se vulner\u00e1veis. O mercado deixa de ser \u00e1rbitro e passa a ser instrumento.<\/p>\n<p>A China, por sua vez, enfrenta uma armadilha deflacion\u00e1ria persistente. Incapaz de reativar plenamente sua demanda interna, tenta exportar sua crise para o resto do mundo por meio de excesso de capacidade, produtos baratos e press\u00e3o competitiva sobre ind\u00fastrias globais. O resultado \u00e9 o aumento de respostas protecionistas e a fragmenta\u00e7\u00e3o das cadeias globais de com\u00e9rcio.<\/p>\n<p>Nesse ambiente, at\u00e9 mesmo estruturas concebidas para oferecer estabilidade perdem efic\u00e1cia. O acordo comercial da Am\u00e9rica do Norte, o USMCA, sobrevive como arcabou\u00e7o formal, mas j\u00e1 n\u00e3o organiza expectativas. Ele n\u00e3o colapsa, por\u00e9m deixa de oferecer previsibilidade. As regras permanecem, mas deixam de orientar decis\u00f5es estrat\u00e9gicas de longo prazo, ampliando a incerteza para empresas e investidores.<\/p>\n<p>A disputa por recursos estrat\u00e9gicos tamb\u00e9m se intensifica, e a \u00e1gua emerge como novo instrumento de poder. Barragens, controle de fluxos, escassez e depend\u00eancia h\u00eddrica passam a ser fatores centrais de press\u00e3o entre Estados. Os conflitos deixam de girar apenas em torno da posse do recurso e passam a envolver, sobretudo, a capacidade de regular o acesso.<\/p>\n<p>Nesse cen\u00e1rio de eros\u00e3o da ordem internacional, o Brasil ocupa uma posi\u00e7\u00e3o singular. Distante dos principais focos de conflito militar, dotado de vastos recursos naturais, matriz energ\u00e9tica limpa, capacidade agroindustrial e tradi\u00e7\u00e3o diplom\u00e1tica reconhecida, o pa\u00eds re\u00fane condi\u00e7\u00f5es raras de atuar como fator de equil\u00edbrio em um sistema cada vez mais fragmentado.<\/p>\n<p>A lideran\u00e7a do presidente Luiz In\u00e1cio Lula da Silva, com sua experi\u00eancia acumulada, legitimidade internacional e reconhecida capacidade de interlocu\u00e7\u00e3o, constitui um ativo estrat\u00e9gico.<\/p>\n<p class=\"jota-cta\"><a href=\"https:\/\/conteudo.jota.info\/marketing-lp-newsletter-ultimas-noticias?utm_source=jota&amp;utm_medium=lp&amp;utm_campaign=23-09-2024-jota-lp-eleicoes-2024-eleicoes-2024-none-audiencias-none&amp;utm_content=eleicoes-2024&amp;utm_term=none\"><span>Assine gratuitamente a newsletter \u00daltimas Not\u00edcias do <span class=\"jota\">JOTA<\/span> e receba as principais not\u00edcias jur\u00eddicas e pol\u00edticas do dia no seu email<\/span><\/a><\/p>\n<p>Em um mundo marcado por desconfian\u00e7a, coer\u00e7\u00e3o e unilateralismo, o Brasil volta a ser percebido como espa\u00e7o de di\u00e1logo, media\u00e7\u00e3o e constru\u00e7\u00e3o de pontes, tanto no Sul Global quanto nas rela\u00e7\u00f5es com Estados Unidos, Europa e China. Trata-se de uma pol\u00edtica externa pragm\u00e1tica, baseada na defesa do multilateralismo, da autonomia estrat\u00e9gica e da busca por solu\u00e7\u00f5es negociadas.<\/p>\n<p>Por fim, a intelig\u00eancia artificial deixa de ser apenas um tema tecnol\u00f3gico e se consolida como risco sist\u00eamico. A busca por retorno r\u00e1pido leva empresas a adotarem modelos extrativos, substituindo abordagens sustent\u00e1veis. O impacto da IA torna-se social, pol\u00edtico e institucional, ampliando assimetrias, concentrando poder e tensionando democracias.<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O ano de 2026 n\u00e3o deve ser compreendido como mais um cap\u00edtulo turbulento da pol\u00edtica internacional. Ele se imp\u00f5e como um marco de transi\u00e7\u00e3o estrutural, em que a ordem global deixa de cumprir sua principal fun\u00e7\u00e3o, organizar expectativas, reduzir incertezas e oferecer previsibilidade m\u00ednima aos Estados, \u00e0s economias e \u00e0s sociedades. 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