{"id":20034,"date":"2026-01-27T16:16:27","date_gmt":"2026-01-27T19:16:27","guid":{"rendered":"https:\/\/aprimora.site\/carvalhoalmeidaadvogados\/2026\/01\/27\/um-codigo-de-etica-para-o-stf\/"},"modified":"2026-01-27T16:16:27","modified_gmt":"2026-01-27T19:16:27","slug":"um-codigo-de-etica-para-o-stf","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/aprimora.site\/carvalhoalmeidaadvogados\/2026\/01\/27\/um-codigo-de-etica-para-o-stf\/","title":{"rendered":"Um C\u00f3digo de \u00c9tica para o STF"},"content":{"rendered":"<p>As constata\u00e7\u00f5es quanto \u00e0 necessidade de normas de conduta \u00e9tica no <a href=\"https:\/\/www.jota.info\/tudo-sobre\/stf\">Supremo Tribunal Federal<\/a> n\u00e3o representam uma novidade no debate jur\u00eddico nacional. H\u00e1 mais de dez anos, por exemplo, venho defendendo em diversos estudos a import\u00e2ncia de diretrizes orientadoras das pr\u00e1ticas de delibera\u00e7\u00e3o e dos comportamentos institucionais dos ministros da Corte<a href=\"https:\/\/www.jota.info\/#_ftn1\">[1]<\/a>.<\/p>\n<p>N\u00e3o obstante, em artigo mais recente, publicado no in\u00edcio de 2025 na obra <em>O Supremo em Transforma\u00e7\u00e3o<\/em><a href=\"https:\/\/www.jota.info\/#_ftn2\">[2]<\/a>, ressaltei a necessidade de que a atual institui\u00e7\u00e3o de um c\u00f3digo com normas formais de conduta \u00e9tica seja precedida de estudos e pesquisas que possibilitem o melhor conhecimento e realizem um diagn\u00f3stico mais apurado a respeito das <em>pr\u00e1ticas<\/em> (normas informais) que conformam o tribunal e seus ministros como institui\u00e7\u00e3o republicana.<\/p>\n<p class=\"jota-cta\"><a href=\"https:\/\/www.jota.info\/produtos\/poder?utm_source=cta-site&amp;utm_medium=site&amp;utm_campaign=campanha_poder_q2&amp;utm_id=cta_texto_poder_q2_2023&amp;utm_term=cta_texto_poder&amp;utm_term=cta_texto_poder_meio_materias\"><span>Conhe\u00e7a o <span class=\"jota\">JOTA<\/span> PRO Poder, plataforma de monitoramento que oferece transpar\u00eancia e previsibilidade para empresas<\/span><\/a><\/p>\n<p>De fato, o Supremo Tribunal Federal \u00e9 uma das institui\u00e7\u00f5es mais longevas da Rep\u00fablica. Portanto, \u00e9 certo que essa hist\u00f3ria centen\u00e1ria propiciou as condi\u00e7\u00f5es para o paulatino desenvolvimento de <em>pr\u00e1ticas<\/em>, tanto de organiza\u00e7\u00e3o quanto de decis\u00e3o, que aos poucos foram moldando as principais caracter\u00edsticas da Corte Constitucional do Brasil.<\/p>\n<p>Atualmente, pode-se afirmar que os seus desenhos institucionais est\u00e3o definidos n\u00e3o apenas pelas conhecidas estruturas e compet\u00eancias formalmente estabelecidas na Constitui\u00e7\u00e3o e no Regimento Interno, mas tamb\u00e9m por uma s\u00e9rie de <em>institui\u00e7\u00f5es informais<\/em> que permeiam todo o funcionamento da Corte.<\/p>\n<p>\u00c9 curioso notar, por\u00e9m, que a evidente import\u00e2ncia das institui\u00e7\u00f5es informais para o completo conhecimento da atua\u00e7\u00e3o cotidiana do tribunal n\u00e3o tem justificado o aprofundamento das pesquisas acad\u00eamicas nesse interessante campo de estudos, que envolve tanto o Direito Constitucional quanto a Ci\u00eancia Pol\u00edtica.<\/p>\n<p>No Brasil, ainda n\u00e3o h\u00e1 levantamento emp\u00edrico abrangente, nem um completo tratamento te\u00f3rico, das institui\u00e7\u00f5es informais que condicionam a atua\u00e7\u00e3o do STF, d\u00e9ficit que tamb\u00e9m pode ser observado, de modo mais amplo, em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s pr\u00e1ticas pol\u00edticas dos demais poderes e \u00f3rg\u00e3os constitucionais. Diagnosticar empiricamente e analisar teoricamente como essas pr\u00e1ticas se desenvolvem, se consolidam, s\u00e3o observadas, excepcionadas ou superadas pelos atores institucionais, constituem hoje uma das principais fronteiras ainda inexploradas do conhecimento no Direito Constitucional e na Ci\u00eancia Pol\u00edtica no Brasil.<\/p>\n<p>Estudos e pesquisas sobre os comportamentos institucionais dos ministros do STF s\u00e3o hoje indispens\u00e1veis para a necess\u00e1ria constru\u00e7\u00e3o de normas que visem regular as condutas na Corte. O estabelecimento de um C\u00f3digo de \u00c9tica que seja normativamente eficaz e tenha a capacidade de transformar culturas institucionais no colegiado n\u00e3o pode prescindir desse conhecimento pr\u00e9vio sobre as pr\u00e1ticas constitucionais que definem o perfil institucional do tribunal.<\/p>\n<p>Institui\u00e7\u00f5es s\u00e3o formadas por pessoas, cujos comportamentos individuais moldam as pr\u00f3prias institui\u00e7\u00f5es. Por isso, costuma-se dizer que as condutas individuais dos integrantes de uma institui\u00e7\u00e3o s\u00e3o tamb\u00e9m fundamentais para a constru\u00e7\u00e3o de sua respeitabilidade social. A legitimidade das institui\u00e7\u00f5es baseia-se em grande medida na postura p\u00fablica de seus membros e, dessa forma, na sua capacidade de formar um imagin\u00e1rio social baseado na \u00e9tica de sua atua\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O Supremo Tribunal Federal, como qualquer Corte Constitucional cuja composi\u00e7\u00e3o n\u00e3o se forma por meio de elei\u00e7\u00f5es, fundamenta a legitimidade de sua atua\u00e7\u00e3o p\u00fablica n\u00e3o apenas na capacidade de suas decis\u00f5es serem discursivamente representativas de grandes parcelas da sociedade (representatividade argumentativa), mas tamb\u00e9m no comportamento p\u00fablico de seus membros. Por isso, algumas Cortes Constitucionais de outros pa\u00edses reconheceram a import\u00e2ncia da regula\u00e7\u00e3o das condutas individuais de seus membros por meio de c\u00f3digos de \u00e9tica. Exemplos importantes podem ser encontrados na Suprema Corte dos Estados Unidos<a href=\"https:\/\/www.jota.info\/#_ftn3\">[3]<\/a> e no Tribunal Constitucional da Alemanha<a href=\"https:\/\/www.jota.info\/#_ftn4\">[4]<\/a>.<\/p>\n<p>No Brasil, a antiga Lei Org\u00e2nica da Magistratura Nacional (anterior \u00e0 Constitui\u00e7\u00e3o de 1988) permanece fornecendo alguns par\u00e2metros para a regula\u00e7\u00e3o de condutas dos membros do STF, mas de maneira cada vez mais fr\u00e1gil, em raz\u00e3o da defasagem de suas disposi\u00e7\u00f5es em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 realidade atual.<\/p>\n<p>O C\u00f3digo de Processo Civil de 2015, ao estabelecer normas quanto \u00e0 imparcialidade dos julgadores (regras de impedimento e suspei\u00e7\u00e3o para o julgamento), recebe interpreta\u00e7\u00f5es bastante restritivas por parte dos ministros do STF<a href=\"https:\/\/www.jota.info\/#_ftn5\">[5]<\/a>, os quais acabam se autovinculando \u00e0s normas de comportamento formadas por pr\u00e1ticas desenvolvidas no interior do tribunal ao longo de sua hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>Atualmente, pode-se afirmar que os comportamentos dos ministros do STF respondem mais \u00e0s institui\u00e7\u00f5es informais existentes no interior da Corte do que \u00e0s normas formais estabelecidas pela legisla\u00e7\u00e3o quanto ao tema. Nesse cen\u00e1rio, torna-se cada vez mais importante conhecer quais s\u00e3o essas pr\u00e1ticas que regem informalmente os comportamentos dos ministros do STF. Esse conhecimento ser\u00e1 importante para a an\u00e1lise cr\u00edtica dessas pr\u00e1ticas em rela\u00e7\u00e3o ao que deveria prescrever um C\u00f3digo de \u00c9tica baseado nas exig\u00eancias constitucionais da imparcialidade e da independ\u00eancia judiciais.<\/p>\n<p>Portanto, a forma\u00e7\u00e3o de consensos na comunidade jur\u00eddica sobre a atual necessidade de um C\u00f3digo de \u00c9tica para o STF n\u00e3o pode menosprezar a import\u00e2ncia do pr\u00e9vio conhecimento a respeito das pr\u00e1ticas desenvolvidas no \u00e2mbito da Corte. Estudos e pesquisas nessa \u00e1rea s\u00e3o hoje necess\u00e1rios, inclusive, para melhor comparar e identificar as diferentes institui\u00e7\u00f5es informais desenvolvidas no STF e nas Cortes Constitucionais de outros pa\u00edses.<\/p>\n<p>Institui\u00e7\u00f5es informais caracterizam de modo \u00fanico uma Corte Constitucional, para al\u00e9m de suas estruturas e compet\u00eancias formais. O STF, ademais de seu desenho constitucional diferenciado, que o torna \u00fanico no direito comparado, possui uma cultura institucional completamente distinta entre as tamb\u00e9m bastante diversas Cortes ao redor do mundo.<\/p>\n<p>Por isso, os c\u00f3digos de conduta j\u00e1 estabelecidos por tribunais de outros pa\u00edses podem at\u00e9 servir como refer\u00eancias internacionais sobre a import\u00e2ncia de princ\u00edpios \u00e9ticos para a legitimidade e autoridade dos tribunais, mas dificilmente podem fornecer modelos completos de normas que possam ser simplesmente transpostos para aplica\u00e7\u00e3o \u00e0 realidade brasileira.<\/p>\n<p>Pr\u00e1ticas institucionais que tornam o STF demasiadamente distinto de outras Cortes Constitucionais podem ser encontradas, apenas para citar um exemplo, nas rela\u00e7\u00f5es do tribunal com a imprensa, um dos principais t\u00f3picos dos c\u00f3digos de conduta em tribunais.<\/p>\n<p>Diferentemente de outras Cortes, que deliberam e decidem a portas fechadas e por isso s\u00e3o internamente menos perme\u00e1veis \u00e0 comunica\u00e7\u00e3o com o exterior, o STF adota um modelo de delibera\u00e7\u00f5es amplamente p\u00fablico, com a transmiss\u00e3o em tempo real de seus julgamentos, nos mais diversos meios de comunica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Como uma institui\u00e7\u00e3o que ao longo das \u00faltimas duas d\u00e9cadas tornou-se cada vez mais aberta \u00e0 sociedade, com a crescente amplia\u00e7\u00e3o de seus canais de comunica\u00e7\u00e3o, o STF acabou desenvolvendo diversas pr\u00e1ticas nas suas rela\u00e7\u00f5es com os meios de forma\u00e7\u00e3o da opini\u00e3o p\u00fablica, em especial com a imprensa, relacionamentos estes que hoje ocupam grande parte do cotidiano dos ministros e, desse modo, afetam o exerc\u00edcio de seus poderes, de modo muito diferente da realidade dos tribunais de outros pa\u00edses.<\/p>\n<p>\u00c9 sabido que a maior visibilidade da Corte brasileira perante a opini\u00e3o p\u00fablica intensificou drasticamente a demanda dos meios de comunica\u00e7\u00e3o por not\u00edcias relacionadas a todos os aspectos dos julgamentos, desde as circunst\u00e2ncias f\u00e1ticas e jur\u00eddicas envolvidas nos casos objeto de delibera\u00e7\u00e3o at\u00e9 os comportamentos e posturas pessoais de cada ministro. Assim, nas \u00faltimas duas d\u00e9cadas, os contatos com a imprensa e outros meios de comunica\u00e7\u00e3o tiveram um vertiginoso crescimento, o que tem exigido do tribunal o constante aperfei\u00e7oamento de sua pol\u00edtica institucional de comunica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Ocorre que a presid\u00eancia do tribunal, no exerc\u00edcio de suas fun\u00e7\u00f5es institucionais, n\u00e3o tem conseguido nos \u00faltimos anos manter um canal \u00fanico de produ\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00f5es para a imprensa, e isso tem tornado muito dif\u00edcil que a Corte se comunique com seu exterior por meio de uma \u00fanica voz institucional. O resultado \u00e9 que os gabinetes dos ministros, de modo individualizado, acabam organizando seus pr\u00f3prios contatos com os meios de comunica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Essa forma fragmentada de se relacionar com a imprensa, com 11 distintos canais de comunica\u00e7\u00e3o, acabou ensejando as condi\u00e7\u00f5es prop\u00edcias para o desenvolvimento de institui\u00e7\u00f5es informais que passaram a praticamente definir os modos como o tribunal se comunica e constr\u00f3i sua imagem institucional perante a opini\u00e3o p\u00fablica. Por isso, hoje \u00e9 importante pesquisar quais s\u00e3o essas pr\u00e1ticas, em que medida elas repercutem na vis\u00e3o que a sociedade tem da Corte e como elas podem ser submetidas a uma an\u00e1lise cr\u00edtica que vise formular propostas de mudan\u00e7a e de aperfei\u00e7oamento.<\/p>\n<p>O certo \u00e9 que, sem esse conhecimento pr\u00e9vio, o estabelecimento de normas formais que pretendam regular essas rela\u00e7\u00f5es com os meios de comunica\u00e7\u00e3o pode n\u00e3o ter o efeito esperado, ainda mais se for baseado em modelos normativos constru\u00eddos para culturas institucionais distintas de tribunais de outros pa\u00edses.<\/p>\n<p>A hist\u00f3ria recente do tribunal demonstra que a efic\u00e1cia das normas formais de regula\u00e7\u00e3o de condutas de ministros depende da capacidade dessas normas de refletir e de se conectar com as normas informais que conformam a realidade institucional da Corte.<\/p>\n<p>Como exemplo, basta citar a inefic\u00e1cia das normas regimentais que, no in\u00edcio dos anos 2000, pretenderam resolver o conhecido problema dos pedidos de vista \u201cperdidos de vista\u201d. Como \u00e9 sabido, para tentar resolver esse problema, o tribunal chegou a realizar reformas em seu Regimento Interno<a href=\"https:\/\/www.jota.info\/#_ftn6\">[6]<\/a>, disciplinando de forma mais r\u00edgida o controle dos prazos de devolu\u00e7\u00e3o a julgamento dos processos com vista<a href=\"https:\/\/www.jota.info\/#_ftn7\">[7]<\/a>. Sucessivas mudan\u00e7as regimentais, por\u00e9m, n\u00e3o foram suficientes e inicialmente se demonstraram completamente in\u00f3cuas em seu intento de colocar um limite de prazo e obrigar os ministros a respeit\u00e1-lo impreterivelmente.<\/p>\n<p>Hoje, um olhar retrospectivo revela de modo claro que a maior efetividade do controle dos prazos de vistas foi conquistada paulatinamente, ao longo das \u00faltimas duas d\u00e9cadas, por mudan\u00e7as de comportamentos que os pr\u00f3prios ministros foram aos poucos adotando em suas pr\u00e1ticas de delibera\u00e7\u00e3o, o que atualmente permite que as normas formais de controle de prazos tenham alguma efic\u00e1cia no \u00e2mbito do colegiado<a href=\"https:\/\/www.jota.info\/#_ftn8\">[8]<\/a>.<\/p>\n<p>A cultura institucional enraizada no STF n\u00e3o se transformar\u00e1 instantaneamente com a publica\u00e7\u00e3o de um c\u00f3digo de normas formais. Mudan\u00e7as e evolu\u00e7\u00f5es em pr\u00e1ticas institucionais, desenvolvidas e cultivadas ao longo de d\u00e9cadas, demandam tempo e dependem, para al\u00e9m de normas formais, da participa\u00e7\u00e3o e engajamento dos pr\u00f3prios envolvidos. Compete aos pr\u00f3prios ministros a reda\u00e7\u00e3o e a delibera\u00e7\u00e3o colegiadas das normas que reger\u00e3o as suas pr\u00e1ticas. E, como na pr\u00e1tica j\u00e1 desenvolvida em tribunais de outros pa\u00edses, caber\u00e1 ao pr\u00f3prio colegiado a fiscaliza\u00e7\u00e3o cotidiana sobre a efetividade e a necessidade de aperfei\u00e7oamento das normas estabelecidas<a href=\"https:\/\/www.jota.info\/#_ftn9\">[9]<\/a>.<\/p>\n<p>Por isso, al\u00e9m da quest\u00e3o da efic\u00e1cia, a formula\u00e7\u00e3o de normas de conduta para ministros deve dar import\u00e2ncia \u00e0s estruturas normativas a serem adotadas por um C\u00f3digo de \u00c9tica. A estrutura\u00e7\u00e3o de normas pode ocorrer, por um lado, pelo estabelecimento de conectores deontol\u00f3gicos (de obriga\u00e7\u00e3o, proibi\u00e7\u00e3o, permiss\u00e3o) associados a consequ\u00eancias normativas (san\u00e7\u00f5es); e, por outro, pode adotar a estrutura de <em>normas de fim<\/em> ou <em>diretrizes<\/em>, fixando orienta\u00e7\u00f5es gerais de conduta.<\/p>\n<p>O Tribunal Constitucional da Alemanha, por exemplo, optou pela tipologia normativa das <em>diretrizes de conduta<\/em> (<em>Verhaltenleitlinien<\/em>), com 16 orienta\u00e7\u00f5es principiol\u00f3gicas para os comportamentos dos ju\u00edzes e ju\u00edzas, durante e ap\u00f3s o t\u00e9rmino de seus mandatos<a href=\"https:\/\/www.jota.info\/#_ftn10\">[10]<\/a>. A estrutura normativa mais adequada para a realidade brasileira deve ser objeto de estudos que levem em considera\u00e7\u00e3o os diagn\u00f3sticos sobre as normas informais que caracterizam o perfil do STF.<\/p>\n<p class=\"jota-cta\"><a href=\"https:\/\/conteudo.jota.info\/marketing-lp-newsletter-ultimas-noticias?utm_source=jota&amp;utm_medium=lp&amp;utm_campaign=23-09-2024-jota-lp-eleicoes-2024-eleicoes-2024-none-audiencias-none&amp;utm_content=eleicoes-2024&amp;utm_term=none\"><span>Assine gratuitamente a newsletter \u00daltimas Not\u00edcias do <span class=\"jota\">JOTA<\/span> e receba as principais not\u00edcias jur\u00eddicas e pol\u00edticas do dia no seu email<\/span><\/a><\/p>\n<p>Todos esses aspectos podem ser objeto de reflex\u00f5es pr\u00e9vias \u00e0s iniciativas atuais para o estabelecimento de um C\u00f3digo de \u00c9tica do STF. O ano judici\u00e1rio que se inicia neste fevereiro de 2026 oferece uma importante oportunidade para a Corte envidar esfor\u00e7os nesse sentido.<\/p>\n<p>O rec\u00e9m-institu\u00eddo Centro de Estudos Constitucionais do STF<a href=\"https:\/\/www.jota.info\/#_ftn11\">[11]<\/a> pode fornecer um espa\u00e7o institucional adequado, aberto para o di\u00e1logo e a coopera\u00e7\u00e3o com universidades e institui\u00e7\u00f5es de pesquisa, com o objetivo de construir conhecimento mais aprofundado a respeito das pr\u00e1ticas que moldam a Corte como institui\u00e7\u00e3o republicana.<\/p>\n<p>Os estudos e pesquisas poder\u00e3o municiar o tribunal com diagn\u00f3sticos e propostas de aperfei\u00e7oamento dessas pr\u00e1ticas, especialmente para a posterior reda\u00e7\u00e3o e delibera\u00e7\u00e3o colegiadas das normas que poder\u00e3o reger os comportamentos institucionais dos ministros do STF.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.jota.info\/#_ftnref1\">[1]<\/a> Confira-se, por exemplo, a obra: VALE, Andr\u00e9 Rufino do. <em>Argumenta\u00e7\u00e3o Constitucional: um estudo sobre a delibera\u00e7\u00e3o nos Tribunais Constitucionais.<\/em> S\u00e3o Paulo: Almedina; 2019.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.jota.info\/#_ftnref2\">[2]<\/a> VALE, Andr\u00e9 Rufino do. Pr\u00e1ticas constitucionais: um programa de investiga\u00e7\u00e3o das institui\u00e7\u00f5es informais do Supremo Tribunal Federal. In: CASIMIRO, Matheus; FRAN\u00c7A, Eduarda Peixoto da Cunha. <em>O Supremo em Transforma\u00e7\u00e3o: hist\u00f3ria, inova\u00e7\u00f5es e desafios. <\/em>Londrina: Ed. Thoth; 2025.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.jota.info\/#_ftnref3\">[3]<\/a> O C\u00f3digo de Conduta para os ju\u00edzes da Suprema Corte norte-americana, aprovado em 13 de novembro de 2023, proclama em seu pre\u00e2mbulo o seguinte: <em>\u201cOs ministros abaixo assinados promulgam este C\u00f3digo de Conduta para expor de forma sucinta e reunir em um s\u00f3 lugar as regras e princ\u00edpios \u00e9ticos que norteiam a conduta dos membros do tribunal. Na maior parte, estas regras e princ\u00edpios n\u00e3o s\u00e3o novos: o tribunal tem h\u00e1 muito o equivalente \u00e0s regras de \u00e9tica da common law, isto \u00e9, um conjunto de regras derivadas de uma variedade de fontes, incluindo disposi\u00e7\u00f5es legais, o c\u00f3digo que se aplica a outros membros do judici\u00e1rio federal, pareceres consultivos de \u00e9tica emitidos pelo Comit\u00ea de C\u00f3digos de Conduta da Confer\u00eancia Judicial e pr\u00e1ticas hist\u00f3ricas. No entanto, a aus\u00eancia de um C\u00f3digo levou nos \u00faltimos anos ao mal-entendido de que os ministros deste tribunal, ao contr\u00e1rio de todos os outros juristas deste pa\u00eds, se consideram livres de quaisquer regras \u00e9ticas. Para dissipar este mal-entendido, emitimos este C\u00f3digo, que representa em grande parte uma codifica\u00e7\u00e3o de princ\u00edpios que h\u00e1 muito consideramos que regem a nossa conduta\u201d<\/em>.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.jota.info\/#_ftnref4\">[4]<\/a> As diretrizes de conduta para as ju\u00edzas e os ju\u00edzes do Tribunal Constitucional Federal da Alemanha (<em>Verhaltensleitlinien f\u00fcr Richterinnen und Richter des Bundesverfassungsgerichts<\/em>) disp\u00f5em o seguinte em seu primeiro artigo: <em>\u201cOs ju\u00edzes do Tribunal Constitucional Federal devem conduzir-se, tanto dentro como fora das suas fun\u00e7\u00f5es oficiais, de forma a n\u00e3o prejudicar a reputa\u00e7\u00e3o do tribunal, a dignidade do cargo ou a confian\u00e7a na sua independ\u00eancia, imparcialidade, neutralidade e integridade\u201d.<\/em><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.jota.info\/#_ftnref5\">[5]<\/a> No artigo intitulado \u201cFora dos holofotes: estudo emp\u00edrico sobre o controle da imparcialidade dos ministros do STF\u201d, resultado da pesquisa realizada pelos autores Rubens Glezer, Livia Gil Guimar\u00e3es, Lu\u00edza Pavan Ferraro e Ana Laura Pereira Barbosa, no \u00e2mbito da FGV-SP, chegou-se \u00e0 seguinte conclus\u00e3o: \u201cNo que diz respeito \u00e0s argui\u00e7\u00f5es de impedimento e suspei\u00e7\u00e3o, o Supremo Tribunal Federal se coloca em uma situa\u00e7\u00e3o amb\u00edgua. De um lado, o Tribunal utiliza uma jurisprud\u00eancia consistente e razo\u00e1vel para negar os pedidos de impedimento e suspei\u00e7\u00e3o, mas, de outro, os ritos e processos s\u00e3o conduzidos com tons de defer\u00eancia, com viola\u00e7\u00f5es aos ritos e etapas processuais, sem transpar\u00eancia sobre os fatos e argumenta\u00e7\u00f5es jur\u00eddicas para afastamento ou manuten\u00e7\u00e3o do ministro no caso, bem como com espa\u00e7o para a\u00e7\u00f5es oportunistas por parte da Presid\u00eancia do Supremo\u201d. In: Direito, Estado e Sociedade n.58 p. 385 a 421 jan\/jun 2021.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.jota.info\/#_ftnref6\">[6]<\/a> O artigo 134 do Regimento Interno do Tribunal, em anterior reda\u00e7\u00e3o, estabelecida pela Resolu\u00e7\u00e3o 278, de 15 de dezembro de 2003, dispunha o seguinte: \u201cArt. 1\u00ba O Ministro que pedir vista dos autos dever\u00e1 devolv\u00ea-los no prazo de dez dias, contados da data que os receber em seu Gabinete. O julgamento prosseguir\u00e1 na segunda sess\u00e3o ordin\u00e1ria que se seguir \u00e0 devolu\u00e7\u00e3o, independentemente da publica\u00e7\u00e3o em nova pauta. \u00a71\u00ba N\u00e3o devolvidos os autos no termo fixado no <em>caput<\/em>, fica o pedido de vista prorrogado automaticamente por dez dias, findos os quais a Presid\u00eancia do Tribunal ou das Turmas comunicar\u00e1 ao Ministro o vencimento do referido prazo\u201d.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.jota.info\/#_ftnref7\">[7]<\/a> Em seu texto original, a Resolu\u00e7\u00e3o 278, de 2003 (citada na nota acima), editada pelo ent\u00e3o Presidente Maur\u00edcio Corr\u00eaa, chegou a prescrever que \u201cesgotado o prazo da prorroga\u00e7\u00e3o, o Presidente do Tribunal ou da Turma requisitar\u00e1 os autos e reabrir\u00e1 o julgamento do feito na segunda sess\u00e3o ordin\u00e1ria subsequente, com publica\u00e7\u00e3o em pauta\u201d (art. 1\u00ba, \u00a7 2\u00ba). No entanto, esse dispositivo foi posteriormente revogado pela Resolu\u00e7\u00e3o n. 322, de 23 de maio de 2006, na Presid\u00eancia da Ministra Ellen Gracie.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.jota.info\/#_ftnref8\">[8]<\/a> Atualmente, as normas sobre prazos de devolu\u00e7\u00e3o dos pedidos de vista est\u00e3o reguladas pelo mesmo artigo 134 do Regimento Interno, com a reda\u00e7\u00e3o dada pela Emenda Regimental n. 58, de 19 de dezembro de 2022.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.jota.info\/#_ftnref9\">[9]<\/a> No \u00e2mbito do Tribunal Constitucional da Alemanha, adota-se a seguinte diretriz<em>: \u201cOs ju\u00edzes do Tribunal Constitucional Federal dedicam-se regularmente, em sess\u00f5es plen\u00e1rias, a quest\u00f5es relativas \u00e0 conduta apropriada no exerc\u00edcio de suas fun\u00e7\u00f5es, \u00e0 efic\u00e1cia do c\u00f3digo de conduta e ao seu potencial aperfei\u00e7oamento. Todos os membros do Tribunal t\u00eam o direito de trazer discuss\u00f5es sobre o cumprimento e a aplica\u00e7\u00e3o das diretrizes de conduta\u201d.<\/em><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.jota.info\/#_ftnref10\">[10]<\/a> As diretrizes de conduta para as ju\u00edzas e os ju\u00edzes do Tribunal Constitucional Federal da Alemanha (<em>Verhaltensleitlinien f\u00fcr Richterinnen und Richter des Bundesverfassungsgerichts<\/em>) possui dezesseis normas principiol\u00f3gicas e um pre\u00e2mbulo que assim disp\u00f5e: \u201cOs ju\u00edzes do Tribunal Constitucional Federal declaram que, em sua conduta durante e ap\u00f3s o t\u00e9rmino de seu mandato, ser\u00e3o guiados pelos seguintes princ\u00edpios, que decorrem da fun\u00e7\u00e3o especial do Tribunal Constitucional Federal como \u00f3rg\u00e3o constitucional da Federa\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.jota.info\/#_ftnref11\">[11]<\/a> Conforme a apresenta\u00e7\u00e3o publicada pelo STF: \u201cO Centro de Estudos Constitucionais do STF (CESTF) foi criado em 29 de setembro de 2025, seguindo o modelo existente em outros pa\u00edses, como Espanha, M\u00e9xico, Peru e Rep\u00fablica Dominicana, tendo por miss\u00e3o promover o exame cr\u00edtico da realidade jur\u00eddica brasileira, sem descurar da an\u00e1lise comparada. Por meio de semin\u00e1rios, publica\u00e7\u00f5es e audi\u00eancias acad\u00eamicas, o CESTF constitui-se em um espa\u00e7o aberto \u00e0 sociedade, com o intuito de disponibilizar \u00e0 comunidade jur\u00eddica o conhecimento acad\u00eamico nacional, permitindo que o ordenamento jur\u00eddico, em todos os n\u00edveis federativos, seja observado com integridade, coer\u00eancia e consist\u00eancia, a partir das normas constitucionais. Em algumas atividades ser\u00e1 adotado um m\u00e9todo dial\u00f3gico e cooperativo, buscando densidade doutrin\u00e1ria e centralidade informacional, sem pretens\u00e3o de exclusividade ou de vincula\u00e7\u00e3o, num esfor\u00e7o colaborativo de unir teoria e pr\u00e1tica na experi\u00eancia institucional jur\u00eddica brasileira\u201d.<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As constata\u00e7\u00f5es quanto \u00e0 necessidade de normas de conduta \u00e9tica no Supremo Tribunal Federal n\u00e3o representam uma novidade no debate jur\u00eddico nacional. H\u00e1 mais de dez anos, por exemplo, venho defendendo em diversos estudos a import\u00e2ncia de diretrizes orientadoras das pr\u00e1ticas de delibera\u00e7\u00e3o e dos comportamentos institucionais dos ministros da Corte[1]. N\u00e3o obstante, em artigo [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":0,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[1],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/aprimora.site\/carvalhoalmeidaadvogados\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20034"}],"collection":[{"href":"https:\/\/aprimora.site\/carvalhoalmeidaadvogados\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/aprimora.site\/carvalhoalmeidaadvogados\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/aprimora.site\/carvalhoalmeidaadvogados\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=20034"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/aprimora.site\/carvalhoalmeidaadvogados\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20034\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/aprimora.site\/carvalhoalmeidaadvogados\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=20034"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/aprimora.site\/carvalhoalmeidaadvogados\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=20034"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/aprimora.site\/carvalhoalmeidaadvogados\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=20034"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}