{"id":19983,"date":"2026-01-25T08:11:04","date_gmt":"2026-01-25T11:11:04","guid":{"rendered":"https:\/\/aprimora.site\/carvalhoalmeidaadvogados\/2026\/01\/25\/alinhar-desenvolvimento-e-sustentabilidade-e-assunto-dificil-diz-ricardo-galvao\/"},"modified":"2026-01-25T08:11:04","modified_gmt":"2026-01-25T11:11:04","slug":"alinhar-desenvolvimento-e-sustentabilidade-e-assunto-dificil-diz-ricardo-galvao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/aprimora.site\/carvalhoalmeidaadvogados\/2026\/01\/25\/alinhar-desenvolvimento-e-sustentabilidade-e-assunto-dificil-diz-ricardo-galvao\/","title":{"rendered":"Alinhar desenvolvimento e sustentabilidade \u00e9 \u2018assunto dif\u00edcil\u2019, diz Ricardo Galv\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p><span>Em seu trabalho em defesa do conhecimento, Ricardo Galv\u00e3o, aos 78 anos de idade, j\u00e1 ocupou alguns dos espa\u00e7os de maior relev\u00e2ncia na produ\u00e7\u00e3o e pesquisa cient\u00edficas do pa\u00eds, foi considerado um dos cientistas de maior destaque no mundo e alvo de ataques de um presidente da Rep\u00fablica. Agora, ele leva o desafio a outro campo, o da pol\u00edtica institucional.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span>O f\u00edsico e engenheiro foi empossado deputado federal pela Rede no final do ao passado. <a href=\"https:\/\/www.jota.info\/legislativo\/ricardo-galvao-cientista-demitido-por-bolsonaro-pode-assumir-vaga-de-boulos-na-camara\">Ocupou<\/a> a vaga de<a href=\"https:\/\/www.jota.info\/tudo-sobre\/guilherme-boulos\"> Guilherme Boulos<\/a> (Psol-SP), nomeado ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presid\u00eancia da Rep\u00fablica (SGP). Galv\u00e3o diz que h\u00e1 espa\u00e7o na C\u00e2mara para discutir o<\/span> <span>desenvolvimento econ\u00f4mico de forma alinhada \u00e0 sustentabilidade, apesar de considerar que \u201co negacionismo ainda persiste na sociedade brasileira e no Congresso\u201d. \u00c9 \u201cassunto dif\u00edcil\u201d em todo o mundo, reconhece, em entrevista ao <strong><span class=\"jota\">JOTA<\/span><\/strong>.\u00a0<\/span><\/p>\n<p class=\"jota-cta\"><a href=\"https:\/\/www.jota.info\/produtos\/poder?utm_source=cta-site&amp;utm_medium=site&amp;utm_campaign=campanha_poder_q2&amp;utm_id=cta_texto_poder_q2_2023&amp;utm_term=cta_texto_poder&amp;utm_term=cta_texto_poder_meio_materias\"><span>Conhe\u00e7a o <span class=\"jota\">JOTA<\/span> PRO Poder, plataforma de monitoramento que oferece transpar\u00eancia e previsibilidade para empresas<\/span><\/a><\/p>\n<p><span>Os limites entre os dois temas estiveram em foco nas discuss\u00f5es recentes sobre a explora\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo na Margem Equatorial, na regi\u00e3o da Foz do Amazonas \u2013 <a href=\"https:\/\/www.jota.info\/energia\/ibama-libera-petrobras-para-perfurar-poco-na-foz-do-amazonas-apos-5-anos-de-impasse\">autorizada<\/a> pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renov\u00e1veis (Ibama) no final do ano passado. Para Galv\u00e3o, a discuss\u00e3o foi mais pol\u00edtica do que cient\u00edfica, o que considera um erro. O parlamentar foi presidente do Conselho Nacional de Desenvolvimento Cient\u00edfico e Tecnol\u00f3gico (CNPq) e diretor do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Segundo ele, os estudos dispon\u00edveis ainda n\u00e3o s\u00e3o suficientes para embasar decis\u00f5es p\u00fablicas definitivas sobre o tema.<\/span><\/p>\n<p><span>\u201cA profundidade dos estudos, na minha opini\u00e3o como cientista, ainda n\u00e3o \u00e9 satisfat\u00f3ria. \u00c9 a\u00ed que falo sobre a quest\u00e3o da ci\u00eancia fazer parte das pol\u00edticas p\u00fablicas. Essas coisas acabam indo para uma discuss\u00e3o pol\u00edtica e a pol\u00edtica brasileira est\u00e1 muito sect\u00e1ria. Isso est\u00e1 atrapalhando muito\u201d, afirmou.<\/span><\/p>\n<p><span>Galv\u00e3o foi uma figura de destaque no embate p\u00fablico com o ent\u00e3o presidente Jair Bolsonaro em 2019. O cientista foi exonerado da dire\u00e7\u00e3o do Inpe ap\u00f3s ataques do chefe do Executivo. Bolsonaro disse \u00e0 \u00e9poca que a institui\u00e7\u00e3o divulgava dados falsos sobre o avan\u00e7o do desmatamento na Amaz\u00f4nia e que seu diretor estava a servi\u00e7o \u201cde alguma ONG\u201d. Galv\u00e3o define o momento como \u201cterr\u00edvel\u201d. Segundo ele, al\u00e9m da persegui\u00e7\u00e3o a pesquisadores, houve um desmonte da pol\u00edtica cient\u00edfica, com redu\u00e7\u00e3o de recursos e queda na forma\u00e7\u00e3o de doutores. \u201cFoi um governo claramente negacionista com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 ci\u00eancia\u201d, diz.<\/span><\/p>\n<p>No mesmo ano, encabe\u00e7ou a lista das dez pessoas consideradas mais relevantes para ci\u00eancia pelo peri\u00f3dico cient\u00edfico brit\u00e2nico \u201cNature\u201d. Na publica\u00e7\u00e3o, Galv\u00e3o \u00e9 descrito como \u201cum her\u00f3i nacional\u201d.<\/p>\n<p>O cen\u00e1rio, hoje, \u00e9 diferente, considera. O deputado diz que os pesquisadores t\u00eam mais espa\u00e7o na gest\u00e3o do presidente Lula (PT): \u201cO mais importante \u00e9 que o governo est\u00e1 ouvindo a comunidade cient\u00edfica. Ouvindo mesmo\u201d.<\/p>\n<p><span>Na C\u00e2mara, o pesquisador quer focar seu mandato, que ser\u00e1 mais curto, em temas espec\u00edficos associados \u00e0 Ci\u00eancia, Tecnologia e Meio Ambiente. Em dezembro do ano passado, apresentou um projeto (PL 6386\/2025) para isentar do Imposto de Renda os valores recebidos por cientistas brasileiros como premia\u00e7\u00e3o ou distin\u00e7\u00e3o cient\u00edfica, taxada em 27,5%. \u201cPor que se tem para esportista e n\u00e3o tem para um pr\u00eamio cient\u00edfico?\u201d, questiona.<\/span><\/p>\n<p class=\"jota-cta\"><a href=\"https:\/\/conteudo.jota.info\/marketing-lp-newsletter-ultimas-noticias?utm_source=jota&amp;utm_medium=lp&amp;utm_campaign=23-09-2024-jota-lp-eleicoes-2024-eleicoes-2024-none-audiencias-none&amp;utm_content=eleicoes-2024&amp;utm_term=none\"><span>Assine gratuitamente a newsletter \u00daltimas Not\u00edcias do <span class=\"jota\">JOTA<\/span> e receba as principais not\u00edcias jur\u00eddicas e pol\u00edticas do dia no seu email<\/span><\/a><\/p>\n<p><span>Ainda sem decidir se tentar\u00e1 a reelei\u00e7\u00e3o neste ano, ele espera que sua presen\u00e7a no Congresso contribua para a discuss\u00e3o de pol\u00edticas de Estado baseadas em ci\u00eancia e estimule outros cientistas. No seu horizonte, est\u00e1 a cria\u00e7\u00e3o de uma frente parlamentar composta por cientistas, mas acredita que, na atual legislatura, n\u00e3o h\u00e1 deputados suficientes no Congresso para isso. \u201cEspero que eu seja o primeiro de muitos\u201d, afirma.<\/span><\/p>\n<p><strong>Leia os principais pontos da entrevista:<\/strong><\/p>\n<p>Qual espa\u00e7o para uma discuss\u00e3o sobre a ci\u00eancia alinhada \u00e0 sustentabilidade na C\u00e2mara dos Deputados hoje?<span><br \/>\n<\/span><span><br \/>\n<\/span><span>Eu n\u00e3o sou negativo com rela\u00e7\u00e3o a isso, vejo que h\u00e1 uma possibilidade. \u00c9 claro que pode sempre entrar em choque, porque o negacionismo ainda persiste na sociedade brasileira e no Congresso. N\u00e3o tive nenhuma oportunidade de apresentar alguma coisa que v\u00e1 contra grupos de interesse. Mas, na bancada do governo, por exemplo, estou tendo bastante apoio.<\/span><\/p>\n<p><span>Fiquei um pouco surpreso porque eu tive uma boa recep\u00e7\u00e3o no Congresso, mesmo dos que se op\u00f5em ao governo. Acho que pelo fato de eu vir da presid\u00eancia do CNPq, que muita gente conhece, estou tendo uma penetra\u00e7\u00e3o bem mais f\u00e1cil do que eu pensava. Imediatamente me colocaram na Comiss\u00e3o de Ci\u00eancia e Tecnologia e eu j\u00e1 comecei a trabalhar algumas propostas. N\u00e3o \u00e9 que eu entenda de tudo, mas, pela minha experi\u00eancia, conhe\u00e7o a comunidade cient\u00edfica praticamente em todas as \u00e1reas no Brasil. O necess\u00e1rio \u00e9 s\u00f3 trazer a informa\u00e7\u00e3o de onde eu sei que existe.\u00a0<\/span><\/p>\n<p>O mandato do senhor \u00e9 bastante curto. Pensando nisso, quais est\u00e3o sendo suas prioridades?\u00a0<\/p>\n<p><span>Sou membro de um grupo chamado Cientistas Engajados, que \u00e9 formado por cientistas de v\u00e1rios partidos preocupados em trazer a ci\u00eancia na formula\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas.<\/span><span><br \/>\n<\/span><\/p>\n<p><span>Minha atua\u00e7\u00e3o principal \u00e9 na \u00e1rea de Ci\u00eancia, Tecnologia e Meio Ambiente, principalmente, na quest\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas embasadas em ci\u00eancia para o desenvolvimento sustent\u00e1vel para o pa\u00eds. As minhas linhas principais de atua\u00e7\u00e3o ser\u00e3o essas.<\/span><\/p>\n<p><span>J\u00e1 estamos elaborando alguns projetos de lei. Por enquanto, est\u00e3o todos na \u00e1rea de Ci\u00eancia e Tecnologia. T\u00eam algumas coisas interessantes. Um deles foi uma solicita\u00e7\u00e3o da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ci\u00eancia, e o outro veio do pr\u00f3prio CNPq.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span>Foi aprovado na C\u00e2mara um projeto de lei para isentar pr\u00eamios de esportistas de pagar imposto de renda. Por que se tem para esportista e n\u00e3o tem para um pr\u00eamio cient\u00edfico? Os cientistas pagam 27,5% de imposto. Elaboramos um projeto sobre isso.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span>O outro \u00e9 relacionado a definir melhor o que \u00e9 uma institui\u00e7\u00e3o de Ci\u00eancia e Tecnologia para se candidatar a financiamento p\u00fablico. Isso j\u00e1 est\u00e1 no chamado Marco Legal da Ci\u00eancia, Tecnologia e Inova\u00e7\u00e3o. Est\u00e1 definido, mas n\u00e3o muito detalhado. Estamos trabalhando no que seria uma proposta de modifica\u00e7\u00e3o da lei. Por enquanto, seriam dois ou tr\u00eas projetos. N\u00e3o tem sentido propor muito mais, a n\u00e3o ser que eu garanta a continuidade do meu mandato.<\/span><\/p>\n<p>O senhor v\u00ea espa\u00e7o para a forma\u00e7\u00e3o de um grupo de parlamentares com atua\u00e7\u00e3o mais organizada em defesa da Ci\u00eancia, como uma Frente Parlamentar de Cientistas, por exemplo? Teria inten\u00e7\u00e3o de encabe\u00e7ar algo nesse sentido?<\/p>\n<p><span>Parte desse grupo ao qual perten\u00e7o, j\u00e1 na elei\u00e7\u00e3o passada, queria montar isso. Mas n\u00e3o temos deputados suficientes. \u00c9 claro que h\u00e1 muitos simp\u00e1ticos \u00e0 ideia, mas, para fazer uma Frente Parlamentar de Ci\u00eancia e Tecnologia, seria necess\u00e1rio gente que tenha conhecimento.\u00a0 N\u00e3o de todas as mat\u00e9rias, \u00e9 claro, mas, pelo menos, de um conhecimento da comunidade cient\u00edfica para trabalhar a partir disso. Seria o meu objetivo de longo prazo. Espero que eu seja o primeiro de muitos que venham.<\/span><\/p>\n<p>Em 2019, o senhor foi expulso do Inpe pelo ent\u00e3o presidente Jair Bolsonaro. Na \u00e9poca, foi alvo de ataques por conta dos dados que mostraram o aumento do desmatamento na Amaz\u00f4nia. Passados quase cinco anos, como avalia esse epis\u00f3dio e o que mudou de l\u00e1 para c\u00e1 em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 escuta da comunidade cient\u00edfica?<\/p>\n<p><span>Aquele embate com o Bolsonaro foi terr\u00edvel. Claramente, foi um governo que tinha uma atitude negacionista com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 ci\u00eancia, porque n\u00e3o foi s\u00f3 a quest\u00e3o do desmatamento. Depois do que ocorreu comigo, teve tamb\u00e9m a quest\u00e3o do covid, com o professor Marcus Lacerda, de Manaus, que mostrou a inefic\u00e1cia da cloroquina e foi fortemente perseguido. E n\u00e3o foi s\u00f3 persegui\u00e7\u00e3o, o presidente Bolsonaro reduziu fortemente os recursos para a Ci\u00eancia e Tecnologia. Inclusive, o n\u00famero de doutores formados pelas institui\u00e7\u00f5es brasileiras que vinha crescendo, quando ele entrou, come\u00e7ou a decrescer. O governo Lula trouxe, realmente, uma nova perspectiva. Embora a comunidade cient\u00edfica ainda se queixe de alguns aspectos, porque n\u00e3o d\u00e1 para recuperar tudo de uma vez, esse governo trouxe uma perspectiva muito boa.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span>Os recursos para pesquisa no Brasil cresceram substancialmente nestes tr\u00eas anos. Neste ano, s\u00f3 no FNDCT, o Fundo Nacional de Desenvolvimento Cient\u00edfico e Tecnol\u00f3gico, n\u00f3s estamos empregando um pouco mais de R$ 14 bilh\u00f5es. \u00c9 claro que, do ponto de vista or\u00e7ament\u00e1rio, ainda estamos deficientes. As universidades ainda continuam reclamando de or\u00e7amento insuficiente, mas n\u00f3s estamos vendo uma expectativa boa de melhoria. Naturalmente, como passamos um per\u00edodo de muita dificuldade, h\u00e1 a ansiedade natural da comunidade para mudar o mais rapidamente poss\u00edvel, mas h\u00e1 limites or\u00e7ament\u00e1rios.<\/span><\/p>\n<p><span>O mais importante \u00e9 que o governo est\u00e1 ouvindo a comunidade cient\u00edfica. Ouvindo mesmo. Eu mesmo ter sido convidado para a presid\u00eancia do CNPq, quando o Lula entrou, j\u00e1 foi de um simbolismo muito grande, o de trazer um cientista que havia sido perseguido no governo anterior para comandar a principal ag\u00eancia de fomento do pa\u00eds. Esse di\u00e1logo est\u00e1 havendo de uma forma muito produtiva.<\/span><\/p>\n<p>No debate sobre pol\u00edticas p\u00fablicas e regula\u00e7\u00e3o, muitas vezes h\u00e1 uma tens\u00e3o entre o incentivo ao desenvolvimento tecnol\u00f3gico e a necessidade de preservar padr\u00f5es de sustentabilidade, como se fossem, necessariamente, conversas opostas. Mais recentemente, isso esteve no centro das discuss\u00f5es sobre a explora\u00e7\u00e3o da Foz do Amazonas. Quais caminhos poss\u00edveis para alinhar essas agendas?<\/p>\n<p><span>Esse \u00e9 um assunto muito dif\u00edcil. N\u00e3o \u00e9 simples. N\u00e3o \u00e9 s\u00f3 no Brasil, no mundo todo h\u00e1 uma discuss\u00e3o muito grande. Estamos vendo claramente um aquecimento global e a diminui\u00e7\u00e3o de g\u00e1s de efeito estufa \u00e9 essencial. Embora, hoje, tenha perdido for\u00e7a em parte da comunidade cient\u00edfica, h\u00e1 uma ideia de que os combust\u00edveis f\u00f3sseis n\u00e3o poderiam ser eliminados imediatamente e que continuariam sendo necess\u00e1rios para dar suporte ao desenvolvimento de fontes renov\u00e1veis de energia mais lentamente. Eu considero essa vis\u00e3o errada.<\/span><\/p>\n<p><span>Se v\u00ea agora essa quest\u00e3o da margem equatorial. N\u00f3s temos que reconhecer que o pr\u00f3prio presidente Lula, no come\u00e7o da discuss\u00e3o, favoreceu a explora\u00e7\u00e3o do petr\u00f3leo. E essa n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 uma quest\u00e3o de explora\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo, de queimar petr\u00f3leo, mas, tamb\u00e9m, principalmente, da mensagem que se passa. O Brasil, na verdade, est\u00e1 investindo fortemente em fontes renov\u00e1veis. N\u00f3s j\u00e1 somos um grande produtor de energia el\u00e9trica solar e e\u00f3lica no Nordeste, no Sul. Mas ainda temos limita\u00e7\u00f5es na nossa infraestrutura que n\u00e3o permitem aproveitar toda essa energia.<\/span><\/p>\n<p><span>No caso da margem equatorial, foi uma discuss\u00e3o pol\u00edtica. Os estados do Norte, principalmente Amap\u00e1, mas tamb\u00e9m o Par\u00e1, est\u00e3o muito ambiciosos com a quest\u00e3o dos royalties do petr\u00f3leo, que ajudaram muito toda a costa do Rio de Janeiro at\u00e9 Santos. Mas h\u00e1 dados dos quais discordo um pouco. Primeiro, que dizem estar acabando petr\u00f3leo produzido nessa costa do Rio de Janeiro at\u00e9 Santos. N\u00e3o \u00e9 verdade, acabaram de descobrir um novo posto de petr\u00f3leo enorme.<\/span><\/p>\n<p><span>O que o Ibama aprovou n\u00e3o foi a retirada do petr\u00f3leo, foi a prospec\u00e7\u00e3o. Foi um posto de prospec\u00e7\u00e3o para ver o que as an\u00e1lises s\u00edsmicas indicam, se o petr\u00f3leo est\u00e1 l\u00e1 mesmo. E o Ibama j\u00e1 deu outras autoriza\u00e7\u00f5es, desde a costa do Maranh\u00e3o at\u00e9 chegar ao Par\u00e1, que n\u00e3o indicaram o petr\u00f3leo. Essa pode indicar, mas essa produ\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo para entrar no mercado brasileiro vai demorar, no m\u00ednimo, dez anos, e o cen\u00e1rio internacional est\u00e1 se alterando muito. \u00c9 poss\u00edvel que quando entrar, n\u00e3o seja nem muito vi\u00e1vel economicamente.<\/span><span><br \/>\n<\/span><span><br \/>\n<\/span><span>Do ponto de vista de visibilidade pol\u00edtica e internacional, \u00e9 claro que n\u00e3o foi bom para o Brasil. A Col\u00f4mbia assumiu um protagonismo muito mais forte sobre esse tema ao proibir a prospec\u00e7\u00e3o n\u00e3o s\u00f3 de petr\u00f3leo, mas de minerais, nas suas florestas. Pessoalmente, como cientista associado ao meio ambiente, acho que essa deveria ter sido a posi\u00e7\u00e3o brasileira. Por enquanto, n\u00e3o acredito que esse petr\u00f3leo seja imediatamente necess\u00e1rio.<\/span><\/p>\n<p><span>E tem um problema. No Oceano Atl\u00e2ntico, tem uma corrente que vem desde a \u00c1sia, contorna a \u00c1frica e sobe. \u00c9 uma corrente de \u00e1gua quente. Ela sobe sobre a superf\u00edcie, passa pela costa da \u00c1frica, um pouco distante do Brasil, vai para o Caribe e sobe para o Polo Norte. E essa corrente desce como uma corrente fria por baixo e a\u00ed passa exatamente pr\u00f3xima da Foz do Amazonas. N<\/span><span>\u00e3o vi bem modelado o efeito desse fluxo no \u00faltimo estudo que vi que da Petrobras. <\/span><\/p>\n<p><span>A profundidade dos estudos, na minha opini\u00e3o como cientista, ainda n\u00e3o \u00e9 satisfat\u00f3ria<\/span><span>. <\/span><span>\u00c9 a\u00ed que falo sobre a quest\u00e3o da ci\u00eancia fazer parte das pol\u00edticas p\u00fablicas. Essas coisas acabam indo para uma discuss\u00e3o pol\u00edtica e a pol\u00edtica brasileira est\u00e1 muito sect\u00e1ria. Isso est\u00e1 atrapalhando muito. No caso de problemas como esse, tem uma base cient\u00edfica que n\u00f3s podemos estudar. Tem que, primeiro, concentrar nisso, parar de falar em pol\u00edtica e concentrar nesse resultado. E, na minha opini\u00e3o, ainda n\u00e3o est\u00e1 satisfat\u00f3rio para tomar decis\u00f5es p\u00fablicas.<\/span><\/p>\n<p>O seu mandato ser\u00e1 bem reduzido. O que o senhor planeja para o futuro? Deve se candidatar de novo? E como esse grupo de cientistas j\u00e1 se mobiliza visando este ano?<\/p>\n<p><span>Esse grupo de cientistas do qual fa\u00e7o parte persiste e \u00e9 bastante forte. Ele \u00e9 coordenado pela doutora Mariana Moura, de S\u00e3o Paulo. \u00c9 um grupo de pessoas importantes. Um deles \u00e9 o professor Walter Neves, que foi quem descobriu o f\u00f3ssil Luzia. Outro muito importante \u00e9 a professora Helena Nader, que \u00e9 presidente da Academia Brasileira de Ci\u00eancias. Tem tamb\u00e9m o professor Paulo Artaxo<\/span><span>.<\/span><span> \u00c9 um grupo forte. <\/span><\/p>\n<p><span>N\u00e3o sei o quanto eles ter\u00e3o de base pol\u00edtica, porque acredito que o fato de eu ter sido eleito se deve exatamente ao enfrentamento ao presidente Bolsonaro, o que trouxe a m\u00eddia e meu nome ficou conhecido. <\/span><span>Mas o professor Paulo Artaxo, por exemplo, \u00e9 extremamente bem conhecido. N\u00f3s esperamos ter mais um esfor\u00e7o concentrado para eleger mais cientistas para o Congresso Nacional. E particularmente, ainda n\u00e3o defini minha a\u00e7\u00e3o para as elei\u00e7\u00f5es.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span>N\u00f3s fazemos quest\u00e3o de n\u00e3o ter uma orienta\u00e7\u00e3o partid\u00e1ria. \u00c9 claro que cada um tem as suas ideologias, mas como j\u00e1 dizia o famoso professor Zeferino Vaz, que criou a Unicamp, ele sempre dizia, numa institui\u00e7\u00e3o cient\u00edfica, que quando a pol\u00edtica entra pela porta, a ci\u00eancia sai pela janela. \u00c9 um grupo em que todos t\u00eam filia\u00e7\u00e3o partid\u00e1ria, mas ningu\u00e9m \u00e9 sect\u00e1rio, se conversa respeitando a civilidade republicana.<\/span><\/p>\n<p><span>No meu caso, eu ainda n\u00e3o estou decidido ainda, porque essa quest\u00e3o sempre depende das alian\u00e7as e a Rede \u00e9 muito pequena. N\u00f3s somos parte de uma federa\u00e7\u00e3o com o PSOL, ent\u00e3o, tem a quest\u00e3o de saber se a federa\u00e7\u00e3o vai ser continuada, se v\u00e3o ter outros partidos. Tem v\u00e1rios elementos a\u00ed que t\u00eam que entrar para eu tomar uma decis\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p>Em uma situa\u00e7\u00e3o desfavor\u00e1vel dentro do partido, o senhor pensaria em mudar de partido para tentar se eleger?<\/p>\n<p><span>N\u00e3o considerei isso ainda.<\/span><\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em seu trabalho em defesa do conhecimento, Ricardo Galv\u00e3o, aos 78 anos de idade, j\u00e1 ocupou alguns dos espa\u00e7os de maior relev\u00e2ncia na produ\u00e7\u00e3o e pesquisa cient\u00edficas do pa\u00eds, foi considerado um dos cientistas de maior destaque no mundo e alvo de ataques de um presidente da Rep\u00fablica. 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