{"id":19882,"date":"2026-01-20T15:54:03","date_gmt":"2026-01-20T18:54:03","guid":{"rendered":"https:\/\/aprimora.site\/carvalhoalmeidaadvogados\/2026\/01\/20\/tratamento-para-leucemia-mieloide-aguda-enfrenta-iniquidade-no-sistema-de-saude\/"},"modified":"2026-01-20T15:54:03","modified_gmt":"2026-01-20T18:54:03","slug":"tratamento-para-leucemia-mieloide-aguda-enfrenta-iniquidade-no-sistema-de-saude","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/aprimora.site\/carvalhoalmeidaadvogados\/2026\/01\/20\/tratamento-para-leucemia-mieloide-aguda-enfrenta-iniquidade-no-sistema-de-saude\/","title":{"rendered":"Tratamento para leucemia mieloide aguda enfrenta iniquidade no sistema de sa\u00fade"},"content":{"rendered":"<p><span>A leucemia mieloide aguda (LMA) \u00e9 uma doen\u00e7a rara que atinge a medula \u00f3ssea dos pacientes com uma idade mediana ao diagn\u00f3stico de 66 anos<\/span><span>[1-2]<\/span><span>. Os pacientes nesta condi\u00e7\u00e3o t\u00eam o ac\u00famulo de c\u00e9lulas imaturas, substituindo as saud\u00e1veis e as c\u00e9lulas vermelhas respons\u00e1veis pela oxigena\u00e7\u00e3o come\u00e7am a faltar no organismo, provocando anemia. No corpo dos pacientes h\u00e1 a produ\u00e7\u00e3o de gl\u00f3bulos brancos, gl\u00f3bulos vermelhos e plaquetas anormais, que passam ainda a apresentar um crescimento anormal<\/span><span>[3]<\/span><span>.<\/span><\/p>\n<p><span>A manifesta\u00e7\u00e3o da LMA \u00e9 bem menos frequente na inf\u00e2ncia e, de modo geral, ocorre em pessoas acima dos 60 anos, chamados \u201cgrupo dos idosos\u201d, como explica Dr. Eduardo Fl\u00e1vio Ribeiro, hematologista e membro do Comit\u00ea de Equidade da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Hematologia, Hemoterapia e Terapia Celular (ABHH). \u201cOs pacientes idosos ficam imunossuprimidos e com tend\u00eancia a infec\u00e7\u00e3o. Ent\u00e3o, as tr\u00eas marcas da doen\u00e7a s\u00e3o o ac\u00famulo de gl\u00f3bulos brancos por interfer\u00eancia no processo de fabrica\u00e7\u00e3o deles, a falta de gl\u00f3bulos vermelhos, que n\u00f3s chamamos de anemia, e a falta de plaquetas, que aumentam chance de ter sangramento\u201d, ilustra o hematologista.<\/span><\/p>\n<p><span>Diferente de outros tipos de leucemias cr\u00f4nicas, a LMA demanda interna\u00e7\u00e3o e uma s\u00e9rie de procedimentos para classificar a doen\u00e7a e determinar se o tratamento dever\u00e1 exigir terapias mais intensas. \u201cNormalmente, o processo come\u00e7a com a identifica\u00e7\u00e3o do defeito na medula e a confirma\u00e7\u00e3o do diagn\u00f3stico. Em seguida, inicia-se o tratamento inicial, conhecido como indu\u00e7\u00e3o de remiss\u00e3o, que tem como objetivo controlar a doen\u00e7a e recuperar a fun\u00e7\u00e3o da medula \u00f3ssea, total ou parcialmente\u201d, explica Dr. Ribeiro.<\/span><\/p>\n<p><span>\u201cAp\u00f3s esse processo, nos preparamos para a fase seguinte, que \u00e9 a decis\u00e3o sobre levar os pacientes para tratamentos mais intensos, ou n\u00e3o\u201d, completa o hematologista.<\/span><\/p>\n<p><span>As pessoas acometidas por esta condi\u00e7\u00e3o podem n\u00e3o ser eleg\u00edveis \u00e0 quimioterapia intensiva (por idade, perfil ou outras doen\u00e7as associadas) e acabam n\u00e3o encontrando op\u00e7\u00f5es de tratamento dispon\u00edveis na sa\u00fade p\u00fablica. Por ser um dos c\u00e2nceres mais agressivos, a leucemia mieloide aguda possui a menor taxa de sobrevida entre as leucemias, assim como apresenta poucas op\u00e7\u00f5es de tratamento aos pacientes que n\u00e3o s\u00e3o eleg\u00edveis \u00e0 quimioterapia intensiva<\/span><span>[4-5]<\/span><span>.<\/span><\/p>\n<p><span>Entre os pacientes, sendo grande parte deles ineleg\u00edveis \u00e0 quimioterapia intensiva, a taxa de sobreviv\u00eancia em cinco anos \u00e9 de apenas 5%. Por outro lado, as taxas de hospitaliza\u00e7\u00e3o s\u00e3o frequentes e prolongadas e, al\u00e9m disso, cerca de 80% dos pacientes precisam fazer transfus\u00f5es de sangue.<\/span><\/p>\n<h2>Desafios na jornada do paciente: as diferen\u00e7as entre as redes p\u00fablica e privada de sa\u00fade<\/h2>\n<p><span>O tratamento consolidado para a leucemia mieloide aguda, de acordo com o m\u00e9dico hematologista, \u00e9 uma combina\u00e7\u00e3o de duas subst\u00e2ncias quimioter\u00e1picas, organizadas em um protocolo. Apesar de conseguir taxas de sobrevida que ultrapassam os 60% do grupo dos jovens, Dr. Eduardo Fl\u00e1vio pontua que este m\u00e9todo de tratamento acaba n\u00e3o beneficiando e sendo eleg\u00edvel aos pacientes mais idosos.<\/span><\/p>\n<p><span>\u201cQuando esses pacientes idosos, mais fr\u00e1geis, eram tratados com esse tratamento mais intenso, no primeiro m\u00eas a mortalidade poderia chegar at\u00e9 30% ou 35%. Por isso, passou-se a ter um cuidado maior e tornou-se at\u00e9 impeditivo de se fazer essa terapia com pacientes de mais de 70 anos, sobretudo com mais de 75 anos, que ficavam \u00e0 merc\u00ea de combina\u00e7\u00f6es terap\u00eauticas quase em car\u00e1ter paliativo\u201d, ressalta o especialista.<\/span><\/p>\n<p><span>Nesse sentido, explica que os pacientes faziam terapias com intensidade muito menor e por um tempo mais estendido para aumentar a toler\u00e2ncia ao tratamento, o que gerava uma demanda maior por transfus\u00e3o de sangue, frequentes interna\u00e7\u00f5es e p\u00e9ssima qualidade de vida.<\/span><\/p>\n<p><span>\u201cEntend\u00edamos que o paciente tinha condi\u00e7\u00f5es de receber o tratamento e muitas vezes durante o processo perceb\u00edamos que ele n\u00e3o suportava. Para aqueles que suportavam e alcan\u00e7avam boas respostas, prop\u00fanhamos transplante de medula \u00f3ssea como terapia definitiva. Essa terapia, com interna\u00e7\u00e3o, \u00e9 capaz de possibilitar a cura, mas n\u00e3o \u00e9 tolerado por todos e n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel realiz\u00e1-lo em todos os pacientes\u201d, diz.<\/span><\/p>\n<p><span>Desde 2018, no entanto, o m\u00e9dico avalia que, a partir do momento em que os m\u00e9dicos come\u00e7aram a identificar a leucemia mieloide aguda n\u00e3o como uma doen\u00e7a \u00fanica, mas como um grupo de patologias em que cada uma delas \u00e9 caracterizada por uma ou mais muta\u00e7\u00f5es que se somam e geram um determinado comportamento, foi poss\u00edvel observar que algumas das muta\u00e7\u00f6es s\u00e3o sens\u00edveis a determinados tratamentos. <\/span><\/p>\n<p><span>\u201cAlgumas dessas muta\u00e7\u00f5es s\u00e3o neutralizadas com medica\u00e7\u00f5es inovadoras que conseguem entrar na c\u00e9lula, e o processo de repovoamento da medula \u00f3ssea ocorre\u201d, destaca Dr. Eduardo Flavio.<\/span><\/p>\n<p><span>Esses tratamentos que a ci\u00eancia trouxe, segundo ele, s\u00e3o bem tolerados em pacientes mais idosos. Embora apresentem alguns efeitos colaterais, o hematologista pontua que eles s\u00e3o bem mais f\u00e1ceis de serem manejados.<\/span><\/p>\n<p><span>Al\u00e9m disso, destaca que os primeiros dados que vieram dessas novas combina\u00e7\u00f6es terap\u00eauticas foram um alento, visto que eles permitiram que pela primeira vez realizar terapias que pudessem aumentar a sobrevida global dos pacientes mais idosos, que geralmente ficava na faixa de 6 meses ou, em alguns casos, pr\u00f3xima dos 2 anos.<\/span><\/p>\n<p><span>O Registro Brasileiro de Leucemia Mieloide Aguda (em ingl\u00eas, Brazilian Acute Myeloid Leukemia Registry, ou RBLMA) mostrou que a sobrevida global (SG) dos pacientes tratados na sa\u00fcde suplementar foi significativamente superior \u00e0 dos pacientes tratados no Sistema \u00danico de Sa\u00fcde (SUS). A SG de pacientes tratados no sistema privado \u00e9 75% maior em compara\u00e7\u00e3o com o sistema p\u00fablico, com uma diferen\u00e7a de 15 meses na SG mediana.<\/span><\/p>\n<p><span>\u201c\u00c9 uma evolu\u00e7\u00e3o. E o que parece pouco, nessa faixa et\u00e1ria, dependendo de qual idade que o paciente tem, 82, 83 anos, \u00e9 o tempo que ele tem para \u2018arrumar a vida\u2019. Ent\u00e3o, foi um divisor\u201d, comenta.<\/span><\/p>\n<p><span>O hematologista ressalta que todos os pacientes do sistema privado de sa\u00fade j\u00e1 t\u00eam acesso a mais op\u00e7\u00f5es de tratamento desde 2018. O SUS, por sua vez, tem como op\u00e7\u00f5es de tratamento atuais recomendadas pelas Diretrizes Diagn\u00f3sticas e Terap\u00eauticas (DDTs) incluem quimioterapia intensiva e, para os que n\u00e3o s\u00e3o eleg\u00edveis, citarabina em baixa dose para controle da doen\u00e7a. <\/span><\/p>\n<p><span>\u201cOs pacientes do SUS continuam sendo tratados com terapias muito antigas, muito obsoletas. Temos duas gera\u00e7\u00f5es terap\u00eauticas atrasadas no Sistema \u00danico de Sa\u00fade. H\u00e1 uma lacuna muito importante\u201d, afirma.<\/span><\/p>\n<p>C\u00d3DIGO VEEVA: BR-ABBV-250662 JAN\/2026<\/p>\n<p><span><br \/>\nRefer\u00eancias<\/span><\/p>\n<p><span>[1] Szer J. <\/span><span>The prevalent predicament of relapsed acute myeloid leukemia<\/span><span>. Hematology: American Society of Hematology Education Program. 2012. Dispon\u00edvel em:<\/span><a href=\"https:\/\/ashpublications.org\/hematology\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><span> https:\/\/ashpublications.org\/hematology<\/span><\/a><\/p>\n<p><span>[2] Brasil. Minist\u00e9rio da Sa\u00fcde. <\/span><span>Leucemia mieloide aguda do adulto: diretrizes <\/span><span>diagn\u00f3sticas e terap\u00eauticas<\/span><span>. Bras\u00edlia, DF. <\/span><span>Dispon\u00edvel em:<\/span><a href=\"https:\/\/www.gov.br\/saude\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><span> https:\/\/www.gov.br\/saude<\/span><\/a><br \/>\n<span>Acesso em: 19 dez. 2025.<\/span><\/p>\n<p><span>[3] American Cancer Society. <\/span><span>What is acute myeloid leukemia (AML)<\/span><span>. 2020. Dispon\u00edvel em:<\/span><a href=\"https:\/\/www.cancer.org\/cancer\/acute-myeloid-leukemia\/about\/what-is-aml.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"> <span>https:\/\/www.cancer.org\/cancer\/acute-myeloid-leukemia\/about\/what-is-aml.html<\/span><\/a> <span>\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span>[4] D\u00f6hner H, et al. <\/span><span>Acute myeloid leukemia<\/span><span>. New England Journal of Medicine. 2015. Dispon\u00edvel em:<\/span><a href=\"https:\/\/www.nejm.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><span> https:\/\/www.nejm.org<\/span><\/a><\/p>\n<p><span>[5] National Cancer Institute. <\/span><span>Adult acute myeloid leukemia treatment (PDQ\u00ae): patient version<\/span><span>. Dispon\u00edvel em:<\/span><a href=\"https:\/\/www.cancer.gov\/types\/leukemia\/patient\/adult-aml-treatment-pdq\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"> <span>https:\/\/www.cancer.gov\/types\/leukemia\/patient\/adult-aml-treatment-pdq<\/span><\/a><\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A leucemia mieloide aguda (LMA) \u00e9 uma doen\u00e7a rara que atinge a medula \u00f3ssea dos pacientes com uma idade mediana ao diagn\u00f3stico de 66 anos[1-2]. Os pacientes nesta condi\u00e7\u00e3o t\u00eam o ac\u00famulo de c\u00e9lulas imaturas, substituindo as saud\u00e1veis e as c\u00e9lulas vermelhas respons\u00e1veis pela oxigena\u00e7\u00e3o come\u00e7am a faltar no organismo, provocando anemia. 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