{"id":19607,"date":"2026-01-03T18:26:57","date_gmt":"2026-01-03T21:26:57","guid":{"rendered":"https:\/\/aprimora.site\/carvalhoalmeidaadvogados\/2026\/01\/03\/tema-espinhoso-para-lula-venezuela-entra-de-vez-no-debate-eleitoral-apos-acao-de-trump\/"},"modified":"2026-01-03T18:26:57","modified_gmt":"2026-01-03T21:26:57","slug":"tema-espinhoso-para-lula-venezuela-entra-de-vez-no-debate-eleitoral-apos-acao-de-trump","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/aprimora.site\/carvalhoalmeidaadvogados\/2026\/01\/03\/tema-espinhoso-para-lula-venezuela-entra-de-vez-no-debate-eleitoral-apos-acao-de-trump\/","title":{"rendered":"Tema espinhoso para Lula, Venezuela entra de vez no debate eleitoral ap\u00f3s a\u00e7\u00e3o de Trump"},"content":{"rendered":"<p><span>Tema espinhoso para o presidente Lula, <\/span>a situa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica na Venezuela entrou de vez no debate eleitoral do Brasil ap\u00f3s a a\u00e7\u00e3o militar americana que resultou na captura do presidente Nicol\u00e1s Maduro, na madrugada deste s\u00e1bado (3\/1).<\/p>\n<p>Enquanto Bras\u00edlia ainda trabalhava com informa\u00e7\u00f5es desencontradas sobre o alcance da opera\u00e7\u00e3o e o paradeiro do ditador venezuelano \u2013 al\u00e9m de ainda engatinhar em uma avalia\u00e7\u00e3o sobre as consequ\u00eancias do gesto de Donald Trump em v\u00e1rias \u00e1reas \u2013, os principais presidenci\u00e1veis brasileiros foram \u00e0s redes sociais para se manifestar sobre o epis\u00f3dio. A exce\u00e7\u00e3o, at\u00e9 o in\u00edcio da tarde, era o governador de S\u00e3o Paulo, Tarc\u00edsio de Freitas (Republicanos), que se mantinha em sil\u00eancio.<\/p>\n<p class=\"jota-cta\"><a href=\"https:\/\/conteudo.jota.info\/marketing-lp-newsletter-ultimas-noticias?utm_source=jota&amp;utm_medium=lp&amp;utm_campaign=23-09-2024-jota-lp-eleicoes-2024-eleicoes-2024-none-audiencias-none&amp;utm_content=eleicoes-2024&amp;utm_term=none\"><span>Assine gratuitamente a newsletter \u00daltimas Not\u00edcias do <span class=\"jota\">JOTA<\/span> e receba as principais not\u00edcias jur\u00eddicas e pol\u00edticas do dia no seu email<\/span><\/a><\/p>\n<p>O presidente Lula, com hist\u00f3rico de alinhamento ao chavismo, disse em sua conta no \u201cX\u201d que os bombardeios e a captura de Maduro \u201cultrapassam uma linha inaceit\u00e1vel\u201d, al\u00e9m de representarem \u201cum precedente extremamente perigoso\u201d.<\/p>\n<p>A a\u00e7\u00e3o americana ocorre em um momento de distanciamento entre Lula e o regime na Venezuela, ap\u00f3s o descumprimento por parte de Caracas de procedimentos para assegurar a lisura das elei\u00e7\u00f5es no pa\u00eds, em 2024. Lula n\u00e3o reconheceu a contestada reelei\u00e7\u00e3o de Maduro e barrou a ades\u00e3o do pa\u00eds aos Brics. Lula tinha falado com ele pela \u00faltima vez em junho de 2024, at\u00e9 a chamada mais recente de 10 de dezembro para tratar, como disseram fontes do governo, exclusivamente da crise. Mesmo assim, seu nome continua sendo associado pela oposi\u00e7\u00e3o ao regime autorit\u00e1rio, ap\u00f3s d\u00e9cadas de alinhamento.<\/p>\n<p>Dada a rejei\u00e7\u00e3o no Brasil ao chavismo, esse tema tem potencial de causar constrangimento para o petista no processo eleitoral. Por\u00e9m, se houver entre os brasileiros a percep\u00e7\u00e3o de que Trump exagera na dose e amea\u00e7a a soberania dos pa\u00edses da regi\u00e3o, inclusive o Brasil, o efeito pode ser ben\u00e9fico para Lula, como no caso do\u00a0 \u201ctarifa\u00e7o\u201d. Ainda \u00e9 cedo para fazer uma avalia\u00e7\u00e3o nesse sentido.<\/p>\n<p><span>Tamb\u00e9m ainda \u00e9 incerto o quanto esse epis\u00f3dio pode esfriar a aproxima\u00e7\u00e3o entre os presidentes do Brasil e dos Estado Unidos, iniciada em um encontro em setembro em Nova York, nos bastidores da Assembleia-Geral da ONU.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span>De l\u00e1 para c\u00e1, foram derrubadas tarifas sobre produtos brasileiros e a imposi\u00e7\u00e3o da Lei Magnitsky sobre Alexandre de Moraes. Mas nem isso foi capaz de aplacar as desconfian\u00e7as em Bras\u00edlia sobre a possibilidade de Trump tentar interferir nas elei\u00e7\u00f5es deste ano para tentar colocar no Planalto algu\u00e9m mais afinado com sua doutrina do que o petista.<\/span><\/p>\n<p><span>A publica\u00e7\u00e3o em dezembro da nova estrat\u00e9gia de seguran\u00e7a e pol\u00edtica externa dos EUA, que claramente coloca a Am\u00e9rica Latina como uma \u00e1rea de influ\u00eancia do pa\u00eds, refor\u00e7ou ainda mais os alertas no Planalto.<\/span><\/p>\n<h2>Ponto vulner\u00e1vel para Lula<\/h2>\n<p>A Venezuela segue como um ponto de vulnerabilidade do governo Lula. Em vez de funcionar como ativo diplom\u00e1tico, a rela\u00e7\u00e3o com o pa\u00eds se tornou um flanco exposto, explorado pela oposi\u00e7\u00e3o para refor\u00e7ar cr\u00edticas \u00e0 pol\u00edtica externa e \u00e0 orienta\u00e7\u00e3o ideol\u00f3gica do Planalto. Cada novo epis\u00f3dio de instabilidade em Caracas reativa o debate e limita a capacidade do governo de controlar a narrativa.<\/p>\n<p>Lula promoveu neste s\u00e1bado\u00a0 uma reuni\u00e3o ministerial de emerg\u00eancia para discutir a situa\u00e7\u00e3o na Venezuela. O ministro da Secretaria de Comunica\u00e7\u00e3o Social da Presid\u00eancia da Rep\u00fablica, Sid\u00f4nio Palmeira, participou do encontro, tamb\u00e9m virtualmente, assim como o pr\u00f3prio presidente e o chanceler Mauro Vieira, todos fora de Bras\u00edlia. Sua presen\u00e7a ali era justamente para avaliar eventuais danos eleitorais a Lula. Dentro do Pal\u00e1cio e no Itamaraty, h\u00e1 convic\u00e7\u00e3o de que a pol\u00edtica externa ter\u00e1 participa\u00e7\u00e3o in\u00e9dita nesta elei\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"jota-cta\"><a href=\"https:\/\/whatsapp.com\/channel\/0029VaFvFd73rZZflK7yGD0I\">Inscreva-se no canal de not\u00edcias do <span class=\"jota\">JOTA<\/span> no WhatsApp e fique por dentro das principais discuss\u00f5es do pa\u00eds!<\/a><\/p>\n<p>No plano eleitoral, o desgaste \u00e9 evidente. A defesa, ainda que indireta, do regime venezuelano enfrenta forte resist\u00eancia em um eleitorado j\u00e1 majoritariamente cr\u00edtico e oferece \u00e0 direita um instrumento poderoso de mobiliza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica. O tema j\u00e1 deixou de ser perif\u00e9rico e passou a operar como um ativo discursivo para a oposi\u00e7\u00e3o nas redes sociais.<\/p>\n<p>Um levantamento da AtlasIntel, encomendado pela Bloomberg em novembro passado, j\u00e1 apontava esse clima na opini\u00e3o p\u00fablica: na m\u00e9dia latino-americana, 53% defendiam uma interven\u00e7\u00e3o militar na Venezuela, contra 35% contr\u00e1rios. Entre os brasileiros, o apoio era ainda maior, chegando a 55%, enquanto entre os pr\u00f3prios venezuelanos o \u00edndice era mais baixo, de 43%. Os dados ajudam a explicar por que a Venezuela segue mais como passivo do que como oportunidade pol\u00edtica para Lula, agravando ainda mais um ambiente j\u00e1 adverso, marcado pela consolida\u00e7\u00e3o de uma onda de governos \u00e0 direita na regi\u00e3o.<\/p>\n<h2>Fl\u00e1vio e governadores apoiam a\u00e7\u00e3o de Trump<\/h2>\n<p><span>Hoje principal oponente de Lula, Fl\u00e1vio Bolsonaro (PL) atacou Lula para dizer que \u201cdefender a soberania de um pa\u00eds \u00e9 muito diferente de defender a supremacia dos interesses de um regime autorit\u00e1rio\u201d. Seus irm\u00e3os, Eduardo e Carlos Bolsonaro, tamb\u00e9m foram \u00e0s redes para defender a opera\u00e7\u00e3o e associar o regime Maduro a Lula.<\/span><\/p>\n<p><span>Mais um elemento que pode puxar a Venezuela para o debate eleitoral: durante o governo Jair Bolsonaro, ainda concomitante ao primeiro mandato de Donald Trump, o Brasil deixou de reconhecer Maduro como presidente da Venezuela, alinhando-se ao americano que ungiu o ent\u00e3o presidente da Assembleia Nacional, Juan Guaid\u00f3, como governante do pa\u00eds vizinho. A estrat\u00e9gia acabou n\u00e3o prosperando.\u00a0<\/span><\/p>\n<p class=\"jota-cta\"><a href=\"https:\/\/www.jota.info\/produtos\/poder?utm_source=cta-site&amp;utm_medium=site&amp;utm_campaign=campanha_poder_q2&amp;utm_id=cta_texto_poder_q2_2023&amp;utm_term=cta_texto_poder&amp;utm_term=cta_texto_poder_meio_materias\"><span>Conhe\u00e7a o <span class=\"jota\">JOTA<\/span> PRO Poder, plataforma de monitoramento que oferece transpar\u00eancia e previsibilidade para empresas<\/span><\/a><\/p>\n<p><span>E, enquanto Tarc\u00edsio silenciava, tr\u00eas dos governadores presidenci\u00e1veis se apressaram em aplaudir a a\u00e7\u00e3o americana: Ratinho Jr. (PSD-PR), Ronaldo Caiado (Uni\u00e3o-GO) e Romeu Zema (Novo-MG) elogiaram a \u201cliberta\u00e7\u00e3o\u201d do povo venezuelano, sempre pelas redes sociais.<\/span><\/p>\n<p><span>Eduardo Leite (PSD-RS) seguiu outra linha. Criticou a ditadura de Maduro, a exemplo dos demais, mas ressaltou que \u201ca viol\u00eancia exercida por uma na\u00e7\u00e3o estrangeira contra outra soberana, \u00e0 margem dos princ\u00edpios b\u00e1sicos do direito internacional, em especial o de n\u00e3o interven\u00e7\u00e3o, \u00e9 igualmente inaceit\u00e1vel\u201d.<\/span><\/p>\n<h2>Alinhamento de expectativas<\/h2>\n<p>A a\u00e7\u00e3o militar em terra e a apreens\u00e3o de Nicol\u00e1s Maduro e mulher Cilia Flores pelas for\u00e7as especiais americanas provocam alinhamento de expectativas dentro e fora do pa\u00eds. A extrema direita brasileira tenta apostar nisso para reorganizar seu discurso. Desde que Trump desembarcou da campanha de Eduardo Bolsonaro e Paulo Figueiredo, o apoio incondicional ao americano tornou-se ponto pouco pac\u00edfico entre bolsonaristas. Para muitos, at\u00e9 mesmo uma obriga\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><span>Mas ainda \u00e9 cedo para saber no que vai dar essa crise, porque o discurso \u00e9 perigoso, justamente pelas incertezas inerentes a essa crise e \u00e0 imprevisibilidade por tr\u00e1s do personagem que a comanda.\u00a0<\/span><\/p>\n<h2>Temor de interfer\u00eancia nas elei\u00e7\u00f5es<\/h2>\n<p>As redes e big techs, maiores temores do governo desde a posse de Trump, como mostrou o <strong><span class=\"jota\">JOTA<\/span><\/strong> h\u00e1 um ano, podem ter papel ainda mais importante daqui pra frente.<\/p>\n<p><span>Existe no governo grande temor de interfer\u00eancia nas elei\u00e7\u00f5es brasileiras. E faz parte da estrat\u00e9gia de Lula n\u00e3o se arvorar com os outros latino-americanos contra a Venezuela, ou em favor dos EUA, justamente para evitar o que considera um precedente perigoso.<\/span><\/p>\n<p><span>Em Foz do Igua\u00e7u, na \u00faltima c\u00fapula do Mercosul, sob a presid\u00eancia tempor\u00e1ria brasileira, um grupo de pa\u00edses divulgou nota sobre Venezuela. Sem apoio do Brasil e do Uruguai. A avalia\u00e7\u00e3o do Planalto foi a de que um documento formal do Mercosul nesse sentido poderia ser interpretado por autoridades americanas como sinal verde a uma eventual a\u00e7\u00e3o militar contra a Venezuela. Seria o tal precedente dado de bandeja. Segundo interlocutores do governo brasileiro, esse risco diplom\u00e1tico pesaria at\u00e9 mais do que a press\u00e3o por uma manifesta\u00e7\u00e3o conjunta do bloco.<\/span><\/p>\n<h1>Manifesta\u00e7\u00f5es dos pa\u00edses<\/h1>\n<p>Outros pa\u00edses est\u00e3o publicando declara\u00e7\u00f5es comedidas.<span> A Uni\u00e3o Europeia (UE) soltou uma nota evasiva em que mostra que a sua rela\u00e7\u00e3o com os americanos est\u00e1 mal resolvida e n\u00e3o quer provocar muito o l\u00edder republicano. Na Fran\u00e7a, a rea\u00e7\u00e3o foi mais forte. Mostra a posi\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica do pa\u00eds. At\u00e9 a l\u00edder da extrema direita Marine Le Pen mostrou-se contr\u00e1ria. Ela, desde o in\u00edcio, mostrou-se mais moderada do que Trump, l\u00e1 atr\u00e1s, antes de se tornar ineleg\u00edvel. Esse discurso de Trump que ainda divide a direita no Brasil n\u00e3o reverbera da mesma maneira nem nas alas mais radicais francesas.<\/span><\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tema espinhoso para o presidente Lula, a situa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica na Venezuela entrou de vez no debate eleitoral do Brasil ap\u00f3s a a\u00e7\u00e3o militar americana que resultou na captura do presidente Nicol\u00e1s Maduro, na madrugada deste s\u00e1bado (3\/1). 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