{"id":19136,"date":"2025-12-11T10:23:13","date_gmt":"2025-12-11T13:23:13","guid":{"rendered":"https:\/\/aprimora.site\/carvalhoalmeidaadvogados\/2025\/12\/11\/brasil-pode-avancar-no-acesso-sustentavel-a-terapias-oncologicas-inovadoras\/"},"modified":"2025-12-11T10:23:13","modified_gmt":"2025-12-11T13:23:13","slug":"brasil-pode-avancar-no-acesso-sustentavel-a-terapias-oncologicas-inovadoras","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/aprimora.site\/carvalhoalmeidaadvogados\/2025\/12\/11\/brasil-pode-avancar-no-acesso-sustentavel-a-terapias-oncologicas-inovadoras\/","title":{"rendered":"Brasil pode avan\u00e7ar no acesso sustent\u00e1vel a terapias oncol\u00f3gicas inovadoras"},"content":{"rendered":"<p><span>Na campanha Outubro Rosa, o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade e o Instituto Nacional de C\u00e2ncer (INCA) estimam o registro de 73.610 novos casos de c\u00e2ncer de mama no Brasil <\/span>[1]<span>, enquanto a Ag\u00eancia Internacional para Pesquisa do C\u00e2ncer (Iarc) projeta aumento global de 38% at\u00e9 2025 <\/span>[2]<span>. No mesmo per\u00edodo, o pa\u00eds registra cerca de 71.730 novos casos anuais de c\u00e2ncer de pr\u00f3stata e mais de 16 mil mortes no tri\u00eanio 2023-2025 <\/span>[3]<span>, refor\u00e7ando a import\u00e2ncia da preven\u00e7\u00e3o e do diagn\u00f3stico precoce em ambos os tipos de c\u00e2ncer.<\/span><\/p>\n<p><span>Esse cen\u00e1rio mostra o crescimento do c\u00e2ncer n\u00e3o s\u00f3 no Brasil, como tamb\u00e9m no mundo. Como consequ\u00eancia, h\u00e1 tamb\u00e9m um aumento direto da demanda do sistema de sa\u00fade, seja p\u00fablico ou suplementar, para dar suporte ao tratamento e seguimento dos pacientes com a doen\u00e7a.<\/span><\/p>\n<p><span>Como inova\u00e7\u00f5es promissoras, as terapias-alvo e imunoterapias s\u00e3o vistas como o futuro das terapias oncol\u00f3gicas. No entanto, pelo alto custo vinculado a esses medicamentos, o dilema se torna centralizado em como equilibrar o acesso r\u00e1pido aos novos tratamentos sem comprometer a sustentabilidade financeira do sistema de sa\u00fade no pa\u00eds.<\/span><\/p>\n<p><span>Para a oncologista cl\u00ednica Gisele Marinho, especialista em tumores geniturin\u00e1rios, as terapias-alvo representam um avan\u00e7o decisivo no cuidado oncol\u00f3gico, tanto em efic\u00e1cia quanto em qualidade de vida. \u201cAcreditamos que essa medicina personalizada, ou seja, com tratamentos direcionados para um determinado tipo de altera\u00e7\u00e3o e baseados nas condi\u00e7\u00f5es gen\u00e9ticas do tumor, ser\u00e1 o futuro da oncologia. Quando voc\u00ea faz um tratamento direcionado baseado numa muta\u00e7\u00e3o espec\u00edfica, voc\u00ea tem maiores chances de resposta, porque est\u00e1 fazendo um tratamento mais assertivo\u201d, explica.<\/span><\/p>\n<p><span>A profissional ressalta ainda que os novos medicamentos tendem a ter um perfil de efeitos colaterais mais favor\u00e1veis, \u201co que obviamente gera uma melhora na qualidade de vida do paciente\u201d. Segundo ela, o c\u00e2ncer de pulm\u00e3o \u00e9 o campo mais avan\u00e7ado nesse sentido, seguido pelo c\u00e2ncer de mama. No entanto, ela traz uma outra perspectiva, uma vez que \u201ch\u00e1 ainda doen\u00e7as, como o c\u00e2ncer de pr\u00f3stata, nas quais precisamos evoluir muito mais em rela\u00e7\u00e3o a esse tratamento mais direcionado\u201d.<\/span><\/p>\n<h2>Acesso sustent\u00e1vel \u00e0 inova\u00e7\u00e3o em Oncologia<\/h2>\n<p><span>Em 2023, o INCA divulgou um documento com a estimativa de 704 mil novos casos para o tri\u00eanio de 2023 a 2025 <\/span>[3]<span>. O \u00f3rg\u00e3o apontou como o mais incidente o c\u00e2ncer de pele n\u00e3o melanoma, totalizando 221 mil. Dos 483 mil distribu\u00eddos entre os diferentes tipos de neopl\u00e1sicos, respectivamente do mais incidente para o menos s\u00e3o: mama, pr\u00f3stata, c\u00f3lon e reto, pulm\u00e3o e est\u00f4mago.<\/span><\/p>\n<p><span>De acordo com a Organiza\u00e7\u00e3o Pan-americana de Sa\u00fade (OPAS), vinculada \u00e0 OMS, o c\u00e2ncer \u00e9 a segunda doen\u00e7a com maior mortalidade no mundo e na Am\u00e9rica, atr\u00e1s apenas dos acometimentos cardiovasculares. No entanto, a proje\u00e7\u00e3o \u00e9 que nos pr\u00f3ximos 25 anos ocupe o primeiro lugar <\/span>[4]<span>.<\/span><\/p>\n<p><span>Com o aumento da incid\u00eancia, h\u00e1 a perspectiva de maior gasto em sa\u00fade com o tratamento da doen\u00e7a. De acordo com estudo feito pelo Observat\u00f3rio de Oncologia, uma plataforma pertencente ao Movimento Todos Juntos Contra o C\u00e2ncer, o Sistema \u00danico de Sa\u00fade (SUS) gastou mais de R$ 3,8 bilh\u00f5es para o tratamento de neoplasias em 2022 <\/span>[5]<span>.<\/span><\/p>\n<p><span>\u201cO equil\u00edbrio entre inova\u00e7\u00e3o e sustentabilidade \u00e9 um desafio mundial, e no Brasil n\u00e3o \u00e9 diferente\u201d, explica o hematologista Carmino Antonio de Souza, membro do Conselho Deliberativo da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Hematologia, Hemoterapia e Terapia Celular (ABHH), professor titular da Unicamp e vice-presidente da Funda\u00e7\u00e3o de Amparo \u00e0 Pesquisa do Estado de S\u00e3o Paulo (Fapesp). Segundo ele, o resultado econ\u00f4mico vem justamente de oferecer o melhor tratamento cl\u00ednico poss\u00edvel para o paciente.<\/span><\/p>\n<p><span>Esse valor \u00e9 distribu\u00eddo entre diferentes etapas do acompanhamento, como o tratamento ambulatorial \u2013 feito com radioterapia, quimioterapia e hormonioterapia \u2013 al\u00e9m de interna\u00e7\u00f5es e cirurgias feitas em pacientes oncol\u00f3gicos usu\u00e1rios do SUS. Ao se comparar a 2020, houve um crescimento de 14% dos gastos.<\/span><\/p>\n<p><span>Ao longo do per\u00edodo avaliado, entre 2018 e 2022, o levantamento ainda estima uma alta de 400% no custo m\u00e9dio dos procedimentos para atender a popula\u00e7\u00e3o oncol\u00f3gica na rede p\u00fablica.<\/span><\/p>\n<p><span>Al\u00e9m desses, um novo dado tamb\u00e9m trouxe uma maior dimens\u00e3o sobre o panorama oncol\u00f3gico no pa\u00eds. No final do ano passado, em um debate realizado pela Comiss\u00e3o de Sa\u00fade da C\u00e2mara sobre a regulamenta\u00e7\u00e3o da Pol\u00edtica Nacional de Preven\u00e7\u00e3o e Controle do C\u00e2ncer, foi divulgado que apenas 1,17% do or\u00e7amento do Governo Federal destinado \u00e0 sa\u00fade \u00e9 aplicado no c\u00e2ncer \u2013 doen\u00e7a que atualmente \u00e9 uma das principais causas de morte no Brasil <\/span>[6]<span>.<\/span><\/p>\n<p class=\"jota-cta\"><a href=\"https:\/\/www.jota.info\/produtos\/saude?utm_source=cta-site&amp;utm_medium=site&amp;utm_campaign=campanha_saude_q2&amp;utm_id=cta_texto_saude_q2_2023&amp;utm_term=cta_texto_saude&amp;utm_term=cta_texto_saude_meio_materias\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Com not\u00edcias da Anvisa e da ANS, o <span class=\"jota\">JOTA<\/span> PRO Sa\u00fade entrega previsibilidade e transpar\u00eancia para empresas do setor<\/a><\/p>\n<p><span>Ao olhar por esse ponto de vista, a conta n\u00e3o fecha. Enquanto h\u00e1 uma alta demanda pelo aumento dos casos neopl\u00e1sicos, o sistema de sa\u00fade enfrenta dificuldades de acompanhar os cuidados com a popula\u00e7\u00e3o \u2013 seja por terapias convencionais ou por novas tecnologias que est\u00e3o transformando o presente e o futuro da Oncologia. \u201cSe o paciente tem menos toxicidade no tratamento, menos reca\u00eddas e menos complica\u00e7\u00f5es, o sistema tamb\u00e9m ganha\u201d, afirma Souza. \u201cFazer o melhor pelo paciente \u00e9 tamb\u00e9m o caminho mais racional do ponto de vista or\u00e7ament\u00e1rio.\u201d<\/span><\/p>\n<p><span>A desigualdade de acesso tamb\u00e9m \u00e9 observada no dia a dia das equipes m\u00e9dicas, como observa Gisele Marinho. \u201cA realidade dos pacientes que se tratam no SUS e daqueles que acessam planos de sa\u00fade \u00e9 muito diferente. Os pacientes com plano de sa\u00fade t\u00eam acesso aos medicamentos mais inovadores, os que est\u00e3o aprovados no pa\u00eds e inclu\u00eddos na lista da ANS. J\u00e1 os do SUS t\u00eam acesso a uma oncologia de muitos anos atr\u00e1s\u201d, complementa. Ela lembra que, mesmo com os avan\u00e7os da imunoterapia, \u201cos pacientes do SUS t\u00eam um acesso muito restrito, ou praticamente nenhum\u201d.<\/span><\/p>\n<p><span>Para ela, a consequ\u00eancia \u00e9 vis\u00edvel: \u201cOs resultados com os tratamentos mais inovadores s\u00e3o muito melhores do que os obtidos com quimioterapias e protocolos antigos, que ainda s\u00e3o a realidade de boa parte dos pacientes do SUS\u201d, completa.<\/span><\/p>\n<h2>Regula\u00e7\u00e3o e incorpora\u00e7\u00e3o: os caminhos para acelerar o acesso<\/h2>\n<p><span>A terapia-alvo \u00e9 um tratamento visto como personalizado, uma vez que trata o c\u00e2ncer com medicamentos que atingem marcadores celulares espec\u00edficos, como genes ou prote\u00ednas de c\u00e9lulas tumorais. Dessa forma, h\u00e1 menos danos \u00e0s c\u00e9lulas saud\u00e1veis, atuam diretamente no tumor e trazem menores efeitos colaterais sist\u00eamicos. Essa terap\u00eautica associada ao cuidado \u00e0 preven\u00e7\u00e3o do c\u00e2ncer, ao uso racional de recursos e avan\u00e7os cient\u00edficos s\u00e3o vistos como conquistas primordiais no cuidado do paciente oncol\u00f3gico.<\/span><\/p>\n<p><span>Nos \u00faltimos anos, avan\u00e7os importantes em terapias oncol\u00f3gicas t\u00eam ampliado as possibilidades de tratamento no pa\u00eds. Tecnologias como anticorpos biespec\u00edficos, conjugados anticorpo-f\u00e1rmaco e terapias celulares come\u00e7aram a chegar ao Brasil, oferecendo novas alternativas para c\u00e2nceres hematol\u00f3gicos e tumores s\u00f3lidos. Ainda assim, esses recursos n\u00e3o est\u00e3o amplamente dispon\u00edveis no SUS ou na sa\u00fade suplementar, especialmente para os tipos de c\u00e2ncer mais prevalentes no pa\u00eds.<\/span><\/p>\n<p><span>Souza, da ABHH, tamb\u00e9m defende que as decis\u00f5es de incorpora\u00e7\u00e3o de novas terapias devem ter apoio em evid\u00eancias cient\u00edficas robustas. \u201cVivemos um momento efervescente na oncologia, mas \u00e9 preciso respeitar o tempo da ci\u00eancia. As inova\u00e7\u00f5es s\u00e3o bem-vindas, mas devem ser incorporadas quando os resultados forem maduros o suficiente\u201d, pondera o professor titular da Unicamp. Para ele, o conjunto de medicamentos essenciais da OMS deve integrar o par\u00e2metro m\u00ednimo de acesso no sistema p\u00fablico. \u201cFazer menos do recomendado, \u00e9 fazer menos do que os nossos pacientes precisam.\u201d<\/span><\/p>\n<p><span>Do ponto de vista do advogado sanitarista Tiago Farina, consultor em advocacy na \u00e1rea da sa\u00fade, o processo de incorpora\u00e7\u00e3o de terapias inovadoras para o tratamento de c\u00e2ncer no pa\u00eds ainda enfrenta n\u00e3o s\u00f3 desafios regulat\u00f3rios, como tamb\u00e9m jur\u00eddicos.<\/span><\/p>\n<p><span>O especialista divide os desafios em duas fases: a etapa da incorpora\u00e7\u00e3o e p\u00f3s-incorpora\u00e7\u00e3o. Nesse primeiro momento, os altos custos e os questionamentos cient\u00edficos tornam o processo mais desafiador, especialmente quando uma tecnologia recente \u00e9 altamente inovadora. Al\u00e9m disso, tamb\u00e9m h\u00e1 os obst\u00e1culos no per\u00edodo depois de inclus\u00e3o no rol de medicamentos. \u201cTemos praticamente uma aus\u00eancia de normas que deixam previs\u00edveis qual \u00e9 o fluxo p\u00f3s-incorpora\u00e7\u00e3o. Precisamos de regras mais claras e coerentes para esclarecer essa etapa e efetivamente alcan\u00e7ar sua implementa\u00e7\u00e3o plena\u201d, diz Farina.<\/span><\/p>\n<p><span>Farina afirma que a defini\u00e7\u00e3o do fluxo entre Uni\u00e3o, estados e munic\u00edpios \u00e9 fundamental para evitar atrasos e disputas sobre responsabilidades financeiras. \u201cA fragmenta\u00e7\u00e3o da responsabilidade, principalmente quando as regras n\u00e3o est\u00e3o claras sobre quem faz o qu\u00ea, provoca ru\u00eddos nesse processo\u201d, complementa.<\/span><\/p>\n<p><span>A fundadora e presidente do Instituto Oncoguia, Luciana Holtz, acredita na import\u00e2ncia de uma agenda regulat\u00f3ria mais \u00e1gil, previs\u00edvel e baseada em valores. \u201cHoje, considero urgentes alguns pontos, como acelerar os processos de avalia\u00e7\u00e3o de novas tecnologias e integrar a incorpora\u00e7\u00e3o de terapias com seus respectivos biomarcadores\u201d, pontua.<\/span><\/p>\n<p><span>A l\u00edder da organiza\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m elucida aspectos como a atualiza\u00e7\u00e3o mais din\u00e2mica de protocolos e diretrizes cl\u00ednicas e o uso de dados do mundo real no monitoramento p\u00f3s-incorpora\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<h2>Limita\u00e7\u00e3o brasileira e modelos inovadores<\/h2>\n<p><span>No Brasil, o financiamento do tratamento oncol\u00f3gico \u00e9 compartilhado entre diferentes esferas do poder p\u00fablico, como Uni\u00e3o, estados e munic\u00edpios, aliados com operadores de planos de sa\u00fade.<\/span><\/p>\n<p><span>A ind\u00fastria farmac\u00eautica, nesse cen\u00e1rio, desenvolve e negocia novos medicamentos nesse contexto, de forma a dialogar com esses agentes para viabilizar o acesso ao tratamento na sa\u00fade p\u00fablica e suplementar.<\/span><\/p>\n<p><span>\u201cHoje, 70% dos gastos em sa\u00fade v\u00eam dos munic\u00edpios, o que \u00e9 insustent\u00e1vel. A alta complexidade, como o tratamento do c\u00e2ncer, depende do governo federal\u201d, opina Souza, da ABHH. Para ele, esse \u00e9 um problema estrutural que impacta a sustentabilidade da oncologia no Brasil. Dessa forma, ele prop\u00f5e que o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade retome um papel mais ativo no financiamento da assist\u00eancia oncol\u00f3gica, especialmente diante do avan\u00e7o das terapias de alto custo.<\/span><\/p>\n<p><span>O modelo Autoriza\u00e7\u00e3o de Procedimento de Alta Complexidade, ou Ambulatorial (APAC) <\/span>[7]<span> \u00e9 um documento para registro de servi\u00e7os de sa\u00fade de alta tecnologia e custo elevado para o SUS. \u00c9 uma ferramenta que auxilia na gest\u00e3o dos recursos na sa\u00fade, de forma a permitir n\u00e3o s\u00f3 o acompanhamento das demandas, bem como a oferta dos servi\u00e7os no sistema.<\/span><\/p>\n<p><span>Nesse sentido, para viabilizar o acesso a tecnologias como as terapias-alvo, os especialistas indicam novas estrat\u00e9gias que possam viabilizar o acesso sem comprometer o or\u00e7amento p\u00fablico. Nesse \u00e2mbito, modelos customizados de acesso, como o <\/span><span>risk-sharing<\/span><span> e o <\/span><span>pay-for-performance<\/span><span> t\u00eam ganhado espa\u00e7o no debate sobre sustentabilidade em sa\u00fade.<\/span><\/p>\n<p><span>O primeiro, tamb\u00e9m conhecido como \u201ccompartilhamento de risco\u201d, ind\u00fastria e pagadores (sejam de origem p\u00fablica ou privada) dividem a responsabilidade financeira. Dessa forma, por exemplo, se um medicamento n\u00e3o apresenta um desempenho esperado, parte desse custo pode ser reembolsada ou ajustada.<\/span><\/p>\n<p><span>Enquanto isso, o <\/span><span>pay-for-performance <\/span><span>estabelece um v\u00ednculo entre o pagamento e o desempenho real do tratamento em pacientes. Isso quer dizer que o pre\u00e7o pago reflete o valor efetivo entregue em termos de sobrevida, resposta tumoral ou qualidade de vida do paciente.<\/span><\/p>\n<p><span>Para o hematologista Carmino Antonio de Souza, da ABHH, o atual modelo de pagamento via APAC \u201c\u00e9 um sistema superado\u201d, sendo importante realizar a individualiza\u00e7\u00e3o dos casos, com a utiliza\u00e7\u00e3o de novos sistemas, como contratos de gest\u00e3o e compartilhamento de risco.<\/span><\/p>\n<p><span>\u201cAo atrelar pre\u00e7o a desempenho, conseguimos acelerar o acesso a terapias inovadoras e dividir riscos entre o pagador e o fabricante\u201d, diz Luciana Holtz, do Instituto Oncoguia. Contudo, a fundadora do \u00f3rg\u00e3o tamb\u00e9m pontua barreiras relevantes, como a falta de infraestrutura para coleta e an\u00e1lise de dados de vida real, al\u00e9m de quest\u00f5es jur\u00eddicas e cont\u00e1beis \u2013 potencializadas pela fragmenta\u00e7\u00e3o entre SUS e sa\u00fade suplementar \u2013 que dificultam a formaliza\u00e7\u00e3o desses contratos.<\/span><\/p>\n<p><span>\u201cPor outro lado, vejo como oportunidade come\u00e7ar com projetos-piloto, em linhas de cuidado bem definidas, com indicadores claros de resultado. \u00c9 uma mudan\u00e7a cultural: sair de um modelo focado apenas no menor pre\u00e7o e caminhar para um modelo que valoriza desfecho, qualidade e experi\u00eancia do paciente\u201d, acrescenta.<\/span><\/p>\n<p><span>Para Farina, advogado sanitarista, h\u00e1 uma necessidade de experimentar novos modelos de negocia\u00e7\u00e3o, ao abrir uma mentalidade de inova\u00e7\u00e3o regulat\u00f3ria, como ocorre nos sandboxes regulat\u00f3rios, por exemplo. Esses seriam ambientes controlados, desenvolvidos pelos \u00f3rg\u00e3os regulat\u00f3rios, para realizar os testes em inova\u00e7\u00e3o de forma segura e supervisionada, de maneira a entender esse comportamento antes de aplicar em larga escala.<\/span><\/p>\n<p><span>Nesse sentido, ele aponta a possibilidade de criar projetos-piloto em linhas de cuidado espec\u00edficas, com indicadores cl\u00ednicos e de qualidade de vida bem definidos. \u201cAcredito que falta um pouco dessa mentalidade de tentar op\u00e7\u00f5es novas. Se n\u00e3o der certo, tentar outras op\u00e7\u00f5es at\u00e9 encontrar um equil\u00edbrio\u201d, afirma.<\/span><\/p>\n<p><span>Souza, da ABHH, diz que a incorpora\u00e7\u00e3o de tecnologias depende de uma combina\u00e7\u00e3o entre evid\u00eancias cient\u00edficas, modelos flex\u00edveis de pagamento, transpar\u00eancia nas parcerias e compromisso p\u00fablico com o financiamento da sa\u00fade. \u201c\u00c9 fundamental trabalhar junto com a ind\u00fastria, mas quem deve comandar o processo de incorpora\u00e7\u00e3o \u00e9 o sistema p\u00fablico e as institui\u00e7\u00f5es cient\u00edficas, com independ\u00eancia e transpar\u00eancia\u201d, afirma. \u201cO desafio n\u00e3o \u00e9 escolher entre inova\u00e7\u00e3o e sustentabilidade\u201d, resume Souza. \u201c\u00c9 construir um sistema capaz de oferecer o melhor para o paciente.\u201d<\/span><\/p>\n<h2>Exemplos internacionais<\/h2>\n<p><span>Reino Unido e It\u00e1lia s\u00e3o exemplos de lugares que j\u00e1 utilizam acordos de performance para tecnologias oncol\u00f3gicas de alto custo. Nessas experi\u00eancias, o pagamento ao fabricante \u00e9 condicionado \u00e0 resposta cl\u00ednica obtida, o que tem permitido ampliar o acesso e otimizar o uso dos recursos p\u00fablicos.<\/span><\/p>\n<p><span>Na It\u00e1lia, a Agenzia Italiana del Farmaco (AIFA) estabelece acordos de pagamento por desempenho desde 2006, com um banco de dados de rastreio da resposta terap\u00eautica de cada paciente. Os brit\u00e2nicos lideram no uso do modelo <\/span><span>risk-sharing<\/span><span>,<\/span> <span>no qual op\u00e7\u00f5es terap\u00eauticas consideradas onerosas ao sistema de sa\u00fade, o NHS, t\u00eam a possibilidade de serem disponibilizadas atrav\u00e9s de acordos. O programa se chama Patient Access Scheme, por meio do National Institute for Health and Care Excellence (NICE), que permite descontos e reembolsos conforme a efetividade cl\u00ednica comprovada.<\/span><\/p>\n<p><span>Um exemplo disso ocorre com um tratamento com terapia-alvo para c\u00e2ncer colorretal metast\u00e1tico nesses pa\u00edses. No Reino Unido, esse modelo se aplica com 16% de desconto na quantidade do medicamento utilizado pelo paciente. J\u00e1 na It\u00e1lia, h\u00e1 50% de reembolso em caso de falha terap\u00eautica dentro de oito semanas de tratamento.<\/span><\/p>\n<p><span>De acordo com Marinho, esse \u00e9 um caminho sem volta. \u201cAcredito que o futuro da oncologia \u00e9 caminhar para esses tratamentos mais personalizados. No futuro bem pr\u00f3ximo, a gente vai fazer uma an\u00e1lise gen\u00e9tica para definir o perfil tumoral e o tratamento mais assertivo para o paciente\u201d, projeta.<\/span><\/p>\n<p><span>Segundo ela, esse representa um avan\u00e7o n\u00e3o apenas cient\u00edfico, mas tamb\u00e9m humano: \u201cA gente acredita muito na medicina personalizada. Ela faz uma grande diferen\u00e7a, uma vez que permite um tratamento mais direcionado e, muitas vezes, com menos efeitos colaterais\u201d, afirma a oncologista cl\u00ednica.<\/span><\/p>\n<p><span>MAT-BR-NON-2025-00261 Dez\/2025<\/span><\/p>\n<p><span><br \/>\nRefer\u00eancias<\/span><\/p>\n<p><span> \u00a0<\/span><span>INSTITUTO NACIONAL DO C\u00c2NCER; MINIST\u00c9RIO DA SA\u00daDE. Controle do c\u00e2ncer de mama no Brasil: dados e n\u00fameros 2025. Bras\u00edlia: INCA \/ Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, 2025. Dispon\u00edvel em:<\/span><a href=\"https:\/\/ninho.inca.gov.br\/jspui\/handle\/123456789\/17733\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"> <span>https:\/\/ninho.inca.gov.br\/jspui\/handle\/123456789\/17733<\/span><\/a><span>. Acesso em: 10 out. 2025.<\/span><br \/>\n<span>INTERNATIONAL AGENCY FOR RESEARCH ON CANCER (IARC). Breast cancer cases and deaths are projected to rise globally. Press Release No. 361, Lyon, 24 fev. 2025. Dispon\u00edvel em:<\/span><a href=\"https:\/\/www.iarc.who.int\/news-events\/breast-cancer-cases-and-deaths-are-projected-to-rise-globally\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"> <span>https:\/\/www.iarc.who.int\/news-events\/breast-cancer-cases-and-deaths-are-projected-to-rise-globally\/<\/span><\/a><span>. Acesso em: 10 out. 2025.<\/span><br \/>\n<span>INSTITUTO NACIONAL DO C\u00c2NCER (INCA). Estimativa 2023: incid\u00eancia de c\u00e2ncer no Brasil. Bras\u00edlia: INCA, 2022. Dispon\u00edvel em:<\/span><a href=\"https:\/\/www.inca.gov.br\/publicacoes\/livros\/estimativa-2023-incidencia-de-cancer-no-brasil\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"> <span>https:\/\/www.inca.gov.br\/publicacoes\/livros\/estimativa-2023-incidencia-de-cancer-no-brasil<\/span><\/a><span>. Acesso em: 10 out. 2025.<\/span><br \/>\n<span>ORGANIZA\u00c7\u00c3O PAN-AMERICANA DA SA\u00daDE (OPAS). C\u00e2ncer. Bras\u00edlia: OPAS\/OMS, 2023. Dispon\u00edvel em:<\/span><a href=\"https:\/\/www.paho.org\/pt\/topicos\/cancer\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"> <span>https:\/\/www.paho.org\/pt\/topicos\/cancer<\/span><\/a><span>. Acesso em: 13 out. 2025.<\/span><br \/>\n<span>OBSERVAT\u00d3RIO DE ONCOLOGIA. Quanto custa o c\u00e2ncer? Movimento Todos Juntos Contra o C\u00e2ncer, 2023. Dispon\u00edvel em:<\/span><a href=\"https:\/\/www.poder360.com.br\/saude\/custo-de-tratamento-de-cancer-sobe-400-em-4-anos\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"> <span>https:\/\/www.poder360.com.br\/saude\/custo-de-tratamento-de-cancer-sobe-400-em-4-anos\/<\/span><\/a><span>. Acesso em: 13 out. 2025.<\/span><br \/>\n<span>C\u00c2MARA DOS DEPUTADOS (Brasil). Comiss\u00e3o de Sa\u00fade. Debate sobre a Pol\u00edtica Nacional de Preven\u00e7\u00e3o e Controle do C\u00e2ncer. Bras\u00edlia: C\u00e2mara dos Deputados, 2024. Dispon\u00edvel em:<\/span><a href=\"https:\/\/www.camara.leg.br\/evento-legislativo\/portal-saude-cancer-2024\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"> <span>https:\/\/www.camara.leg.br\/evento-legislativo\/portal-saude-cancer-2024\/<\/span><\/a><span>. Acesso em: 13 out. 2025.<\/span><br \/>\n<span> \u00a0<\/span><span>SOCIEDADE BRASILEIRA DE MEDICINA DIAGN\u00d3STICA E NUCLEAR (SBMDN). Custo m\u00e9dio de tratamento de c\u00e2ncer no SUS tem alta de 400%. S\u00e3o Paulo, 2023. Dispon\u00edvel em:<\/span><a href=\"https:\/\/www.sbmdn.org.br\/custo-medio-de-tratamento-de-cancer-no-sus-tem-alta-de-400\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"> <span>https:\/\/www.sbmdn.org.br\/custo-medio-de-tratamento-de-cancer-no-sus-tem-alta-de-400\/<\/span><\/a><span>. Acesso em: 13 out. 2025.<\/span><\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na campanha Outubro Rosa, o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade e o Instituto Nacional de C\u00e2ncer (INCA) estimam o registro de 73.610 novos casos de c\u00e2ncer de mama no Brasil [1], enquanto a Ag\u00eancia Internacional para Pesquisa do C\u00e2ncer (Iarc) projeta aumento global de 38% at\u00e9 2025 [2]. No mesmo per\u00edodo, o pa\u00eds registra cerca de 71.730 [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":0,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[1],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/aprimora.site\/carvalhoalmeidaadvogados\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19136"}],"collection":[{"href":"https:\/\/aprimora.site\/carvalhoalmeidaadvogados\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/aprimora.site\/carvalhoalmeidaadvogados\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/aprimora.site\/carvalhoalmeidaadvogados\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=19136"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/aprimora.site\/carvalhoalmeidaadvogados\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19136\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/aprimora.site\/carvalhoalmeidaadvogados\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=19136"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/aprimora.site\/carvalhoalmeidaadvogados\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=19136"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/aprimora.site\/carvalhoalmeidaadvogados\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=19136"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}