{"id":19029,"date":"2025-12-08T16:11:51","date_gmt":"2025-12-08T19:11:51","guid":{"rendered":"https:\/\/aprimora.site\/carvalhoalmeidaadvogados\/2025\/12\/08\/modernidade-do-hidrogenio-verde-esconde-visao-estigmatizada-dos-combustiveis-fosseis\/"},"modified":"2025-12-08T16:11:51","modified_gmt":"2025-12-08T19:11:51","slug":"modernidade-do-hidrogenio-verde-esconde-visao-estigmatizada-dos-combustiveis-fosseis","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/aprimora.site\/carvalhoalmeidaadvogados\/2025\/12\/08\/modernidade-do-hidrogenio-verde-esconde-visao-estigmatizada-dos-combustiveis-fosseis\/","title":{"rendered":"\u2018Modernidade\u2019 do hidrog\u00eanio verde esconde vis\u00e3o estigmatizada dos combust\u00edveis f\u00f3sseis"},"content":{"rendered":"<p>Alguns executivos da \u00e1rea de energia \u2013 como a CEO da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira da Ind\u00fastria do Hidrog\u00eanio, Fernanda Delgado, em <a href=\"https:\/\/www.jota.info\/opiniao-e-analise\/artigos\/subsidios-ao-carvao-um-contrassenso-estrategico-para-o-brasil-que-quer-liderar-a-energia-limpa\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">artigo para o<strong> <span class=\"jota\">JOTA<\/span><\/strong><\/a> publicado no \u00faltimo dia 3 \u2013 tendem a olhar somente para o pr\u00f3prio umbigo. Olham a \u00e1rvore e esquecem a floresta. Defendem a \u201cmodernidade\u201d com um discurso que j\u00e1 ficou velho. Denominam fontes como obsoletas por n\u00e3o se enquadrarem em narrativas pretensamente modernas e que, no final, n\u00e3o levam a lugar nenhum. Vendem slogans vazios que n\u00e3o se sustentam na realidade.<\/p>\n<p>O velho ditado \u201cn\u00e3o ponha todos os ovos na mesma cesta\u201d \u00e9 esquecido, assim como se despreza a m\u00e1xima de que a diversidade \u00e9 sin\u00f4nimo de seguran\u00e7a. Estive presente em diversas discuss\u00f5es, desde o final do s\u00e9culo 20, entre americanos e alem\u00e3es, sobre qual tecnologia deveria ser usada para reduzir as emiss\u00f5es das usinas a carv\u00e3o: utilizar captura de CO2 (CCUS) ou aumentar a efici\u00eancia das usinas.<\/p>\n<p class=\"jota-cta\"><a href=\"https:\/\/conteudo.jota.info\/marketing-lp-conversao-jota-pro-energia\">Conhe\u00e7a o <span class=\"jota\">JOTA<\/span> PRO Energia, monitoramento jur\u00eddico e pol\u00edtico para empresas do setor<\/a><\/p>\n<p>Sempre defendemos o uso de ambas. A Alemanha, para substituir usinas nucleares, iniciou em 2008 a constru\u00e7\u00e3o de 12 GW com usinas a carv\u00e3o de alta efici\u00eancia. No mundo, temos hoje usinas a carv\u00e3o com efici\u00eancia de 52% (China), onde h\u00e1 uma redu\u00e7\u00e3o de 40% das emiss\u00f5es de CO2 em rela\u00e7\u00e3o a usinas da d\u00e9cada de 1990.<\/p>\n<p>Entretanto, a tecnologia do CCUS n\u00e3o teve o mesmo apoio. A Alemanha decidiu optar pelo g\u00e1s importado, baseando-se na sua disponibilidade e procurando descomissionar as usinas a carv\u00e3o, apesar de dispor de grandes reservas deste combust\u00edvel. Os Estados Unidos, com enormes reservas f\u00f3sseis, investiram em desenvolvimento tecnol\u00f3gico e fizeram uma legisla\u00e7\u00e3o de incentivo financeiro para viabilizar o CCUS.<\/p>\n<p>Se a Europa, em especial a Alemanha, tivesse feito uma pol\u00edtica com enormes subs\u00eddios, como fez com as fontes e\u00f3lica e solar, para apoio ao desenvolvimento do CCUS, a situa\u00e7\u00e3o hoje seria diferente. Esses pa\u00edses poderiam estar mais perto de resolver a equa\u00e7\u00e3o de sua matriz energ\u00e9tica, tanto para gera\u00e7\u00e3o de energia el\u00e9trica (complementando as renov\u00e1veis), como para atendimento do parque industrial.<\/p>\n<p>A Europa agora corre para substituir o g\u00e1s russo. Busca o hidrog\u00eanio verde, mas n\u00e3o fala do hidrog\u00eanio azul (f\u00f3ssil com CCUS). Parece que esses pa\u00edses n\u00e3o aprenderam nada. Continuam estigmatizando os f\u00f3sseis \u2013 embora ainda dependam 70% da importa\u00e7\u00e3o dessas fontes \u2013 e recorrem \u00e0 pseudosseguran\u00e7a das renov\u00e1veis. O carv\u00e3o, combust\u00edvel produzido em mais de 70 pa\u00edses do mundo, n\u00e3o sofre com problemas geopol\u00edticos de suprimento, tem um com\u00e9rcio de mais de 1 bilh\u00e3o de toneladas anuais e segue sendo uma fonte segura.<\/p>\n<p>O Jap\u00e3o, que conta com uma matriz energ\u00e9tica diversificada, em fevereiro de 2024 recebeu o primeiro navio com hidrog\u00eanio azul produzido na Austr\u00e1lia a partir do carv\u00e3o. \u00c9 s\u00f3 mais uma demonstra\u00e7\u00e3o de que precisamos usar todas as formas de energia para buscar uma transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica de baixo carbono. Com isso, teremos mais seguran\u00e7a e menor pre\u00e7os de energia. Tamb\u00e9m devemos reduzir o consumo de energia com mais efici\u00eancia e investir em todas as tecnologias para mitigar as emiss\u00f5es. A busca de qualquer transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica que altere o balan\u00e7o de oferta e demanda de forma abrupta causar\u00e1 \u00f4nus a popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>No Brasil, as usinas a carv\u00e3o contribuem com o menor custo das t\u00e9rmicas f\u00f3sseis e ajudam na preserva\u00e7\u00e3o dos reservat\u00f3rios durante as crises h\u00eddricas, como ocorreu em 2015 e 2021. Qualquer refer\u00eancia de pol\u00edtica energ\u00e9tica baseada no modelo europeu deve ser analisada com muito cuidado. \u00c9 preciso respeitar as especificidades de um pa\u00eds em desenvolvimento, com um consumo per capita de energia de metade daquele definido pela ONU para pa\u00edses desenvolvidos. Deve-se respeitar nossos n\u00edveis de IDH e a nossa emiss\u00e3o de CO2 per capita no setor de energia, que \u00e9 invejada pelos pa\u00edses ricos.<\/p>\n<p>Portanto, est\u00e1 mais do que na hora de uma discuss\u00e3o pragm\u00e1tica e racional sobre o uso do nosso carv\u00e3o mineral, que tem um pre\u00e7o em moeda nacional, n\u00e3o est\u00e1 sujeito a humores internacionais e pode ser usado com tecnologia ambientalmente sustent\u00e1vel.<\/p>\n<p>Olhando o Brasil, tivemos uma onda sobre o hidrog\u00eanio verde: muitos memorandos de entendimento anunciados, muitos estudos, muita m\u00eddia, mas, no mundo real, nada de relevante aconteceu. Projetos baseados em fontes renov\u00e1veis n\u00e3o evolu\u00edram e empresas europeias sa\u00edram desta tecnologia. No Nordeste e no Rio Grande do Sul n\u00e3o se tornou realidade. Por qu\u00ea? Ser\u00e1 que esse mercado n\u00e3o est\u00e1 pronto? Ser\u00e1 que precisa de subs\u00eddios elevados? Ser\u00e1 que o mercado de hidrog\u00eanio barato \u00e9 aquele que vem do custo de fontes subsidiadas?<\/p>\n<p>No Brasil, felizmente, a discuss\u00e3o do marco regulat\u00f3rio do hidrog\u00eanio, que era para ser \u201cverde\u201d, concretizou-se em \u201cbaixo carbono\u201d, onde se usa os f\u00f3sseis com captura de CO2, algo que est\u00e1 em franco desenvolvimento na China. Entendemos que todas as fontes s\u00e3o importantes, mas n\u00e3o \u00e9 criticando uma que vamos ter mercado para a outra.<\/p>\n<p class=\"jota-cta\"><a href=\"https:\/\/conteudo.jota.info\/marketing-lp-newsletter-ultimas-noticias?utm_source=jota&amp;utm_medium=lp&amp;utm_campaign=23-09-2024-jota-lp-eleicoes-2024-eleicoes-2024-none-audiencias-none&amp;utm_content=eleicoes-2024&amp;utm_term=none\"><span>Assine gratuitamente a newsletter \u00daltimas Not\u00edcias do <span class=\"jota\">JOTA<\/span> e receba as principais not\u00edcias jur\u00eddicas e pol\u00edticas do dia no seu email<\/span><\/a><\/p>\n<p>A legisla\u00e7\u00e3o fruto da <a href=\"https:\/\/www.congressonacional.leg.br\/materias\/medidas-provisorias\/-\/mpv\/169547\">MP 1304\/25<\/a>, sob forma da Lei 15.269\/25, propicia a possiblidade de uma transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica justa e inclusiva, dando o tempo necess\u00e1rio ao desenvolvimento tecnol\u00f3gico para um mundo de baixo carbono. No mundo atual, competitivo e carente de energia, \u00e9 fundamental manter o parque t\u00e9rmico de carv\u00e3o nacional entregando pot\u00eancia, energia e servi\u00e7os ancilares a pre\u00e7os competitivos e sem subs\u00eddios.<\/p>\n<p>Assim ser\u00e1 poss\u00edvel evoluir para uma matriz energ\u00e9tica diversificada e segura para todos os brasileiros. Quem sabe poderemos produzir hidrog\u00eanio de baixo carbono, com menor custo que o hidrog\u00eanio verde, a partir do carv\u00e3o brasileiro, como \u00e9 feito em outros pa\u00edses do mundo. Isso pode se tornar uma realidade com desenvolvimento tecnol\u00f3gico e parcerias internacionais.<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Alguns executivos da \u00e1rea de energia \u2013 como a CEO da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira da Ind\u00fastria do Hidrog\u00eanio, Fernanda Delgado, em artigo para o JOTA publicado no \u00faltimo dia 3 \u2013 tendem a olhar somente para o pr\u00f3prio umbigo. 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