{"id":18975,"date":"2025-12-05T12:14:21","date_gmt":"2025-12-05T15:14:21","guid":{"rendered":"https:\/\/aprimora.site\/carvalhoalmeidaadvogados\/2025\/12\/05\/setor-de-combustiveis-cobra-isonomia-e-regulacao-mais-equilibrada-no-cade\/"},"modified":"2025-12-05T12:14:21","modified_gmt":"2025-12-05T15:14:21","slug":"setor-de-combustiveis-cobra-isonomia-e-regulacao-mais-equilibrada-no-cade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/aprimora.site\/carvalhoalmeidaadvogados\/2025\/12\/05\/setor-de-combustiveis-cobra-isonomia-e-regulacao-mais-equilibrada-no-cade\/","title":{"rendered":"Setor de combust\u00edveis cobra isonomia e regula\u00e7\u00e3o mais equilibrada no Cade"},"content":{"rendered":"<p>A audi\u00eancia p\u00fablica promovida neste m\u00eas de novembro pelo Conselho Administrativo de Defesa Econ\u00f4mica (Cade) para discutir a concorr\u00eancia no mercado de combust\u00edveis assumiu um papel estrat\u00e9gico ao reunir representantes do setor privado, do governo federal, de associa\u00e7\u00f5es empresariais, do Minist\u00e9rio P\u00fablico e de \u00f3rg\u00e3os de fiscaliza\u00e7\u00e3o. O encontro revelou converg\u00eancias importantes sobre como o mercado brasileiro de combust\u00edveis l\u00edquidos precisa evoluir para garantir mais efici\u00eancia, seguran\u00e7a e equil\u00edbrio competitivo.<\/p>\n<p>Um dos consensos mais fortes diz respeito ao reconhecimento das assimetrias existentes no setor. Enquanto tr\u00eas grandes grupos nacionais concentram mais da metade do abastecimento, mais de 150 distribuidoras regionais operam em munic\u00edpios m\u00e9dios e pequenos, garantindo capilaridade e acesso a regi\u00f5es onde os grandes players n\u00e3o chegam. Segundo a pr\u00f3pria audi\u00eancia, essas empresas enfrentam barreiras log\u00edsticas e regulat\u00f3rias que enfraquecem sua competitividade \u2013 distor\u00e7\u00e3o que se traduz em risco ao abastecimento nacional.<\/p>\n<p>A fala de Cl\u00e1udio de Souza de Ara\u00fajo, diretor jur\u00eddico da Federa\u00e7\u00e3o Nacional das Distribuidoras de Combust\u00edveis, G\u00e1s Natural e Biocombust\u00edveis (Brasilcom), destacou exatamente esse ponto ao afirmar que \u201cnormas estaduais acabam criando fragmenta\u00e7\u00e3o regulat\u00f3ria, custos adicionais e barreiras artificiais que comprometem a efici\u00eancia e a concorr\u00eancia\u201d. Sua observa\u00e7\u00e3o refor\u00e7a a necessidade de harmoniza\u00e7\u00e3o regulat\u00f3ria e de respeito ao princ\u00edpio da proporcionalidade, preservando a concorr\u00eancia leal e evitando instrumentos normativos que, na pr\u00e1tica, criam desigualdade competitiva.<\/p>\n<p>A transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica permeou toda a discuss\u00e3o. A estrutura atual do Programa RenovaBio, ao elevar metas obrigat\u00f3rias para aquisi\u00e7\u00e3o dos t\u00edtulos de descarboniza\u00e7\u00e3o (CBIOs) sem previsibilidade e ao limitar o acesso de distribuidoras regionais a produtores de biocombust\u00edveis, cria distor\u00e7\u00f5es que afetam abastecimento, pre\u00e7os e planejamento operacional. O setor entende a import\u00e2ncia dos biocombust\u00edveis para a descarboniza\u00e7\u00e3o, mas defende mecanismos que n\u00e3o comprometam a isonomia e nem desorganizem a cadeia de distribui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O diretor executivo da Associa\u00e7\u00e3o Nacional das Empresas Distribuidoras de Combust\u00edveis (ANDC), Francisco Neves, recomendou que o Cade adote uma postura orientadora e preventiva diante de condutas que afetem a concorr\u00eancia, e destacou a import\u00e2ncia de o Congresso Nacional observar com cuidado projetos de lei que possam gerar inseguran\u00e7a regulat\u00f3ria. Para ele, o di\u00e1logo constante entre o setor privado e as autoridades \u00e9 essencial para corrigir assimetrias, fortalecer a regularidade fiscal, garantir o abastecimento e preservar a competitividade de empresas regionais que desempenham papel estrat\u00e9gico na infraestrutura energ\u00e9tica do pa\u00eds.<\/p>\n<p>Neves ressaltou a import\u00e2ncia de compreender as diferen\u00e7as estruturais entre os diversos perfis de distribuidoras que operam no mercado brasileiro. Segundo ele, o setor convive com tr\u00eas grandes grupos econ\u00f4micos de atua\u00e7\u00e3o nacional, que juntos det\u00eam mais de 50% do mercado, com amplo acesso a infraestrutura, log\u00edstica de grande escala e contratos est\u00e1veis. Ao mesmo tempo, mais de 150 distribuidoras regionais enfrentam obst\u00e1culos significativos, como dificuldade de acesso \u00e0s bases prim\u00e1rias, custos log\u00edsticos elevados, restri\u00e7\u00f5es de cr\u00e9dito, obriga\u00e7\u00f5es regulat\u00f3rias abusivas e atua\u00e7\u00e3o em munic\u00edpios do interior de pequeno e m\u00e9dio porte.<\/p>\n<p>O diretor da ANDC destacou que 42% dos munic\u00edpios brasileiros s\u00e3o abastecidos exclusivamente por distribuidoras regionais, o que evidencia a relev\u00e2ncia dessas empresas para a seguran\u00e7a energ\u00e9tica nacional. Ele argumentou que pol\u00edticas p\u00fablicas, regula\u00e7\u00f5es e a aplica\u00e7\u00e3o das regras do setor precisam levar em conta essas diferen\u00e7as, evitando assimetrias que prejudiquem a competi\u00e7\u00e3o. \u201cIsonomia n\u00e3o significa tratar todos de forma igual, mas reconhecer particularidades e ajustar o arcabou\u00e7o regulat\u00f3rio para que todos possam competir de forma justa\u201d, pontuou.<\/p>\n<p>Durante sua exposi\u00e7\u00e3o, Neves enalteceu a miss\u00e3o da ANDC de incentivar uma transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica racional sob os pontos de vista econ\u00f4mico e ambiental; defender um modelo regulat\u00f3rio mais responsivo e menos punitivista, que n\u00e3o gere custos desnecess\u00e1rios \u00e0 extensa cadeia do setor, especialmente o elo da distribui\u00e7\u00e3o sobre o qual recai as maiores obriga\u00e7\u00f5es; combater as irregularidades sempre com o vi\u00e9s de fortalecer o papel fiscalizador e regulador do Estado.<\/p>\n<p>Outro eixo fundamental do debate veio das refinarias privadas. Ao analisar o impacto das regras de comercializa\u00e7\u00e3o do petr\u00f3leo e da pol\u00edtica de pre\u00e7os, Evaristo Pinheiro, presidente da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira dos Refinadores Privados (Refina Brasil) lembrou que \u201cassimetria competitiva ocorre quando refinadores privados precisam adquirir petr\u00f3leo importado pagando frete, seguro e impostos, enquanto a Petrobras internaliza esses custos em sua estrutura\u201d. O resultado, segundo ele, \u00e9 um ambiente de competi\u00e7\u00e3o artificialmente desequilibrado, que desestimula investimentos e mant\u00e9m o pa\u00eds dependente de importa\u00e7\u00f5es \u2013 cen\u00e1rio incompat\u00edvel com a necessidade de expans\u00e3o do refino e de uma pol\u00edtica industrial de longo prazo<\/p>\n<p>A Advocacia-Geral da Uni\u00e3o (AGU), por sua vez, refor\u00e7ou a necessidade de coordena\u00e7\u00e3o institucional. Em sua interven\u00e7\u00e3o, Priscilla Rolim de Almeida apontou que \u201c\u00e9 essencial aprimorar a coopera\u00e7\u00e3o entre os \u00f3rg\u00e3os para evitar distor\u00e7\u00f5es concorrenciais e fortalecer a integridade do mercado\u201d. Essa fala refor\u00e7a um ponto central do debate: a concorr\u00eancia no setor de combust\u00edveis depende n\u00e3o apenas de regras econ\u00f4micas, mas tamb\u00e9m da articula\u00e7\u00e3o entre fiscaliza\u00e7\u00e3o, tributa\u00e7\u00e3o, regula\u00e7\u00e3o e pol\u00edticas p\u00fablicas.<\/p>\n<p>A audi\u00eancia demonstrou, portanto, que o pa\u00eds pretende avan\u00e7ar para um novo entendimento sobre o mercado de combust\u00edveis: mais competitivo, moderno, integrado e atento \u00e0 transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica. Para que esse modelo avance, \u00e9 preciso enfrentar distor\u00e7\u00f5es hist\u00f3ricas, remover barreiras artificiais, corrigir assimetrias e garantir condi\u00e7\u00f5es estruturais para que agentes de todos os portes \u2013 especialmente os regionais \u2013 possam atuar com seguran\u00e7a jur\u00eddica e viabilidade econ\u00f4mica.<\/p>\n<p>Ao final, o consenso \u00e9 claro: fortalecer a concorr\u00eancia no mercado de combust\u00edveis n\u00e3o significa tratar todos igualmente, mas garantir regras proporcionais, ambiente regulat\u00f3rio est\u00e1vel, reconhecimento da diversidade empresarial e est\u00edmulo ao investimento privado. A audi\u00eancia do Cade foi um marco nesse processo, ao reunir m\u00faltiplas vis\u00f5es para construir um diagn\u00f3stico consistente e apontar caminhos para o futuro da energia no Brasil.<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A audi\u00eancia p\u00fablica promovida neste m\u00eas de novembro pelo Conselho Administrativo de Defesa Econ\u00f4mica (Cade) para discutir a concorr\u00eancia no mercado de combust\u00edveis assumiu um papel estrat\u00e9gico ao reunir representantes do setor privado, do governo federal, de associa\u00e7\u00f5es empresariais, do Minist\u00e9rio P\u00fablico e de \u00f3rg\u00e3os de fiscaliza\u00e7\u00e3o. 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