{"id":18652,"date":"2025-11-26T06:05:45","date_gmt":"2025-11-26T09:05:45","guid":{"rendered":"https:\/\/aprimora.site\/carvalhoalmeidaadvogados\/2025\/11\/26\/tcu-fora-da-sombra\/"},"modified":"2025-11-26T06:05:45","modified_gmt":"2025-11-26T09:05:45","slug":"tcu-fora-da-sombra","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/aprimora.site\/carvalhoalmeidaadvogados\/2025\/11\/26\/tcu-fora-da-sombra\/","title":{"rendered":"TCU fora da sombra"},"content":{"rendered":"<p>Alguns livros ajudam a reorganizar o modo como enxergamos institui\u00e7\u00f5es que j\u00e1 estavam ali, atuando h\u00e1 d\u00e9cadas, mas ainda sem um contorno claro na consci\u00eancia coletiva. <em>Nada ser\u00e1 como antes<\/em>, de Jo\u00e3o Villaverde, faz isso ao reconstruir a trajet\u00f3ria do <a href=\"https:\/\/www.jota.info\/tudo-sobre\/tcu\">Tribunal de Contas da Uni\u00e3o<\/a> entre os impeachments de 1992 (Fernando Collor) e 2015-2016 (Dilma Rousseff).<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 apenas um estudo sobre o TCU; \u00e9 um estudo sobre como institui\u00e7\u00f5es ganham peso \u2014 \u00e0s vezes de modo discreto, \u00e0s vezes de forma acelerada por crises pol\u00edticas.<\/p>\n<p class=\"jota-cta\"><a href=\"https:\/\/www.jota.info\/produtos\/poder?utm_source=cta-site&amp;utm_medium=site&amp;utm_campaign=campanha_poder_q2&amp;utm_id=cta_texto_poder_q2_2023&amp;utm_term=cta_texto_poder&amp;utm_term=cta_texto_poder_meio_materias\"><span>Conhe\u00e7a o <span class=\"jota\">JOTA<\/span> PRO Poder, plataforma de monitoramento que oferece transpar\u00eancia e previsibilidade para empresas<\/span><\/a><\/p>\n<p><strong>Por que o livro vale a leitura?<\/strong><\/p>\n<p>O livro tem um efeito interessante: ao mesmo tempo em que apresenta uma interpreta\u00e7\u00e3o espec\u00edfica sobre a trajet\u00f3ria do TCU, convida o leitor a construir suas pr\u00f3prias conclus\u00f5es. As entrevistas revelam percep\u00e7\u00f5es que n\u00e3o costumam aparecer em documentos oficiais; a an\u00e1lise hist\u00f3rica contextualiza a transforma\u00e7\u00e3o institucional; e a escrita, muito envolvente, mant\u00e9m ritmo constante, equilibrando clareza e leveza com densidade anal\u00edtica.<\/p>\n<p>Villaverde demonstra que compreender o TCU \u00e9 indispens\u00e1vel para entender o funcionamento do atual sistema pol\u00edtico brasileiro. Depois de 2015-2016, dificilmente um tema relevante escapa do radar da institui\u00e7\u00e3o \u2014 e a obra cont\u00e9m dados interessantes sobre como chegamos a esse ponto.<\/p>\n<p><em>Nada ser\u00e1 como antes<\/em> reconstr\u00f3i, com m\u00e9todo e sensibilidade, o processo pelo qual o TCU deixou de ser uma institui\u00e7\u00e3o pouco vis\u00edvel para se tornar um ator decisivo no presidencialismo brasileiro.<\/p>\n<p>\u00c9 uma leitura que informa, instiga e ajuda a compreender pe\u00e7a essencial do Estado brasileiro contempor\u00e2neo.<\/p>\n<p><strong>O fio condutor: a compreens\u00e3o das mudan\u00e7as no perfil da institui\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>Como o TCU se tornou ator central no debate p\u00fablico brasileiro? Essa \u00e9 a pergunta que move o livro.<\/p>\n<p>Villaverde parte dessa inquieta\u00e7\u00e3o e a desenvolve com base em entrevistas realizadas com figuras que viveram os dois impeachments \u2014 l\u00edderes partid\u00e1rios, sindicalistas, ministros e parlamentares. Esse material d\u00e1 ao texto uma dimens\u00e3o concreta, real, permitindo observar como diferentes atores percebem o Tribunal e como suas avalia\u00e7\u00f5es sobre a institui\u00e7\u00e3o evoluem ao longo das d\u00e9cadas.<\/p>\n<p>Um m\u00e9rito do livro \u00e9 tratar o TCU n\u00e3o apenas pela \u00f3tica das normas, mas pela l\u00f3gica das rela\u00e7\u00f5es de poder. A narrativa deixa evidente que institui\u00e7\u00f5es de controle n\u00e3o se explicam s\u00f3 pelo Direito: elas se explicam, sobretudo, por como s\u00e3o acionadas, pressionadas e posicionadas em momentos decisivos.<\/p>\n<p><strong>A hip\u00f3tese da \u201cascens\u00e3o constitucional\u201d <\/strong><\/p>\n<p>Villaverde sugere que o tipo de fortalecimento ocorrido com o TCU corresponderia aos objetivos da Constitui\u00e7\u00e3o de 1988 e de seus formuladores. Isso porque o novo arranjo institucional, concebido na virada do regime militar para a democracia, teria buscado ampliar controles horizontais para limitar abusos do Executivo e refor\u00e7ar a <em>accountability<\/em> estatal.<\/p>\n<p>\u00c9 uma hip\u00f3tese interessante. Mas vale registrar uma nuance: se a hipertrofia atual do TCU fosse mesmo parte do projeto constitucional, seria natural que ela encontrasse respaldo no pr\u00f3prio texto de 1988. \u00c9 fato que a Constitui\u00e7\u00e3o ampliou significativamente as compet\u00eancias dos controles \u2014 incluindo o de contas. Mas dela n\u00e3o se extrai necessariamente o tipo e a extens\u00e3o do protagonismo que o Tribunal acabou assumindo.<\/p>\n<p>Uma explica\u00e7\u00e3o alternativa, a partir dos pr\u00f3prios achados do livro, \u00e9 que o crescimento do TCU pode ter decorrido menos do incremento de papeis e fun\u00e7\u00f5es promovido pelo novo arranjo constitucional e mais de movimentos da pol\u00edtica p\u00f3s-1988 \u2014 com a fragmenta\u00e7\u00e3o do presidencialismo, o incremento da judicializa\u00e7\u00e3o e a migra\u00e7\u00e3o da tomada de decis\u00f5es de todo tipo para inst\u00e2ncias de controle.<\/p>\n<p><strong>O TCU ocupou o espa\u00e7o da pol\u00edtica? <\/strong><\/p>\n<p>O livro tamb\u00e9m sugere que, no impeachment de 2015-2016, o TCU teria preenchido um espa\u00e7o que, em 1992, fora ocupado por partidos e movimentos sociais. A compara\u00e7\u00e3o \u00e9 instigante e ajuda a estruturar a narrativa hist\u00f3rica.<\/p>\n<p class=\"jota-cta\"><a href=\"https:\/\/conteudo.jota.info\/marketing-lp-newsletter-ultimas-noticias?utm_source=jota&amp;utm_medium=lp&amp;utm_campaign=23-09-2024-jota-lp-eleicoes-2024-eleicoes-2024-none-audiencias-none&amp;utm_content=eleicoes-2024&amp;utm_term=none\"><span>Assine gratuitamente a newsletter \u00daltimas Not\u00edcias do <span class=\"jota\">JOTA<\/span> e receba as principais not\u00edcias jur\u00eddicas e pol\u00edticas do dia no seu email<\/span><\/a><\/p>\n<p>Mas talvez n\u00e3o se trate exatamente de substitui\u00e7\u00e3o de atores. O que pode ter ocorrido foi a fragiliza\u00e7\u00e3o do Executivo como <em>locus<\/em> priorit\u00e1rio de governo. Na esteira dessa transforma\u00e7\u00e3o, institui\u00e7\u00f5es de controle \u2014 TCU, Supremo Tribunal Federal, Minist\u00e9rio P\u00fablico \u2014 passaram a funcionar como arenas relevantes para certas decis\u00f5es, mesmo elas n\u00e3o fazendo parte de seu desenho constitucional. Os partidos continuam presentes, apenas passaram a disputar tamb\u00e9m nesses novos espa\u00e7os.<\/p>\n<p>Em outras palavras: o TCU n\u00e3o teria tomado o lugar da pol\u00edtica; ele teria se tornado um dos lugares onde a pol\u00edtica se faz.<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Alguns livros ajudam a reorganizar o modo como enxergamos institui\u00e7\u00f5es que j\u00e1 estavam ali, atuando h\u00e1 d\u00e9cadas, mas ainda sem um contorno claro na consci\u00eancia coletiva. 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