{"id":18529,"date":"2025-11-21T12:58:25","date_gmt":"2025-11-21T15:58:25","guid":{"rendered":"https:\/\/aprimora.site\/carvalhoalmeidaadvogados\/2025\/11\/21\/as-jabuticabas-da-cop30-no-brasil-para-alem-das-negociacoes-climaticas\/"},"modified":"2025-11-21T12:58:25","modified_gmt":"2025-11-21T15:58:25","slug":"as-jabuticabas-da-cop30-no-brasil-para-alem-das-negociacoes-climaticas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/aprimora.site\/carvalhoalmeidaadvogados\/2025\/11\/21\/as-jabuticabas-da-cop30-no-brasil-para-alem-das-negociacoes-climaticas\/","title":{"rendered":"As jabuticabas da COP30 no Brasil para al\u00e9m das negocia\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas"},"content":{"rendered":"<p>Trazer o \u00f3rg\u00e3o m\u00e1ximo da Conven\u00e7\u00e3o-Quadro das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre Mudan\u00e7a do Clima (UNFCCC), a Confer\u00eancia das Partes (<a href=\"https:\/\/www.jota.info\/coberturas-especiais\/dialogos-da-cop30\">COP<\/a>), para o meio da Amaz\u00f4nia n\u00e3o foi a \u00fanica novidade de Bel\u00e9m. No ano em que essa estrutura engessada, carregada de jarg\u00f5es e siglas incompreens\u00edveis poderia cair em descr\u00e9dito com a sa\u00edda dos Estados Unidos do <a href=\"https:\/\/www.jota.info\/tudo-sobre\/acordo-de-paris\">Acordo de Paris<\/a> e com a crescente polariza\u00e7\u00e3o, que mina o entendimento das na\u00e7\u00f5es sobre quest\u00f5es globais, a edi\u00e7\u00e3o brasileira estava atr\u00e1s de novas ideias. Foram essas mesmas ideias que vieram atr\u00e1s dos negociadores com cr\u00edticas e cobran\u00e7as.<\/p>\n<p class=\"jota-cta\"><a href=\"https:\/\/www.jota.info\/produtos\/poder?utm_source=cta-site&amp;utm_medium=site&amp;utm_campaign=campanha_poder_q2&amp;utm_id=cta_texto_poder_q2_2023&amp;utm_term=cta_texto_poder&amp;utm_term=cta_texto_poder_meio_materias\"><span>Conhe\u00e7a o <span class=\"jota\">JOTA<\/span> PRO Poder, plataforma de monitoramento que oferece transpar\u00eancia e previsibilidade para empresas<\/span><\/a><\/p>\n<p>Os cientistas do in\u00e9dito Pavilh\u00e3o de Ci\u00eancias Planet\u00e1rias instalado em lugar de destaque do Blue Zone, onde tudo acontece, cobraram conex\u00e3o com a realidade e urg\u00eancia da crise clim\u00e1tica. Uma esp\u00e9cie de \u201ccentro de comando\u201d da ci\u00eancia planet\u00e1ria oferecem dados em tempo real e conte\u00fados que integram ci\u00eancia contempor\u00e2nea e saberes tradicionais. Foi ideia da presid\u00eancia da COP30 para orientar decis\u00f5es estrat\u00e9gicas nas duas semanas da maior confer\u00eancia do clima do mundo, num momento em que o negacionismo clim\u00e1tico ganha nova dimens\u00e3o. Mas o grupo n\u00e3o est\u00e1 satisfeito com o andamento das negocia\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Em sua 24\u00aa confer\u00eancia das partes, a presidente do Conselho Cient\u00edfico da COP30, Thelma Krug, afirma que, nesta edi\u00e7\u00e3o, a ci\u00eancia vem de cima para baixo na estrutura. De baixo para cima, diz, n\u00e3o estava dando certo. Do pavilh\u00e3o, sa\u00edram pain\u00e9is de alto n\u00edvel, encontros entre negociadores e cientistas, al\u00e9m de lan\u00e7amentos de relat\u00f3rios, como o \u201cGlobal Carbon Budget 2025\u201d e o \u201cDez Novas Perspectivas na Ci\u00eancia Clim\u00e1tica\u201d. Enquanto negociadores seguiam travados nos mesmos pontos e filigranas t\u00e9cnicas de sempre, sem aparente sa\u00edda para o mapa do caminho para a redu\u00e7\u00e3o da depend\u00eancia dos f\u00f3sseis, defendido por Lula cinco vezes no evento, os cientistas afirmaram que a COP30 tem uma escolha a fazer entre proteger as pessoas e a vida, ou a ind\u00fastria do petr\u00f3leo.<\/p>\n<p>A declara\u00e7\u00e3o foi assinada, entre outros, por Johan Rockstr\u00f6m, diretor do Instituto Potsdam para Pesquisa sobre Impacto Clim\u00e1tico, e Carlos Nobre, renomado cientista brasileiro; Planetary Guardian e copresidente do Painel Cient\u00edfico para a Amaz\u00f4nia, que coordenam o pavilh\u00e3o, e Krung. Ainda n\u00e3o se sabe como ser\u00e1 nas pr\u00f3ximas edi\u00e7\u00f5es, como admite Krug.<\/p>\n<p>Outra novidade, o C\u00edrculo dos Povos, criado para dar protagonismo e voz a povos ind\u00edgenas, comunidades tradicionais, quilombolas e agricultores familiares na crise clim\u00e1tica, levou dezenas de manifestantes para dentro e centenas para os arredores da confer\u00eancia. Ind\u00edgenas queriam entender e ser ouvidos sobre o que estava sendo discutido nas mesas de negocia\u00e7\u00e3o. E queriam tamb\u00e9m a\u00e7\u00e3o sobre itens da pauta nacional. N\u00e3o por acaso, dois dias depois, a ministra dos Povos Ind\u00edgenas, Sonia Guajajara, assinou o reconhecimento de quatro Terras Ind\u00edgenas (T.I.) e a delimita\u00e7\u00e3o de 10 novos territ\u00f3rios. A decis\u00e3o saiu no Di\u00e1rio Oficial da Uni\u00e3o (DOU) e foi anunciada em Bel\u00e9m, a capital simb\u00f3lica do Brasil at\u00e9 hoje. Cerca de 3.500 ind\u00edgenas participaram de alguma maneira nesta COP.<\/p>\n<p>O c\u00edrculo se manifestou atrav\u00e9s de um espa\u00e7o f\u00edsico, o Pavilh\u00e3o do C\u00edrculo dos Povos, na Zona Verde da confer\u00eancia, aberta ao p\u00fablico, e em um ambiente virtual (Maloca). Ali, ind\u00edgenas conversaram com brasileiros de todas as regi\u00f5es e estrangeiros, venderam artesanato e pintaram a pele dos curiosos com jenipapo ao custo de R$ 30. Do Curupira, mascote da COP30, ao Z\u00e9 Gotinha, outro personagem nacional, at\u00e9 uma releitura de S\u00e3o Francisco e o Homem-Aranha, todos circulavam ali entre a pauta clim\u00e1tica e a no\u00e7\u00e3o do Brasil diverso. Isso se estendeu pelos shows da Free Zone e pela COP das Baixadas, na chamada Zona Amarela, ambos fora da Hangar da COP30.<\/p>\n<p>O exerc\u00edcio das negocia\u00e7\u00f5es parece passar distante do cidad\u00e3o comum. Esse \u00e9 notadamente um dos grandes desafios das COPs, reconhecido desde a primeira carta emitida pelo presidente da COP30, Andr\u00e9 Corr\u00eaa do Lago. \u00c9 a tal desconex\u00e3o com o mundo real. Se as pessoas n\u00e3o entendem o que se passa ali dentro das salas onde negociadores permanecem por horas a fio madrugada adentro, como v\u00e3o apoiar ou confiar no que est\u00e1 sendo feito?<\/p>\n<p>De alguma maneira, a abertura ao p\u00fablico n\u00e3o teve a ver apenas com o fato de o Brasil ser um pa\u00eds democr\u00e1tico, depois das edi\u00e7\u00f5es de Dubai e de Baku, mas com um clima mais descontra\u00eddo e menos neur\u00f3tico com regras de seguran\u00e7a (talvez um erro estrat\u00e9gico).<\/p>\n<p>Em suas \u00faltimas palavras em Bel\u00e9m, Lula afirmou que as COPs n\u00e3o podem ser \u201cperpetuamente lit\u00fargicos\u201d, com \u201clugares cercados de pol\u00edcia e arame farpado para tudo quanto \u00e9 lado\u201d. \u201cSe os l\u00edderes est\u00e3o t\u00e3o protegidos, \u00e9 porque sabem que n\u00e3o est\u00e3o fazendo a coisa certa\u201d, afirmou, talvez para justificar as queixas da ONU sobre o que considerou graves falhas na seguran\u00e7a do evento depois que a marcha dos povos saiu do controle dos agentes. N\u00e3o foi s\u00f3 da seguran\u00e7a que o UNFCCC reclamou.<\/p>\n<p>Lula falou em participa\u00e7\u00e3o do povo \u201cextraordinariamente bem organizada e ordeira\u201d. Mas em dura carta entregue \u00e0 Casa Civil e \u00e0 presid\u00eancia da COP30, a entidade cobrou solu\u00e7\u00f5es imediatas para a falta de estrutura dos banheiros e problemas graves na refrigera\u00e7\u00e3o, que levou algumas pessoas a procurar o servi\u00e7o de sa\u00fade por conta do calor. Teve at\u00e9 incidente diplom\u00e1tico, ap\u00f3s o chanceler alem\u00e3o Friedrich Merz detonar Bel\u00e9m. A declara\u00e7\u00e3o causou forte como\u00e7\u00e3o entre Belenenses e o resto do Brasil, com grande repercuss\u00e3o internacional. Os pr\u00f3prios alem\u00e3es reagiram contra o primeiro-ministro, que desculpou-se publicamente.<\/p>\n<p>Os barulhos que vieram de fora nesses \u00faltimos dias serviram de alerta para quem estava l\u00e1 dentro, protegido por suas credenciais em \u00e1reas restritas. De alguma maneira trouxeram os negociadores uma brisa de vida real, em meio a longos debates cheios e filigranas t\u00e9cnicas, sem qualquer impacto sobre o cotidiano das pessoas que j\u00e1 sofrem com a mudan\u00e7a do clima. Bel\u00e9m \u00e9 a prova inconteste de como as cidades em desenvolvimento sofrem com ela.<\/p>\n<p>Os cientistas ainda criticaram o palavreado que vinha sendo testado pelos negociadores para tratar do afastamento dos combust\u00edveis f\u00f3sseis, tema quente do momento, em um dos documentos finais da COP30. Disseram que o caminho n\u00e3o \u00e9 um workshop, nem uma reuni\u00e3o de ministros, como se viu em um dos par\u00e1grafos. \u201c\u00c9 um plano de trabalho real, que mostra o caminho de onde estamos aonde precisamos chegar\u201d, reiteraram.<\/p>\n<p>Como tudo requer consenso, todos t\u00eam de ser agradados, o que, diante de tema t\u00e3o controverso e cheio de resist\u00eancias, acaba por apagar das linhas dos textos a ousadia das propostas. Durante a confer\u00eancia, os cientistas ainda apresentaram um diagn\u00f3stico que mostra que sete das nove fronteiras planet\u00e1rias j\u00e1 foram ultrapassadas e transforma esse panorama em recomenda\u00e7\u00f5es pr\u00e1ticas para orientar decis\u00f5es pol\u00edticas na COP30.<\/p>\n<p>Outra jabuticaba brasileira, a AgriZone montada pela Embrapa, era uma atividade paralela nova para um COP. Ali, a entidade apressava solu\u00e7\u00f5es de baixo carbono para o agro e suas planta\u00e7\u00f5es de larga escala, ou os sisteminhas, voltados para garantir a seguran\u00e7a alimentar, com planos para a subsist\u00eancia de fam\u00edlias de at\u00e9 cinco pessoas em terrenos de 400 metros quadros. A produ\u00e7\u00e3o de peixes irriga a lavoura que alimenta dos donos da casa e as galinhas que p\u00f5em ovos e oferecem a prote\u00edna \u00e0 fam\u00edlia e o insumo para a compostagem, que tamb\u00e9m nutre a produ\u00e7\u00e3o de gr\u00e3os e legumes. A Turquia, que deve sediar a pr\u00f3xima COP, quer copiar a ideia do AgriZone no ano que vem.<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Trazer o \u00f3rg\u00e3o m\u00e1ximo da Conven\u00e7\u00e3o-Quadro das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre Mudan\u00e7a do Clima (UNFCCC), a Confer\u00eancia das Partes (COP), para o meio da Amaz\u00f4nia n\u00e3o foi a \u00fanica novidade de Bel\u00e9m. 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