{"id":18467,"date":"2025-11-19T11:59:22","date_gmt":"2025-11-19T14:59:22","guid":{"rendered":"https:\/\/aprimora.site\/carvalhoalmeidaadvogados\/2025\/11\/19\/glp-e-peca-chave-no-combate-a-pobreza-energetica-no-brasil\/"},"modified":"2025-11-19T11:59:22","modified_gmt":"2025-11-19T14:59:22","slug":"glp-e-peca-chave-no-combate-a-pobreza-energetica-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/aprimora.site\/carvalhoalmeidaadvogados\/2025\/11\/19\/glp-e-peca-chave-no-combate-a-pobreza-energetica-no-brasil\/","title":{"rendered":"GLP \u00e9 pe\u00e7a-chave no combate \u00e0 pobreza energ\u00e9tica no Brasil"},"content":{"rendered":"<p><span>Um dos principais debates no mundo em termos de energia hoje \u00e9 o da transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica, que consiste na mudan\u00e7a da matriz energ\u00e9tica, com a substitui\u00e7\u00e3o progressiva por fontes renov\u00e1veis. Por\u00e9m, em pa\u00edses do Sul Global, como o Brasil, o debate precisa ser feito \u00e0 luz da realidade da seguran\u00e7a energ\u00e9tica para que todos tenham acesso garantido \u00e0 energia.<\/span><\/p>\n<p><span>A seguran\u00e7a energ\u00e9tica integra um dos Objetivos de Desenvolvimento Sustent\u00e1vel (ODS) da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU), no qual o item 7 trata de energia limpa e acess\u00edvel e busca garantir o acesso universal, moderno e a pre\u00e7os acess\u00edveis \u00e0 energia. O CEO da Copa Energia, Pedro Turqueto, resume bem a quest\u00e3o ao chamar aten\u00e7\u00e3o para o fator humano no processo de transi\u00e7\u00e3o. \u201cTransi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica \u00e9 tamb\u00e9m um processo humano, que precisa considerar quem ainda vive sem acesso digno \u00e0 energia\u201d, defende.<\/span><\/p>\n<p><span>O governo brasileiro define a <a href=\"https:\/\/www.jota.info\/opiniao-e-analise\/colunas\/para-alem-do-estado-e-do-direito\/precisamos-falar-sobre-pobreza-energetica\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">pobreza energ\u00e9tica<\/a> como a \u201caus\u00eancia de acesso aos servi\u00e7os energ\u00e9ticos modernos por pessoas ou grupos\u201d. A Uni\u00e3o Europeia, por sua vez, afirma que a pobreza energ\u00e9tica acontece quando os moradores de um lar precisam reduzir seu consumo de energia para um n\u00edvel que impacta negativamente sua sa\u00fade e bem-estar. A Pol\u00edtica Nacional de Transi\u00e7\u00e3o Energ\u00e9tica, de agosto de 2024, fala em uma \u201csitua\u00e7\u00e3o em que domic\u00edlios ou comunidades n\u00e3o t\u00eam acesso a uma cesta b\u00e1sica de servi\u00e7os energ\u00e9ticos ou n\u00e3o t\u00eam plenamente satisfeitas suas necessidades energ\u00e9ticas\u201d. Outra defini\u00e7\u00e3o que \u00e9 bem aceita internacionalmente \u00e9 considerar pobreza energ\u00e9tica a realidade de uma pessoa ou fam\u00edlia que precisa comprometer 10% ou mais da renda familiar com as contas de luz e g\u00e1s.<\/span><\/p>\n<p><span>De acordo com informa\u00e7\u00f5es do Observat\u00f3rio Brasileiro de Erradica\u00e7\u00e3o da Pobreza Energ\u00e9tica (Obepe), com base nos dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domic\u00edlios (PNAD), 99,8% dos lares brasileiros est\u00e3o conectados \u00e0 rede de energia. No entanto, cerca de um quarto das fam\u00edlias gasta mais de 10% da renda com energia. Al\u00e9m disso, ainda que estejam conectadas \u00e0 rede de energia, na pr\u00e1tica as pessoas usam outras fontes energ\u00e9ticas menos seguras e eficientes, como a lenha e o carv\u00e3o. O Balan\u00e7o Energ\u00e9tico Nacional apontou que em 2024 cerca de 23% dos lares ainda usavam lenha. Alguns dos riscos envolvidos no uso de lenha s\u00e3o o perigo de queimaduras e o desenvolvimento de problemas respirat\u00f3rios.<\/span><\/p>\n<p><span>Diante desta realidade, o Conselho Federal de Servi\u00e7o Social (CFESS) aponta que, cotidianamente, assistentes sociais de todo o pa\u00eds \u2013 especialmente nas regi\u00f5es Norte e Nordeste \u2013 atendem fam\u00edlias que vivem sem acesso \u00e0 energia, principalmente no campo, na zona rural. \u201c\u00c9 comum encontrarmos durante a realiza\u00e7\u00e3o de visitas domiciliares fam\u00edlias cozendo alimentos \u00e0 base da queima da lenha. Esse cen\u00e1rio tamb\u00e9m \u00e9 encontrado, contraditoriamente, em alguns centros urbanos, o que nos mostra o quanto a \u2018mercadoria energia\u2019, mediada pela compra, ainda n\u00e3o \u00e9 para todas as pessoas\u201d, alerta Iara Fraga, do CFESS.<\/span><\/p>\n<p><span>A assistente social refor\u00e7a que o acesso \u00e0 energia \u00e9 elemento essencial para a viabiliza\u00e7\u00e3o de uma exist\u00eancia digna, ao possibilitar a coc\u00e7\u00e3o de alimentos, a ilumina\u00e7\u00e3o, o conforto t\u00e9rmico, a preserva\u00e7\u00e3o da sa\u00fade, a infraestrutura necess\u00e1ria para a educa\u00e7\u00e3o, a comunica\u00e7\u00e3o, o lazer e o transporte. \u201cEnt\u00e3o, quando falta acesso a meios energ\u00e9ticos seguros, direitos fundamentais s\u00e3o violados, com dr\u00e1sticas consequ\u00eancias para a vida das pessoas\u201d, comenta Fraga ao citar, como exemplo, as graves implica\u00e7\u00f5es do uso de lenha para cozinhar.<\/span><\/p>\n<p><span>Mas n\u00e3o somente: a aus\u00eancia de acesso \u00e0 energia el\u00e9trica, ou o acesso limitado \u2013 seja pelo fornecimento insuficiente (baixa pot\u00eancia, cabeamento sem qualidade) ou irregular (por meio de \u201cgatos\u201d) \u2014 imp\u00f5e barreiras para a garantia de outros direitos sociais, como a sa\u00fade e a educa\u00e7\u00e3o. Situa\u00e7\u00f5es de inseguran\u00e7a alimentar, decorrentes das formas de armazenamento e coc\u00e7\u00e3o de alimentos, bem como a falta de condi\u00e7\u00f5es para manter o equil\u00edbrio t\u00e9rmico, s\u00e3o exemplos de impactos \u00e0 sa\u00fade que, consequentemente, comprometem tamb\u00e9m os processos de aprendizagem no ambiente dom\u00e9stico.<\/span><\/p>\n<p class=\"jota-cta\"><a href=\"https:\/\/conteudo.jota.info\/marketing-lp-conversao-jota-pro-energia\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Conhe\u00e7a o <span class=\"jota\">JOTA<\/span> PRO Energia, monitoramento jur\u00eddico e pol\u00edtico para empresas do setor<\/a><\/p>\n<p><span>Nesse contexto, o CFESS chama aten\u00e7\u00e3o para a dimens\u00e3o estrutural da desigualdade energ\u00e9tica no Brasil, que se expressa n\u00e3o apenas no cotidiano das fam\u00edlias atendidas, mas na pr\u00f3pria l\u00f3gica de distribui\u00e7\u00e3o da infraestrutura energ\u00e9tica no pa\u00eds. Como aponta Vitor Alencar, assessor jur\u00eddico do CFESS e doutorando na Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra.<\/span><\/p>\n<p><span>\u201cConsideramos fundamental explicitar a injusti\u00e7a energ\u00e9tica que se perpetua no pa\u00eds. N\u00e3o \u2018falta energia\u2019 para os empres\u00e1rios das ind\u00fastrias, mas ainda \u2018falta energia\u2019 para milhares de fam\u00edlias da classe trabalhadora brasileira\u201d, critica ele.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span>E completa: \u201cO Estado garante as condi\u00e7\u00f5es de infraestrutura para que as empresas energ\u00e9ticas forne\u00e7am energia ao setor industrial sem interrup\u00e7\u00e3o, seja atrav\u00e9s de combust\u00edvel f\u00f3ssil (o carv\u00e3o mineral, respons\u00e1vel por graves impactos sociais e ambientais, ainda est\u00e1 entre os utilizados no Brasil), ou por meio de bens renov\u00e1veis. Em toda a zona costeira nordestina, por exemplo, as e\u00f3licas e as fazendas fotovoltaicas garantem o fornecimento energ\u00e9tico para grandes ind\u00fastrias, ao passo que comunidades vizinhas aos parques e\u00f3licos sobrevivem sem energia. Essa contradi\u00e7\u00e3o evidencia a base da pobreza energ\u00e9tica no pa\u00eds.\u201d<\/span><\/p>\n<p><span>Estudo da Organiza\u00e7\u00e3o Mundial de Sa\u00fade de 2022 apontou que mais de 3 milh\u00f5es de pessoas morrem prematuramente todos os anos de doen\u00e7as causadas pela polui\u00e7\u00e3o do ar dom\u00e9stico, sendo que 32% s\u00e3o devidas a doen\u00e7a card\u00edaca isqu\u00eamica, 21% a infec\u00e7\u00f5es respirat\u00f3rias inferiores, 23% a acidente vascular cerebral, 19% a doen\u00e7a pulmonar obstrutiva cr\u00f4nica (DPOC) e 6% a c\u00e2ncer do pulm\u00e3o. Nas crian\u00e7as com menos de 5 anos de idade, a exposi\u00e7\u00e3o \u00e0 polui\u00e7\u00e3o atmosf\u00e9rica dom\u00e9stica \u00e9 respons\u00e1vel por quase metade de todas as mortes por pneumonia. Ainda segundo o estudo da OMS, as contamina\u00e7\u00f5es pelo uso de meios poluentes em ambiente dom\u00e9stico podem causar, tamb\u00e9m, inflama\u00e7\u00e3o nas vias respirat\u00f3rias e nos pulm\u00f5es, assim como ardor nos olhos, tosse ou irrita\u00e7\u00e3o no nariz e na garganta.<\/span><\/p>\n<p><span>Outra quest\u00e3o apontada pela OMS diz respeito \u00e0 coleta de materiais (especialmente madeira que vira lenha ou carv\u00e3o) para utiliza\u00e7\u00e3o como combust\u00edvel. Durante uma semana, s\u00e3o despendidas at\u00e9 quarenta horas pelas fam\u00edlias, o que torna dif\u00edcil \u00e0s mulheres procurarem emprego ou participarem de inst\u00e2ncias de decis\u00e3o pol\u00edtica locais e \u00e0s crian\u00e7as irem \u00e0 escola.<\/span><\/p>\n<p><span>Diogo Pignataro, presidente do Instituto Brasileiro de Transi\u00e7\u00e3o Energ\u00e9tica (Int\u00e9), ressalta que o acesso universal \u00e0 energia deve ser visto como um direito humano indispens\u00e1vel \u00e0 dignidade humana e ao desenvolvimento, inserto num ambiente de interdepend\u00eancia entre todos os direitos humanos.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span>\u201cAssim, o nexo causal entre energia, pobreza e desenvolvimento \u00e9 patente e acarreta obriga\u00e7\u00f5es a serem perquiridas pelos Estados, posto que, embora a energia n\u00e3o represente diretamente uma necessidade vital humana, ela \u00e9 crucial para o preenchimento de muitas necessidades e servi\u00e7os b\u00e1sicos humanos, de maneira que a provis\u00e3o de acesso \u00e0 energia el\u00e9trica n\u00e3o reduz a pobreza simplesmente, mas cria condi\u00e7\u00f5es para uma emancipa\u00e7\u00e3o do ser humano, detendo um papel cr\u00edtico e fundamental para o desenvolvimento humano e socioecon\u00f4mico\u201d, afirma ao indicar o G\u00e1s Liquefeito de Petr\u00f3leo (GLP), mais conhecido como \u201cg\u00e1s de cozinha\u201d, como uma alternativa eficiente no combate \u00e0 pobreza energ\u00e9tica no Brasil.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span>Segundo Turqueto, \u201co uso de lenha ou carv\u00e3o para cozinhar representa riscos \u00e0 sa\u00fade, ao meio ambiente e ao desenvolvimento social. Nesse cen\u00e1rio, o acesso ao GLP torna-se um vetor essencial de inclus\u00e3o e dignidade\u201d.<\/span><\/p>\n<p><span>Para o presidente do Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de G\u00e1s Liquefeito de Petr\u00f3leo (Sindig\u00e1s), Sergio Bandeira de Mello, \u201co botij\u00e3o \u00e9 transformador, porque ele leva dignidade \u00e0s pessoas\u201d. E completa: \u201cAs pessoas est\u00e3o vivendo num tempo de energias muito rudimentares. A pobreza energ\u00e9tica tem cara, tem sexo, tem cor. S\u00e3o mulheres pobres e crian\u00e7as que est\u00e3o catando lenha. O GLP \u00e9 a primeira energia que a gente tem hoje. \u00c9 a solu\u00e7\u00e3o.\u201d<\/span><\/p>\n<p><span>O Sindig\u00e1s destaca que um maior uso do GLP pode trazer maior conveni\u00eancia para as pessoas, que poder\u00e3o manter a cozinha limpa sem fuligem, bem como evitar doen\u00e7as e acidentes. A institui\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m afirma que a substitui\u00e7\u00e3o da lenha e do carv\u00e3o por GLP promove empoderamento, com mais dignidade e autonomia, especialmente para as mulheres.<\/span><\/p>\n<p><span>Turqueto adiciona \u00e0 lista a economia ao Sistema \u00danico de Sa\u00fade (SUS): \u201cAo reduzir a incid\u00eancia de doen\u00e7as respirat\u00f3rias e hospitaliza\u00e7\u00f5es associadas \u00e0 queima de biomassa, o acesso ao GLP apresenta potencial de aliviar gastos relevantes do SUS\u201d.<\/span><\/p>\n<h2>O GLP no Brasil<\/h2>\n<p><span>O Brasil \u00e9 o s\u00e9timo pa\u00eds que mais consome GLP em resid\u00eancias no mundo e o 11\u00ba em consumo global. Dados do governo federal apontam que, atualmente, h\u00e1 cerca de 140,8 milh\u00f5es de recipientes em circula\u00e7\u00e3o, dos quais 15,4 milh\u00f5es foram qualificados em 2024, com vida \u00fatil de at\u00e9 72 meses.<\/span><\/p>\n<p><span>O GLP movimenta mensalmente cerca de 35 milh\u00f5es de botij\u00f5es, o equivalente a 13 unidades entregues por segundo. O pa\u00eds conta com mais de 59 mil revendas autorizadas pela Ag\u00eancia Nacional do Petr\u00f3leo, G\u00e1s Natural e Biocombust\u00edveis (ANP) e gera aproximadamente 330 mil empregos diretos e indiretos. Apenas em ICMS (Imposto sobre Circula\u00e7\u00e3o de Mercadorias e Servi\u00e7os), o setor recolheu R$ 10,5 bilh\u00f5es no \u00faltimo ano.<\/span><\/p>\n<p><span>Dados da PNAD apontam que 91% das pessoas declaram usar GLP e 96% dizem estar equipados para us\u00e1-lo. \u201cEssa ampla capilaridade \u00e9 resultado de uma cadeia bem estruturada e de investimentos cont\u00ednuos em log\u00edstica e seguran\u00e7a, que s\u00e3o refer\u00eancia internacional\u201d, explica Pedro Turqueto.<\/span><\/p>\n<p><span>As facilidades log\u00edsticas est\u00e3o entre os principais motivos para o GLP ser considerado eficiente no combate \u00e0 pobreza energ\u00e9tica. O g\u00e1s j\u00e1 est\u00e1 dispon\u00edvel em todo o territ\u00f3rio nacional, n\u00e3o requer uma instala\u00e7\u00e3o de rede e, apesar do debate comum sobre o pre\u00e7o do botij\u00e3o, na maioria dos estados o GLP \u00e9 mais barato do que a energia el\u00e9trica. Al\u00e9m disso, \u00e9 claro, de ser mais seguro e eficiente que a lenha e o carv\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p><span>Mesmo com as facilidades j\u00e1 presentes para o uso do GLP no Brasil, ainda existe uma lacuna no fornecimento. Na vis\u00e3o do CEO da Copa Energia, \u201co principal desafio do setor \u00e9 assegurar o acesso universal e cont\u00ednuo ao GLP, especialmente em regi\u00f5es onde a lenha ainda \u00e9 a principal fonte de energia para cozinhar\u201d.<\/span><\/p>\n<p><span>H\u00e1 no Brasil ainda outro obst\u00e1culo, mas n\u00e3o para a amplia\u00e7\u00e3o do GLP na cozinha, e sim para que ele possa ser empregado em outras atividades. Existem hoje restri\u00e7\u00f5es ao uso do g\u00e1s no setor industrial.<\/span><\/p>\n<p><span>Pedro Turqueto acredita que h\u00e1 um potencial valioso no uso em diferentes setores. \u201cDurante a pandemia de Covid-19, um gerador movido a GLP garantiu o funcionamento do hospital de campanha de Campo Grande\u201d, relata. \u201cOutro projeto utiliza o GLP para a oxigena\u00e7\u00e3o de tanques de piscicultura, demonstrando sua viabilidade e efici\u00eancia na produ\u00e7\u00e3o de peixes, e trazendo um grande benef\u00edcio principalmente na agricultura familiar\u201d, acrescenta.<\/span><\/p>\n<h2>Pol\u00edticas p\u00fablicas importantes<\/h2>\n<p><span>Este ano, o Brasil substituiu o Aux\u00edlio G\u00e1s pelo <a href=\"https:\/\/www.jota.info\/opiniao-e-analise\/artigos\/gas-do-povo-e-a-transicao-energetica-com-equidade-social\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">G\u00e1s do Povo<\/a>. Criado em setembro por meio da Medida Provis\u00f3ria 1.313\/2025, o novo programa criou a possibilidade de retirada gr\u00e1tis de botij\u00f5es de g\u00e1s para fam\u00edlias inscritas no Cad\u00danico. Na pr\u00e1tica, ele funciona como uma expans\u00e3o do programa anterior, com mais benef\u00edcios acumulados aos que j\u00e1 existiam.<\/span><\/p>\n<p><span>O presidente do Sindig\u00e1s destaca que \u00e9 preciso ter aten\u00e7\u00e3o para uma implementa\u00e7\u00e3o adequada do programa, mas \u00e9 otimista: \u201cEsse programa, colocando ele em funcionamento, o Brasil vai virar uma refer\u00eancia no sul global em combate \u00e0 pobreza energ\u00e9tica\u201d.<\/span><\/p>\n<p><span>Ao Est\u00fadio <span class=\"jota\">JOTA<\/span>, o Minist\u00e9rio de Minas e Energia afirmou que \u201co G\u00e1s do Povo \u00e9 um exemplo claro de como o acesso ao GLP e ao cozimento limpo \u00e9 parte fundamental do combate \u00e0 pobreza energ\u00e9tica\u201d. \u201cAs a\u00e7\u00f5es relacionadas ao programa tamb\u00e9m visam a justi\u00e7a social, por meio do acesso a formas de cozimento limpo pelas fam\u00edlias brasileiras, e a sa\u00fade p\u00fablica, reduzindo em at\u00e9 50% o uso de lenha e carv\u00e3o nas resid\u00eancias\u201d, afirma a pasta.<\/span><\/p>\n<p><span>O minist\u00e9rio destaca tamb\u00e9m que \u201ca medida tem impacto direto na sa\u00fade de mulheres e crian\u00e7as, al\u00e9m de contribuir para a redu\u00e7\u00e3o de emiss\u00f5es de di\u00f3xido de carbono e de particulados. O programa tamb\u00e9m garante justi\u00e7a energ\u00e9tica, por meio do al\u00edvio financeiro das fam\u00edlias para adquirir o g\u00e1s de cozinha.\u201d<\/span><\/p>\n<p><span>Para a deputada Duda Salabert (PDT-MG), os pontos mais importantes para combater a pobreza energ\u00e9tica no Brasil est\u00e3o no desenvolvimento e implementa\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas. \u201cProgramas como o Luz para Todos e o G\u00e1s do Povo s\u00e3o fundamentais para garantirmos que a dignidade energ\u00e9tica seja alcan\u00e7ada por todas as fam\u00edlias brasileiras. O Brasil saiu do mapa da fome recentemente, ap\u00f3s anos de pol\u00edticas propositalmente constru\u00eddas para n\u00e3o levarmos o Estado \u2013 da alimenta\u00e7\u00e3o \u00e0 moradia, passando pela energia \u2013 a quem mais precisa dele.\u201d<\/span><\/p>\n<p><span>Ela refor\u00e7a que, com o aux\u00edlio do g\u00e1s, a popula\u00e7\u00e3o poder\u00e1 usar esse recurso para investir em outras coisas, como alimentos mais saud\u00e1veis e frescos, moradia, estudo, entre outras. \u201cIsso sem falar naqueles brasileiros que, antes, n\u00e3o tinham acesso a energia para cozinhar: o que contribuir\u00e1 para darmos mais um salto para assegurarmos o direito \u00e0 alimenta\u00e7\u00e3o, \u00e0 seguran\u00e7a alimentar\u201d, diz.<\/span><\/p>\n<h2>Transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica e COP 30<\/h2>\n<p><span>O G\u00e1s do Povo entra em vigor em novembro, mesmo m\u00eas da realiza\u00e7\u00e3o da COP 30, que acontece em Bel\u00e9m do Par\u00e1. A transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica \u00e9 o principal tema da confer\u00eancia, e o papel do GLP no Brasil ganhar\u00e1 destaque. Segundo o MME, \u201cn\u00e3o existe transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica se n\u00e3o ocorrer o acesso a sistemas energ\u00e9ticos limpos e seguros. [\u2026] Na COP 30, o Brasil levar\u00e1 como exemplo o G\u00e1s do Povo\u201d.<\/span><\/p>\n<p><span>O movimento est\u00e1 em conson\u00e2ncia com o que acredita Sergio Bandeira de Mello, do Sindig\u00e1s: \u201cA COP 30 \u00e9 uma oportunidade muito importante para o Brasil divulgar esse programa. Apesar de ser um combust\u00edvel f\u00f3ssil, a gente n\u00e3o tem que ter vergonha sobre isso\u201d, completou.<\/span><\/p>\n<p><span>Bandeira de Mello refor\u00e7a que a transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica precisa considerar a realidade das popula\u00e7\u00f5es de baixa renda. \u201cEu acho que o mais importante \u00e9 lembrar que a transforma\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica tem que ser justa e inclusiva. Tem que lembrar dessas duas palavras: justa e inclusiva\u201d, disse, comentando os dados de pobreza energ\u00e9tica no Brasil.<\/span><\/p>\n<p><span>\u201c\u00c9 f\u00e1cil quem est\u00e1 no hemisf\u00e9rio norte dizer que quer hidrog\u00eanio verde. Aqui a gente est\u00e1 falando em um est\u00e1gio muito anterior\u201d, afirma. \u201cPara ele, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel o Brasil embarcar em um debate cujo foco \u00e9 trocar o carro por um el\u00e9trico ou instalar placas de energia solar nas casas. Temos avan\u00e7ado em v\u00e1rias \u00e1reas, mas n\u00e3o estamos deixando os outros para tr\u00e1s\u201d, diz.<\/span><\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um dos principais debates no mundo em termos de energia hoje \u00e9 o da transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica, que consiste na mudan\u00e7a da matriz energ\u00e9tica, com a substitui\u00e7\u00e3o progressiva por fontes renov\u00e1veis. Por\u00e9m, em pa\u00edses do Sul Global, como o Brasil, o debate precisa ser feito \u00e0 luz da realidade da seguran\u00e7a energ\u00e9tica para que todos tenham [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":0,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[1],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/aprimora.site\/carvalhoalmeidaadvogados\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18467"}],"collection":[{"href":"https:\/\/aprimora.site\/carvalhoalmeidaadvogados\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/aprimora.site\/carvalhoalmeidaadvogados\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/aprimora.site\/carvalhoalmeidaadvogados\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=18467"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/aprimora.site\/carvalhoalmeidaadvogados\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18467\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/aprimora.site\/carvalhoalmeidaadvogados\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=18467"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/aprimora.site\/carvalhoalmeidaadvogados\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=18467"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/aprimora.site\/carvalhoalmeidaadvogados\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=18467"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}