{"id":18349,"date":"2025-11-14T15:58:18","date_gmt":"2025-11-14T18:58:18","guid":{"rendered":"https:\/\/aprimora.site\/carvalhoalmeidaadvogados\/2025\/11\/14\/novas-praticas-reduzem-emissoes-da-agropecuaria-mas-ainda-avancam-lentamente\/"},"modified":"2025-11-14T15:58:18","modified_gmt":"2025-11-14T18:58:18","slug":"novas-praticas-reduzem-emissoes-da-agropecuaria-mas-ainda-avancam-lentamente","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/aprimora.site\/carvalhoalmeidaadvogados\/2025\/11\/14\/novas-praticas-reduzem-emissoes-da-agropecuaria-mas-ainda-avancam-lentamente\/","title":{"rendered":"Novas pr\u00e1ticas reduzem emiss\u00f5es da agropecu\u00e1ria, mas ainda avan\u00e7am lentamente"},"content":{"rendered":"<p>O Brasil alcan\u00e7ou em 2024 sua maior queda em emiss\u00f5es de gases de efeito estufa em 16 anos, com redu\u00e7\u00e3o de 16,7% nas emiss\u00f5es brutas, <a href=\"https:\/\/plataforma.seeg.eco.br\/?yearRange%5B0%5D=1990&amp;yearRange%5B1%5D=2024&amp;emissionType%5B0%5D=1&amp;gas=8&amp;groupBy=Sector&amp;rankBy=State&amp;filtersTab=highlights&amp;statisticsTab=historical\">segundo dados do Sistema de Estimativas de Emiss\u00f5es de Gases de Efeito Estufa (SEEG)<\/a>, do Observat\u00f3rio do Clima. O avan\u00e7o, por\u00e9m, concentra-se quase exclusivamente no controle do desmatamento na Amaz\u00f4nia e no Cerrado, que caiu 32,5%. Enquanto isso, a <a href=\"https:\/\/www.jota.info\/tudo-sobre\/agropecuaria\">agropecu\u00e1ria<\/a> \u2014 respons\u00e1vel por 29% das emiss\u00f5es brutas do pa\u00eds, ou 42% quando consideradas as emiss\u00f5es l\u00edquidas \u2014 registrou apenas 0,7% de redu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cA queda acompanha o desmatamento, porque \u00e9 o maior vetor, mas os n\u00fameros tamb\u00e9m mostram que \u00e9 apenas em desmatamento, e esse \u00e9 o problema\u201d, afirmou Marcio Astrini, secret\u00e1rio-executivo do Observat\u00f3rio do Clima, ao divulgar os dados do SEEG. Dessa maneira, em um cen\u00e1rio em que o Brasil consiga zerar o desmatamento, o setor agropecu\u00e1rio precisar\u00e1 seguir sua trajet\u00f3ria de descarboniza\u00e7\u00e3o em outras frentes.<\/p>\n<h3><a href=\"https:\/\/conteudo.jota.info\/marketing-lp-conversao-jota-pro-energia\">Conhe\u00e7a o <span class=\"jota\">JOTA<\/span> PRO Energia, monitoramento jur\u00eddico e pol\u00edtico para empresas do setor<\/a><\/h3>\n<p>O setor ocupa 80% da terra agricult\u00e1vel do pa\u00eds \u2014 cerca de 170 milh\u00f5es de hectares \u2014, e mais da metade dessas pastagens apresenta algum n\u00edvel de degrada\u00e7\u00e3o, segundo dados da Embrapa. Metade delas foi formada nos \u00faltimos 50 anos. \u201cN\u00f3s somos uma m\u00e1quina de formar pastagens e, ao mesmo tempo, uma m\u00e1quina de degradar pastagens. Isso n\u00e3o est\u00e1 certo\u201d, diz Lu\u00eds Fernando Laranja, s\u00f3cio da Caapor\u00e3 Agrosilvopastoril. A constata\u00e7\u00e3o revela uma oportunidade: enquanto a m\u00e9dia nacional \u00e9 de uma cabe\u00e7a de gado por hectare com ganho de 400 gramas de peso por dia, sistemas mais intensivos alcan\u00e7am tr\u00eas cabe\u00e7as por hectare com ganho de 600 gramas di\u00e1rias \u2014 um incremento de produtividade de mais de quatro vezes.<\/p>\n<p>Em 2010, o governo federal criou o Plano ABC (Agricultura de Baixa Emiss\u00e3o de Carbono), reformulado em 2023 como ABC+, oferecendo linhas de cr\u00e9dito com taxas diferenciadas para recupera\u00e7\u00e3o de pastagens, integra\u00e7\u00e3o lavoura-pecu\u00e1ria-floresta (ILPF) e plantio direto. Em dez anos, as pr\u00e1ticas de baixa emiss\u00e3o passaram a ser adotadas em 52 milh\u00f5es de hectares, segundo o Minist\u00e9rio da Agricultura. Mas a recupera\u00e7\u00e3o de pastagens degradadas atingiu apenas 30% da meta estabelecida para 2020, segundo uma an\u00e1lise do WRI Brasil. E o financiamento, embora tenha destinado mais de R$ 17 bilh\u00f5es ao setor, depende da iniciativa do produtor rural, que, muitas vezes, n\u00e3o tem acesso \u00e0 assist\u00eancia t\u00e9cnica.<\/p>\n<p>Enquanto o Plano ABC+ foca em incentivos \u00e0 ado\u00e7\u00e3o de tecnologias de baixa emiss\u00e3o, o Plano Clima \u2014 estrat\u00e9gia nacional que orienta as a\u00e7\u00f5es do Brasil para reduzir emiss\u00f5es e se adaptar aos impactos da mudan\u00e7a do clima at\u00e9 2035 \u2014 gerou forte rea\u00e7\u00e3o do agroneg\u00f3cio ao propor metas mais r\u00edgidas. O documento prev\u00ea que a agropecu\u00e1ria reduza entre 36% e 54% de suas emiss\u00f5es at\u00e9 2035 e inclui na conta do setor parte significativa das emiss\u00f5es provenientes do uso da terra e do desmatamento, estimadas em cerca de 70% das emiss\u00f5es nacionais, o que \u00e9 motivo de disputa entre governo e produtores.<\/p>\n<h3>Tecnologias dispon\u00edveis, mercado ausente<\/h3>\n<p>A fermenta\u00e7\u00e3o ent\u00e9rica \u2014 o popular \u201carroto do boi\u201d \u2014 \u00e9 respons\u00e1vel por 65% das emiss\u00f5es do setor agropecu\u00e1rio brasileiro, totalizando 404 milh\u00f5es de toneladas de CO2 equivalente em 2024. O metano liberado pelos bovinos \u00e9 um g\u00e1s 28 vezes mais potente que o CO2. Sistemas produtivos mais eficientes podem reduzir a pegada de carbono por quilo de carca\u00e7a de 45 kg de CO2 equivalente para 20 kg \u2014 menos da metade.<\/p>\n<p>Entre as solu\u00e7\u00f5es dispon\u00edveis est\u00e1 o Bovaer, desenvolvido pela dsm-firmenich, que atua no r\u00famen suprimindo uma enzima respons\u00e1vel pela produ\u00e7\u00e3o de metano. Estudos demonstram redu\u00e7\u00f5es de at\u00e9 30% nas emiss\u00f5es em vacas leiteiras e 45% em gado de corte confinado. O problema \u00e9 a viabilidade econ\u00f4mica. No Brasil, o produto ainda \u00e9 pouco utilizado. \u201cEnquanto o mercado n\u00e3o remunerar essa redu\u00e7\u00e3o de emiss\u00f5es, fica dif\u00edcil justificar o uso de produtos que reduzem o metano, mas n\u00e3o melhoram o desempenho animal\u201d, pondera Laranja. Nos Estados Unidos e na Europa, a ind\u00fastria de latic\u00ednios subsidia o uso para descarbonizar sua cadeia de fornecedores, modelo que ainda n\u00e3o se consolidou no Brasil.<\/p>\n<p>Fernanda Marcantonatos, l\u00edder de neg\u00f3cios da Bovary para a Am\u00e9rica Latina, aponta que pol\u00edticas p\u00fablicas podem ser decisivas. \u201cNa Dinamarca, por exemplo, o governo est\u00e1 subsidiando o uso de tecnologias para reduzir emiss\u00f5es porque eles t\u00eam na NDC que, na quebra por setores, a pecu\u00e1ria deveria reduzir 10% das emiss\u00f5es\u201d, disse. Ela tamb\u00e9m defende incentivos dentro do Plano Safra para facilitar o financiamento n\u00e3o s\u00f3 para custeio, mas tamb\u00e9m para investimentos dentro da fazenda.<\/p>\n<p>O nitrog\u00eanio, essencial para a produ\u00e7\u00e3o de fertilizantes para a agricultura tropical, tamb\u00e9m se tornou um foco das emiss\u00f5es. A produ\u00e7\u00e3o e a aplica\u00e7\u00e3o de fertilizantes responde por, aproximadamente, 11% das emiss\u00f5es globais relacionadas \u00e0 agricultura. O problema \u00e9 duplo: na produ\u00e7\u00e3o, a am\u00f4nia \u00e9 obtida a partir de g\u00e1s natural (fonte f\u00f3ssil que libera CO2), e o \u00e1cido n\u00edtrico libera \u00f3xido nitroso, g\u00e1s com potencial de aquecimento 300 vezes maior que o CO2. O Brasil importa mais de 85% dos fertilizantes que consome, muitos da R\u00fassia e da China. Tecnologias de catalisadores que reduzem essas emiss\u00f5es em cerca de 90% s\u00e3o obrigat\u00f3rias na Uni\u00e3o Europeia, por exemplo, mas n\u00e3o nas regi\u00f5es de onde o Brasil mais importa.<\/p>\n<p>Em 2024, a empresa de fertilizantes norueguesa Yara inaugurou uma linha piloto em Cubat\u00e3o (SP) usando biog\u00e1s de res\u00edduos de cana fornecidos pela Ra\u00edzen, com fertilizantes de pegada de carbono at\u00e9 90% menor. Mas o projeto \u00e9 modesto: ele produz entre 6 e 7 mil toneladas anuais de am\u00f4nia. Para descarbonizar toda a planta, seriam necess\u00e1rios pelo menos dez projetos semelhantes. \u201c\u00c9 preciso criar demanda e formas de remunera\u00e7\u00e3o que justifiquem o investimento\u201d, admite Francielle Bertotto, gerente de sustentabilidade da Yara Brasil.<\/p>\n<h3><a href=\"https:\/\/conteudo.jota.info\/marketing-lp-newsletter-ultimas-noticias?utm_source=jota&amp;utm_medium=lp&amp;utm_campaign=23-09-2024-jota-lp-eleicoes-2024-eleicoes-2024-none-audiencias-none&amp;utm_content=eleicoes-2024&amp;utm_term=none\">Assine gratuitamente a newsletter \u00daltimas Not\u00edcias do <span class=\"jota\">JOTA<\/span> e receba as principais not\u00edcias jur\u00eddicas e pol\u00edticas do dia no seu email<\/a><\/h3>\n<p>Pr\u00e1ticas de agricultura regenerativa \u2014 cobertura do solo, rota\u00e7\u00e3o de culturas, sistemas integrados \u2014 tamb\u00e9m v\u00eam ganhando espa\u00e7o. Segundo o CEBDS (Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustent\u00e1vel), em um metro quadrado de solo se tem estocado cerca de duas vezes mais carbono que na atmosfera. Projetos como o PRO Carbono, da Bayer, que envolve mais de 1.900 agricultores em 16 estados, demonstram benef\u00edcios: aumento m\u00e9dio de 11% de produtividade, 6% de rentabilidade e 16% no sequestro de carbono no solo, segundo dados da empresa compilados pelo CEBDS. No caso da pecu\u00e1ria leiteira, um estudo da Nestl\u00e9 com 150 propriedades, tamb\u00e9m citado pelo CEBDS, constatou que fazendas regenerativas tiveram custo de produ\u00e7\u00e3o 8% menor e rentabilidade 4% maior.<\/p>\n<h3>Quem paga a conta?<\/h3>\n<p>Ao mesmo tempo em que h\u00e1 tecnologia, pr\u00e1ticas comprovadas e pol\u00edticas p\u00fablicas com cr\u00e9dito subsidiado, n\u00e3o h\u00e1 um modelo econ\u00f4mico que torne vi\u00e1vel a ado\u00e7\u00e3o em larga escala de novos produtos. \u201cSe a gente pudesse trocar toda a carne das g\u00f4ndolas dos supermercados do mundo, que hoje tem pegada de carbono de 40 kg de CO2 equivalente, por carne de 20 kg, seria extraordin\u00e1rio do ponto de vista de mitiga\u00e7\u00e3o\u201d, projeta Laranja. \u201cMas o setor da pecu\u00e1ria \u00e9 relativamente conservador e encontra resist\u00eancias para qualquer mudan\u00e7a\u201d, afirma.<\/p>\n<p>Dados do MapBiomas mostram que a agropecu\u00e1ria foi respons\u00e1vel por mais de 97% da perda de vegeta\u00e7\u00e3o nativa no Brasil nos \u00faltimos seis anos. Laranja defende que \u00e9 preciso assumir o passivo sem julgamentos. \u201cO que ficou para tr\u00e1s, ficou. Mas agora temos uma tarefa: recuperar essas pastagens, porque isso melhora a rentabilidade do produtor, a qualidade do solo, a biodiversidade e ainda reduz emiss\u00f5es\u201d, conclui.<\/p>\n<p>Para ele, o desafio n\u00e3o \u00e9 apenas tecnol\u00f3gico ou pol\u00edtico, \u00e9 criar um ambiente econ\u00f4mico que remunere a produ\u00e7\u00e3o de baixo carbono. O mercado internacional, cada vez mais atento \u00e0 pegada de carbono dos alimentos, pode ser o catalisador necess\u00e1rio. Mas enquanto n\u00e3o houver mecanismos claros \u2014 pr\u00eamios ao produtor, mercados de carbono robustos ou compromissos efetivos da ind\u00fastria \u2014, a ado\u00e7\u00e3o em larga escala permanece limitada.<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Brasil alcan\u00e7ou em 2024 sua maior queda em emiss\u00f5es de gases de efeito estufa em 16 anos, com redu\u00e7\u00e3o de 16,7% nas emiss\u00f5es brutas, segundo dados do Sistema de Estimativas de Emiss\u00f5es de Gases de Efeito Estufa (SEEG), do Observat\u00f3rio do Clima. 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