{"id":17873,"date":"2025-10-30T11:58:20","date_gmt":"2025-10-30T14:58:20","guid":{"rendered":"https:\/\/aprimora.site\/carvalhoalmeidaadvogados\/2025\/10\/30\/sistema-tributario-brasileiro-desafios-impactos-e-reforma-tributaria\/"},"modified":"2025-10-30T11:58:20","modified_gmt":"2025-10-30T14:58:20","slug":"sistema-tributario-brasileiro-desafios-impactos-e-reforma-tributaria","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/aprimora.site\/carvalhoalmeidaadvogados\/2025\/10\/30\/sistema-tributario-brasileiro-desafios-impactos-e-reforma-tributaria\/","title":{"rendered":"Sistema Tribut\u00e1rio Brasileiro: desafios, impactos e reforma tribut\u00e1ria"},"content":{"rendered":"<p>No sistema tribut\u00e1rio brasileiro, a arrecada\u00e7\u00e3o do Estado \u00e9 feita por meio da tributa\u00e7\u00e3o, cujo objetivo \u00e9 financiar os gastos da m\u00e1quina p\u00fablica. Esse processo \u00e9 central e indispens\u00e1vel ao funcionamento do Estado. Os recursos financeiros provenientes da atividade arrecadat\u00f3ria, ou seja, da cobran\u00e7a de tributos, d\u00e3o capacidade financeira ao governo e possibilitam o financiamento das atividades p\u00fablicas.<\/p>\n<p>Dada a relev\u00e2ncia e a centralidade da tributa\u00e7\u00e3o para o funcionamento do Estado, \u00e9 de extrema import\u00e2ncia que todo o processo esteja previsto em lei, para garantir o recolhimento correto dos tributos e assegurar o direito dos contribuintes.<br \/>\nApesar dos esfor\u00e7os para regulamentar e aperfei\u00e7oar o sistema tribut\u00e1rio nacional, a realidade \u00e9 outra. Hoje, os brasileiros enfrentam uma tributa\u00e7\u00e3o complexa que, muitas vezes, demanda a contrata\u00e7\u00e3o de equipes inteiras e consultorias para auxiliar na compreens\u00e3o da legisla\u00e7\u00e3o e dos procedimentos fiscais.<\/p>\n<p>Nesse cen\u00e1rio de extrema complexidade, a reforma tribut\u00e1ria, aprovada em dezembro de 2023, surge como a principal medida para solucionar o problema. Neste artigo, o <strong><span class=\"jota\">JOTA<\/span><\/strong> explica o funcionamento do sistema tribut\u00e1rio brasileiro, focando nas novas regras e nos conceitos b\u00e1sicos sobre os tipos de tributos.<\/p>\n<h3><a href=\"https:\/\/conteudo.jota.info\/marketing-lp-newsletter-ultimas-noticias?utm_source=jota&amp;utm_medium=lp&amp;utm_campaign=23-09-2024-jota-lp-eleicoes-2024-eleicoes-2024-none-audiencias-none&amp;utm_content=eleicoes-2024&amp;utm_term=none&amp;_gl=1*xl6j2f*_gcl_au*MTc2NTIzODY3OC4xNzYxNTcwNDgz*_ga*MTU4MDQ0NjczNi4xNzYxNTcwNDgz*_ga_L4XEVW3ZK0*czE3NjE3NjAzNTUkbzEyJGcxJHQxNzYxNzYwNjMyJGo1NiRsMCRoMTM5MjY3NzgyOCRkakVFQzk2ZmRzakJaVVhaa0pmckRhcTREc1ROU0MyangyZw..\">Para se manter atualizado sobre o cen\u00e1rio jur\u00eddico brasileiro e as mudan\u00e7as na legisla\u00e7\u00e3o tribut\u00e1ria, \u00e9 s\u00f3 acompanhar o Jota Tributos e assinar a newsletter gratuita do <span class=\"jota\">JOTA<\/span><\/a><\/h3>\n<h2>Tributa\u00e7\u00e3o: por que o Estado cobra e como isso afeta o contribuinte<\/h2>\n<p>O Estado n\u00e3o \u00e9 gerador de renda; ele \u00e9 arrecadador. A esmagadora parcela de sua riqueza adv\u00e9m da arrecada\u00e7\u00e3o de tributos, cobrados sobre diferentes atividades e fontes de renda da sua popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Independentemente da natureza, praticamente todos os servi\u00e7os ou produtos s\u00e3o tributados. Por exemplo, na conta de energia, h\u00e1 a cobran\u00e7a de: Imposto sobre Circula\u00e7\u00e3o de Mercadorias e Servi\u00e7os (ICMS); Contribui\u00e7\u00e3o para o Programa de Integra\u00e7\u00e3o Social (PIS); e Contribui\u00e7\u00e3o para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins).<\/p>\n<p>A legitimidade dessa cobran\u00e7a est\u00e1 justificada na finalidade do processo de tributa\u00e7\u00e3o, que pode ser dividida principalmente em:<\/p>\n<p><strong>Financiamento das atividades do Estado<\/strong>: como o pagamento dos sal\u00e1rios dos servidores e o custeio de servi\u00e7os p\u00fablicos nas \u00e1reas de sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o, seguran\u00e7a, previd\u00eancia, entre outras.<br \/>\n<strong>Promo\u00e7\u00e3o da justi\u00e7a social e da redistribui\u00e7\u00e3o de renda<\/strong>: por meio da cobran\u00e7a de tributos progressivos sobre contribuintes com maior poder aquisitivo e do uso da verba arrecadada em pol\u00edticas que beneficiam as pessoas mais pobres.<br \/>\n<strong>Poder de regula\u00e7\u00e3o do mercado e da economia<\/strong>: os tributos podem ser usados como mecanismos de controle da infla\u00e7\u00e3o, de incentivo ao crescimento econ\u00f4mico e de distribui\u00e7\u00e3o de recursos. Ou ainda, como forma de desestimular o consumo de produtos prejudiciais \u00e0 sa\u00fade, \u00e0 sociedade ou ao meio ambiente.<\/p>\n<p>Em 2024, segundo dados divulgados pelo Tesouro Nacional brasileiro, a carga tribut\u00e1ria do pa\u00eds representou 33,2% do Produto Interno Bruto (PIB). Isso coloca o Brasil entre as maiores na\u00e7\u00f5es arrecadadoras do mundo e a na\u00e7\u00e3o com a maior carga tribut\u00e1ria da Am\u00e9rica Latina, conforme o per\u00edodo apurado.<\/p>\n<p>Apesar dos encargos elevados, a popula\u00e7\u00e3o nem sempre se beneficia do investimento da arrecada\u00e7\u00e3o de forma adequada. \u00c9 o que aponta a pesquisa do Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributa\u00e7\u00e3o (IBPT), que avaliou o \u00cdndice de Retorno ao Bem-Estar da Sociedade (IRBES) no ano de 2023. Dentre os 30 pa\u00edses analisados com as maiores cargas tribut\u00e1rias do mundo, o Brasil \u00e9 o que menos registra retorno para a sociedade.<\/p>\n<h2>Conceito e tipos de tributos<\/h2>\n<p>Nos termos do artigo 3\u00ba do C\u00f3digo Tribut\u00e1rio Nacional (CTN), o conceito de tributo \u00e9: \u201cTributo \u00e9 toda presta\u00e7\u00e3o pecuni\u00e1ria compuls\u00f3ria, em moeda ou cujo valor nela se possa exprimir, que n\u00e3o constitua san\u00e7\u00e3o de ato il\u00edcito, institu\u00edda em lei e cobrada mediante atividade administrativa plenamente vinculada.\u201d<\/p>\n<p>Bianca Xavier, professora de Direito Tribut\u00e1rio da FGV-Rio, explica os elementos do conceito de tributo previsto pelo CTN:<\/p>\n<p><strong>Presta\u00e7\u00e3o<\/strong>: o tributo \u00e9 uma presta\u00e7\u00e3o, ou seja, ele liga o cidad\u00e3o ou a empresa ao Estado por meio do dever de um pagamento.<br \/>\n<strong>Pecuni\u00e1ria<\/strong>: o tributo \u00e9, por excel\u00eancia, uma presta\u00e7\u00e3o a ser paga em dinheiro.<br \/>\n<strong>Compuls\u00f3ria<\/strong>: \u00e9 irrelevante a vontade da empresa ou do cidad\u00e3o de pagar o tributo. O tributo \u00e9 uma imposi\u00e7\u00e3o legal, sendo o seu adimplemento obrigat\u00f3rio.<br \/>\n<strong>Em moeda ou cujo valor nela possa se exprimir<\/strong>: o tributo pode ser fixado em reais ou em indexadores financeiros, como UFIR ou UFERJ. H\u00e1 quem entenda que essa express\u00e3o permite, inclusive, o pagamento de tributos com bens e servi\u00e7os.<br \/>\n<strong>Que n\u00e3o constitua san\u00e7\u00e3o de ato il\u00edcito<\/strong>: o tributo n\u00e3o \u00e9 uma resposta jur\u00eddica a um comportamento indevido de um particular. Paga-se tributo em raz\u00e3o de ter renda, ve\u00edculos, pela comercializa\u00e7\u00e3o de bens e servi\u00e7os ou por servi\u00e7os prestados pela Administra\u00e7\u00e3o P\u00fablica. N\u00e3o \u00e9 leg\u00edtima a cobran\u00e7a de um tributo tendo como causa o fato de o contribuinte ter infringido alguma norma (por exemplo, a cobran\u00e7a de um tributo por jogar lixo na rua ou passar trote ao corpo de bombeiros).<\/p>\n<p>Partindo do conceito geral, tanto a Constitui\u00e7\u00e3o Federal quanto o C\u00f3digo Tribut\u00e1rio estabelecem os tipos de tributos que podem ser criados, suas peculiaridades e finalidades:<\/p>\n<p><strong>Tipo de tributo: Impostos<\/strong><br \/>\n<strong>Base legal (CF\/88)<\/strong>: Artigos 145, 153, 155, 156, 156-O e 154<br \/>\n<strong>Conceito e exemplos<\/strong>: \u00c9 o tributo devido sem que o Estado preste uma atividade ou servi\u00e7o espec\u00edfico ao contribuinte; relaciona-se a um evento ou atividade associado ao contribuinte. Ex: Imposto de Renda (IRPF), ICMS e Imposto Sobre Servi\u00e7os (ISS).<\/p>\n<p><strong>Tipo de tributo: Taxas<br \/>\nBase legal (CF\/88)<\/strong>: Artigo 145<strong><br \/>\nConceito e exemplos<\/strong>: T\u00eam rela\u00e7\u00e3o direta com servi\u00e7os ou atividades do Estado. S\u00e3o devidas quando o contribuinte utiliza (ou tem o potencial de utilizar) servi\u00e7os p\u00fablicos espec\u00edficos ou em decorr\u00eancia do exerc\u00edcio do Poder de Pol\u00edcia (fiscaliza\u00e7\u00e3o e vigil\u00e2ncia). Ex: taxa de coleta de lixo e taxa de fiscaliza\u00e7\u00e3o sanit\u00e1ria.<\/p>\n<p><strong>Tipo de tributo: Contribui\u00e7\u00f5es de Melhoria<br \/>\nBase legal (CF\/88)<\/strong>: Artigo 145<strong><br \/>\nConceito e exemplos<\/strong>: S\u00e3o devidas sobre a valoriza\u00e7\u00e3o de um im\u00f3vel em raz\u00e3o de obras p\u00fablicas realizadas pelo Estado. A finalidade \u00e9 que os propriet\u00e1rios beneficiados contribuam com o custo da obra. Ex: valoriza\u00e7\u00e3o por constru\u00e7\u00e3o de metr\u00f4 ou viaduto<\/p>\n<p><strong>Tipo de tributo: Empr\u00e9stimos Compuls\u00f3rios<br \/>\nBase legal (CF\/88)<\/strong>: Artigo 148<strong><br \/>\nConceito e exemplos<\/strong>: S\u00e3o tributos cobrados, excepcional e temporariamente, para o Estado atender a despesas extraordin\u00e1rias (guerra, calamidade p\u00fablica) ou investimento p\u00fablico urgente. O contribuinte \u00e9 obrigado a \u201cemprestar\u201d recursos, com garantia de devolu\u00e7\u00e3o futura. Ex: empr\u00e9stimos cobrados durante crises econ\u00f4micas.<\/p>\n<p><strong>Tipo de tributo: Contribui\u00e7\u00f5es Especiais<br \/>\nBase legal (CF\/88)<\/strong>: Artigo 149 e 195<strong><br \/>\nConceito e exemplos<\/strong>: Criadas para financiar atividades estatais ou setores espec\u00edficos. Dividem-se em: Contribui\u00e7\u00f5es Sociais (previd\u00eancia, PIS\/COFINS), CIDE (regula\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica) e Contribui\u00e7\u00f5es de interesse de categorias profissionais ou econ\u00f4micas (anuidades OAB\/CRM).<\/p>\n<h2>Impostos, taxas e contribui\u00e7\u00f5es: os diferentes caminhos da cobran\u00e7a no Brasil<\/h2>\n<p>Dentre os tributos apresentados, os principais s\u00e3o os impostos, contribui\u00e7\u00f5es e taxas. Eles est\u00e3o presentes no dia a dia das pessoas, ainda que, muitas vezes, passem despercebidos.<\/p>\n<p>S\u00e3o exemplos comuns: o Imposto Sobre Servi\u00e7os (ISS) cobrado sobre as corridas de carros de aplicativo e sobre a assinatura de servi\u00e7os de streaming; os descontos de Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) e da Contribui\u00e7\u00e3o destinada \u00e0 Previd\u00eancia Social (INSS) destacados no contracheque; a tributa\u00e7\u00e3o sobre os juros de empr\u00e9stimos banc\u00e1rios (Imposto sobre Opera\u00e7\u00f5es Financeiras \u2013 IOF); e as taxas cobradas para emiss\u00e3o de passaporte e Registro Civil, entre tantos outros.<\/p>\n<p>Contudo, essas modalidades se diferenciam quanto \u00e0 justificativa da cobran\u00e7a e \u00e0 destina\u00e7\u00e3o dada \u00e0 arrecada\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A professora de Direito Tribut\u00e1rio da FGV-Rio, Bianca Xavier, explica: \u201cO imposto \u00e9 cobrado por um fato do contribuinte, e o valor arrecadado n\u00e3o tem destina\u00e7\u00e3o espec\u00edfica. No caso das taxas, a cobran\u00e7a \u00e9 feita por um ato do Estado, seja um servi\u00e7o p\u00fablico espec\u00edfico ou o exerc\u00edcio do Poder de Pol\u00edcia, e o valor arrecadado deve ser destinado a cobrir os custos dessa atua\u00e7\u00e3o estatal. J\u00e1 as contribui\u00e7\u00f5es especiais, assim como os impostos, normalmente est\u00e3o relacionadas a um fato do contribuinte, mas se diferenciam quanto \u00e0 destina\u00e7\u00e3o espec\u00edfica.\u201d<\/p>\n<p>Essas distin\u00e7\u00f5es podem ser observadas na pr\u00e1tica. Por exemplo, embora o Imposto de Renda sobre Pessoa Jur\u00eddica (IRPJ) e a Contribui\u00e7\u00e3o Social Sobre Lucro L\u00edquido (CSLL) partilhem do mesmo fato tribut\u00e1vel \u2014 o lucro l\u00edquido das pessoas jur\u00eddicas \u2014, ambos possuem destina\u00e7\u00f5es distintas. Enquanto o IRPJ arrecadado pode ser investido em qualquer \u00e1rea da atividade p\u00fablica, a arrecada\u00e7\u00e3o da CSLL deve, necessariamente, ser investida em Seguridade Social (incluindo aposentadoria, assist\u00eancia social e sa\u00fade p\u00fablica), conforme previsto no art. 1\u00ba da Lei 7.689.<\/p>\n<p>Outro exemplo \u00e9 a Taxa de Coleta de Lixo. Diferentemente dos impostos e contribui\u00e7\u00f5es, ela \u00e9 vinculada a custear os servi\u00e7os de coleta, transporte, tratamento e destina\u00e7\u00e3o final de res\u00edduos. \u00c9 devida somente pelos propriet\u00e1rios de im\u00f3veis localizados em local onde o servi\u00e7o \u00e9 disponibilizado.<\/p>\n<h2>Tributos diretos e indiretos: o repasse do \u00f4nus<\/h2>\n<p>Al\u00e9m disso, os tributos tamb\u00e9m podem ser classificados como diretos ou indiretos.<\/p>\n<p>S\u00e3o tributos indiretos aqueles que incidem sobre produtos e servi\u00e7os, segundo pressup\u00f5e o artigo 166 do CTN, e que devam ser embutidos no pre\u00e7o e repassados ao pr\u00f3ximo sujeito da cadeia de consumo. \u00c9 o caso do ICMS, ISS, IPI, PIS e Cofins.<\/p>\n<p>A professora Bianca esclarece que, nos tributos indiretos, \u201ca lei manda eu repassar no pre\u00e7o do produto\u201d. E acrescenta: \u201c\u00c9 obrigat\u00f3rio, por lei, que o consumidor final arque com o \u00f4nus financeiro. Mas quem recolhe o tributo \u00e9 a empresa.\u201d<\/p>\n<p>J\u00e1 aqueles que n\u00e3o incidem sobre fatos da cadeia de consumo e para os quais n\u00e3o h\u00e1 previs\u00e3o legal determinando o repasse direto do tributo ao pr\u00f3ximo da cadeia s\u00e3o tributos diretos. \u00c9 o caso dos que recaem sobre:<\/p>\n<p>Lucro: IRPJ, IRPF, IRRF;<br \/>\nFolha de pagamento: Contribui\u00e7\u00e3o ao INSS;<br \/>\nPropriedade: IPTU;<br \/>\nOpera\u00e7\u00e3o financeira: IOF;<br \/>\nTransfer\u00eancia de direito e propriedade: ITBI e ITCMD, entre outros.<\/p>\n<h2>Consumo, renda e patrim\u00f4nio: quem paga mais imposto no Brasil?<\/h2>\n<p>O sistema tribut\u00e1rio brasileiro foca em tr\u00eas bases de incid\u00eancia: consumo, renda e patrim\u00f4nio. Esses s\u00e3o fatos geradores com naturezas jur\u00eddicas distintas que representam os principais meios de arrecada\u00e7\u00e3o do Estado. Essas diferentes formas de tributa\u00e7\u00e3o impactam os contribuintes em \u00e1reas diversas, podendo afetar o desempenho de neg\u00f3cios e a economia como um todo.<\/p>\n<h3>Tributa\u00e7\u00e3o do consumo<\/h3>\n<p>A tributa\u00e7\u00e3o do consumo exerce grande influ\u00eancia sobre a infla\u00e7\u00e3o e a economia em geral, pois recai sobre produtos e servi\u00e7os de toda natureza, como \u00e9 o caso de alimentos e fretes (tributados pelo ICMS) e a contrata\u00e7\u00e3o de profissionais liberais (tributada pelo ISS). Carlos Pinto, diretor do Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributa\u00e7\u00e3o (IBPT), explica que esse tipo de tributo \u201cinclui impostos federais, estaduais e municipais, que geralmente est\u00e3o embutidos no pre\u00e7o pago pelo consumidor\u201d e, por isso, \u00e9 suportado pelo \u00faltimo elo da cadeia de consumo.<\/p>\n<h3>Tributa\u00e7\u00e3o da renda<\/h3>\n<p>J\u00e1 a tributa\u00e7\u00e3o da renda incide sobre os ganhos e proventos auferidos por empresas e pessoas durante o per\u00edodo estabelecido pela Receita Federal. Para exemplificar os tributos que recaem sobre a renda, Carlos Pinto menciona: \u201cO Imposto de Renda da Pessoa F\u00edsica (IRPF) segue uma tabela progressiva, ou seja, quem ganha menos paga menos ou at\u00e9 mesmo \u00e9 isento, enquanto as faixas de renda mais altas enfrentam al\u00edquotas superiores, podendo chegar a cerca de 27,5% na faixa m\u00e1xima de tributa\u00e7\u00e3o. Para empresas, o Imposto de Renda da Pessoa Jur\u00eddica (IRPJ) normalmente tem uma al\u00edquota base de 15%, com adicional de 10% sobre o lucro trimestral que superar determinado valor. Existem regimes diferenciados como o lucro presumido e o lucro real, que variam conforme o porte e o ramo da empresa.\u201d<\/p>\n<h3>Tributa\u00e7\u00e3o do patrim\u00f4nio<\/h3>\n<p>Quanto \u00e0 tributa\u00e7\u00e3o do patrim\u00f4nio, ela \u201cabrange impostos relacionados \u00e0 posse ou transmiss\u00e3o de bens\u201d, afirma o diretor do IBPT. Como exemplos pr\u00e1ticos desse formato, ele menciona o Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) cobrado sobre a propriedade de im\u00f3veis urbanos, assim como o Imposto sobre a Propriedade de Ve\u00edculos Automotores (IPVA), cobrado sobre a propriedade de ve\u00edculos.<\/p>\n<h3>Justi\u00e7a social e desigualdade no sistema tribut\u00e1rio<\/h3>\n<p>Nesse contexto, \u00e9 importante analisar as tr\u00eas principais bases tributadas sob a \u00f3tica da justi\u00e7a social. Para o professor de Direito Tribut\u00e1rio do Instituto Brasileiro de Mercado de Capitais (Ibmec), Lucas Bevilacqua, a tributa\u00e7\u00e3o sobre o consumo \u00e9 predominante no sistema tribut\u00e1rio brasileiro, agravando as desigualdades sociais ao aplicar os tributos de forma regressiva: \u201cquem pode menos, paga mais!\u201d.<br \/>\nEle exemplifica seu entendimento a partir da cobran\u00e7a de ICMS sobre itens da cesta b\u00e1sica: \u201cNa medida em que o arroz integra o card\u00e1pio tanto de fam\u00edlias mais abastadas quanto das mais carentes, com a mesma al\u00edquota de ICMS, o \u00f4nus tribut\u00e1rio \u00e9 mais oneroso a fam\u00edlias carentes, ou seja, com menor capacidade contributiva.\u201d<\/p>\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s desigualdades, o especialista do Ibmec afirma que os efeitos dos tributos sobre as desigualdades sociais variam conforme a base tribut\u00e1ria.\u201d Para ele, a tributa\u00e7\u00e3o sobre o consumo tende a acentuar as desigualdades sociais, mas o oposto \u00e9 verificado na cobran\u00e7a dos tributos sobre a renda e o patrim\u00f4nio. Se forem cobrados progressivamente, em fun\u00e7\u00e3o do valor da renda, como \u00e9 o caso do IRPF, \u201cpodem reduzir desigualdades porque cobram uma percentagem maior de quem tem mais capacidade contributiva.\u201d<\/p>\n<p>Quanto aos tributos sobre patrim\u00f4nio, como IPTU, IPVA e ITCMD, \u201ctamb\u00e9m ajudam a combater o ac\u00famulo excessivo de riqueza, principalmente quando aplicados com al\u00edquotas mais altas para grandes fortunas e propriedades de maior valor\u201d, conclui Carlos Pinto.<\/p>\n<h2>Como funciona o sistema tribut\u00e1rio brasileiro<\/h2>\n<p>O conjunto de regras que regulamentam o processo de tributa\u00e7\u00e3o no Brasil recebe o nome de Sistema Tribut\u00e1rio Nacional. Esse grupo de dispositivos legais \u00e9 organizado por ordem hier\u00e1rquica e \u00e9 respons\u00e1vel por estabelecer os procedimentos para institui\u00e7\u00e3o, cobran\u00e7a, arrecada\u00e7\u00e3o e destina\u00e7\u00e3o dos tributos, em suas respectivas \u00e1reas de compet\u00eancia.<\/p>\n<h3>Hierarquia normativa do sistema tribut\u00e1rio<\/h3>\n<p>A Constitui\u00e7\u00e3o Federal \u00e9 a lei maior do ordenamento jur\u00eddico brasileiro. Nela, est\u00e3o dispostas as regras-base, as premissas e os princ\u00edpios norteadores do sistema tribut\u00e1rio. A mat\u00e9ria tribut\u00e1ria \u00e9 tratada, principalmente, no Cap\u00edtulo I (\u201cDo Sistema Tribut\u00e1rio Nacional\u201d) do T\u00edtulo VI (\u201cDa Tributa\u00e7\u00e3o e do Or\u00e7amento\u201d), al\u00e9m de outras disposi\u00e7\u00f5es esparsas.<\/p>\n<p>Na escala hier\u00e1rquica do sistema jur\u00eddico tribut\u00e1rio, abaixo da Constitui\u00e7\u00e3o, est\u00e3o o C\u00f3digo Tribut\u00e1rio Nacional (CTN) e as leis complementares, respons\u00e1veis por instituir os tributos e regulamentar as normas gerais. Na sequ\u00eancia, as leis ordin\u00e1rias trazem regras espec\u00edficas sobre cada tipo de tributo, e os decretos detalham ainda mais a especificidade de cada um. Cada diploma trata da regulamenta\u00e7\u00e3o que lhe cabe dentro dos limites e das regras previstas pelos diplomas de ordem superior.<\/p>\n<h3>Divis\u00e3o de compet\u00eancias na Federa\u00e7\u00e3o<\/h3>\n<p>O sistema tribut\u00e1rio decorre do sistema federativo. O texto constitucional dividiu, entre Uni\u00e3o, Estados, Munic\u00edpios e Distrito Federal, a compet\u00eancia para tributar e legislar sobre tributos, conforme a seguinte regra:<\/p>\n<p><strong>Uni\u00e3o (artigo 153 da CF\/88)<\/strong>: det\u00e9m compet\u00eancia para instituir o Imposto de Importa\u00e7\u00e3o (II), Imposto de Exporta\u00e7\u00e3o (IE), Imposto de Renda (IRPF e IRPJ), Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), Imposto sobre Opera\u00e7\u00f5es Financeiras (IOF), Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (ITR) e Imposto sobre Grandes Fortunas (IGF). A Uni\u00e3o tamb\u00e9m det\u00e9m a compet\u00eancia para instituir a maioria das Contribui\u00e7\u00f5es, conforme artigos 149 e 195 da CF\/88.<br \/>\n<strong>Estados (artigo 155 da CF\/88)<\/strong>: Imposto de Transmiss\u00e3o Causa Mortis e Doa\u00e7\u00e3o (ITCMD), Imposto sobre Opera\u00e7\u00f5es relativas \u00e0 Circula\u00e7\u00e3o de Mercadorias e sobre Presta\u00e7\u00f5es de Servi\u00e7os de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunica\u00e7\u00e3o (ICMS) e Imposto sobre a Propriedade de Ve\u00edculos Automotores (IPVA).<br \/>\n<strong>Munic\u00edpios (artigo 156 da CF\/88)<\/strong>: Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU), Imposto sobre Transmiss\u00e3o de Bens Im\u00f3veis (ITBI) e Imposto sobre Servi\u00e7os (ISS).<\/p>\n<p>O Distrito Federal pode assumir tanto compet\u00eancias estaduais quanto municipais.<\/p>\n<h3>A complexidade da tributa\u00e7\u00e3o do consumo<\/h3>\n<p>Lucas Bevilacqua, professor de Direito Tribut\u00e1rio do IBMEC-DF, chama a aten\u00e7\u00e3o para a fragmenta\u00e7\u00e3o da organiza\u00e7\u00e3o das compet\u00eancias entre os entes da federa\u00e7\u00e3o, sobretudo em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 tributa\u00e7\u00e3o sobre o consumo. Para ele, a base fragmentada \u00e9 um dos grandes gargalos do sistema tribut\u00e1rio atual.<\/p>\n<p>Isso ocorre porque diferentes entes podem tributar o consumo, de acordo com a natureza do item. O professor explica: \u201cA Uni\u00e3o cobra o IPI e as Contribui\u00e7\u00f5es para o PIS\/Cofins; os estados, o ICMS; e os munic\u00edpios, o ISS.\u201d Essa fragmenta\u00e7\u00e3o pode gerar conflitos sobre qual tributo \u00e9 devido, como ocorreu na tributa\u00e7\u00e3o de softwares, em que se discutiu a cobran\u00e7a de ISS ou ICMS, acrescenta.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, o professor tamb\u00e9m cita outros fatores que tornam o sistema tribut\u00e1rio brasileiro mais complexo, como a exist\u00eancia de diferentes regimes de tributa\u00e7\u00e3o para os mesmos tributos (ex: regimes cumulativos, n\u00e3o cumulativo e monof\u00e1sico do PIS\/Cofins). Outro fator \u00e9 o sistema de creditamento dos tributos pagos nas etapas antecedentes, que est\u00e1 sujeito a diferentes regras e exce\u00e7\u00f5es, a depender do produto ou servi\u00e7o tributado.<\/p>\n<p>O grau de dificuldade fica ainda mais evidente quando comparado aos sistemas adotados por outros pa\u00edses. O professor Bevilacqua apresenta o exemplo dos pa\u00edses europeus, que adotam o Imposto sobre Valor Agregado (IVA). \u201cEssa sistem\u00e1tica permite que o imposto pago nas etapas antecedentes possa ser compensado com o imposto devido nas etapas subsequentes.\u201d Ele tamb\u00e9m comenta sobre o caso dos Estados Unidos, que \u201ctributam o consumo pelo Imposto sobre Vendas (Sales Tax), incidente apenas na venda final ao consumidor. \u00c9 muito simples de aplicar, mas tamb\u00e9m possui os seus problemas, sobretudo no que diz respeito \u00e0 sonega\u00e7\u00e3o.\u201d<\/p>\n<p>Nenhum sistema \u00e9 perfeito e cont\u00e9m seus defeitos; no entanto, na vis\u00e3o do professor, o Brasil tem a tributa\u00e7\u00e3o sobre consumo mais complexa do mundo.<\/p>\n<h3><a href=\"https:\/\/www.jota.info\/tributos\">Para entender as regras tribut\u00e1rias, acesse o <span class=\"jota\">JOTA<\/span> Info e acompanhe as explica\u00e7\u00f5es e as \u00faltimas not\u00edcias sobre atualiza\u00e7\u00f5es legislativas e judiciais<\/a><\/h3>\n<h2>Complexo, caro e desigual: os principais desafios da tributa\u00e7\u00e3o no Brasil<\/h2>\n<p>O contexto apresentado mostra que navegar pelo universo dos tributos n\u00e3o \u00e9 uma tarefa f\u00e1cil. Os contribuintes vivem no escuro, tentando decifrar a lei, o posicionamento das receitas fazend\u00e1rias e dos tribunais, na miss\u00e3o quase imposs\u00edvel de ter certeza sobre qual tributo e qual valor devem recolher.<\/p>\n<h3>Os gargalos do sistema tribut\u00e1rio brasileiro<\/h3>\n<p>Dentre as principais dificuldades do sistema tribut\u00e1rio atual, conforme j\u00e1 mencionado, os destaques s\u00e3o:<\/p>\n<p>O excesso de tributa\u00e7\u00e3o sobre o consumo em car\u00e1ter regressivo;<br \/>\nA falta de celeridade no processo de apura\u00e7\u00e3o e recolhimento dos tributos;<br \/>\nO excesso de legisla\u00e7\u00e3o amb\u00edgua;<br \/>\nAs altas cargas tribut\u00e1rias sem o devido retorno \u00e0 sociedade.<\/p>\n<h3>Impactos da cumulatividade e guerra fiscal<\/h3>\n<p>O presidente-executivo do Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributa\u00e7\u00e3o (IBPT), Jo\u00e3o Eloi Olenike, tamb\u00e9m acrescenta as dificuldades do regime cumulativo ao cen\u00e1rio de onerosidades tribut\u00e1rias.<\/p>\n<p>Ele explica que o regime cumulativo n\u00e3o permite a obten\u00e7\u00e3o de cr\u00e9ditos tribut\u00e1rios decorrentes de opera\u00e7\u00f5es feitas anteriormente \u00e0 venda, gerando uma incid\u00eancia em cascata dos tributos em todas as etapas da cadeia econ\u00f4mica. Para Jo\u00e3o Eloi, \u201ca cumulatividade \u00e9 extremamente danosa aos contribuintes, que arcam, na grande maioria das vezes, com o custo final de todas essas opera\u00e7\u00f5es ao adquirir bens e servi\u00e7os como consumidor final.\u201d<\/p>\n<p>O especialista do IBPT tamb\u00e9m menciona os impactos oriundos da guerra fiscal. A competi\u00e7\u00e3o entre estados ou munic\u00edpios para atrair empresas, investimentos e gera\u00e7\u00e3o de empregos por meio de incentivos fiscais muitas vezes se choca com interesses de outros entes p\u00fablicos e resulta em conflitos jur\u00eddicos, fomentando a inseguran\u00e7a jur\u00eddica. \u201cEm suma, as guerras fiscais s\u00e3o uma estrat\u00e9gia de curto prazo que distorce a aloca\u00e7\u00e3o de recursos e perpetua desigualdades, apesar de oferecer ganhos pontuais. A vis\u00e3o otimista de crescimento regional \u00e9 ofuscada por custos fiscais e jur\u00eddicos crescentes,\u201d conclui Olenike.<\/p>\n<h3>Custo Brasil e a carga tribut\u00e1ria<\/h3>\n<p>Todos esses entraves criam um sistema complexo que se traduz em alto custo e inseguran\u00e7a jur\u00eddica para os contribuintes. Sobre o alto valor pago em tributos, Olenike afirma que \u201cpelo tamanho do Brasil, a carga n\u00e3o \u00e9 excessivamente alta, mas est\u00e1 entre os 15 pa\u00edses de maior tributa\u00e7\u00e3o sobre o PIB, compar\u00e1vel a alguns pa\u00edses ricos e em maior escala que Jap\u00e3o, Irlanda, Canad\u00e1 e Estados Unidos.\u201d Ele ressalta que o problema est\u00e1 na aplica\u00e7\u00e3o dos recursos arrecadados que, hoje, reflete na falta de retorno na qualidade de vida e de servi\u00e7os b\u00e1sicos \u00e0 popula\u00e7\u00e3o brasileira.<\/p>\n<p>Al\u00e9m do \u00f4nus da carga tribut\u00e1ria em si, apurar tributos no Brasil muitas vezes demanda a contrata\u00e7\u00e3o de equipes inteiras e consultorias para auxiliar na an\u00e1lise e interpreta\u00e7\u00e3o das leis.<\/p>\n<p>Em 2021, o relat\u00f3rio Doing Business Subnacional Brasil, divulgado pelo Banco Mundial, mostra que as empresas brasileiras gastam at\u00e9 1.501 horas para cumprir com as suas obriga\u00e7\u00f5es tribut\u00e1rias.<\/p>\n<p>No estudo, que considera o tempo de preparo, declara\u00e7\u00e3o e pagamentos dos tributos, revela-se a desvantagem do Brasil no ambiente de neg\u00f3cios em rela\u00e7\u00e3o aos pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina e Caribe, que levam 20% desse tempo para cumprir suas obriga\u00e7\u00f5es. Para os pa\u00edses da Organiza\u00e7\u00e3o para a Coopera\u00e7\u00e3o e Desenvolvimento Econ\u00f4mico (OCDE), a m\u00e9dia necess\u00e1ria \u00e9 de apenas 159 horas.<\/p>\n<p>\u00c9 importante destacar que essa contagem n\u00e3o inclui a contrata\u00e7\u00e3o dos servi\u00e7os jur\u00eddicos de tributaristas, que, n\u00e3o raro, s\u00e3o acionados para rebater cobran\u00e7as indevidas ou reivindicar direitos violados. Esse movimento em cadeia gera, cada vez mais, demandas para o contencioso tribut\u00e1rio, sobrecarregando o Judici\u00e1rio com discuss\u00f5es sobre a interpreta\u00e7\u00e3o, altera\u00e7\u00e3o e aplica\u00e7\u00e3o das regras tribut\u00e1rias.<\/p>\n<p>A mobiliza\u00e7\u00e3o da m\u00e1quina p\u00fablica para solucionar os conflitos de natureza tribut\u00e1ria representa mais uma despesa ao Estado que, por sua vez, \u00e9 suportada pelo dinheiro pago pelos contribuintes.<\/p>\n<p>A lista de dificuldades \u00e9 extensa, e isso abre uma expressiva desvantagem ao Brasil, que v\u00ea muitos investidores estrangeiros fugindo para outros mercados em raz\u00e3o da complexidade do sistema tribut\u00e1rio brasileiro.<\/p>\n<h2>Reforma tribut\u00e1ria: o que muda na vida de empresas e contribuintes<\/h2>\n<p>Mirando melhorar as falhas do atual sistema tribut\u00e1rio, o Congresso Nacional aprovou a Emenda Constitucional (EC) 132\/2023, que pretende modificar a sistem\u00e1tica de tributa\u00e7\u00e3o, sobretudo dos tributos cobrados sobre o consumo.<br \/>\nA ideia central \u00e9 simplificar o processo de tributa\u00e7\u00e3o reduzindo a quantidade de tributos, regimes e legisla\u00e7\u00e3o, modernizar as formas de pagamento e fiscaliza\u00e7\u00e3o, e alinhar o sistema \u00e0s melhores pr\u00e1ticas internacionais, adotando, sobretudo, os princ\u00edpios recomendados pela Organiza\u00e7\u00e3o para a Coopera\u00e7\u00e3o e Desenvolvimento Econ\u00f4mico (OCDE).<\/p>\n<h3>O novo IVA-Dual (CBS e IBS)<\/h3>\n<p>O professor de Direito Tribut\u00e1rio do Ibmec-DF, Lucas Bevilacqua, esclarece as mudan\u00e7as previstas pela nova regra: \u201cHouve a cria\u00e7\u00e3o de uma esp\u00e9cie de IVA-Dual. Um IVA dividido em dois. Uma parte, consistente na Contribui\u00e7\u00e3o sobre Bens e Servi\u00e7os (CBS), de compet\u00eancia da Uni\u00e3o, ir\u00e1 substituir o PIS\/COFINS. A outra, consistente no Imposto sobre Bens e Servi\u00e7os (IBS), de compet\u00eancia dos Estados e Munic\u00edpios, ir\u00e1 substituir o ICMS e o ISS.\u201d<\/p>\n<p>O novo sistema tribut\u00e1rio tamb\u00e9m visa desonerar a cadeia de consumo em prol da justi\u00e7a tribut\u00e1ria social. Para isso, a EC 132\/2023 prop\u00f5e que o cr\u00e9dito seja amplo e garanta a neutralidade econ\u00f4mica. Al\u00e9m disso, agora, a tributa\u00e7\u00e3o passar\u00e1 a ser cobrada no destino, dando fim \u00e0 guerra fiscal, refor\u00e7a o professor Lucas.<\/p>\n<p>Nesse sentido, Thais Veiga, coordenadora do LL.M. de Direito Tribut\u00e1rio do Insper, defende que \u201co modelo de IVA \u00e9 muito mais eficiente do que o antigo formato de tributa\u00e7\u00e3o do Brasil. O IVA \u00e9 um tributo de base ampla e incid\u00eancia plurif\u00e1sica, que alcan\u00e7a todas as opera\u00e7\u00f5es de consumo com menor esfor\u00e7o de administra\u00e7\u00e3o pelo Fisco\u201d.<\/p>\n<h3>Mudan\u00e7as no patrim\u00f4nio e imposto seletivo<\/h3>\n<p>A coordenadora do Insper lembra que a reforma tribut\u00e1ria aprovada n\u00e3o se limita \u00e0 tributa\u00e7\u00e3o sobre o consumo, e tamb\u00e9m prev\u00ea algumas mudan\u00e7as na tributa\u00e7\u00e3o incidente sobre o patrim\u00f4nio. Por exemplo, \u201ca cobran\u00e7a de IPVA sobre aeronaves e embarca\u00e7\u00f5es e a possibilidade de Munic\u00edpios atualizarem o IPTU por Decreto\u201d, confirma Veiga.<\/p>\n<p>Andressa Gomes, coordenadora do curso de Gest\u00e3o Tribut\u00e1ria na FIPECAFI, acredita que as altera\u00e7\u00f5es significam uma vantagem comercial, que dar\u00e1 mais competitividade ao ambiente de neg\u00f3cios brasileiro e modernizar\u00e1 os mecanismos de arrecada\u00e7\u00e3o como o split payment.<\/p>\n<p>A reforma tribut\u00e1ria tamb\u00e9m cria o chamado Imposto Seletivo (IS), apelidado de Imposto do Pecado. O tributo recair\u00e1 sobre bens e servi\u00e7os considerados prejudiciais \u00e0 sa\u00fade e ao meio ambiente, e ser\u00e1 cobrado de forma progressiva \u00e0 nocividade desses produtos. Ele incidir\u00e1 sobre cigarros, bebidas alco\u00f3licas e carros a combust\u00e3o, por exemplo, e entrar\u00e1 em vigor a partir de 2027.<\/p>\n<h3>Regulamenta\u00e7\u00e3o e pr\u00f3ximos passos (Transi\u00e7\u00e3o 2026-2033)<\/h3>\n<p>Em janeiro deste ano, foi aprovada a Lei Geral de regulamenta\u00e7\u00e3o do IBS, CBS e IS: a Lei Complementar 214\/2025. O diploma, no Cap\u00edtulo III, Se\u00e7\u00e3o V \u2013 Disposi\u00e7\u00f5es Transit\u00f3rias, prev\u00ea as disposi\u00e7\u00f5es sobre o processo de transi\u00e7\u00e3o para o novo sistema tribut\u00e1rio, que acontecer\u00e1 de forma gradual, iniciando em 2026 e finalizando em 2033.<\/p>\n<p>A coordenadora da Funda\u00e7\u00e3o Instituto de Pesquisas Cont\u00e1beis, Atuariais e Financeiras (Fipecafi), Andressa Gomes, destacou o Projeto de Lei 108\/2024, em tr\u00e2mite no Congresso, que trata da institui\u00e7\u00e3o do Comit\u00ea Gestor do IBS (CG-IBS). Ou seja, est\u00e1 em discuss\u00e3o como ser\u00e1 definido o processo administrativo para resolver disputas relativas ao IBS, como o dinheiro arrecadado ser\u00e1 distribu\u00eddo entre os Estados e Munic\u00edpios, dentre outras regras do novo imposto.<\/p>\n<p>Por fim, vale lembrar que ainda existem outros Projetos de Lei, em debate no Congresso, que pretendem reformular outras \u00e1reas do sistema tribut\u00e1rio atual. \u00c9 o caso dos Projetos de Lei 2337\/2021, 307\/2021 e 1087\/2025, que pretendem fazer modifica\u00e7\u00f5es na tributa\u00e7\u00e3o sobre a renda, sobretudo em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 cobran\u00e7a de Imposto de Renda sobre dividendos.<\/p>\n<h2>O cen\u00e1rio tribut\u00e1rio brasileiro e o caminho da reforma<\/h2>\n<p>A tributa\u00e7\u00e3o no Brasil \u00e9 um tema urgente, complexo e central \u00e0 vida dos brasileiros. Abaixo, est\u00e3o resumidos os pontos essenciais abordados pelo <span class=\"jota\">JOTA<\/span> que definem o sistema tribut\u00e1rio brasileiro, seus gargalos e a necessidade transforma\u00e7\u00e3o:<\/p>\n<p><strong>1. Defini\u00e7\u00e3o e Tipos de Tributos<\/strong>: A tributa\u00e7\u00e3o \u00e9 a forma pela qual o Estado arrecada recursos para financiar a m\u00e1quina p\u00fablica. A diferen\u00e7a crucial entre as modalidades de cobran\u00e7a: os Impostos (cobrados sobre fatos relacionados ao contribuinte e sem destina\u00e7\u00e3o espec\u00edfica), as Taxas (vinculadas a servi\u00e7os p\u00fablicos espec\u00edficos ou ao Poder de Pol\u00edcia) e as Contribui\u00e7\u00f5es (com destina\u00e7\u00e3o definida, como a Seguridade Social).<\/p>\n<p><strong>2. Estrutura e Desafios<\/strong>: A estrutura legal e hier\u00e1rquica do Sistema Tribut\u00e1rio Nacional, regido pela Constitui\u00e7\u00e3o Federal e pelo CTN, e a divis\u00e3o de compet\u00eancias entre Uni\u00e3o, Estados e Munic\u00edpios. Foi constatado que o atual modelo \u00e9 marcado por problemas cr\u00f4nicos: a alta carga tribut\u00e1ria (especialmente a regressiva sobre o consumo), a cumulatividade que onera a cadeia de produ\u00e7\u00e3o e a extrema complexidade legal, que resulta em inseguran\u00e7a jur\u00eddica e sobrecarrega o poder judici\u00e1rio. Observou-se, tamb\u00e9m, a forte incid\u00eancia do modelo sobre o consumo, em detrimento da renda e do patrim\u00f4nio, agravando as desigualdades sociais.<\/p>\n<p><strong>3. Perspectivas de Reforma Tribut\u00e1ria<\/strong>: A Emenda Constitucional 132\/2023 surge como a resposta a esses desafios. A principal mudan\u00e7a estrutural \u00e9 a substitui\u00e7\u00e3o da pluralidade de tributos sobre o consumo existentes hoje, pelo IVA-Dual (o CBS e o IBS). Ainda, a reforma prev\u00ea a introdu\u00e7\u00e3o do Imposto Seletivo (IS) para desestimular o consumo de bens e servi\u00e7os nocivos \u00e0 sa\u00fade, e a transi\u00e7\u00e3o para a cobran\u00e7a dos tributos no destino, visando o fim da guerra fiscal e maior justi\u00e7a tribut\u00e1ria social. Com a aprova\u00e7\u00e3o da Lei Complementar 214\/2025 e o cronograma de transi\u00e7\u00e3o at\u00e9 2033, o Brasil inicia o caminho para modernizar seu mecanismo de arrecada\u00e7\u00e3o e melhorar seu ambiente de neg\u00f3cios.<\/p>\n<p>Apesar da evolu\u00e7\u00e3o, \u00e9 evidente que a discuss\u00e3o sobre o futuro fiscal do pa\u00eds est\u00e1 apenas come\u00e7ando, com projetos de lei sobre a tributa\u00e7\u00e3o sobre a renda ainda em debate no Congresso.<\/p>\n<h3><a href=\"https:\/\/www.jota.info\/tributos\">Para se manter atualizado sobre novas regras tribut\u00e1rias e a evolu\u00e7\u00e3o do cen\u00e1rio jur\u00eddico brasileiro, continue acompanhando as an\u00e1lises e not\u00edcias do <span class=\"jota\">JOTA<\/span><\/a><\/h3>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No sistema tribut\u00e1rio brasileiro, a arrecada\u00e7\u00e3o do Estado \u00e9 feita por meio da tributa\u00e7\u00e3o, cujo objetivo \u00e9 financiar os gastos da m\u00e1quina p\u00fablica. 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