{"id":17818,"date":"2025-10-29T01:59:41","date_gmt":"2025-10-29T04:59:41","guid":{"rendered":"https:\/\/aprimora.site\/carvalhoalmeidaadvogados\/2025\/10\/29\/stf-inaugura-novo-marco-na-execucao-trabalhista\/"},"modified":"2025-10-29T01:59:41","modified_gmt":"2025-10-29T04:59:41","slug":"stf-inaugura-novo-marco-na-execucao-trabalhista","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/aprimora.site\/carvalhoalmeidaadvogados\/2025\/10\/29\/stf-inaugura-novo-marco-na-execucao-trabalhista\/","title":{"rendered":"STF inaugura novo marco na execu\u00e7\u00e3o trabalhista"},"content":{"rendered":"<p>A responsabilidade patrimonial na execu\u00e7\u00e3o trabalhista e os limites da responsabiliza\u00e7\u00e3o de empresas pertencentes (ou supostamente pertencentes) ao mesmo grupo econ\u00f4mico sempre foram objeto de intenso debate na jurisprud\u00eancia brasileira.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s longa discuss\u00e3o, o Supremo Tribunal Federal (<a href=\"https:\/\/www.jota.info\/stf\">STF<\/a>), ao julgar o Tema 1.232 da repercuss\u00e3o geral (<a href=\"https:\/\/portal.stf.jus.br\/processos\/detalhe.asp?incidente=6422105\">RE 1.387.795<\/a>), fixou entendimento de grande impacto ao vedara inclus\u00e3o de empresas do mesmo grupo apenas na fase de execu\u00e7\u00e3o, quando n\u00e3o tenham participado da fase de conhecimento do processo. A decis\u00e3o redefine o equil\u00edbrio entre a efetividade da execu\u00e7\u00e3o trabalhista e as garantias constitucionais do contradit\u00f3rio e da ampla defesa, impondo novas balizas \u00e0 atua\u00e7\u00e3o da Justi\u00e7a do Trabalho.<\/p>\n<h3><a href=\"https:\/\/conteudo.jota.info\/cadastro-em-newsletter-saideira-jota-pro-trabalhista\">Receba gratuitamente no seu email as principais not\u00edcias sobre o Direito do Trabalho<\/a><\/h3>\n<p>Historicamente, a discuss\u00e3o teve origem na antiga S\u00famula 205 do Tribunal Superior do Trabalho (<a href=\"https:\/\/www.jota.info\/tudo-sobre\/tst\">TST<\/a>), que proibia a inclus\u00e3o, na execu\u00e7\u00e3o, de empresa integrante de grupo econ\u00f4mico que n\u00e3o tivesse figurado na fase de conhecimento. Essa orienta\u00e7\u00e3o, entretanto, foi cancelada em 2003, sob o argumento de que comprometia a efetividade da execu\u00e7\u00e3o e dificultava o recebimento dos cr\u00e9ditos trabalhistas.<\/p>\n<p>Desde ent\u00e3o, o TST passou a admitir a inclus\u00e3o de empresas coirm\u00e3s diretamente na fase executiva, sem necessidade de instaurar o Incidente de Desconsidera\u00e7\u00e3o da Personalidade Jur\u00eddica (IDPJ) ou qualquer outra formalidade. Essa pr\u00e1tica, apesar de amplamente adotada, foi criticada por violar princ\u00edpios constitucionais fundamentais, como o devido processo legal e a ampla defesa, ao permitir que uma empresa fosse executada sem jamais ter exercido o direito de se manifestar.<\/p>\n<p>O impasse chegou ao STF em recurso extraordin\u00e1rio que discutia a constitucionalidade dessa pr\u00e1tica. Em 2021, o ministro <a href=\"https:\/\/www.jota.info\/tudo-sobre\/gilmar-mendes\">Gilmar Mendes<\/a> reacendeu o debate ao determinar que o TST reexaminasse a quest\u00e3o \u00e0 luz do C\u00f3digo de Processo Civil. No ano seguinte, a Corte reconheceu a repercuss\u00e3o geral da mat\u00e9ria, dando origem ao Tema 1.232 da repercuss\u00e3o geral e, mais tarde, suspendeu nacionalmente os processos que buscavam incluir empresas n\u00e3o participantes da fase de conhecimento no polo passivo da execu\u00e7\u00e3o, reconhecendo a necessidade de uniformiza\u00e7\u00e3o jurisprudencial sobre o tema.<\/p>\n<p>O julgamento formou maioria para vedar a inclus\u00e3o de empresas de grupo econ\u00f4mico na execu\u00e7\u00e3o trabalhista. O voto do relator, ministro <a href=\"https:\/\/www.jota.info\/tudo-sobre\/dias-toffoli\">Dias Toffoli<\/a>, fixou a tese de que o cumprimento da senten\u00e7a n\u00e3o pode ser promovido em face de empresa que n\u00e3o tenha participado da fase de conhecimento, devendo o reclamante indicar, desde a peti\u00e7\u00e3o inicial, as pessoas jur\u00eddicas solid\u00e1rias contra as quais pretende direcionar a a\u00e7\u00e3o, demonstrando concretamente a configura\u00e7\u00e3o do grupo econ\u00f4mico nos termos do artigo 2\u00ba, \u00a7\u00a7 2\u00ba e 3\u00ba, da CLT.<\/p>\n<p>A tese admite, de forma excepcional, o redirecionamento da execu\u00e7\u00e3o apenas em dois casos: sucess\u00e3o empresarial (artigo 448-A da CLT) e abuso da personalidade jur\u00eddica, devidamente fundamentado e comprovado, conforme artigo 50 do<a href=\"https:\/\/www.jota.info\/tudo-sobre\/codigo-civil\"> C\u00f3digo Civil<\/a>, que abrange hip\u00f3teses de fraude ou confus\u00e3o patrimonial. Em ambos os casos, ser\u00e1 obrigat\u00f3rio o uso do procedimento do IDPJ, previsto no artigo 855-A da CLT e nos artigos 133 a 137 do CPC, garantindo-se o contradit\u00f3rio e a ampla defesa. A tese fixada tamb\u00e9m tem aplica\u00e7\u00e3o retroativa a redirecionamentos ocorridos antes da <a href=\"https:\/\/www.jota.info\/opiniao-e-analise\/artigos\/o-que-mudou-em-sete-anos-de-reforma-trabalhista\">Reforma Trabalhista<\/a> de 2017, ressalvadas apenas as execu\u00e7\u00f5es j\u00e1 transitadas em julgado, cr\u00e9ditos quitados e processos definitivamente arquivados.<\/p>\n<h3><a href=\"https:\/\/conteudo.jota.info\/marketing-lp-conversao-jota-pro-trabalhista?utm_source=site&amp;utm_medium=lp&amp;utm_campaign=11-03-2025-site-lp-cta-pro-trabalhista-lead-site-audiencias-trabalhista&amp;utm_content=site-lp-cta-pro-trabalhista-lead-site-trabalhista&amp;utm_term=audiencias\">Conhe\u00e7a o <span class=\"jota\">JOTA<\/span> PRO Trabalhista, solu\u00e7\u00e3o corporativa que antecipa as movimenta\u00e7\u00f5es trabalhistas no Judici\u00e1rio, Legislativo e Executivo<\/a><\/h3>\n<p>A decis\u00e3o do STF permitir\u00e1 a solu\u00e7\u00e3o a cerca de 8 mil processos que estavam suspensos, com a prov\u00e1vel extin\u00e7\u00e3o das respectivas execu\u00e7\u00f5es e o retorno de centenas de milh\u00f5es de reais \u00e0s empresas e \u00e0 economia, que eram obrigadas a depositar em ju\u00edzo o valor das execu\u00e7\u00f5es apenas para exercerem o direito de se manifestar, muitas vezes t\u00e3o somente para explicarem que n\u00e3o faziam parte do grupo econ\u00f4mico.<\/p>\n<p>O entendimento fixado inaugura um novo marco na execu\u00e7\u00e3o trabalhista, refor\u00e7ando a coer\u00eancia constitucional do processo, garantindo que nenhuma empresa seja surpreendida por uma execu\u00e7\u00e3o sem a pr\u00e9via oportunidade de defesa. Al\u00e9m disso, aumentar\u00e1 a complexidade t\u00e9cnica das execu\u00e7\u00f5es, uma vez que os reclamantes dever\u00e3o instaurar o Incidente de Desconsidera\u00e7\u00e3o da Personalidade Jur\u00eddica e demonstrar, com provas concretas, a confus\u00e3o patrimonial ou a fraude.<\/p>\n<p>Na pr\u00e1tica, o Tema 1.232 restabelece, sob nova roupagem constitucional, a l\u00f3gica da antiga S\u00famula 205 do TST, agora respaldada pelos princ\u00edpios do devido processo legal e da seguran\u00e7a jur\u00eddica e robustecida com a necessidade de prova das circunst\u00e2ncias previstas no artigo 50 do C\u00f3digo Civil (fraude ou confus\u00e3o patrimonial).<\/p>\n<p>O precedente imp\u00f5e novas exig\u00eancias \u00e0s partes. Para as empresas e seus advogados, refor\u00e7a-se a necessidade de uma estrutura societ\u00e1ria transparente, separa\u00e7\u00e3o cont\u00e1bil rigorosa e documenta\u00e7\u00e3o que comprove a autonomia patrimonial, prevenindo imputa\u00e7\u00f5es indevidas. Para os reclamantes, surge a cautela de incluir eventuais devedores solid\u00e1rios j\u00e1 na peti\u00e7\u00e3o inicial, sob pena de n\u00e3o poder execut\u00e1-los posteriormente.<\/p>\n<p>O julgamento representa, em \u00faltima an\u00e1lise, um ponto de equil\u00edbrio entre a efetividade da execu\u00e7\u00e3o e a prote\u00e7\u00e3o das garantias constitucionais. O Supremo reafirma que nenhuma empresa pode ser responsabilizada sem contradit\u00f3rio e ampla defesa, mesmo que perten\u00e7a ao mesmo grupo econ\u00f4mico. Trata-se de uma decis\u00e3o que reposiciona a Justi\u00e7a do Trabalho sob a \u00f3tica constitucional, impondo maior t\u00e9cnica e responsabilidade na condu\u00e7\u00e3o das execu\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<h3><a href=\"https:\/\/t.me\/jotanotelegram\">Inscreva-se no canal do <span class=\"jota\">JOTA<\/span> no Telegram e acompanhe as principais not\u00edcias, artigos e an\u00e1lises!<\/a><\/h3>\n<p>Mais do que um precedente, o Tema 1.232 simboliza um correto e positivo ajuste de rota imposto pelo STF ao processo do trabalho \u00e0 luz do devido processo legal contempor\u00e2neo, em que a busca pela efetividade n\u00e3o pode se sobrepor \u00e0 princ\u00edpios maiores. A decis\u00e3o merece aplausos e abre espa\u00e7o para um Brasil mais previs\u00edvel, apto a receber mais investimentos internos e externos.<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A responsabilidade patrimonial na execu\u00e7\u00e3o trabalhista e os limites da responsabiliza\u00e7\u00e3o de empresas pertencentes (ou supostamente pertencentes) ao mesmo grupo econ\u00f4mico sempre foram objeto de intenso debate na jurisprud\u00eancia brasileira. 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