{"id":17189,"date":"2025-10-16T02:07:22","date_gmt":"2025-10-16T05:07:22","guid":{"rendered":"https:\/\/aprimora.site\/carvalhoalmeidaadvogados\/2025\/10\/16\/mapear-e-declarar-a-expansao-do-to-no-mapa-e-a-forca-dos-territorios-tradicionais-no-para\/"},"modified":"2025-10-16T02:07:22","modified_gmt":"2025-10-16T05:07:22","slug":"mapear-e-declarar-a-expansao-do-to-no-mapa-e-a-forca-dos-territorios-tradicionais-no-para","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/aprimora.site\/carvalhoalmeidaadvogados\/2025\/10\/16\/mapear-e-declarar-a-expansao-do-to-no-mapa-e-a-forca-dos-territorios-tradicionais-no-para\/","title":{"rendered":"Mapear \u00e9 declarar: a expans\u00e3o do \u2018T\u00f4 no Mapa\u2019 e a for\u00e7a dos territ\u00f3rios tradicionais no Par\u00e1"},"content":{"rendered":"<p>O reconhecimento dos <a href=\"https:\/\/www.jota.info\/opiniao-e-analise\/colunas\/em-clima-de-justica\/voce-sabe-quantos-territorios-de-povos-e-comunidades-tradicionais-existem-no-brasil\">territ\u00f3rios tradicionais<\/a> \u00e9, antes de tudo, um ato de justi\u00e7a. E quando o protagonismo \u00e9 das pr\u00f3prias comunidades, ele se torna tamb\u00e9m um exerc\u00edcio de autonomia. Foi com esse esp\u00edrito que o \u201c<a href=\"https:\/\/tonomapa.org.br\/\">T\u00f4 no Mapa\u201d<\/a>, iniciativa voltada a fortalecer a visibilidade e o direito territorial de povos e comunidades tradicionais, come\u00e7ou sua expans\u00e3o para o bioma <a href=\"https:\/\/www.jota.info\/tudo-sobre\/amazonia\">Amaz\u00f4nia<\/a>, com foco inicial no <a href=\"https:\/\/www.jota.info\/tudo-sobre\/para\">Par\u00e1<\/a>.<\/p>\n<h3><a href=\"https:\/\/www.jota.info\/produtos\/poder?utm_source=cta-site&amp;utm_medium=site&amp;utm_campaign=campanha_poder_q2&amp;utm_id=cta_texto_poder_q2_2023&amp;utm_term=cta_texto_poder&amp;utm_term=cta_texto_poder_meio_materias\"><span>Conhe\u00e7a o <span class=\"jota\">JOTA<\/span> PRO Poder, plataforma de monitoramento que oferece transpar\u00eancia e previsibilidade para empresas<\/span><\/a><\/h3>\n<p>Essa nova etapa acontece em parceria com a Malungu, organiza\u00e7\u00e3o que representa as comunidades quilombolas do estado e que h\u00e1 d\u00e9cadas atua pela defesa dos direitos territoriais, culturais e ambientais de popula\u00e7\u00f5es tradicionais. A alian\u00e7a entre tecnologia, conhecimento local e legitimidade comunit\u00e1ria \u00e9 o que d\u00e1 for\u00e7a a esse novo ciclo.<\/p>\n<p>A autodeclara\u00e7\u00e3o territorial tem um marco jur\u00eddico importante: o Enunciado 47 da 6\u00aa C\u00e2mara de Coordena\u00e7\u00e3o e Revis\u00e3o do Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal (<a href=\"https:\/\/www.jota.info\/tudo-sobre\/mpf\">MPF<\/a>), que reconhece a autodeclara\u00e7\u00e3o territorial como leg\u00edtima e com repercuss\u00f5es jur\u00eddicas. \u00c9 uma base que fortalece a atua\u00e7\u00e3o das comunidades e das institui\u00e7\u00f5es que as apoiam e reposiciona o debate sobre o que significa existir e ser reconhecido no territ\u00f3rio brasileiro.<\/p>\n<p>O <em>T\u00f4 no Mapa<\/em> nasceu no Cerrado, bioma onde a invisibilidade territorial \u00e9 uma das formas mais graves de desigualdade. Desde seu lan\u00e7amento, em 2020, mais de 399 comunidades foram cadastradas por meio da plataforma, representando cerca de 40 mil fam\u00edlias e mais de 1,3 milh\u00e3o de hectares.<\/p>\n<p>Esses n\u00fameros, por\u00e9m, contam apenas parte da hist\u00f3ria. Cada ponto registrado no mapa \u00e9 o resultado de uma reuni\u00e3o comunit\u00e1ria, de um processo de escuta e de reconhecimento coletivo. \u00c9 a comunidade que decide como se identifica, onde est\u00e3o seus limites e quais s\u00e3o os usos e pr\u00e1ticas tradicionais do territ\u00f3rio e os conflitos enfrentados.<\/p>\n<p>O <em>T\u00f4 no Mapa<\/em> surgiu, portanto, como uma resposta pr\u00e1tica \u00e0 pergunta: <em>como dar visibilidade e legitimidade aos territ\u00f3rios tradicionais que o Estado ainda n\u00e3o reconhece?<\/em><\/p>\n<h2><strong>Por que o Par\u00e1 \u00e9 estrat\u00e9gico<\/strong><\/h2>\n<p>Levar a iniciativa ao Par\u00e1 \u00e9 um passo importante. O estado concentra uma das maiores diversidades de povos e comunidades tradicionais da Amaz\u00f4nia, com desafios fundi\u00e1rios complexos e grande press\u00e3o por terra e recursos naturais.<\/p>\n<p>A parceria com a Malungu \u00e9 fundamental. A organiza\u00e7\u00e3o conhece as comunidades e tem legitimidade para conduzir processos de autodeclara\u00e7\u00e3o com seguran\u00e7a, respeito e base social.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, o Par\u00e1 \u00e9 hoje palco de disputas centrais entre conserva\u00e7\u00e3o, desenvolvimento e direitos territoriais. Levar o T\u00f4 no Mapa para l\u00e1 significa refor\u00e7ar que a\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas efetivas come\u00e7am com o reconhecimento de quem vive e cuida dos territ\u00f3rios.<\/p>\n<h2><strong>Autodeclara\u00e7\u00e3o: o direito de se reconhecer<\/strong><\/h2>\n<p>O <strong>Enunciado 47<\/strong> da 6\u00aa C\u00e2mara do MPF traz uma mudan\u00e7a relevante na forma como o Estado e o sistema de justi\u00e7a devem compreender as declara\u00e7\u00f5es territoriais feitas pelas pr\u00f3prias comunidades tradicionais. O texto afirma:<\/p>\n<p>\u201cA autodeclara\u00e7\u00e3o dos territ\u00f3rios tradicionais por povos e comunidades tradicionais \u00e9 leg\u00edtima e gera repercuss\u00f5es jur\u00eddicas, independentes e incidentais aos procedimentos de reconhecimento e titula\u00e7\u00e3o estatal.\u201d<\/p>\n<h3><a href=\"https:\/\/whatsapp.com\/channel\/0029VaFvFd73rZZflK7yGD0I\">Inscreva-se no canal de not\u00edcias do <span class=\"jota\">JOTA<\/span> no WhatsApp e fique por dentro das principais discuss\u00f5es do pa\u00eds!<\/a>\u00a0<span>\u00a0<\/span><\/h3>\n<p>Essa formula\u00e7\u00e3o reconhece que o direito de existir e de se identificar n\u00e3o depende apenas da chancela do Estado. A <strong>autodeclara\u00e7\u00e3o<\/strong> \u00e9 um instrumento leg\u00edtimo de reconhecimento social e pol\u00edtico, com efeitos jur\u00eddicos relevantes.<\/p>\n<p>Isso n\u00e3o substitui os processos formais de titula\u00e7\u00e3o, mas cria um novo ponto de partida: o Estado deve considerar e respeitar as autodeclara\u00e7\u00f5es nas suas pol\u00edticas fundi\u00e1rias e ambientais. E o MPF assume o papel de defensor institucional dessas iniciativas, podendo atuar judicial e extrajudicialmente para garantir seus efeitos.<\/p>\n<p>Na pr\u00e1tica, isso significa que comunidades que se autoidentificam e registram seus territ\u00f3rios, seja por meio do <em>T\u00f4 no Mapa<\/em>, da Malungu ou de outras plataformas, podem e devem ter suas informa\u00e7\u00f5es utilizadas em pol\u00edticas p\u00fablicas, zoneamentos ambientais e processos de regulariza\u00e7\u00e3o. No esfor\u00e7o de apoiar e concentrar os territ\u00f3rios autodeclarados, o Conselho Nacional de Povos e Comunidades Tradicionais (CNPCT), juntamente com o MPF, criaram a <a href=\"https:\/\/territoriostradicionais.mpf.mp.br\/\">Plataforma de Territ\u00f3rios Tradicionais \u2013 PTT<\/a>. Gra\u00e7as a um Acordo de Coopera\u00e7\u00e3o T\u00e9cnica, atrav\u00e9s do T\u00f4 no Mapa \u00e9 poss\u00edvel enviar o automapeamento direto para a PTT. Algumas institui\u00e7\u00f5es de governo j\u00e1 possuem Acordos de Coopera\u00e7\u00e3o com a Plataforma para consultarem os dados autodeclarados, garantindo que os PCTs (Povos e Comunidades Tradicionais) sejam inclu\u00eddos em pol\u00edticas p\u00fablicas e tenham seus direitos protegidos.<\/p>\n<h2><strong>Mapear \u00e9 existir<\/strong><\/h2>\n<p>Quando uma comunidade tradicional desenha seu territ\u00f3rio no mapa, ela n\u00e3o est\u00e1 apenas registrando um limite de \u00e1rea. Est\u00e1 dizendo: <em>\u201cn\u00f3s existimos e temos hist\u00f3ria aqui\u201d<\/em>.<\/p>\n<p>Reconhecer e proteger territ\u00f3rios tradicionais \u00e9 tamb\u00e9m agir pelo clima. Estudos do IPAM e de diversas institui\u00e7\u00f5es mostram que<a href=\"https:\/\/ipam.org.br\/cop29-terras-indigenas-nao-homologadas-sofrem-mais-com-desmatamento\/#:~:text=Em%20contraste%2C%20os%20territ%C3%B3rios%20ind%C3%ADgenas,de%20Estudos%20Ind%C3%ADgenas%20do%20IPAM.\"> \u00e1reas sob gest\u00e3o de povos e comunidades tradicionais t\u00eam taxas de desmatamento muito menores que as \u00e1reas vizinhas<\/a>. Esses territ\u00f3rios s\u00e3o barreiras reais contra o avan\u00e7o da degrada\u00e7\u00e3o e reservat\u00f3rios de carbono e biodiversidade.<\/p>\n<p>Quando o reconhecimento territorial \u00e9 atrasado ou negado, perde-se n\u00e3o s\u00f3 um direito humano, mas tamb\u00e9m uma estrat\u00e9gia de mitiga\u00e7\u00e3o clim\u00e1tica. Por isso, o avan\u00e7o do T\u00f4 no Mapa na Amaz\u00f4nia n\u00e3o \u00e9 apenas uma a\u00e7\u00e3o de mapeamento social: \u00e9 uma ferramenta concreta de pol\u00edtica clim\u00e1tica e justi\u00e7a ambiental.<\/p>\n<p>Com o apoio da Malungu e de tantas outras organiza\u00e7\u00f5es locais, o Par\u00e1 pode se tornar um exemplo de como a autodeclara\u00e7\u00e3o territorial e a participa\u00e7\u00e3o comunit\u00e1ria fortalecem tanto os direitos humanos quanto a agenda clim\u00e1tica.<\/p>\n<p>Se o Cerrado mostrou o caminho, a Amaz\u00f4nia agora amplia o horizonte!<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O reconhecimento dos territ\u00f3rios tradicionais \u00e9, antes de tudo, um ato de justi\u00e7a. E quando o protagonismo \u00e9 das pr\u00f3prias comunidades, ele se torna tamb\u00e9m um exerc\u00edcio de autonomia. 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