{"id":15285,"date":"2025-09-29T15:58:18","date_gmt":"2025-09-29T18:58:18","guid":{"rendered":"https:\/\/aprimora.site\/carvalhoalmeidaadvogados\/2025\/09\/29\/candidaturas-trans-triplicaram-em-dez-anos-mas-so-5-conseguem-se-eleger\/"},"modified":"2025-09-29T15:58:18","modified_gmt":"2025-09-29T18:58:18","slug":"candidaturas-trans-triplicaram-em-dez-anos-mas-so-5-conseguem-se-eleger","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/aprimora.site\/carvalhoalmeidaadvogados\/2025\/09\/29\/candidaturas-trans-triplicaram-em-dez-anos-mas-so-5-conseguem-se-eleger\/","title":{"rendered":"Candidaturas trans triplicaram em dez anos, mas s\u00f3 5% conseguem se eleger"},"content":{"rendered":"<p>Entre 2014 e 2024, 1.242 pessoas trans disputaram elei\u00e7\u00f5es no Brasil. O crescimento \u00e9 real e constante, mas a reelei\u00e7\u00e3o \u00e9 rara \u2014 e isso diz muito sobre como a presen\u00e7a pol\u00edtica avan\u00e7a, mas ainda emperra na constru\u00e7\u00e3o de carreiras duradouras.<\/p>\n<h3>O paradoxo da visibilidade sem continuidade<\/h3>\n<p>Nos \u00faltimos dez anos, as campanhas de pessoas trans sa\u00edram da invisibilidade e viraram parte do cen\u00e1rio eleitoral brasileiro. Deputadas como Erika Hilton (PSOL-SP) e Duda Salabert (PDT-MG) se tornaram s\u00edmbolos dessa presen\u00e7a crescente no Congresso Nacional. Isso importa porque quem entra na disputa ajuda a pautar o debate p\u00fablico e reduzir a dist\u00e2ncia entre institui\u00e7\u00f5es e grupos historicamente exclu\u00eddos.<\/p>\n<h3><a href=\"https:\/\/www.jota.info\/produtos\/poder?utm_source=cta-site&amp;utm_medium=site&amp;utm_campaign=campanha_poder_q2&amp;utm_id=cta_texto_poder_q2_2023&amp;utm_term=cta_texto_poder&amp;utm_term=cta_texto_poder_meio_materias\"><span>Conhe\u00e7a o <span class=\"jota\">JOTA<\/span> PRO Poder, plataforma de monitoramento que oferece transpar\u00eancia e previsibilidade para empresas<\/span><\/a><\/h3>\n<p>Ainda assim, barreiras permanecem: falta de recursos, redes de apoio fr\u00e1geis e aus\u00eancia de estat\u00edsticas oficiais sobre a popula\u00e7\u00e3o trans \u2014 o Censo n\u00e3o mede esse contingente. Para o leitor comum, a pergunta central \u00e9 simples: esse novo protagonismo se traduziu em presen\u00e7a efetiva nos cargos e continuidade de carreira? Uma pesquisa in\u00e9dita da UFPR oferece um retrato detalhado do per\u00edodo 2014-2024, com pistas \u00fateis para entender esse fen\u00f4meno democr\u00e1tico.<\/p>\n<h3>Crescimento constante, mas concentrado na \u201cporta de entrada\u201d<\/h3>\n<p>O estudo cruzou dados da Antra (Associa\u00e7\u00e3o Nacional de Travestis e Transsexuais) com registros oficiais do <a href=\"https:\/\/www.jota.info\/tudo-sobre\/TSE\">TSE<\/a>. O resultado: um banco de dados com 1.242 candidaturas mapeadas, incluindo vari\u00e1veis de idade, ra\u00e7a\/cor, escolaridade, partido e hist\u00f3rico eleitoral.<\/p>\n<p>Os n\u00fameros mostram expans\u00e3o consistente em todos os ciclos. Nas elei\u00e7\u00f5es federais, saltou de 13 candidaturas em 2014 para 81 em 2022. Nas municipais, o crescimento foi ainda mais dram\u00e1tico: de 131 em 2016 para impressionantes 734 em 2024.<\/p>\n<p><strong>Gr\u00e1fico 1: Evolu\u00e7\u00e3o das candidaturas trans (2014-2024)<\/strong><\/p>\n\n<p>Geograficamente, Sudeste (38,81%) e Nordeste (30,11%) concentram a maioria \u2014 em linha com o peso populacional, mas com uma surpresa: o Nordeste aparece acima do esperado quando se compara sua fatia de candidaturas \u00e0 participa\u00e7\u00e3o demogr\u00e1fica. No Sul, o Rio Grande do Sul se destaca com participa\u00e7\u00e3o de candidaturas trans maior que sua fatia populacional na regi\u00e3o, concentrando quase metade dos casos sulistas (49,22%).<\/p>\n<p>Quanto aos cargos, h\u00e1 um padr\u00e3o n\u00edtido: a verean\u00e7a responde por cerca de 87% de todas as tentativas. Em elei\u00e7\u00f5es gerais, as disputas se concentram em deputado(a) estadual e federal. Cargos de maior exig\u00eancia et\u00e1ria, como Senado (35 anos) e governos (30 anos), quase n\u00e3o aparecem \u2014 algo compreens\u00edvel quando se considera a expectativa de vida m\u00e9dia estimada para a popula\u00e7\u00e3o trans (35 anos) e as dificuldades de construir carreiras pol\u00edticas longas.<\/p>\n<h3>Perfil: jovens, negras e com baixa continuidade<\/h3>\n<p>O perfil das candidatas contrasta com o padr\u00e3o tradicional da pol\u00edtica. A idade m\u00e9dia fica em torno dos 40 anos, a maioria (42,27%) possui ensino m\u00e9dio completo, e outros 22,30% t\u00eam ensino superior. Um dado marcante \u00e9 a composi\u00e7\u00e3o racial: 62,15% se autodeclaram negras (somando pardas e pretas), propor\u00e7\u00e3o muito superior \u00e0 m\u00e9dia dos pol\u00edticos brasileiros (23,3%).<\/p>\n<p><strong>Gr\u00e1fico 2: Perfil racial das candidatas trans<\/strong><\/p>\n\n<p>Al\u00e9m disso, 86,71% se declaram solteiras \u2014 \u00edndice que pode refletir tanto escolhas pessoais quanto problemas com o registro formal de uni\u00f5es, ou at\u00e9 o n\u00e3o interesse na forma\u00e7\u00e3o tradicional de fam\u00edlia. Sobre reelei\u00e7\u00e3o, o achado \u00e9 claro: predomina a supl\u00eancia (60,47%) e poucos retornam ao pleito seguinte com estrutura competitiva. Apenas 5,31% conseguem se eleger efetivamente.<\/p>\n<p><strong>Gr\u00e1fico 3: Destino das candidaturas trans (2014-2024)<\/strong><\/p>\n\n<h3>Partidos de esquerda lideram, mas falta continuidade<\/h3>\n<p>PT (167 candidaturas) e PSOL (136) emergiram como os principais lan\u00e7adores, seguidos por PSB (104) e PDT (91). Juntos, esses partidos sinalizam ambientes mais receptivos a essas lideran\u00e7as, mas a concentra\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m revela limites: a diversidade partid\u00e1ria ainda \u00e9 baixa.<\/p>\n<p><strong>Gr\u00e1fico 4: Top 6 partidos que mais lan\u00e7am candidaturas trans<\/strong><\/p>\n\n<h3>O que precisa mudar para ir al\u00e9m da porta de entrada<\/h3>\n<p>Primeiro, n\u00e3o basta abrir a porta; \u00e9 preciso garantir perman\u00eancia. O salto de candidaturas amplia a visibilidade, mas o funil entre \u201clan\u00e7ar o nome\u201d e \u201cmanter um projeto pol\u00edtico\u201d segue estreito. Isso pede a\u00e7\u00f5es concretas: forma\u00e7\u00e3o de quadros, mentorias com parlamentares experientes, estrat\u00e9gias de financiamento compat\u00edveis com campanhas competitivas e crit\u00e9rios claros de distribui\u00e7\u00e3o de recursos partid\u00e1rios.<\/p>\n<p>Segundo, \u00e9 hora de melhorar a informa\u00e7\u00e3o p\u00fablica. Para formular pol\u00edticas s\u00e9rias, precisamos de dados padronizados. Duas mudan\u00e7as fariam diferen\u00e7a r\u00e1pida: (a) padronizar campos de identidade de g\u00eanero no TSE, com preenchimento simples e prote\u00e7\u00e3o de dados; (b) incorporar de maneira adequada m\u00f3dulos de identidade de g\u00eanero em pesquisas oficiais como PNAD, enquanto se discute a viabilidade no Censo. Sem diagn\u00f3stico preciso, n\u00e3o h\u00e1 pol\u00edtica eficaz.<\/p>\n<h3>Da exce\u00e7\u00e3o \u00e0 normalidade democr\u00e1tica<\/h3>\n<p>O Brasil viu mais pessoas trans disputando elei\u00e7\u00f5es \u2014 e isso \u00e9 uma boa not\u00edcia democr\u00e1tica. Mas o retrato de 2014-2024 mostra um avan\u00e7o ainda concentrado na porta de entrada e fr\u00e1gil na constru\u00e7\u00e3o de carreira. Se quisermos que a presen\u00e7a vire representa\u00e7\u00e3o duradoura, precisamos alinhar incentivos partid\u00e1rios, financiamento e informa\u00e7\u00e3o de qualidade.<\/p>\n<p>A pergunta que fica \u00e9 direta: o que estamos dispostos a mudar para que trajet\u00f3rias pol\u00edticas trans deixem de ser exce\u00e7\u00e3o e passem a ser parte da normalidade democr\u00e1tica?<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Entre 2014 e 2024, 1.242 pessoas trans disputaram elei\u00e7\u00f5es no Brasil. 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