{"id":15254,"date":"2025-09-29T10:06:37","date_gmt":"2025-09-29T13:06:37","guid":{"rendered":"https:\/\/aprimora.site\/carvalhoalmeidaadvogados\/2025\/09\/29\/a-cop30-pode-ser-o-divisor-de-aguas-que-o-mundo-precisa-diz-andre-guimaraes\/"},"modified":"2025-09-29T10:06:37","modified_gmt":"2025-09-29T13:06:37","slug":"a-cop30-pode-ser-o-divisor-de-aguas-que-o-mundo-precisa-diz-andre-guimaraes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/aprimora.site\/carvalhoalmeidaadvogados\/2025\/09\/29\/a-cop30-pode-ser-o-divisor-de-aguas-que-o-mundo-precisa-diz-andre-guimaraes\/","title":{"rendered":"A COP30 pode ser o divisor de \u00e1guas que o mundo precisa, diz Andr\u00e9 Guimar\u00e3es"},"content":{"rendered":"<p>O Brasil vive, hoje, a conviv\u00eancia de duas vis\u00f5es sobre desenvolvimento: uma dos anos 70 que v\u00ea na expans\u00e3o da fronteira agr\u00edcola uma solu\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica, e outra que entende ser preciso manter a floresta em p\u00e9 para proteger a pr\u00f3pria agricultura. A reflex\u00e3o \u00e9 de Andr\u00e9 Guimar\u00e3es, diretor-executivo do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amaz\u00f4nia (<a href=\"https:\/\/www.jota.info\/tudo-sobre\/ipam\">IPAM<\/a>) e enviado especial para a sociedade civil da <a href=\"https:\/\/www.jota.info\/tudo-sobre\/cop30\">COP30<\/a>, e captura um dos maiores paradoxos do agroneg\u00f3cio brasileiro: como o setor que se tornou pot\u00eancia global desmatando precisa das florestas para continuar produzindo.<\/p>\n<p>Engenheiro agr\u00f4nomo que h\u00e1 mais de duas d\u00e9cadas atua na interface entre pesquisa e pol\u00edtica p\u00fablica, Guimar\u00e3es testemunhou a transforma\u00e7\u00e3o de conceitos cient\u00edficos em pol\u00edticas globais. Foi assim com o REDD+, mecanismo para remunerar florestas em p\u00e9 desenvolvido pela sociedade civil \u2014 incluindo IPAM, Imazon e outras organiza\u00e7\u00f5es \u2014 e que hoje integra oficialmente a agenda clim\u00e1tica da <a href=\"https:\/\/www.jota.info\/tudo-sobre\/onu\">ONU<\/a>.<\/p>\n<h3><a href=\"https:\/\/www.jota.info\/produtos\/poder?utm_source=cta-site&amp;utm_medium=site&amp;utm_campaign=campanha_poder_q2&amp;utm_id=cta_texto_poder_q2_2023&amp;utm_term=cta_texto_poder&amp;utm_term=cta_texto_poder_meio_materias\"><span>Conhe\u00e7a o <span class=\"jota\">JOTA<\/span> PRO Poder, plataforma de monitoramento que oferece transpar\u00eancia e previsibilidade para empresas<\/span><\/a><\/h3>\n<p>Em entrevista, Guimar\u00e3es revela os bastidores da prepara\u00e7\u00e3o para Bel\u00e9m, analisa como a sociedade civil brasileira influencia as negocia\u00e7\u00f5es globais e explica por que acredita que o Brasil est\u00e1 no momento certo para liderar a transi\u00e7\u00e3o de um modelo de desenvolvimento \u201cultrapassado\u201d para uma nova economia que reconhece a interdepend\u00eancia entre produ\u00e7\u00e3o e conserva\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Como voc\u00ea avalia as expectativas da sociedade civil para a COP 30, especialmente ap\u00f3s tr\u00eas COPs consecutivas em pa\u00edses com regimes autorit\u00e1rios?<\/strong><\/p>\n<p>\u00c9 importante dizer que a sociedade civil acompanha e influencia as decis\u00f5es das COPs desde sempre. Diferente do setor privado, que come\u00e7ou a se envolver h\u00e1 cerca de dez COPs atr\u00e1s, mais ou menos, depois do Acordo de Paris, ou dos governos subnacionais, que entraram mais recentemente, a sociedade civil est\u00e1 presente desde o primeiro dia. Na Rio92 j\u00e1 houve a C\u00fapula dos Povos e movimentos organizados em paralelo \u00e0 confer\u00eancia oficial. Por isso h\u00e1 uma grande expectativa em rela\u00e7\u00e3o a Bel\u00e9m. Foram tr\u00eas COPs em sequ\u00eancia onde manifesta\u00e7\u00f5es p\u00fablicas foram limitadas, onde muitos protestos e posicionamentos da sociedade civil n\u00e3o puderam ser feitos pelas caracter\u00edsticas dos pa\u00edses anfitri\u00f5es.<\/p>\n<p><strong>O que torna Bel\u00e9m especial para a sociedade civil?<\/strong><\/p>\n<p>Estamos agora no Brasil, na Amaz\u00f4nia, em Bel\u00e9m do Par\u00e1 \u2014 tudo isso s\u00e3o atrativos. O Brasil \u00e9 uma lideran\u00e7a global na agenda clim\u00e1tica, a Amaz\u00f4nia \u00e9 um grande chamariz e, ao mesmo tempo, um agente importante na equa\u00e7\u00e3o clim\u00e1tica do planeta. Bel\u00e9m \u00e9 uma cidade emblem\u00e1tica. Certamente vamos ter uma presen\u00e7a muito forte da sociedade civil. Vamos ver manifesta\u00e7\u00f5es de rua, protestos de jovens, grupos minorit\u00e1rios, ind\u00edgenas se manifestando, do Brasil e de fora. Essa COP n\u00e3o vai ser diferente das outras: teremos queixas, mas o mais importante ser\u00e1 a participa\u00e7\u00e3o efetiva da sociedade.<\/p>\n<p><strong>A sociedade civil de fato consegue influenciar as decis\u00f5es das COPs?<\/strong><\/p>\n<p>Sim, as manifesta\u00e7\u00f5es da sociedade t\u00eam potencial de influenciar decis\u00f5es no mais alto n\u00edvel. Vou dar um exemplo concreto: h\u00e1 quase 20 anos, cientistas do IPAM e outras organiza\u00e7\u00f5es, como o Imazon, desenvolveram um racional cient\u00edfico para remunerar florestas em p\u00e9. Esse conceito, desenvolvido pela sociedade civil, hoje \u00e9 aceito pelas Na\u00e7\u00f5es Unidas como o REDD+, a redu\u00e7\u00e3o de emiss\u00f5es pelo desmatamento e degrada\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O Brasil historicamente tem protagonizado essas influ\u00eancias. O Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL) foi uma proposta brasileira que viabilizou o Protocolo de Quioto. Na COP de Copenhague, quando a expectativa com o Obama foi frustrada, a presen\u00e7a do presidente Lula foi extremamente representativa, ele instigou as na\u00e7\u00f5es a continuarem atuando mesmo com dificuldades pol\u00edticas.<\/p>\n<p><strong>Como os observadores da sociedade civil atuam durante as negocia\u00e7\u00f5es oficiais?<\/strong><\/p>\n<p>A delega\u00e7\u00e3o brasileira tem o h\u00e1bito de fazer conversas no final do dia ou ap\u00f3s dois dias de negocia\u00e7\u00e3o, convidando observadores para informar como as coisas est\u00e3o acontecendo e ouvir as prioridades da sociedade civil. Esse \u00e9 um h\u00e1bito brasileiro, imagino que outras delega\u00e7\u00f5es fa\u00e7am algo similar. Aquele \u00e9 um momento de intera\u00e7\u00e3o e influ\u00eancia. Dentro da negocia\u00e7\u00e3o em si, os observadores n\u00e3o podem se manifestar, apenas observam, analisam, saem e conversam com organiza\u00e7\u00f5es e parceiros. As manifesta\u00e7\u00f5es s\u00e3o apenas das partes, que s\u00e3o os governos nacionais. A sociedade civil brasileira \u00e9 extremamente ativa globalmente. Essa rede de articula\u00e7\u00f5es gera press\u00f5es mundiais. Tanto a nossa sociedade civil, quanto o governo brasileiro s\u00e3o vistos como l\u00edderes nessa quest\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Estamos vivendo um momento de tens\u00e3o entre diferentes vis\u00f5es sobre desenvolvimento. Como voc\u00ea v\u00ea essa disputa, especialmente na agricultura?<\/strong><\/p>\n<p>Estamos em um momento de transi\u00e7\u00e3o global onde diferentes vis\u00f5es coexistem. No caso do agro brasileiro, temos parte do setor que ainda mant\u00e9m uma vis\u00e3o dos anos 70 e 80, patrimonialista, de expans\u00e3o permanente da fronteira, de convers\u00e3o de mais \u00e1reas para agricultura. Essa vis\u00e3o fez sentido naquele per\u00edodo. Precis\u00e1vamos ampliar exporta\u00e7\u00f5es e produ\u00e7\u00e3o, o mundo demandava mais alimentos, era necess\u00e1rio abrir a fronteira agr\u00edcola. O processo foi importante para equilibrar oferta e demanda global. O caso da China \u00e9 emblem\u00e1tico, ela conseguiu tirar centenas de milh\u00f5es de pessoas da pobreza, e o agro brasileiro foi crucial nesse processo.<\/p>\n<p><strong>Mas essa l\u00f3gica ainda se sustenta hoje?<\/strong><\/p>\n<p>Hoje temos mais ci\u00eancia, mais informa\u00e7\u00f5es que exigem um ajuste. Nos \u00faltimos 50 anos, o Brasil saiu de importador para um dos maiores produtores e exportadores de commodities agr\u00edcolas do mundo. Isso aconteceu gra\u00e7as \u00e0 Embrapa, ao Plano Safra, aos incentivos fiscais, \u00e9 uma transforma\u00e7\u00e3o espetacular. Mas essa transforma\u00e7\u00e3o custou 50% do Cerrado e 20% da Amaz\u00f4nia. O modelo expansionista que nos trouxe at\u00e9 aqui precisa ser revisado porque hoje sabemos algo que n\u00e3o sab\u00edamos h\u00e1 50 anos: a agricultura tropical tem uma rela\u00e7\u00e3o de simbiose com a natureza.<\/p>\n<h3><a href=\"https:\/\/conteudo.jota.info\/marketing-lp-newsletter-ultimas-noticias?utm_source=jota&amp;utm_medium=lp&amp;utm_campaign=23-09-2024-jota-lp-eleicoes-2024-eleicoes-2024-none-audiencias-none&amp;utm_content=eleicoes-2024&amp;utm_term=none\"><span>Assine gratuitamente a newsletter \u00daltimas Not\u00edcias do <span class=\"jota\">JOTA<\/span> e receba as principais not\u00edcias jur\u00eddicas e pol\u00edticas do dia no seu email<\/span><\/a><\/h3>\n<p><strong>Qual \u00e9 essa rela\u00e7\u00e3o de simbiose?<\/strong><\/p>\n<p>Se somos um grande player na produ\u00e7\u00e3o de alimentos \u00e9 porque temos a Amaz\u00f4nia, que rega e distribui \u00e1gua pelo sul da pr\u00f3pria Amaz\u00f4nia, pelo Cerrado, pela Mata Atl\u00e2ntica, estendendo at\u00e9 Bol\u00edvia, Paraguai e Argentina. A umidade da Amaz\u00f4nia \u00e9 o que faz o sucesso da agricultura do Cone Sul. Hoje temos pleno entendimento: cada \u00e1rvore que tiro da Amaz\u00f4nia s\u00e3o 1.000 litros a menos de \u00e1gua bombeados para a atmosfera. Consequentemente, menos chuva e pior distribui\u00e7\u00e3o h\u00eddrica.<\/p>\n<p><strong>Ent\u00e3o qual \u00e9 o novo paradigma?<\/strong><\/p>\n<p>No passado, o paradigma era: \u201ctenho que tirar a floresta para fazer agricultura\u201d. O paradigma agora \u00e9: \u201cquanto e onde tenho que deixar a floresta para proteger minha agricultura\u201d. No Brasil, 90% da produ\u00e7\u00e3o agropecu\u00e1ria n\u00e3o \u00e9 irrigada, ela depende de ciclos naturais de chuva determinados pelas florestas. Em \u00faltima inst\u00e2ncia, proteger a floresta \u00e9 proteger o agro brasileiro. Esse \u00e9 o grande paradigma que temos que encarar como sociedade.<\/p>\n<p><strong>Existe resist\u00eancia a essa mudan\u00e7a?<\/strong><\/p>\n<p>Existem embates, sim. Voc\u00ea v\u00ea polariza\u00e7\u00e3o no Congresso, vis\u00f5es antag\u00f4nicas dentro do pr\u00f3prio governo sobre quest\u00f5es ambientais e l\u00f3gicas de desenvolvimento. S\u00e3o processos naturais em um pa\u00eds democr\u00e1tico como o Brasil. Mas temos que discutir com o p\u00e9 no ch\u00e3o. O p\u00e9 no ch\u00e3o diz que precisamos mudar. N\u00e3o d\u00e1 para continuar aplicando protocolos da Revolu\u00e7\u00e3o Verde dos anos 50 e 60 se sabemos que precisamos da natureza para proteger a produ\u00e7\u00e3o, que precisamos da vegeta\u00e7\u00e3o nativa para circular umidade e estabilizar chuvas.<\/p>\n<p><strong>Os produtores est\u00e3o percebendo essa necessidade?<\/strong><\/p>\n<p>O fazendeiro \u00e9 o primeiro a entender a sua depend\u00eancia de fen\u00f4menos clim\u00e1ticos e o primeiro a perceber que algo mudou. Quando quebra a safra um ano, diz que \u00e9 acaso. Dois anos, azar. Tr\u00eas, quatro anos seguidos, a\u00ed acendem luzes amarelas e vermelhas. N\u00e3o temos quebras generalizadas \u2014 paradoxalmente, este ano o Brasil produziu mais que o anterior. Mas localizadamente j\u00e1 vemos movimentos de redu\u00e7\u00e3o de investimentos na segunda safra, indicativos de incerteza sobre a chegada das chuvas.<\/p>\n<p><strong>E como eles est\u00e3o reagindo?<\/strong><\/p>\n<p>Essas pessoas est\u00e3o buscando alternativas agron\u00f4micas, novas variedades, t\u00e9cnicas, protocolos para adaptar a produ\u00e7\u00e3o. \u00c9 um movimento ainda silencioso, mas que certamente se acentuar\u00e1: a adapta\u00e7\u00e3o da agricultura tropical ao aquecimento global. Vejo um movimento crescente no entendimento, na aceita\u00e7\u00e3o e na aplica\u00e7\u00e3o de novas metodologias. Grandes produtores, grupos empresariais que entendem melhor o cen\u00e1rio mundial, j\u00e1 promovem adapta\u00e7\u00f5es, investem em novos sistemas produtivos, participam de pesquisas sobre riscos e solu\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p><strong>O que a COP30 pode representar para o futuro do Brasil?<\/strong><\/p>\n<p>Ela consolida nossa lideran\u00e7a na agenda clim\u00e1tica global num momento em que essa agenda ganha nova propor\u00e7\u00e3o. Houve alguns momentos cruciais na hist\u00f3ria ambiental planet\u00e1ria: Rio 92, a frustra\u00e7\u00e3o de Copenhague, Paris e agora Bel\u00e9m. Na metade ou mais desses momentos, o Brasil foi protagonista. Ao consolidar essa lideran\u00e7a, o Brasil se torna atrativo para investimentos, ganha <em>soft power<\/em> e interesse de outros pa\u00edses. Turismo, exporta\u00e7\u00f5es, agrega\u00e7\u00e3o de valor, investimentos externos \u2014 tudo ganha. \u00c9 um conjunto de benef\u00edcios tang\u00edveis dif\u00edceis de mensurar completamente.<\/p>\n<p><strong>Que tipo de investimentos podem vir?<\/strong><\/p>\n<p>Estamos falando de um planeta em aquecimento que precisa rever processos, e isso exige investimentos. A presid\u00eancia da COP aposta na constru\u00e7\u00e3o do TFF \u2014 o fundo tropical para florestas tropicais \u2014 que valoriza florestas em p\u00e9 e pa\u00edses que as mant\u00eam. Voc\u00ea v\u00ea o BNDES criando instrumentos para restaura\u00e7\u00e3o florestal, o Ecoinvest do governo federal, o Plano Safra incorporando crit\u00e9rios clim\u00e1ticos e de cumprimento do c\u00f3digo florestal. Esse tipo de mecanismo caminha para uma nova economia, uma nova forma das atividades humanas se relacionarem com a natureza.<\/p>\n<h3><a href=\"https:\/\/whatsapp.com\/channel\/0029VaFvFd73rZZflK7yGD0I\">Inscreva-se no canal de not\u00edcias do <span class=\"jota\">JOTA<\/span> no WhatsApp e fique por dentro das principais discuss\u00f5es do pa\u00eds!<\/a> <span>\u00a0<\/span><\/h3>\n<p><strong>Qual \u00e9 a dimens\u00e3o geopol\u00edtica dessa COP?<\/strong><\/p>\n<p>O Brasil recoloca o debate nos trilhos, traz de volta a agenda sul-sul. As \u00faltimas COPs aconteceram no hemisf\u00e9rio norte. Agora teremos Brasil, possivelmente Austr\u00e1lia, depois eventualmente \u00c1frica. Ou seja, dois a tr\u00eas anos seguidos de visibilidade para o sul global. Tivemos G20 no ano passado, agora a \u00c1frica do Sul lidera o G20, tivemos o BRICS que \u201csacudiu\u201d o mundo. Tudo isso tem o Brasil envolvido. Os interesses e a credibilidade brasileira crescem neste momento estrat\u00e9gico planet\u00e1rio.<\/p>\n<p><strong>Qual \u00e9 o tamanho da responsabilidade do Brasil nesta COP?<\/strong><\/p>\n<p>Talvez seja a COP mais importante de todas porque \u00e9 um divisor de \u00e1guas. Dali precisamos encaminhar solu\u00e7\u00f5es e ver a curva de emiss\u00f5es de carbono inclinando para baixo. Esse \u00e9 o tamanho da ambi\u00e7\u00e3o e da expectativa sobre nossos ombros. Recentemente participei de uma reuni\u00e3o de ministros de meio ambiente da Am\u00e9rica Latina no M\u00e9xico, com representantes de quase 30 pa\u00edses. Foi claramente uma reuni\u00e3o de apoio \u00e0 lideran\u00e7a brasileira na COP. Vi e escutei daqueles ministros a expectativa e a confian\u00e7a que depositam no Brasil.<\/p>\n<p>Temos condi\u00e7\u00f5es de entregar muito das expectativas \u2014 n\u00e3o tudo, porque n\u00e3o existe perfei\u00e7\u00e3o nessa agenda. Mas podemos mostrar que \u00e9 poss\u00edvel produzir alimentos sem desmatar, reverter desmatamento com restaura\u00e7\u00e3o florestal, mitigar impactos clim\u00e1ticos atrav\u00e9s da conserva\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u00c9 um momento \u00edmpar para o Brasil e para a agenda clim\u00e1tica global. A COP30 \u00e9 um momento importante de uma jornada que come\u00e7ou h\u00e1 d\u00e9cadas e ter\u00e1 muitas d\u00e9cadas pela frente, exigindo de todos n\u00f3s muita aten\u00e7\u00e3o, compromisso e trabalho.<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Brasil vive, hoje, a conviv\u00eancia de duas vis\u00f5es sobre desenvolvimento: uma dos anos 70 que v\u00ea na expans\u00e3o da fronteira agr\u00edcola uma solu\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica, e outra que entende ser preciso manter a floresta em p\u00e9 para proteger a pr\u00f3pria agricultura. 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