{"id":14291,"date":"2025-09-10T18:14:11","date_gmt":"2025-09-10T21:14:11","guid":{"rendered":"https:\/\/aprimora.site\/carvalhoalmeidaadvogados\/2025\/09\/10\/tarifas-globais-ameacam-o-processo-de-transicao-energetica\/"},"modified":"2025-09-10T18:14:11","modified_gmt":"2025-09-10T21:14:11","slug":"tarifas-globais-ameacam-o-processo-de-transicao-energetica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/aprimora.site\/carvalhoalmeidaadvogados\/2025\/09\/10\/tarifas-globais-ameacam-o-processo-de-transicao-energetica\/","title":{"rendered":"Tarifas globais amea\u00e7am o processo de transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica"},"content":{"rendered":"<p><span>Em meio \u00e0s crescentes tens\u00f5es comerciais, um estudo da <\/span><a href=\"https:\/\/www.mckinsey.com\/industries\/electric-power-and-natural-gas\/our-insights\/how-might-tariffs-affect-the-energy-transition?utm_source=newsletters+eixos&amp;utm_campaign=a8aede4e8e-EMAIL_CAMPAIGN_2025_08_04_09_49&amp;utm_medium=email&amp;utm_term=0_-a8aede4e8e-505972167\"><span>consultoria McKinsey<\/span><\/a><span>, divulgado em julho de 2025, alerta que tarifas elevadas \u2013 como o tarifa\u00e7o imposto pelos Estados Unidos em 50% a importa\u00e7\u00e3o para produtos brasileiros \u2013 podem desacelerar a transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica, aumentar custos e refor\u00e7ar a depend\u00eancia de combust\u00edveis f\u00f3sseis nos pr\u00f3ximos anos. Embora a an\u00e1lise foque nos Estados Unidos e na Uni\u00e3o Europeia, especialistas avaliam que efeitos devem se estender para pa\u00edses que t\u00eam buscado se inserir no contexto da transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica e est\u00e3o sujeitos ao aumento da tributa\u00e7\u00e3o, como o Brasil.<\/span><\/p>\n<p><span>O relat\u00f3rio projeta tr\u00eas cen\u00e1rios diferentes: um de acelera\u00e7\u00e3o da produtividade, em que a transi\u00e7\u00e3o segue praticamente intacta apesar das tarifas; um intermedi\u00e1rio, em que barreiras comerciais reduzem o com\u00e9rcio de insumos cr\u00edticos como baterias e pain\u00e9is solares; e um quadro mais severo, de escalada das tens\u00f5es globais. Este \u00faltimo poderia estagnar a expans\u00e3o das renov\u00e1veis e atrasar em at\u00e9 dois anos as metas europeias de energia limpa. Nos Estados Unidos, o risco \u00e9 ainda maior: a participa\u00e7\u00e3o das fontes renov\u00e1veis poderia estagnar ap\u00f3s 2035, com espa\u00e7o crescente para o g\u00e1s natural.<\/span><\/p>\n<p><span>O cientista pol\u00edtico e professor da Funda\u00e7\u00e3o Get\u00falio Vargas (FGV) Guilherme Casar\u00f5es explica que a <\/span><a href=\"https:\/\/www.jota.info\/executivo\/trump-oficializa-tarifa-de-50-ao-brasil-resposta-as-politicas-do-pais\"><span>pol\u00edtica <strong>tarif\u00e1ria<\/strong><\/span><\/a><span> implementada pelo governo de Donald Trump pode ter consequ\u00eancias profundas. \u201cNo cen\u00e1rio mais negativo, a tend\u00eancia natural seria de reindustrializa\u00e7\u00e3o baseada em combust\u00edveis f\u00f3sseis, como g\u00e1s e petr\u00f3leo. Isso poderia desacelerar a transi\u00e7\u00e3o de forma contundente, comprometendo as metas globais de redu\u00e7\u00e3o de emiss\u00f5es\u201d, afirma.<\/span><\/p>\n<p><span>De acordo com o acad\u00eamico, enquanto a Uni\u00e3o Europeia ainda poderia manter parte de suas metas, mesmo com atrasos, os Estados Unidos correm o risco de abandonar o protagonismo energ\u00e9tico limpo. \u201cH\u00e1 um lado negacionista nas pol\u00edticas de Trump, que resgata o lema \u2018drill, baby, drill\u2019, em refer\u00eancia \u00e0 explora\u00e7\u00e3o intensiva de petr\u00f3leo e g\u00e1s de xisto. Esse discurso vai contra o movimento global em dire\u00e7\u00e3o \u00e0s energias renov\u00e1veis.\u201d<\/span><\/p>\n<h3>Efeitos pr\u00e1ticos<\/h3>\n<p><!--StartFragment --><\/p>\n<p class=\"pf0\"><span class=\"cf0\">De forma pr\u00e1tica no territ\u00f3rio nacional, Telmo Ghiorzi, presidente executivo da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira das Empresas de Bens e Servi\u00e7os de Petr\u00f3leo (ABESPetro), acredita que o setor energ\u00e9tico ser\u00e1 pouco afetado em princ\u00edpio, pois o pa\u00eds \u00e9, em rela\u00e7\u00e3o aos EUA, maior importador do que exportador de bens e servi\u00e7os de petr\u00f3leo e fontes renov\u00e1veis. <\/span><\/p>\n<p class=\"pf0\"><span class=\"cf0\">Por\u00e9m, ele entende que a abrang\u00eancia e a profundidade das medidas de reciprocidade do governo brasileiro podem produzir efeitos indesej\u00e1veis no futuro. O tarifa\u00e7o atual pode n\u00e3o ser novidade em termos econ\u00f4micos, mas se destaca pela intensidade e pelo car\u00e1ter expl\u00edcito.<\/span><\/p>\n<p class=\"pf0\"><span class=\"cf0\">\u201cPor outro lado, h\u00e1 efeitos indiretos, tamb\u00e9m ainda pouco compreendidos, que podem afetar a ind\u00fastria brasileira. Muitos equipamentos exportados pelos EUA recebem componentes de outros pa\u00edses tamb\u00e9m afetados pelo tarifa\u00e7o global. Ent\u00e3o, pode haver efeitos cascata que afetem o pre\u00e7o de equipamentos importados. Os efeitos no m\u00e9dio e longo prazo ainda precisam ser mais bem observados.\u201d<\/span><\/p>\n<p class=\"pf0\"><span class=\"cf0\">O deputado federal Z\u00e9 Vitor (PL-MG), vice-presidente de Infraestrutura Energ\u00e9tica da Frente Parlamentar de Energia, alerta que o tarifa\u00e7o imposto pelos Estados Unidos impacta o processo de transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica de diferentes formas. No caso da energia e\u00f3lica, o impacto \u00e9 ainda mais direto, j\u00e1 que a produ\u00e7\u00e3o de turbinas depende da combina\u00e7\u00e3o entre componentes importados e produzidos localmente. \u201cPara al\u00e9m das dificuldades do mercado brasileiro, a cadeia industrial e\u00f3lica do Brasil est\u00e1 cada vez mais exposta ao contexto geopol\u00edtico. \u00c9 preciso uma vis\u00e3o estrat\u00e9gica em rela\u00e7\u00e3o a esse contexto. Caso contr\u00e1rio, a ind\u00fastria e\u00f3lica do Brasil ter\u00e1 o mesmo destino da solar, completamente dependente da China. Precisamos de pol\u00edticas de incentivo \u00e0 ind\u00fastria nacional e de ampliar parcerias internacionais, de modo a reduzir os efeitos das barreiras comerciais e assegurar a continuidade da expans\u00e3o das fontes renov\u00e1veis\u201d, disse.<\/span><\/p>\n<p class=\"pf0\"><span class=\"cf0\">Outro setor impactado ser\u00e1 o de \u00f3leo diesel, por exemplo. O combust\u00edvel n\u00e3o foi inclu\u00eddo diretamente no tarifa\u00e7o aplicado pelos Estados Unidos contra o Brasil, o que, em tese, tamb\u00e9m o excluiria de uma eventual reciprocidade tarif\u00e1ria. Ainda assim, a defici\u00eancia estrutural interna coloca o pa\u00eds como importador l\u00edquido de diesel, j\u00e1 que a demanda \u00e9 superior \u00e0 capacidade nacional de produ\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p>Este conte\u00fado faz parte do\u00a0<a href=\"https:\/\/www.jota.info\/coberturas-especiais\/joule\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Joule<\/a>, editoria especial com mat\u00e9rias e um podcast especial do setor de energia do <span class=\"jota\">JOTA<\/span>, feito em parceria com o Instituto Brasileiro de Transi\u00e7\u00e3o Energ\u00e9tica (Int\u00e9).<\/p>\n<p class=\"pf0\"><span class=\"cf0\">Ao analisar a situa\u00e7\u00e3o, Yan Ulrich, analista de Intelig\u00eancia de Mercado da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira dos Importadores de Combust\u00edveis (Abicom), afirmou que o diesel foi suprido majoritariamente pelos EUA at\u00e9 2022. Agora ,a conjuga\u00e7\u00e3o de fatores como a decis\u00e3o da R\u00fassia de privilegiar o mercado interno, destinando volumes a clientes mais pr\u00f3ximos e estrat\u00e9gicos, a imposi\u00e7\u00e3o de tarifas americanas a alguns pa\u00edses e as dificuldades log\u00edsticas decorrentes dos ataques ucranianos, voltam a impulsionar os EUA como um fornecedor competitivo para o Brasil.<\/span><\/p>\n<p class=\"pf0\"><span class=\"cf0\">\u201cCaso os EUA imponham tarifas adicionais sobre produtos brasileiros e o Brasil pratique a reciprocidade, haver\u00e1, em primeiro lugar, um aumento nos pre\u00e7os dom\u00e9sticos do \u00f3leo diesel <\/span><span class=\"cf1\">\u2013 mesmo que ocorra uma redu<\/span><span class=\"cf0\">\u00e7\u00e3o nas importa\u00e7\u00f5es privadas e concentra\u00e7\u00e3o dessas opera\u00e7\u00f5es na Petrobras\u201d, comenta. \u201cA op\u00e7\u00e3o economicamente mais l\u00f3gica para substituir o diesel russo continua sendo o diesel americano, ainda que com pre\u00e7o ligeiramente superior.\u201d<\/span><\/p>\n<h3 class=\"pf0\"><a href=\"https:\/\/conteudo.jota.info\/marketing-lp-newsletter-jota-principal-lancamento\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Informa\u00e7\u00f5es direto ao ponto sobre o que realmente importa: assine gratuitamente a <span class=\"jota\">JOTA<\/span> Principal, a nova newsletter do <span class=\"jota\">JOTA<\/span><\/a><\/h3>\n<h3 class=\"pf0\"><span class=\"cf0\">Impactos econ\u00f4micos<\/span><\/h3>\n<p class=\"pf0\"><span class=\"cf0\">As tarifas americanas tamb\u00e9m atingem diretamente a economia brasileira. \u201cO Brasil foi um dos pa\u00edses mais prejudicados em termos nominais, especialmente no agroneg\u00f3cio e na ind\u00fastria de base. O governo at\u00e9 anunciou um pacote de R$ 30 bilh\u00f5es para mitigar os efeitos, mas, na pr\u00e1tica, a discuss\u00e3o sobre transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica acaba ficando em segundo plano diante das urg\u00eancias econ\u00f4micas\u201d, avaliou Casar\u00f5es.<\/span><\/p>\n<p class=\"pf0\"><span class=\"cf0\">Nesse contexto, o setor sucroenerg\u00e9tico brasileiro acompanha de perto os desdobramentos. M\u00e1rio Campos, presidente da Bioenergia Brasil, ressalta que o impacto direto das tarifas sobre o etanol nacional \u00e9 limitado, mas estrat\u00e9gico. \u201cO etanol n\u00e3o foi afetado pelo tarifa\u00e7o. Isso porque nosso com\u00e9rcio com os Estados Unidos diminuiu muito nos \u00faltimos anos\u201d, comentou. No ano passado, o Brasil exportou apenas 300 milh\u00f5es de litros de etanol para os Estados Unidos, enquanto o mercado interno consome cerca de 36 a 37 bilh\u00f5es de litros por ano <\/span><span class=\"cf1\">\u2014 ou seja, menos de 1% do total.<\/span><\/p>\n<p class=\"pf0\"><span class=\"cf1\">Ele lembra, no entanto, que a disputa tem implica<\/span><span class=\"cf0\">\u00e7\u00f5es para o futuro da matriz energ\u00e9tica: \u201cn\u00e3o faz sentido algum o Brasil fazer concess\u00f5es aos americanos no tema etanol. N\u00f3s n\u00e3o precisamos importar etanol, e abrir espa\u00e7o no mercado interno desestruturaria investimentos e derrubaria pre\u00e7os.\u201d<\/span><\/p>\n<p class=\"pf0\"><span class=\"cf0\">Para Campos, a expans\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o de etanol de milho refor\u00e7a essa posi\u00e7\u00e3o. \u201cNos \u00faltimos anos o Brasil criou praticamente do zero uma nova ind\u00fastria: o etanol de milho. Hoje, ele j\u00e1 representa 27% da produ\u00e7\u00e3o nacional. Isso descentralizou a produ\u00e7\u00e3o, levando o Centro-Oeste a ultrapassar S\u00e3o Paulo e trazendo o Nordeste de volta ao mapa\u201d, diz. <\/span><\/p>\n<p class=\"pf0\"><span class=\"cf0\">O especialista tamb\u00e9m aponta a relev\u00e2ncia do combust\u00edvel na transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica global. \u201cO etanol tem espa\u00e7o no mercado global de descarboniza\u00e7\u00e3o. A avia\u00e7\u00e3o, por exemplo, ter\u00e1 de adotar combust\u00edveis sustent\u00e1veis como o Combust\u00edvel Sustent\u00e1vel de Avia\u00e7\u00e3o, o SAF, que pode ser produzido a partir do etanol. O transporte mar\u00edtimo tamb\u00e9m ter\u00e1 de reduzir emiss\u00f5es, e o etanol pode ser parte dessa solu\u00e7\u00e3o\u201d.<\/span><\/p>\n<p class=\"pf0\"><span class=\"cf0\">A urg\u00eancia na busca por uma <a href=\"https:\/\/www.jota.info\/executivo\/a-espera-de-escalada-da-crise-politica-com-eua-governo-prepara-arsenal-contra-tarifaco\"><span>solu\u00e7\u00e3o<\/span><\/a> fez o tema ser levantado durante a miss\u00e3o oficial do Senado brasileiro nos Estados Unidos. Nas agendas com parlamentares americanos e l\u00edderes empresariais, discutiu-se o risco de impacto das tarifas sobre insumos cr\u00edticos para a transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica, como equipamentos de infraestrutura e componentes industriais. <\/span><\/p>\n<p class=\"pf0\"><span class=\"cf0\">\u201cHouve preocupa\u00e7\u00e3o expressa dos americanos de que, sem suprimentos vindos do Brasil, setores como o de transformadores e energia enfrentariam dificuldades para manter e expandir suas redes, podendo at\u00e9 enfrentar risco de apag\u00f5es. Tenho dialogado diretamente com o Minist\u00e9rio de Minas e Energia sobre os impactos das tarifas americanas e buscado solu\u00e7\u00f5es integradas para mitigar os preju\u00edzos a segmentos estrat\u00e9gicos\u201d, destaca o senador Nelsinho Trad (PSD-MS).<\/span><\/p>\n<h3 class=\"pf0\"><span class=\"cf0\">Caminho estrat\u00e9gico <\/span><\/h3>\n<p class=\"pf0\"><span class=\"cf0\">Questionado sobre as alternativas para o Brasil, Casar\u00f5es apontou tr\u00eas frentes priorit\u00e1rias. A primeira seria a China, que lidera a produ\u00e7\u00e3o de tecnologias limpas e pode ser parceira estrat\u00e9gica. A segunda a Uni\u00e3o Europeia, que pressiona por padr\u00f5es de sustentabilidade e pode ajudar a alinhar o agroneg\u00f3cio brasileiro a par\u00e2metros internacionais. E a terceira seria a Am\u00e9rica do Sul, com recursos fundamentais como o l\u00edtio da Bol\u00edvia, o cobre do Chile e o g\u00e1s da Argentina. O Brasil pode ser o hub dessa integra\u00e7\u00e3o regional.<\/span><\/p>\n<p class=\"pf0\"><span class=\"cf0\">A China \u00e9 um mercado evidente para Ghiorzi, da ABESPetro, que enxerga o pa\u00eds como um parceiro e um grande concorrente industrial. Para ele, o Brasil precisa avan\u00e7ar na busca por muitos acordos bilaterais e multilaterais em todas as \u00e1reas. \u201cO Brasil precisa avan\u00e7ar em diversos acordos bilaterais e multilaterais. Fechar parcerias com o Suriname deveria ser prioridade, assim como com a Nam\u00edbia e outros pa\u00edses com potencial de crescimento das atividades petroleiras\u201d, cita.<\/span><\/p>\n<p class=\"pf0\"><span class=\"cf0\">Segundo Ghiorzi, o pa\u00eds tamb\u00e9m precisa reformular sua pol\u00edtica industrial. A estrat\u00e9gia de substitui\u00e7\u00e3o de importa\u00e7\u00f5es, herdada da d\u00e9cada de 1930, deve ser superada em favor de uma pol\u00edtica voltada \u00e0 exporta\u00e7\u00e3o de bens e servi\u00e7os de alta complexidade tecnol\u00f3gica. <\/span><\/p>\n<p class=\"pf0\"><span class=\"cf0\">Para ele, o Brasil re\u00fane todos os ingredientes para se tornar for\u00e7a-motriz da transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica global, j\u00e1 que sua matriz \u00e9 majoritariamente renov\u00e1vel, ao contr\u00e1rio da chinesa, baseada em carv\u00e3o. Isso d\u00e1 vantagem competitiva \u00e0s turbinas e\u00f3licas ou c\u00e9lulas fotovoltaicas produzidas no pa\u00eds, que podem ser vistas como alternativas mais limpas frente \u00e0 m\u00e9dia mundial.<\/span><\/p>\n<p class=\"pf0\"><span class=\"cf0\">Para al\u00e9m do Brasil, Casar\u00f5es refor\u00e7a que a disputa geopol\u00edtica \u00e9 central para entender o futuro da transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica. \u201cOs Estados Unidos buscam a maior pol\u00edtica de reindustrializa\u00e7\u00e3o da sua hist\u00f3ria, baseada em combust\u00edveis f\u00f3sseis, enquanto a China j\u00e1 se posiciona como l\u00edder da transi\u00e7\u00e3o verde. O choque entre esses dois paradigmas cria incertezas e pressiona pa\u00edses como o Brasil a se reposicionarem.\u201d<\/span><\/p>\n<p class=\"pf0\"><span class=\"cf0\">No campo energ\u00e9tico, um tema deve ganhar relev\u00e2ncia nas negocia\u00e7\u00f5es bilaterais: o etanol. \u201cO mercado brasileiro pode ser pressionado a abrir mais espa\u00e7o ao etanol americano. Isso at\u00e9 poderia paradoxalmente estimular uma exporta\u00e7\u00e3o de energia limpa pelos EUA, mas n\u00e3o deixa de ser um ponto de disputa comercial sens\u00edvel\u201d, observa o professor.<\/span><\/p>\n<p class=\"pf0\"><span class=\"cf0\">O relat\u00f3rio da McKinsey conclui que, embora tarifas elevadas atrasem a transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica e aumentem seus custos <\/span><span class=\"cf1\">\u2013 em at<\/span><span class=\"cf0\">\u00e9 2% nos EUA e 3% na Uni\u00e3o Europeia at\u00e9 2050 <\/span><span class=\"cf1\">\u2013, a mudan<\/span><span class=\"cf0\">\u00e7a para fontes limpas deve continuar. O ritmo, no entanto, depender\u00e1 da capacidade dos pa\u00edses de diversificar cadeias produtivas, reduzir a depend\u00eancia da \u00c1sia e alinhar pol\u00edticas industriais \u00e0s metas clim\u00e1ticas. <\/span><\/p>\n<p class=\"pf0\"><span class=\"cf0\">\u201cO futuro da transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica vai custar mais e levar mais tempo se as tarifas permanecerem. Mas n\u00e3o h\u00e1 volta: a press\u00e3o por sustentabilidade e seguran\u00e7a energ\u00e9tica seguir\u00e1 guiando os pr\u00f3ximos passos\u201d, conclui Casar\u00f5es.<\/span><\/p>\n<p><!--EndFragment --><\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em meio \u00e0s crescentes tens\u00f5es comerciais, um estudo da consultoria McKinsey, divulgado em julho de 2025, alerta que tarifas elevadas \u2013 como o tarifa\u00e7o imposto pelos Estados Unidos em 50% a importa\u00e7\u00e3o para produtos brasileiros \u2013 podem desacelerar a transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica, aumentar custos e refor\u00e7ar a depend\u00eancia de combust\u00edveis f\u00f3sseis nos pr\u00f3ximos anos. 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