{"id":14223,"date":"2025-09-09T06:20:25","date_gmt":"2025-09-09T09:20:25","guid":{"rendered":"https:\/\/aprimora.site\/carvalhoalmeidaadvogados\/2025\/09\/09\/conservadorismo-ou-negacionismo-energetico\/"},"modified":"2025-09-09T06:20:25","modified_gmt":"2025-09-09T09:20:25","slug":"conservadorismo-ou-negacionismo-energetico","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/aprimora.site\/carvalhoalmeidaadvogados\/2025\/09\/09\/conservadorismo-ou-negacionismo-energetico\/","title":{"rendered":"Conservadorismo ou negacionismo energ\u00e9tico?"},"content":{"rendered":"<p>Estamos vivendo momentos dif\u00edceis, em que pessoas com grande poder trabalham contra os avan\u00e7os sociais, econ\u00f4micos, tecnol\u00f3gicos e cient\u00edficos alcan\u00e7ados, notadamente, ap\u00f3s a Segunda Guerra Mundial. Foram d\u00e9cadas de prosperidade e avan\u00e7os, que, apesar de seus ganhos, trouxeram perdas a alguns setores da sociedade.<\/p>\n<p>Como consequ\u00eancia, surgem pessoas que se dizem \u201cconservadoras\u201d, se apresentando como baluartes da defesa dos puros valores daquele grupo, e que procuram difamar as vantagens do \u201cnovo\u201d, magnificando as poss\u00edveis falhas deste ou potencializando as perdas relativas, quando comparado com as \u201cgl\u00f3rias\u201d vividas no passado.<\/p>\n<h3><a href=\"https:\/\/conteudo.jota.info\/marketing-lp-conversao-jota-pro-energia\">Conhe\u00e7a o <span class=\"jota\">JOTA<\/span> PRO Energia, monitoramento jur\u00eddico e pol\u00edtico para empresas do setor<\/a><\/h3>\n<p>Este conservadorismo ultrapassa o bom senso, quando se nega a ci\u00eancia, criando-se teorias conspirat\u00f3rias ou, ainda pior, desenvolvendo teorias para se contrapor \u00e0 solidez da boa ci\u00eancia. Estamos tratando dos que refutam os avan\u00e7os na \u00e1rea de energia, com destaque para a energia el\u00e9trica.<\/p>\n<p>Avan\u00e7os estes que tiveram v\u00e1rias for\u00e7as alavancadoras, a come\u00e7ar pelas crises do petr\u00f3leo de 1973 e 1979. Ent\u00e3o, os interesses geopol\u00edticos dos pa\u00edses produtores de petr\u00f3leo fizeram o pre\u00e7o do \u00f3leo disparar, como nunca tinha se visto e at\u00e9 hoje nada se comparou. A consequ\u00eancia disso foram desenvolvimentos tecnol\u00f3gicos e estrat\u00e9gicos marcantes, como o surgimento do etanol automotivo no Brasil.<\/p>\n<p>Os custos, por\u00e9m, foram significativos, refletindo no endividamento externo que culminaria na quase \u201cquebra\u201d do pa\u00eds em meados da d\u00e9cada de 1980. Do lado tecnol\u00f3gico, s\u00f3 os que viveram aqueles momentos sabem o quanto era penoso partir um carro a \u00e1lcool em dias de inverno. Somente com o avan\u00e7o dos carros flex e com o seu uso na gasolina em substitui\u00e7\u00e3o ao chumbo para melhorar a octanagem \u00e9 que o etanol alcan\u00e7ou o justo p\u00f3dio de reconhecimento do mercado.<\/p>\n<p>Desde as crises da d\u00e9cada de 1970, tantas outras for\u00e7as levaram ao avan\u00e7o das energias renov\u00e1veis. A Europa se destacou sobremaneira, face \u00e0 car\u00eancia de fontes de combust\u00edveis f\u00f3sseis. Notadamente os pa\u00edses da OCDE passaram a ter preocupa\u00e7\u00f5es ambientais (refutadas ou esquecidas por pa\u00edses governados por regimes totalit\u00e1rios), como a preserva\u00e7\u00e3o do ar, da \u00e1gua e do solo, dragando neste movimento na\u00e7\u00f5es em desenvolvimento, como o Brasil, que pagavam um alto pre\u00e7o por crescimentos descontrolados, principalmente de suas metr\u00f3poles. Era uma quest\u00e3o de sobreviv\u00eancia.<\/p>\n<p>Mais tarde, j\u00e1 na d\u00e9cada de 1990, formula-se a quest\u00e3o do aquecimento global, levando-se a um forte movimento de descarboniza\u00e7\u00e3o da economia mundial, agora posto de lado por interesses de certos governos e empres\u00e1rios oportunistas. Todas estas for\u00e7as contribu\u00edram para um avan\u00e7o tecnol\u00f3gico das energias renov\u00e1veis igual\u00e1vel, guardadas as propor\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas, \u00e0 revolu\u00e7\u00e3o industrial do vapor. Este movimento, iniciando-se com a primeira crise do petr\u00f3leo, \u00e9 o que se pode chamar da atual <a href=\"https:\/\/www.jota.info\/TUDO-SOBRE\/Transi%C3%A7%C3%A3o%20Energ%C3%A9tica\">transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica<\/a>.<\/p>\n<p>Entretanto, o que estamos vivendo recentemente \u00e9 um movimento mais intenso e profundo que uma transi\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica na produ\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica. Passamos por uma verdadeira \u201ctransforma\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica\u201d.<\/p>\n<p>Gra\u00e7as aos ganhos tecnol\u00f3gicos nos produtos e dos processos, \u00e9 poss\u00edvel ter economia de escala na fabrica\u00e7\u00e3o de equipamentos voltados \u00e0 pequena produ\u00e7\u00e3o descentralizada (como os pain\u00e9is solares e as baterias), dando-lhes uma vantagem econ\u00f4mica quando comparados \u00e0s grandes plantas geradoras, pois estas \u00faltimas exigem significativas estruturas de transporte, distribui\u00e7\u00e3o e gest\u00e3o, al\u00e9m de trazerem perdas energ\u00e9ticas inevit\u00e1veis e impactos ambientais concentrados.<\/p>\n<p>Se a gera\u00e7\u00e3o de energia por fontes renov\u00e1veis contribui para a <a href=\"https:\/\/www.jota.info\/tudo-sobre\/descarboniza%C3%A7%C3%A3o\">descarboniza\u00e7\u00e3o<\/a> da economia (de fato, a despolui\u00e7\u00e3o), a descentraliza\u00e7\u00e3o, que se deu e se d\u00e1 pelos ganhos tecnol\u00f3gicos, empoderou o que era entendido antes como \u201cconsumidor\u201d.<\/p>\n<p>Agora, n\u00e3o \u00e9 apenas a liberdade de se escolher um produtor que se oferece em um mercado livre. \u00c9 a possibilidade de produzir a pr\u00f3pria energia (e estoc\u00e1-la) que incomoda aqueles que, por d\u00e9cadas constru\u00edram um s\u00f3lido sistema integrado e centralizado. Diga-se de passagem que este conservadorismo \u00e9 um processo normal da sociedade e seus mercados.<\/p>\n<p>O que \u00e9 inadmiss\u00edvel neste momento da hist\u00f3ria \u00e9 ser um \u201cnegacionista energ\u00e9tico\u201d, refutando todos os desenvolvimentos t\u00e9cnico-cient\u00edficos que est\u00e3o ao dispor para solucionar problemas naturais do avan\u00e7o da gera\u00e7\u00e3o distribu\u00edda por fontes renov\u00e1veis. Dizer que estas trazem problemas \u00e9 esquecer que o consumidor igualmente os traz (por exemplo, sobrecarga, varia\u00e7\u00f5es de tens\u00e3o acima de limites etc.), e que exigem investimentos do produtor.<\/p>\n<h3><a href=\"https:\/\/conteudo.jota.info\/marketing-lp-newsletter-jota-principal-lancamento\">Informa\u00e7\u00f5es direto ao ponto sobre o que realmente importa: assine gratuitamente a <span class=\"jota\">JOTA<\/span> Principal, a nova newsletter do <span class=\"jota\">JOTA<\/span><\/a><\/h3>\n<p>Aqui cabe lembrar dos avan\u00e7os das Tecnologias de Informa\u00e7\u00e3o e Comunica\u00e7\u00e3o (TICs), ou simplesmente digitaliza\u00e7\u00e3o, que, junto com os dois \u201cDs\u201d apresentados anteriormente, comp\u00f5e a sigla DDD (descarboniza\u00e7\u00e3o, descentraliza\u00e7\u00e3o, digitaliza\u00e7\u00e3o) que sintetiza a atual transforma\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica.<\/p>\n<p>\u00c9 gra\u00e7as \u00e0 digitaliza\u00e7\u00e3o que se pode ter uma integra\u00e7\u00e3o completa das fontes descentralizadas com suas unidades consumidoras. E mais, integr\u00e1-las de maneira harm\u00f4nica ao sistema el\u00e9trico, em um jogo ganha-ganha. Querer usar ferramentas desenvolvidas para os grandes sistemas (se \u00e9 que ainda s\u00e3o apropriadas a esses) na integra\u00e7\u00e3o do trio produ\u00e7\u00e3o-armazenamento-consumo ao sistema interligado nacional, como \u00e9 o caso do corte compuls\u00f3rio (curtailment), \u00e9 reconhecer a incapacidade em se utilizar as novas ferramentas dispon\u00edveis (como IA, blockchain, nuvem, armazenamento etc.).<\/p>\n<p>O conservadorismo nos sistemas de produ\u00e7\u00e3o \u00e9 comum e at\u00e9 compreens\u00edvel, dada a intensidade de capital e o tempo de matura\u00e7\u00e3o envolvidos. Incompreens\u00edvel \u00e9 negar os avan\u00e7os tecnol\u00f3gicos, imputando a eles os males sist\u00eamicos acumulados por d\u00e9cadas, grande parte resultante de in\u00e9pcias recentes. Estes negacionistas energ\u00e9ticos merecem o desprezo de quem vislumbra um futuro sustent\u00e1vel e mais equilibrado para o Brasil e para o mundo.<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Estamos vivendo momentos dif\u00edceis, em que pessoas com grande poder trabalham contra os avan\u00e7os sociais, econ\u00f4micos, tecnol\u00f3gicos e cient\u00edficos alcan\u00e7ados, notadamente, ap\u00f3s a Segunda Guerra Mundial. Foram d\u00e9cadas de prosperidade e avan\u00e7os, que, apesar de seus ganhos, trouxeram perdas a alguns setores da sociedade. 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