{"id":14175,"date":"2025-09-07T05:03:26","date_gmt":"2025-09-07T08:03:26","guid":{"rendered":"https:\/\/aprimora.site\/carvalhoalmeidaadvogados\/2025\/09\/07\/paridade-politica-de-genero-e-eleicoes-2026-o-desafio-da-sub-representacao\/"},"modified":"2025-09-07T05:03:26","modified_gmt":"2025-09-07T08:03:26","slug":"paridade-politica-de-genero-e-eleicoes-2026-o-desafio-da-sub-representacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/aprimora.site\/carvalhoalmeidaadvogados\/2025\/09\/07\/paridade-politica-de-genero-e-eleicoes-2026-o-desafio-da-sub-representacao\/","title":{"rendered":"Paridade pol\u00edtica de g\u00eanero e elei\u00e7\u00f5es 2026: o desafio da sub-representa\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>A pol\u00edtica brasileira continua marcada por um d\u00e9ficit hist\u00f3rico: a aus\u00eancia de mulheres em espa\u00e7os de poder. Embora representem 53% do eleitorado, elas ocupam menos de 20% das cadeiras no <a href=\"https:\/\/www.jota.info\/tudo-sobre\/Congresso%20Nacional\">Congresso Nacional<\/a>. \u00c0s v\u00e9speras das elei\u00e7\u00f5es de 2026, a pergunta que se imp\u00f5e \u00e9 se o Brasil ser\u00e1 capaz de superar esse abismo e caminhar rumo \u00e0 paridade de g\u00eanero.<\/p>\n<p>A conquista do voto feminino em 1932 foi apenas o in\u00edcio de uma luta que atravessou o s\u00e9culo 20 e se projetou na Constitui\u00e7\u00e3o de 1988, que consagrou a igualdade formal entre homens e mulheres. No entanto, a tradu\u00e7\u00e3o dessa igualdade em cargos pol\u00edticos segue lenta.<\/p>\n<h3><a href=\"https:\/\/www.jota.info\/produtos\/poder?utm_source=cta-site&amp;utm_medium=site&amp;utm_campaign=campanha_poder_q2&amp;utm_id=cta_texto_poder_q2_2023&amp;utm_term=cta_texto_poder&amp;utm_term=cta_texto_poder_meio_materias\"><span>Conhe\u00e7a o <span class=\"jota\">JOTA<\/span> PRO Poder, plataforma de monitoramento que oferece transpar\u00eancia e previsibilidade para empresas<\/span><\/a><\/h3>\n<p>O relat\u00f3rio da Inter-Parliamentary Union (2025) mostra que o Brasil ocupa a 131\u00aa posi\u00e7\u00e3o mundial em representatividade feminina, atr\u00e1s de pa\u00edses como Ar\u00e1bia Saudita e Emirados \u00c1rabes Unidos. O dado revela n\u00e3o s\u00f3 uma falha estrutural, mas tamb\u00e9m uma resist\u00eancia cultural e institucional em abrir espa\u00e7o para mulheres na pol\u00edtica.<\/p>\n<p>A pol\u00edtica de cotas, criada em 1997 e fixada em 30% das candidaturas, foi fundamental para ampliar a presen\u00e7a de mulheres nas urnas. Mas sua efic\u00e1cia tem sido limitada. Em 2024, nas elei\u00e7\u00f5es municipais, o n\u00famero de vereadoras cresceu apenas 2%. A explica\u00e7\u00e3o \u00e9 clara: partidos cumprem a exig\u00eancia no papel, mas raramente investem de forma equitativa em candidaturas femininas.<\/p>\n<p>Nos \u00faltimos anos, o debate legislativo em torno da paridade oscilou entre avan\u00e7os e retrocessos. A <a href=\"https:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/constituicao\/emendas\/emc\/emc117.htm\">Emenda Constitucional 117\/2022<\/a> garantiu o financiamento proporcional de campanhas femininas, sinalizando um refor\u00e7o institucional. Em contrapartida, a aprova\u00e7\u00e3o da <a href=\"https:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/constituicao\/emendas\/emc\/emc133.htm\">EC 133\/2024<\/a>, que anistiou partidos descumpridores das cotas, enfraqueceu os mecanismos de fiscaliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O recado pol\u00edtico foi amb\u00edguo: ao mesmo tempo em que se afirma a import\u00e2ncia da equidade, a pr\u00f3pria estrutura normativa permite que a regra seja esvaziada. O resultado \u00e9 a manuten\u00e7\u00e3o de um ciclo de sub-representa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>No cen\u00e1rio internacional, a Agenda 2030 da <a href=\"https:\/\/www.jota.info\/tudo-sobre\/ONU\">ONU<\/a> \u00e9 categ\u00f3rica: o ODS 5.5 defende a participa\u00e7\u00e3o plena das mulheres em todos os n\u00edveis de decis\u00e3o. Pa\u00edses vizinhos do Brasil j\u00e1 deram passos mais ousados. A Bol\u00edvia e o M\u00e9xico, por exemplo, implementaram sistemas de \u201cdemocracia parit\u00e1ria\u201d que exigem 50% de candidaturas femininas com garantia de altern\u00e2ncia e cumprimento efetivo.<\/p>\n<p>O resultado \u00e9 vis\u00edvel: nesses pa\u00edses, a presen\u00e7a de mulheres no legislativo supera 45%, alterando a din\u00e2mica pol\u00edtica e a formula\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas. No Brasil, ao contr\u00e1rio, propostas como a reserva de cadeiras parlamentares, discutida durante a tramita\u00e7\u00e3o da <a href=\"https:\/\/www.camara.leg.br\/proposicoesWeb\/fichadetramitacao?idProposicao=2352476&amp;fichaAmigavel=nao\">PEC 9\/2023<\/a>, foram derrotadas.<\/p>\n<p>A luta pela paridade n\u00e3o se limita \u00e0s urnas. No \u00faltimo dia 23 de julho, a <a href=\"https:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/_ato2023-2026\/2025\/lei\/L15177.htm\">Lei 15.177<\/a> determinou a reserva de 30% das vagas em conselhos de administra\u00e7\u00e3o de empresas p\u00fablicas para mulheres. Inspirada em experi\u00eancias internacionais de governan\u00e7a corporativa, a medida reconhece que a igualdade precisa se expandir para os espa\u00e7os de poder econ\u00f4mico e empresarial.<\/p>\n<p>O Judici\u00e1rio tamb\u00e9m se posicionou\u00a0 no mesmo sentido. A Resolu\u00e7\u00e3o <a href=\"https:\/\/atos.cnj.jus.br\/atos\/detalhar\/5277\">CNJ 525\/2023<\/a> criou mecanismos de promo\u00e7\u00e3o de magistradas aos tribunais de 2\u00ba grau. Embora t\u00edmida, a iniciativa aponta para a necessidade de transversalidade da perspectiva de g\u00eanero nas institui\u00e7\u00f5es brasileiras.<\/p>\n<p>A baixa presen\u00e7a feminina na pol\u00edtica tem efeitos concretos. Estudos mostram que parlamentos mais diversos tendem a ampliar o debate sobre pol\u00edticas sociais, sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o e combate \u00e0 viol\u00eancia de g\u00eanero. No Brasil, a aus\u00eancia de mulheres em cadeiras de poder limita a inclus\u00e3o dessas pautas no centro das agendas legislativas.<\/p>\n<h3><a href=\"https:\/\/conteudo.jota.info\/marketing-lp-newsletter-jota-principal-lancamento\">Informa\u00e7\u00f5es direto ao ponto sobre o que realmente importa: assine gratuitamente a <span class=\"jota\">JOTA<\/span> Principal, a nova newsletter do <span class=\"jota\">JOTA<\/span><\/a><\/h3>\n<p>As elei\u00e7\u00f5es de 2026 se tornam, portanto, um divisor de \u00e1guas. A aplica\u00e7\u00e3o rigorosa das cotas, combinada a novas medidas estruturais, pode come\u00e7ar a reduzir o d\u00e9ficit de representatividade. Mas se prevalecer a l\u00f3gica de anistias e descumprimentos, a democracia brasileira seguir\u00e1 presa a um modelo excludente.<\/p>\n<p>A paridade pol\u00edtica de g\u00eanero n\u00e3o \u00e9 concess\u00e3o, mas condi\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica. \u00c9 o que aponta o constitucionalismo feminista e as experi\u00eancias internacionais mais exitosas. N\u00e3o basta garantir igualdade formal; \u00e9 preciso assegurar sua efetividade material.<\/p>\n<p>Se o Brasil deseja ser reconhecido como uma democracia substantiva, precisa avan\u00e7ar com coragem nas reformas que assegurem \u00e0s mulheres o direito de decidir os rumos do pa\u00eds. O ano de 2026 ser\u00e1 o momento de comprovar se essa mudan\u00e7a \u00e9 poss\u00edvel ou se continuaremos a conviver com um d\u00e9ficit hist\u00f3rico que enfraquece nossa pr\u00f3pria ideia de democracia.<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A pol\u00edtica brasileira continua marcada por um d\u00e9ficit hist\u00f3rico: a aus\u00eancia de mulheres em espa\u00e7os de poder. 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