{"id":14164,"date":"2025-09-06T05:03:25","date_gmt":"2025-09-06T08:03:25","guid":{"rendered":"https:\/\/aprimora.site\/carvalhoalmeidaadvogados\/2025\/09\/06\/comissao-paga-a-marketplaces-a-oportunidade-perdida-pela-reforma-tributaria\/"},"modified":"2025-09-06T05:03:25","modified_gmt":"2025-09-06T08:03:25","slug":"comissao-paga-a-marketplaces-a-oportunidade-perdida-pela-reforma-tributaria","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/aprimora.site\/carvalhoalmeidaadvogados\/2025\/09\/06\/comissao-paga-a-marketplaces-a-oportunidade-perdida-pela-reforma-tributaria\/","title":{"rendered":"Comiss\u00e3o paga a marketplaces: a oportunidade perdida pela reforma tribut\u00e1ria"},"content":{"rendered":"<p>A Receita Federal, por meio da Solu\u00e7\u00e3o de Consulta Disit\/SRRF05 5007\/2025, publicada em 13 de agosto, reafirmou a linha restritiva j\u00e1 consolidada na Cosit 143\/2021: no Simples Nacional, as taxas de comiss\u00e3o pagas a marketplaces n\u00e3o podem ser deduzidas da base de c\u00e1lculo da receita bruta.<\/p>\n<p>A resposta administrativa, embora tecnicamente correta sob o prisma da legalidade estrita, exp\u00f5e com clareza o descompasso entre a realidade do com\u00e9rcio digital e o regime jur\u00eddico que deveria incentivar o pequeno empreendedor.<\/p>\n<h3><a href=\"https:\/\/www.jota.info\/produtos\/tributos?utm_source=cta-site&amp;utm_medium=site&amp;utm_campaign=campanha_tributos_q2&amp;utm_id=cta_texto_tributos_q2_2023&amp;utm_term=cta_texto_tributos&amp;utm_term=cta_texto_tributos_meio_materias\"><span>Conhe\u00e7a o <span class=\"jota\">JOTA<\/span> PRO Tributos, plataforma de monitoramento tribut\u00e1rio para empresas e escrit\u00f3rios com decis\u00f5es e movimenta\u00e7\u00f5es do Carf, STJ e STF<\/span><\/a><\/h3>\n<p>O ponto n\u00e3o \u00e9 a falta de coer\u00eancia da Receita Federal \u2014 afinal, a LC 123\/2006, art. 3\u00ba, \u00a7 1\u00ba, n\u00e3o abre espa\u00e7o para exclus\u00f5es al\u00e9m de vendas canceladas e descontos incondicionais. O ponto \u00e9 outro: a Reforma Tribut\u00e1ria desperdi\u00e7ou a chance de repensar conceitos fundamentais para uma economia marcada pela intermedia\u00e7\u00e3o digital.<\/p>\n<h3>Receita bruta no Simples Nacional: formalismo normativo<\/h3>\n<p>O regime simplificado sempre se estruturou em torno da ideia de facilidade arrecadat\u00f3ria: uma base ampla, sem dedu\u00e7\u00f5es, contra uma al\u00edquota \u00fanica e progressiva. O texto legal \u00e9 claro \u2014 receita bruta \u00e9 o valor integral da opera\u00e7\u00e3o, sem considerar despesas intermedi\u00e1rias, inclusive comiss\u00f5es.<\/p>\n<p>Do ponto de vista dogm\u00e1tico, n\u00e3o h\u00e1 margem para interpreta\u00e7\u00e3o el\u00e1stica. A Solu\u00e7\u00e3o 5007\/2025 apenas ecoa o que j\u00e1 havia sido fixado na Cosit 143\/2021 e reiterado pelo Comit\u00ea Gestor do Simples Nacional na Resolu\u00e7\u00e3o 140\/2018. A Receita cumpre seu papel: interpreta a lei tal como est\u00e1.<\/p>\n<p>O problema \u00e9 que a lei n\u00e3o enxerga a realidade do e-commerce.<\/p>\n<h3>O conflito: economia digital e tributa\u00e7\u00e3o sobre valor inexistente<\/h3>\n<p>Empresas que vendem via Mercado Livre, Amazon, Shopee ou plataformas equivalentes jamais recebem o valor bruto da venda. Entre 10% e 20% ficam retidos pela plataforma a t\u00edtulo de comiss\u00e3o, repassando ao vendedor apenas o l\u00edquido.<\/p>\n<p>O resultado \u00e9 paradoxal: o contribuinte paga imposto sobre um valor que nunca ingressou em seu caixa. Trata-se de uma tributa\u00e7\u00e3o sobre custo, disfar\u00e7ada de simplicidade. O Simples Nacional, criado para aliviar, converte-se em fardo para aqueles que mais dependem de intermedia\u00e7\u00e3o digital \u2014 artes\u00e3os, prestadores de servi\u00e7o e pequenos varejistas.<\/p>\n<h3>Reforma tribut\u00e1ria: a chance desperdi\u00e7ada<\/h3>\n<p>A Emenda Constitucional 132\/2023 prometia alinhar a tributa\u00e7\u00e3o ao s\u00e9culo 21. No entanto, ao migrar para um sistema dual de IBS e CBS, preservou a l\u00f3gica da legalidade r\u00edgida sem enfrentar a ess\u00eancia do problema: a defini\u00e7\u00e3o de receita na economia digital.<\/p>\n<p>Mais grave: a pr\u00f3pria transi\u00e7\u00e3o para o novo modelo pode onerar ainda mais os optantes do Simples Nacional. Isso porque a limita\u00e7\u00e3o ao creditamento de IBS e CBS nas aquisi\u00e7\u00f5es restringe a compensa\u00e7\u00e3o de custos operacionais, mantendo intocado o problema das comiss\u00f5es e criando distor\u00e7\u00f5es concorrenciais frente a empresas de maior porte que operam no Lucro Real.<\/p>\n<p>O resultado \u00e9 uma esp\u00e9cie de dupla penalidade: primeiro, tributa-se o que n\u00e3o ingressa no caixa; depois, nega-se ao pequeno a mesma l\u00f3gica de creditamento concedida aos grandes.<\/p>\n<h3>O que est\u00e1 em jogo: competitividade e coer\u00eancia do sistema<\/h3>\n<p>O problema transcende a letra fria da lei. A manuten\u00e7\u00e3o desse modelo:<\/p>\n<p>Pressiona margens em setores j\u00e1 fragilizados;<br \/>\nDistorce a neutralidade concorrencial, criando barreiras \u00e0 digitaliza\u00e7\u00e3o das micro e pequenas empresas;<br \/>\nContraria a racionalidade do Simples, que nasceu para estimular formaliza\u00e7\u00e3o e competitividade, mas hoje opera como obst\u00e1culo em cen\u00e1rios de alta intermedia\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A tributa\u00e7\u00e3o deveria refletir fluxos econ\u00f4micos reais. Ao ignorar as comiss\u00f5es, o sistema brasileiro continua tributando fic\u00e7\u00f5es cont\u00e1beis, n\u00e3o riqueza efetiva.<\/p>\n<h3>Conclus\u00e3o<\/h3>\n<p>A Reforma tribut\u00e1ria perdeu a oportunidade de redefinir \u201creceita\u201d em conson\u00e2ncia com a economia digital, perpetuando um modelo que onera quem menos pode absorver. Enquanto isso, o Simples Nacional continua a ser um regime que simplifica apenas a arrecada\u00e7\u00e3o estatal, e n\u00e3o a vida do pequeno empreendedor.<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Receita Federal, por meio da Solu\u00e7\u00e3o de Consulta Disit\/SRRF05 5007\/2025, publicada em 13 de agosto, reafirmou a linha restritiva j\u00e1 consolidada na Cosit 143\/2021: no Simples Nacional, as taxas de comiss\u00e3o pagas a marketplaces n\u00e3o podem ser deduzidas da base de c\u00e1lculo da receita bruta. 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