{"id":14099,"date":"2025-09-04T07:11:38","date_gmt":"2025-09-04T10:11:38","guid":{"rendered":"https:\/\/aprimora.site\/carvalhoalmeidaadvogados\/2025\/09\/04\/o-direito-humano-ao-cuidado-e-suas-relacoes-com-o-direito-economico\/"},"modified":"2025-09-04T07:11:38","modified_gmt":"2025-09-04T10:11:38","slug":"o-direito-humano-ao-cuidado-e-suas-relacoes-com-o-direito-economico","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/aprimora.site\/carvalhoalmeidaadvogados\/2025\/09\/04\/o-direito-humano-ao-cuidado-e-suas-relacoes-com-o-direito-economico\/","title":{"rendered":"O direito humano ao cuidado e suas rela\u00e7\u00f5es com o direito econ\u00f4mico"},"content":{"rendered":"<p>Recentemente, a Corte Interamericana de Direitos Humanos (<a href=\"https:\/\/www.jota.info\/tudo-sobre\/Corte%20IDH\">Corte IDH<\/a>) emitiu a <a href=\"https:\/\/corteidh.or.cr\/OC-31-2025\/index-por.html\">Opini\u00e3o Consultiva 31<\/a>, reconhecendo o cuidado como direito humano aut\u00f4nomo, fundamentado nos princ\u00edpios de dignidade, solidariedade e corresponsabilidade social, abrangendo as dimens\u00f5es de ser cuidado, cuidar e do autocuidado.<\/p>\n<p>O posicionamento da corte soma-se \u00e0 aprova\u00e7\u00e3o, no Brasil, da <a href=\"https:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/_ato2023-2026\/2024\/lei\/L15069.htm\">Lei 15.069\/2024<\/a>, que instituiu a pol\u00edtica nacional de cuidados. Os dois movimentos deixam claro que a no\u00e7\u00e3o de cuidado, agora juridicizada, \u00e9 cada vez mais um tema de economia pol\u00edtica e tamb\u00e9m uma lente necess\u00e1ria para enxergarmos a din\u00e2mica das rela\u00e7\u00f5es sociais e econ\u00f4micas. Ao tempo em que o cuidado passa a ser mais claramente uma quest\u00e3o econ\u00f4mica, devendo ser pensado nesses termos, ele redefine as margens do que \u00e9 a pr\u00f3pria economia.<\/p>\n<h3><a href=\"https:\/\/www.jota.info\/produtos\/poder?utm_source=cta-site&amp;utm_medium=site&amp;utm_campaign=campanha_poder_q2&amp;utm_id=cta_texto_poder_q2_2023&amp;utm_term=cta_texto_poder&amp;utm_term=cta_texto_poder_meio_materias\"><span>Conhe\u00e7a o <span class=\"jota\">JOTA<\/span> PRO Poder, plataforma de monitoramento que oferece transpar\u00eancia e previsibilidade para empresas<\/span><\/a><\/h3>\n<p>Nesta coluna, temos refletido sobre as fronteiras do direito econ\u00f4mico, segundo uma perspectiva constru\u00edda por professoras mulheres. Em nosso texto de <a href=\"https:\/\/www.jota.info\/opiniao-e-analise\/colunas\/elas-no-jota\/por-um-direito-economico-com-mulheres-para-mulheres-e-alem-delas\">estreia<\/a>, afirmamo-nos como \u201cmulheres no sempre indispens\u00e1vel direito econ\u00f4mico\u201d e delimitamos que, no final das contas, a disciplina serve para que possamos \u201cvislumbrar quem ganha e quem perde nos arranjos jur\u00eddicos que envolvem as mais dif\u00edceis escolhas pol\u00edticas e econ\u00f4micas de nossos tempos\u201d<a href=\"https:\/\/www.jota.info\/#_ftn1\">[1]<\/a>.<\/p>\n<p>Retomando esse fio, desta vez, nos perguntamos como o florescimento da ideia de um direito humano ao cuidado se relaciona com o campo do direito econ\u00f4mico. Compreendemos que esse esfor\u00e7o n\u00e3o \u00e9 simb\u00f3lico ou ret\u00f3rico. O debate sobre o direito ao cuidado possui uma express\u00e3o econ\u00f4mica. Ao questionarmos a modelagem mercantil do trabalho, pretendemos iluminar a sua dimens\u00e3o afetiva e emocional e colocar em xeque o sentido das atividades tidas como produtivas em geral<a href=\"https:\/\/www.jota.info\/#_ftn2\">[2]<\/a>.<\/p>\n<p>No que toca \u00e0s rela\u00e7\u00f5es trabalhistas, podemos mirar a assimetria de pagamento ou \u2013 at\u00e9 mesmo \u2013 a absoluta falta de remunera\u00e7\u00e3o da maior parcela do trabalho de cuidado. Aqui, ganha relevo o debate sobre a amplia\u00e7\u00e3o da licen\u00e7a-paternidade e outros mecanismos que favore\u00e7am a corresponsabiliza\u00e7\u00e3o pelo cuidado.<\/p>\n<p>Ainda, como aponta Hila Shamir, diferentes regimes de bem-estar social conformam distintas no\u00e7\u00f5es de fam\u00edlia<a href=\"https:\/\/www.jota.info\/#_ftn3\">[3]<\/a>. A autora explica que o direito redefine as fronteiras entre o mercado, o estado e a fam\u00edlia, repercutindo inclusive na divis\u00e3o de trabalho entre membros de uma mesma fam\u00edlia. Isso equivale a dizer que h\u00e1 uma rela\u00e7\u00e3o inversamente proporcional: quanto menor a provis\u00e3o estatal de cuidado, maior a depend\u00eancia do mercado e a comodifica\u00e7\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es sociais e familiares. Assim, o processo de solidifica\u00e7\u00e3o do bem-estar social propicia a \u201c<em>decomodifica\u00e7\u00e3o<\/em>\u201d e a \u201c<em>desfamiliariza\u00e7\u00e3o<\/em>\u201d do cuidado, pois as fam\u00edlias n\u00e3o s\u00e3o vistas como suas provedoras \u00fanicas e exclusivas.<\/p>\n<p>Num pa\u00eds em desenvolvimento e premido por conflitos distributivos como o Brasil, cabe ao direito econ\u00f4mico reimaginar pol\u00edticas e institui\u00e7\u00f5es para que elas deem cabo do desafio de cuidar.<\/p>\n<h3>O direito ao cuidado: uma quest\u00e3o econ\u00f4mica<\/h3>\n<p>Os manuais apresentam a cl\u00e1ssica defini\u00e7\u00e3o de acordo com a qual as tr\u00eas grandes quest\u00f5es da organiza\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica s\u00e3o entender o<em> que<\/em> uma sociedade ir\u00e1 produzir, <em>como<\/em> e para <em>quem<a href=\"https:\/\/www.jota.info\/#_ftn4\"><strong>[4]<\/strong><\/a><\/em>. O que constitui valor e o que \u00e9 considerado produtivo, no entanto, \u00e9 objeto de um conjunto de decis\u00f5es pol\u00edticas<a href=\"https:\/\/www.jota.info\/#_ftn5\">[5]<\/a>. Tais escolhas t\u00eam sido problematizadas pelas teorias feministas e pela economia do cuidado. Nancy Folbre explica que as atividades de cuidado s\u00e3o tamb\u00e9m produtivas porque geram benef\u00edcios a terceiros e fazem parte das circularidades econ\u00f4micas<a href=\"https:\/\/www.jota.info\/#_ftn6\">[6]<\/a>. E, de modo cr\u00edtico, Nancy Fraser exp\u00f5e que o capitalismo intensificou a divis\u00e3o de g\u00eanero, gerando uma \u201ccrise do cuidado\u201d, pois<a href=\"https:\/\/www.jota.info\/#_ftn7\">[7]<\/a>:<\/p>\n<p><em>\u201cEm resumo: o capitalismo liberal privatizou a reprodu\u00e7\u00e3o social; o capitalismo estatal a socializou parcialmente; o capitalismo financeirizado a mercantiliza cada vez mais. Em cada caso, uma organiza\u00e7\u00e3o espec\u00edfica da reprodu\u00e7\u00e3o social acompanhou um conjunto distinto de ideais de g\u00eanero e fam\u00edlia: da vis\u00e3o liberal-capitalista de \u201cesferas separadas\u201d ao modelo social-democrata do \u201csal\u00e1rio familiar\u201d e \u00e0 norma financeirizada neoliberal da \u201cfam\u00edlia com dois assalariados\u201d.<\/em><\/p>\n<p>Como se observa, o cuidado \u00e9 parte nuclear da reprodu\u00e7\u00e3o social e n\u00e3o pode ser tido como atividade \u201cn\u00e3o econ\u00f4mica\u201d. Ainda, \u00e9 o trabalho de cuidado que sustenta a pr\u00f3pria possibilidade de acumula\u00e7\u00e3o de capital<a href=\"https:\/\/www.jota.info\/#_ftn8\">[8]<\/a>.<\/p>\n<p>Levando isso em considera\u00e7\u00e3o, as pr\u00e1ticas de invisibiliza\u00e7\u00e3o e subvaloriza\u00e7\u00e3o do cuidado<a href=\"https:\/\/www.jota.info\/#_ftn9\">[9]<\/a> n\u00e3o escaparam \u00e0 Corte IDH. O tribunal referiu que as mulheres realizam 76,2% de todo o trabalho de cuidado n\u00e3o remunerado, dedicando 3,2 vezes mais tempo a essa tarefa do que os homens.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, os deveres de cuidado recaem mais pesadamente sobre mulheres pretas ou pardas e imigrantes, uma for\u00e7a de trabalho extenuada e mal remunerada<a href=\"https:\/\/www.jota.info\/#_ftn10\">[10]<\/a>. Nesse ponto, a corte advertiu que as trabalhadoras imigrantes deixam suas pr\u00f3prias fam\u00edlias desamparadas nos pa\u00edses de origem, gerando o que se conhece como \u201ccadeias globais de cuidado\u201d.<\/p>\n<p>Por fim, o tribunal mostrou-se atento \u00e0 relev\u00e2ncia que os direitos socioecon\u00f4micos possuem na Am\u00e9rica Latina. O continente tem uma hist\u00f3ria marcada por novas constitui\u00e7\u00f5es ricas em direitos, mas que encontram dificuldades para se efetivar, ante a escassez de recursos. Esse contexto de plenitude constitucional muitas vezes n\u00e3o realizada propiciou uma certa dose de inventividade econ\u00f4mica e jur\u00eddica, conformando um repert\u00f3rio que precisar\u00e1 ser acionado para, mesmo com dificuldades, conseguirmos introjetar a gram\u00e1tica do cuidado.<\/p>\n<h3>O direito econ\u00f4mico e a implementa\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica de cuidados<\/h3>\n<p>O capitalismo contempor\u00e2neo mobiliza intensamente o Estado e o Direito para promover, de um lado, a diminui\u00e7\u00e3o de direitos sociais e, de outro, a financeiriza\u00e7\u00e3o, incluindo o aumento da disponibilidade de cr\u00e9dito e de expans\u00e3o de novos instrumentos financeiros para diversas \u00e1reas tradicionalmente vistas como fun\u00e7\u00f5es do Estado.<\/p>\n<p>Esse cen\u00e1rio \u00e9 revelador do complexo caminho que teremos at\u00e9 a implementa\u00e7\u00e3o do Plano Nacional de Cuidados, recentemente editado pelo Poder Executivo (Decreto 12.562, de 2025). Ali est\u00e1 posta a necessidade de coordena\u00e7\u00e3o intergovernamental capaz de nos fazer avan\u00e7ar na mensura\u00e7\u00e3o do valor do trabalho de cuidado; nas pol\u00edticas de corresponsabiliza\u00e7\u00e3o; na visibiliza\u00e7\u00e3o do cuidado direcionado a pessoas idosas e deficientes; na promo\u00e7\u00e3o do trabalho decente, ante os processos de dessindicaliza\u00e7\u00e3o e fragmenta\u00e7\u00e3o; e, por fim, no custeio da seguridade social.<\/p>\n<p>No eixo da corresponsabiliza\u00e7\u00e3o pelo cuidado, destacamos a tramita\u00e7\u00e3o de projetos voltados \u00e0 amplia\u00e7\u00e3o do per\u00edodo de licen\u00e7a-paternidade. O Supremo Tribunal Federal (STF) decretou a mora do Congresso Nacional em regulamentar o dispositivo constitucional que prev\u00ea a licen\u00e7a-paternidade, conforme julgamento da ADO 20. Sobre o tema, algumas proposi\u00e7\u00f5es tramitam nas Casas, entre elas o\u00a0<a href=\"https:\/\/www25.senado.leg.br\/web\/atividade\/materias\/-\/materia\/158967\">PL 3773\/2023<\/a>, de autoria do senador Jorge Kajuru (PSB\u2011GO), que prev\u00ea a possibilidade de compartilhamento da licen\u00e7a entre pai e m\u00e3e, bem como o sal\u00e1rio-parentalidade; e o <a href=\"https:\/\/www.camara.leg.br\/proposicoesWeb\/fichadetramitacao?idProposicao=2416586\">PL 6216\/2023<\/a>, de autoria da deputada Tabata Amaral (PSB-SP), que prop\u00f5e uma amplia\u00e7\u00e3o gradativa da licen\u00e7a de 30 a 60 dias.<\/p>\n<p>J\u00e1 no campo do enfrentamento \u00e0 precariza\u00e7\u00e3o do trabalho, m\u00faltiplas discuss\u00f5es est\u00e3o colocadas no parlamento e no Judici\u00e1rio, merecendo especial aten\u00e7\u00e3o o <a href=\"https:\/\/www.camara.leg.br\/proposicoesWeb\/fichadetramitacao?idProposicao=2419243\">PLP 12\/2024<\/a>, que trata da garantia de direitos previdenci\u00e1rios para trabalhadores vinculados a empresas de aplicativos.<\/p>\n<p>Por fim, no que concerne \u00e0 seguridade social, o Brasil enfrenta press\u00f5es por austeridade, ao tempo em que expande a sua cobertura social. Adriana Gregorut explica que esse paradoxo tem como consequ\u00eancia a redu\u00e7\u00e3o da provis\u00e3o de servi\u00e7os universais. Para a autora, o Estado neoliberal utiliza o instrumental jur\u00eddico para um projeto ambivalente: enquanto amplia pol\u00edticas sociais de transfer\u00eancia de renda e o gasto social como um todo, seu foco est\u00e1 em pol\u00edticas que desuniversalizam\u00a0 benef\u00edcios\u00a0 e\u00a0 empurram\u00a0 as\u00a0 fam\u00edlias\u00a0 para\u00a0 o\u00a0 mercado\u00a0 financeiro.<\/p>\n<p>Essa dualidade em que grassam <em>expans\u00e3o<\/em> e <em>retra\u00e7\u00e3o<\/em> revela-se no agigantamento do BPC\/Loas, dos benef\u00edcios previdenci\u00e1rios e de transfer\u00eancia de renda em geral, que se d\u00e1 em paralelo ao endividamento das mulheres \u201cpara acessar servi\u00e7os b\u00e1sicos de sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o e previd\u00eancia\u201d<a href=\"https:\/\/www.jota.info\/#_ftn11\">[11]<\/a>.<\/p>\n<h3><a href=\"https:\/\/conteudo.jota.info\/marketing-lp-newsletter-jota-principal-lancamento\">Informa\u00e7\u00f5es direto ao ponto sobre o que realmente importa: assine gratuitamente a <span class=\"jota\">JOTA<\/span> Principal, a nova newsletter do <span class=\"jota\">JOTA<\/span><\/a><\/h3>\n<p>Como se pode depreender, todos esses assuntos que orbitam a ideia de um direito humano ao cuidado possuem dimens\u00e3o econ\u00f4mica e servem para demonstrar que a arquitetura propiciada pelo direito econ\u00f4mico \u00e9 fundamental para a delimita\u00e7\u00e3o entre o que \u00e9 considerado capital produtivo e o que n\u00e3o \u00e9.<\/p>\n<p>O papel da disciplina nessa equa\u00e7\u00e3o n\u00e3o est\u00e1 fechado, pois, se de um lado, como prop\u00f5e Nancy Fraser<a href=\"https:\/\/www.jota.info\/#_ftn12\">[12]<\/a>, precisamos refundar as bases da vida privada, adotando o modelo de \u201ccuidador universal\u201d, em que todas as pessoas \u2013 homens e mulheres \u2013 s\u00e3o tanto cuidadoras quanto trabalhadoras assalariadas; de outro, devemos revisitar tamb\u00e9m os rumos de um Estado que tem se afastado da universaliza\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os.<\/p>\n<p>Sempre que deslocamos uma tarefa de cuidado da esfera familiar, fazemos uma escolha pol\u00edtica. Pouco a pouco, tais escolhas comp\u00f5em uma fotografia maior, e, como temos insistido por aqui, o direito econ\u00f4mico precisa seguir escrevendo alguns cap\u00edtulos dessa hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>BHATTACHARYA, Tithi (Org.). <strong>Social reproduction theory: remapping class, recentering oppression.<\/strong> London: Pluto Press, 2017.<\/p>\n<p>CARRASCO, Cristina. <strong>O paradoxo do cuidado: necess\u00e1rio, por\u00e9m invis\u00edvel.<\/strong> In: J\u00c1COME, M\u00e1rcia Larangeira; VILLELA, Shirley (Org.). <em>Or\u00e7amentos sens\u00edveis a g\u00eanero: conceitos.<\/em> Bras\u00edlia: ONU Mulheres, 2012.<\/p>\n<p>CORTE INTERAMERICANA DE DIREITOS HUMANOS. <strong>Opini\u00e3o Consultiva n\u00ba 31, de 2025.<\/strong> San Jos\u00e9, Costa Rica, 2025.<\/p>\n<p>COTTLE, Michelle. <strong>Who will take care of American caregivers?<\/strong> <em>The New York Times<\/em>, New York, 12 ago. 2021.<\/p>\n<p>FEDERICI, Silvia. <strong>Revolution at point zero: housework, reproduction, and feminist struggle.<\/strong> Oakland: PM Press, 2012.<\/p>\n<p>FOLBRE, Nancy. <strong>Rethinking the economics of the family.<\/strong> Cambridge, MA: Harvard University Press, 2008.<\/p>\n<p>FRASER, Nancy. <strong>Fortunes of feminism: from state-managed capitalism to neoliberal crisis.<\/strong> London: Verso Books, 2013.<\/p>\n<p>GREGORUT, Adriana Silva. <strong>O papel do Estado neoliberal na desuniversaliza\u00e7\u00e3o dos direitos sociais<\/strong> \/ <em>The role of the neoliberal state in the de-universalization of social rights<\/em>. <em>Revista Direito e Pr\u00e1xis<\/em>, Rio de Janeiro, v. 16, n. 2, p. 1\u201322, 2025. Dossi\u00ea: Economia Pol\u00edtica na Am\u00e9rica Latina. Funda\u00e7\u00e3o Getulio Vargas, S\u00e3o Paulo. Artigo recebido em 06 jan. 2025; aceito em 09 mai. 2025. DOI: 10.1590\/2179-8966\/2024\/88982. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/www.e-publicacoes.uerj.br\/revistaceaju\/article\/view\/88982\/54878?utm_source=chatgpt.com\">https:\/\/www.e-publicacoes.uerj.br\/re<\/a><\/p>\n<p>LEONARD, Sarah; FRASER, Nancy. <strong>A crise do cuidado no capitalismo.<\/strong> <em>Dissent Magazine<\/em>, outono 2016. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/www.dissentmagazine.org\/article\/nancy-fraser-interview-capitalism-crisis-of-care\/?utm_source=chatgpt.com\">https:\/\/www.dissentmagazine.org\/article\/nancy-fraser-interview-capitalism-crisis-of-care\/<\/a>. Acesso em: 28 ago. 2025.<\/p>\n<p>MAZZUCATO, Mariana. <strong>O valor de tudo: produ\u00e7\u00e3o e apropria\u00e7\u00e3o na economia global.<\/strong> S\u00e3o Paulo: Portfolio-Penguin, 2019.<\/p>\n<p>PEREIRA, B. C. 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Cadernos de Jurisprud\u00eancia do Supremo Tribunal Federal: concretizando direitos humanos \u2013 Direito ao Cuidado. Bras\u00edlia: STF, 2025. Dispon\u00edvel em: https:\/\/www.stf.jus.br\/. Acesso em: 30 ago. 2025.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.jota.info\/#_ftnref1\">[1]<\/a> Mota, Clara; Pimenta, Raquel; Saito, Carolina; Levy, Mariana; Kira, Beatriz. <strong>Por um direito econ\u00f4mico com mulheres, para mulheres e al\u00e9m delas: pensar em mulheres na teoria e na linha de frente \u00e9 pensar na economia pol\u00edtica do desenvolvimento.<\/strong> <em><span class=\"jota\">JOTA<\/span><\/em>, 05 out. 2023. Dispon\u00edvel em: https:\/\/www.jota.info\/. Acesso em: 30 ago. 2025.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.jota.info\/#_ftnref2\">[2]<\/a> Pereira, B. C. J.; Fontoura, N. O.; Pinheiro, L. S. <strong>Economia dos cuidados: marco te\u00f3rico-conceitual<\/strong>. Rio de Janeiro: Instituto de Pesquisa Econ\u00f4mica Aplicada (Ipea), 2016. Relat\u00f3rio de pesquisa. 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S\u00e3o Paulo: Portfolio-Penguin.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.jota.info\/#_ftnref6\">[6]<\/a> Folbre, Nancy. <strong>Rethinking the economics of the family<\/strong><em>.<\/em> Cambridge, Massachusetts: Harvard University Press, 2008.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.jota.info\/#_ftnref7\">[7]<\/a> Leonard, Sarah; Fraser, Nancy. 2016. \u201cA crise do cuidado no capitalismo.\u201d <strong>Dissent Magazine<\/strong>, Fall 2016. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/www.dissentmagazine.org\/article\/nancy-fraser-interview-capitalism-crisis-of-care\/?utm_source=chatgpt.com\">https:\/\/www.dissentmagazine.org\/article\/nancy-fraser-interview-capitalism-crisis-of-care\/<\/a>. Acesso em 28 ago. 2025.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.jota.info\/#_ftnref8\">[8]<\/a> Bhattacharya, Tithi (Org.). <strong>Social reproduction theory: remapping class, recentering oppression.<\/strong> London: Pluto Press, 2017.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.jota.info\/#_ftnref9\">[9]<\/a> Federici, Silvia. <strong>Revolution at point zero: housework, reproduction, and feminist struggle<\/strong>. Oakland: PM Press, 2012.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.jota.info\/#_ftnref10\">[10]<\/a> Cottle, Michelle. <strong>Who Will Take Care of American Caregivers?<\/strong>. New York Times (Aug. 12, 2021).<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.jota.info\/#_ftnref11\">[11]<\/a> Gregorut, Adriana Silva. <strong>O papel do Estado neoliberal na desuniversaliza\u00e7\u00e3o dos direitos sociais<\/strong> \/ <em>The role of the neoliberal state in the de-universalization of social rights<\/em>. <em>Revista Direito e Pr\u00e1xis<\/em>, Rio de Janeiro, v. 16, n. 2, p. 1\u201322, 2025. Dossi\u00ea: Economia Pol\u00edtica na Am\u00e9rica Latina. Funda\u00e7\u00e3o Getulio Vargas, S\u00e3o Paulo. Artigo recebido em 06 jan. 2025; aceito em 09 mai. 2025. DOI: 10.1590\/2179-8966\/2024\/88982. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/www.e-publicacoes.uerj.br\/revistaceaju\/article\/view\/88982\/54878?utm_source=chatgpt.com\">https:\/\/www.e-publicacoes.uerj.br\/revistaceaju\/article\/view\/88982\/54878<\/a>. Acesso em: 30 ago. 2025.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.jota.info\/#_ftnref12\">[12]<\/a> Fraser descreve tr\u00eas principais momentos hist\u00f3ricos de organiza\u00e7\u00e3o do cuidado. Para ela, no capitalismo p\u00f3s-guerra (era <em>fordista<\/em>) vigorava o modelo do \u201csal\u00e1rio familiar masculino\u201d, que refletia a situa\u00e7\u00e3o em que o homem da fam\u00edlia era quem trabalhava no mercado, enquanto a mulher ficava em casa e era respons\u00e1vel pelo cuidado da fam\u00edlia. Tal modelo \u00e9 entendido como problem\u00e1tico por refor\u00e7ar a depend\u00eancia das mulheres, invisibilizar o trabalho de cuidado e excluir as mulheres e as atividades de cuidado da esfera p\u00fablica. Com a domina\u00e7\u00e3o do pensamento neoliberal nas principais economias do mundo, \u00e9 poss\u00edvel verificar um novo modelo, que a autora chama de trabalhador universal. Nesse cen\u00e1rio, todos \u2013 homens e mulheres \u2013 devem ser assalariados, enquanto os trabalhos de cuidado passam a ser terceirizados ou at\u00e9 precarizados. Segundo a autora, esse modelo tamb\u00e9m \u00e9 problem\u00e1tico, pois sobrecarrega as mulheres, mercantiliza o cuidado e transfere de forma desigual a carga de trabalho para mulheres pobres, muitas vezes negras e\/ou imigrantes. O terceiro modelo seria o universal, tratado no corpo do texto. (Fraser, Nancy. <strong>Fortunes of Feminism: From State-Managed Capitalism to Neoliberal Crisis<\/strong>. Verso Books, 2013).<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Recentemente, a Corte Interamericana de Direitos Humanos (Corte IDH) emitiu a Opini\u00e3o Consultiva 31, reconhecendo o cuidado como direito humano aut\u00f4nomo, fundamentado nos princ\u00edpios de dignidade, solidariedade e corresponsabilidade social, abrangendo as dimens\u00f5es de ser cuidado, cuidar e do autocuidado. 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