{"id":14069,"date":"2025-09-03T11:13:34","date_gmt":"2025-09-03T14:13:34","guid":{"rendered":"https:\/\/aprimora.site\/carvalhoalmeidaadvogados\/2025\/09\/03\/cop30-o-setor-privado-e-o-imperativo-da-acao-climatica-com-governanca\/"},"modified":"2025-09-03T11:13:34","modified_gmt":"2025-09-03T14:13:34","slug":"cop30-o-setor-privado-e-o-imperativo-da-acao-climatica-com-governanca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/aprimora.site\/carvalhoalmeidaadvogados\/2025\/09\/03\/cop30-o-setor-privado-e-o-imperativo-da-acao-climatica-com-governanca\/","title":{"rendered":"COP30: o setor privado e o imperativo da a\u00e7\u00e3o clim\u00e1tica com governan\u00e7a"},"content":{"rendered":"<p>\u00c0 medida que o Brasil se prepara para sediar a <a href=\"https:\/\/www.jota.info\/tudo-sobre\/COP30\">COP30<\/a>, em Bel\u00e9m, o mundo enfrenta um momento de inflex\u00e3o nas negocia\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas. O aumento da temperatura global j\u00e1 passou do limite de 1,5\u00b0C, um limiar cient\u00edfico que deixa claro os impactos irrevers\u00edveis sobre ecossistemas, economias e popula\u00e7\u00f5es vulner\u00e1veis. Nesse cen\u00e1rio, a confer\u00eancia n\u00e3o pode ser apenas um marco simb\u00f3lico, e sim ponto de partida para a\u00e7\u00f5es concretas, com governan\u00e7a clara, financiamento escal\u00e1vel e responsabilidade compartilhada.<\/p>\n<p>Sabemos que acordos multilaterais t\u00eam limites. A agenda clim\u00e1tica global enfrenta press\u00f5es crescentes de instabilidade geopol\u00edtica, mudan\u00e7as de rumo em grandes economias e disputas sobre responsabilidades hist\u00f3ricas e capacidade de resposta.<\/p>\n<h3><a href=\"https:\/\/www.jota.info\/produtos\/poder?utm_source=cta-site&amp;utm_medium=site&amp;utm_campaign=campanha_poder_q2&amp;utm_id=cta_texto_poder_q2_2023&amp;utm_term=cta_texto_poder&amp;utm_term=cta_texto_poder_meio_materias\"><span>Conhe\u00e7a o <span class=\"jota\">JOTA<\/span> PRO Poder, plataforma de monitoramento que oferece transpar\u00eancia e previsibilidade para empresas<\/span><\/a><\/h3>\n<p>A desregula\u00e7\u00e3o ambiental em alguns pa\u00edses, o adiamento de diretrizes como a CSRD (Diretiva de Relat\u00f3rios de Sustentabilidade Corporativa) na Uni\u00e3o Europeia e a aus\u00eancia de uma agenda clim\u00e1tica federal nos Estados Unidos ap\u00f3s 2024, s\u00e3o sinais de que o caminho \u00e9 incerto. No entanto, \u00e9 justamente nesse contexto de volatilidade que a COP30 pode se afirmar como um catalisador de solu\u00e7\u00f5es pr\u00e1ticas, especialmente quando o setor privado, governos subnacionais e atores locais assumem protagonismo.<\/p>\n<p>A confer\u00eancia no cora\u00e7\u00e3o da Amaz\u00f4nia traz uma oportunidade singular: colocar em evid\u00eancia modelos de desenvolvimento que conciliam conserva\u00e7\u00e3o, justi\u00e7a social e inova\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica.<\/p>\n<p>Um desses t\u00f3picos \u00e9 a <a href=\"https:\/\/www.jota.info\/tudo-sobre\/bioeconomia\">bioeconomia<\/a>, que j\u00e1 gera cerca de R$ 13 bilh\u00f5es por ano na regi\u00e3o, segundo o WRI Brasil \u2013 organiza\u00e7\u00e3o global de pesquisa que trabalha para melhorar a vida das pessoas, proteger a natureza e estabilizar o clima, a partir de 13 cadeias produtivas, desde ativos florestais n\u00e3o madeireiros at\u00e9 aquicultura sustent\u00e1vel e ingredientes naturais para a ind\u00fastria cosm\u00e9tica global.<\/p>\n<p>Como destacado por especialistas, a bioeconomia n\u00e3o \u00e9 um nicho de sustentabilidade, mas um imperativo de neg\u00f3cio; um sistema econ\u00f4mico em que a natureza \u00e9 fonte de valor, n\u00e3o de sacrif\u00edcio.<\/p>\n<p>No entanto, escalar essas iniciativas exige financiamento adequado e estruturado. Dados da Sustainable Fitch (\u00e1rea de sustentabilidade da Fitch Ratings) e da EF Data, referentes ao primeiro semestre de 2025, mostram uma queda de 65% nas emiss\u00f5es de t\u00edtulos sustent\u00e1veis no Brasil, recuo influenciado pela aus\u00eancia de uma emiss\u00e3o soberana do Tesouro Nacional e pelo elevado custo de capital (Selic a 15% ao ano).<\/p>\n<p>Globalmente, o volume tamb\u00e9m recuou 25%, em meio a incertezas macroecon\u00f4micas e cautela em investimentos de longo prazo. Esse movimento, no entanto, n\u00e3o indica desacelera\u00e7\u00e3o da agenda clim\u00e1tica, e sim reconfigura\u00e7\u00e3o dos fluxos de capital.<\/p>\n<p>Parte do financiamento para a descarboniza\u00e7\u00e3o est\u00e1 migrando para mecanismos alternativos: blended finance, bonds tem\u00e1ticos (como blue bonds ou futuros Amaz\u00f4nia bonds) e programas como o Eco Invest, que atrai capital estrangeiro com capital catal\u00edtico para reduzir riscos.<\/p>\n<p>O desafio agora \u00e9 garantir que esses recursos sejam direcionados com transpar\u00eancia, governan\u00e7a robusta e alinhamento a padr\u00f5es internacionais, especialmente com a entrada em vigor, a partir de 2027, da obrigatoriedade de reporte pelas normas IFRS S1 e S2 para empresas listadas no Brasil \u2013 que dizem respeito, respectivamente, aos requisitos gerais para divulga\u00e7\u00f5es de informa\u00e7\u00f5es financeiras sobre sustentabilidade e \u00e0s publica\u00e7\u00f5es relacionadas a quest\u00f5es clim\u00e1ticas.<\/p>\n<p>\u00c9 nesse cen\u00e1rio que o setor privado tem papel central, mas n\u00e3o isolado. Empresas n\u00e3o podem mais atuar apenas como executoras de projetos, precisam ser parceiras na constru\u00e7\u00e3o de governan\u00e7a clim\u00e1tica. Isso inclui adotar metas de redu\u00e7\u00e3o de emiss\u00f5es alinhadas \u00e0 ci\u00eancia (SBTi), integrar crit\u00e9rios socioambientais nas cadeias de suprimentos e garantir o respeito aos direitos humanos, especialmente de povos ind\u00edgenas e comunidades tradicionais. A transi\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica ser\u00e1 sustent\u00e1vel apenas se for justa, e isso exige participa\u00e7\u00e3o real, consentimento livre, pr\u00e9vio e informado, e compartilhamento de benef\u00edcios.<\/p>\n<p>A comunica\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m precisa evoluir. Muitas organiza\u00e7\u00f5es com iniciativas s\u00e9rias de restaura\u00e7\u00e3o florestal, gest\u00e3o de bacias hidrogr\u00e1ficas ou saneamento comunit\u00e1rio evitam divulg\u00e1-las por medo de cr\u00edticas ou de acusa\u00e7\u00f5es de greenwashing. Esse fen\u00f4meno, conhecido como greenhushing, enfraquece a confian\u00e7a e dificulta a escala.<\/p>\n<p>A solu\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 falar menos, mas comunicar com evid\u00eancia, dados e responsabilidade! Al\u00e9m de contar essas hist\u00f3rias, precisamos repensar o que consideramos essencial. Saneamento b\u00e1sico, por exemplo, \u00e9 uma infraestrutura milenar, t\u00e3o fundamental quanto energia ou transporte, e est\u00e1 na base da pir\u00e2mide da sustentabilidade.<\/p>\n<p>No entanto, de acordo com o Painel Saneamento, no Brasil, cerca de 90 milh\u00f5es de pessoas ainda n\u00e3o t\u00eam acesso \u00e0 rede de esgoto, e apenas 55% do esgoto coletado \u00e9 tratado. Isso n\u00e3o \u00e9 apenas um problema social, \u00e9 um risco ambiental, de sa\u00fade p\u00fablica e de governan\u00e7a clim\u00e1tica. Corpos d\u2019\u00e1gua contaminados perdem sua capacidade de regula\u00e7\u00e3o clim\u00e1tica, afetam a biodiversidade e reduzem a resili\u00eancia h\u00eddrica em tempos de mudan\u00e7as extremas.<\/p>\n<p>O que chama a aten\u00e7\u00e3o \u00e9 que, historicamente, o tema foi ignorado n\u00e3o s\u00f3 pelo poder p\u00fablico, mas tamb\u00e9m pelo setor privado e pela sociedade. Enquanto empresas investem em carbono neutro, energias renov\u00e1veis e comunica\u00e7\u00e3o ESG, poucas olham para os rios que abastecem suas cadeias ou para as comunidades que vivem \u00e0s margens de c\u00f3rregos polu\u00eddos.<\/p>\n<h3><a href=\"https:\/\/conteudo.jota.info\/marketing-lp-newsletter-jota-principal-lancamento\">Informa\u00e7\u00f5es direto ao ponto sobre o que realmente importa: assine gratuitamente a <span class=\"jota\">JOTA<\/span> Principal, a nova newsletter do <span class=\"jota\">JOTA<\/span><\/a><\/h3>\n<p>A COP30, portanto, n\u00e3o deve ser vista como um fim, e sim como um meio para acelerar a a\u00e7\u00e3o clim\u00e1tica em escala. Seu legado n\u00e3o ser\u00e1 medido apenas por acordos diplom\u00e1ticos, mas pela capacidade de gerar compromissos com monitoramento, reporte e verifica\u00e7\u00e3o independentes.<\/p>\n<p>E, crucialmente, pela constru\u00e7\u00e3o de uma agenda que se sustente al\u00e9m de 2025. A COP 31 j\u00e1 est\u00e1 marcada para 2026, em menos de 16 meses. O tempo entre uma confer\u00eancia e outra ser\u00e1 decisivo para demonstrar que a comunidade global, incluindo o setor privado, est\u00e1 cumprindo o que promete.<\/p>\n<p>Nesse sentido, o Brasil tem a chance de liderar uma nova gera\u00e7\u00e3o de parcerias clim\u00e1ticas: entre empresas, institui\u00e7\u00f5es cient\u00edficas, governos e comunidades. A bioeconomia, financiamento inovador, governan\u00e7a h\u00eddrica e regenera\u00e7\u00e3o de ecossistemas n\u00e3o s\u00e3o temas isolados, s\u00e3o pilares de uma economia mais resiliente, justa e alinhada ao futuro.<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00c0 medida que o Brasil se prepara para sediar a COP30, em Bel\u00e9m, o mundo enfrenta um momento de inflex\u00e3o nas negocia\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas. 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