{"id":13885,"date":"2025-08-28T06:01:43","date_gmt":"2025-08-28T09:01:43","guid":{"rendered":"https:\/\/aprimora.site\/carvalhoalmeidaadvogados\/2025\/08\/28\/entre-tribunais-e-hospitais-o-descompasso-do-acesso-a-saude\/"},"modified":"2025-08-28T06:01:43","modified_gmt":"2025-08-28T09:01:43","slug":"entre-tribunais-e-hospitais-o-descompasso-do-acesso-a-saude","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/aprimora.site\/carvalhoalmeidaadvogados\/2025\/08\/28\/entre-tribunais-e-hospitais-o-descompasso-do-acesso-a-saude\/","title":{"rendered":"Entre tribunais e hospitais: o descompasso do acesso \u00e0 sa\u00fade"},"content":{"rendered":"<p>No Brasil, milh\u00f5es de pessoas convivem com doen\u00e7as cr\u00f4nicas e autoimunes que exigem acompanhamento constante, mas ainda esbarram em desafios de diagn\u00f3stico e tratamento adequado. Ao mesmo tempo, cresce o n\u00famero de decis\u00f5es judiciais que correlacionam algumas destas doen\u00e7as ao trabalho. \u00c9 sobre esse descompasso entre prote\u00e7\u00e3o judicial e acesso efetivo \u00e0 sa\u00fade que trata este artigo.<\/p>\n<p>Doen\u00e7a cr\u00f4nica \u00e9 uma condi\u00e7\u00e3o de sa\u00fade de longa dura\u00e7\u00e3o, geralmente progressiva, que exige acompanhamento cont\u00ednuo e manejo adequado para controlar sintomas e prevenir complica\u00e7\u00f5es. Diferentemente das doen\u00e7as agudas, que surgem de forma s\u00fabita e duram pouco tempo, as doen\u00e7as cr\u00f4nicas persistem por meses ou anos, impactando a qualidade de vida do paciente e, por vezes, de todo o entorno familiar.<\/p>\n<h3><a href=\"https:\/\/www.jota.info\/produtos\/saude?utm_source=cta-site&amp;utm_medium=site&amp;utm_campaign=campanha_saude_q2&amp;utm_id=cta_texto_saude_q2_2023&amp;utm_term=cta_texto_saude&amp;utm_term=cta_texto_saude_meio_materias\"><span>Com not\u00edcias da Anvisa e da ANS, o <span class=\"jota\">JOTA<\/span> PRO Sa\u00fade entrega previsibilidade e transpar\u00eancia para empresas do setor<\/span><\/a><\/h3>\n<p>Entre os exemplos mais comum de doen\u00e7as cr\u00f4nicas est\u00e3o diabetes, hipertens\u00e3o e a doen\u00e7a pulmonar obstrutiva cr\u00f4nica. Essas doen\u00e7as podem ter diversas origens, incluindo fatores gen\u00e9ticos, ambientais, comportamentais e fisiol\u00f3gicos, isolados ou combinados. Entre as dezenas de doen\u00e7as cr\u00f4nicas existentes, algumas s\u00e3o de origem autoimune como diabetes tipo 1, esclerose m\u00faltipla, psor\u00edase, artrite reumatoide, entre outras.<\/p>\n<p>As doen\u00e7as autoimunes s\u00e3o aquelas em que o sistema imunol\u00f3gico, respons\u00e1vel por proteger o organismo contra amea\u00e7as externas, passa a atacar equivocadamente c\u00e9lulas, tecidos e \u00f3rg\u00e3os saud\u00e1veis. Esse funcionamento an\u00f4malo provoca inflama\u00e7\u00f5es cr\u00f4nicas e danos progressivos, afetando diferentes partes do corpo e comprometendo a qualidade de vida da pessoa. Tamb\u00e9m demandam monitoramento m\u00e9dico e tratamento frequente.<\/p>\n<p>No contexto destas doen\u00e7as, que s\u00e3o complexas e multifatoriais, um evento paralelo que chama aten\u00e7\u00e3o \u00e9 o reconhecimento, pela justi\u00e7a do trabalho, do enquadramento de certas doen\u00e7as como ocupacionais e, portanto, relacionadas ao trabalho. Inclusive para casos em que se h\u00e1 apenas o chamado nexo concausal, em que a doen\u00e7a n\u00e3o se origina da atividade profissional, mas, fatores do trabalho, contribuem para o seu agravamento.<\/p>\n<p>H\u00e1 quem diga que essa forma de interpretar e aplicar a lei represente um avan\u00e7o na prote\u00e7\u00e3o \u00e0 sa\u00fade do trabalhador, j\u00e1 que fatores do ambiente laboral podem contribuir para o agravamento e desencadeamento de doen\u00e7as. Para outros, essas decis\u00f5es aumentam a inseguran\u00e7a jur\u00eddica e transferem ao empregador uma obriga\u00e7\u00e3o sem fundamento legal, baseada em princ\u00edpios abstratos e conceitos jur\u00eddicos indeterminados.<\/p>\n<p>Independentemente do ponto de vista acima \u2013 e aqui se respeita ambos \u2013, o que esse artigo traz \u00e0 tona \u00e9 uma problem\u00e1tica que antecede o debate das doen\u00e7as ocupacionais: o acesso \u00e0 sa\u00fade para o diagn\u00f3stico e tratamento de doen\u00e7as autoimunes e de doen\u00e7as de longa dura\u00e7\u00e3o. O que se joga luz, aqui, \u00e9 o desalinhamento existente entre uma prote\u00e7\u00e3o judicial e as pol\u00edticas de acesso integral \u00e0 sa\u00fade.<\/p>\n<p>Ao reconhecer um trabalhador com uma doen\u00e7a ocupacional, inclusive por nexo concausal, essa decis\u00e3o imp\u00f5e ao empregador obriga\u00e7\u00f5es e custos diretos e indiretos. Ocorre que, a depender da doen\u00e7a, o trabalhador n\u00e3o necessariamente ter\u00e1 acesso ao diagn\u00f3stico e tratamento adequado. Afinal, diagn\u00f3sticos mais modernos e terapias (inclusive b\u00e1sicas) que poderiam controlar ou melhorar substancialmente o quadro cl\u00ednico do paciente <a href=\"https:\/\/www.jota.info\/saude\/bastidores-da-saude\/um-a-cada-quatro-medicamentos-incorporados-entre-2019-e-2024-continuam-indisponiveis-no-sus\">n\u00e3o est\u00e3o acess\u00edveis<\/a>.<\/p>\n<p>Como consequ\u00eancia, esse trabalhador poder\u00e1 passar anos perambulando entre hospitais em busca de tratamento adequado e poder\u00e1 ter de se aposentar precocemente. Talvez esse cidad\u00e3o at\u00e9 tente seguir pela popular via da judicializa\u00e7\u00e3o da sa\u00fade em busca de um tratamento digno que, se tivesse sido provido desde o in\u00edcio da enfermidade, teria reduzido o impacto na vida desta pessoa e diversos custos ao empregador e \u00e0 sociedade.<\/p>\n<p>Esse desencontro que existe entre uma prote\u00e7\u00e3o judicial e as pol\u00edticas de acesso \u00e0 sa\u00fade revela que a prote\u00e7\u00e3o \u00e0 sa\u00fade precisa ser repensada de forma sist\u00eamica. Quando um pa\u00eds adota uma interpreta\u00e7\u00e3o mais protetiva na esfera trabalhista, reconhecendo a responsabilidade de empregadores sobre doen\u00e7as complexas e multifatoriais, \u00e9 essencial que a pol\u00edtica de sa\u00fade caminhe junta e acompanhe essa evolu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<h3><a href=\"https:\/\/conteudo.jota.info\/marketing-lp-newsletter-jota-principal-lancamento\">Informa\u00e7\u00f5es direto ao ponto sobre o que realmente importa: assine gratuitamente a <span class=\"jota\">JOTA<\/span> Principal, a nova newsletter do <span class=\"jota\">JOTA<\/span><\/a><\/h3>\n<p>A revis\u00e3o das tecnologias dispon\u00edveis nos sistemas de sa\u00fade se faz necess\u00e1ria para incluir novas terapias no combate de doen\u00e7as autoimunes como por exemplo o <a href=\"https:\/\/www.jota.info\/opiniao-e-analise\/artigos\/ampliar-acesso-a-alternativas-terapeuticas-e-fundamental-para-pacientes-com-lupus\">l\u00fapus<\/a> e outras condi\u00e7\u00f5es cr\u00f4nicas, como por exemplo a <a href=\"https:\/\/jbes.com.br\/index.php\/jbes\/article\/view\/507\">DPOC<\/a>, que \u00e9 respons\u00e1vel por muitas mortes precoces no pa\u00eds, al\u00e9m de aposentadorias precoces e impacto milion\u00e1rio no sistema previdenci\u00e1rio e de sa\u00fade do Brasil.<\/p>\n<p>Assim como novas normas corretamente exigem que os empregadores adotem um <a href=\"https:\/\/www.jota.info\/trabalho\/fatores-psicossociais-entram-no-radar-das-convencoes-e-acordos-coletivos-de-trabalho\">gerenciamento de riscos<\/a> ocupacionais abrangente, como \u00e9 o caso da Norma Regulamentadora n\u00ba 1 (<a href=\"https:\/\/www.gov.br\/trabalho-e-emprego\/pt-br\/acesso-a-informacao\/participacao-social\/conselhos-e-orgaos-colegiados\/comissao-tripartite-partitaria-permanente\/normas-regulamentadora\/normas-regulamentadoras-vigentes\/nr-1\">NR-1<\/a>), que obriga o gerenciamento dos chamados fatores psicossociais no trabalho e entrar\u00e1 em vigor em maio de 2026, os sistemas de sa\u00fade p\u00fablico e privado\/suplementar precisam garantir acesso \u00e0 diagn\u00f3sticos e tratamentos mais eficazes e modernos.<\/p>\n<p>Tratar o pa\u00eds de forma integrada significa alinhar preven\u00e7\u00e3o no ambiente laboral, responsabilidade do empregador e compromisso nacional com acesso integral \u00e0 sa\u00fade. Incorporar terapias modernas e eficazes \u00e0s coberturas obrigat\u00f3rias n\u00e3o \u00e9 apenas uma quest\u00e3o de justi\u00e7a social: \u00e9 transformar decis\u00f5es judiciais em melhorias reais na vida das pessoas; \u00e9 reduzir a judicializa\u00e7\u00e3o da sa\u00fade; \u00e9 ouvir a participa\u00e7\u00e3o social exposta nas consultas p\u00fablicas da <a href=\"https:\/\/www.gov.br\/ans\/pt-br\/assuntos\/noticias\/sociedade\/consultas-publicas-em-andamento-32\">ANS<\/a> e do <a href=\"https:\/\/www.gov.br\/conitec\/pt-br\/assuntos\/participacao-social\/consultas-publicas\">SUS<\/a>; \u00e9 reduzir o custo total do Estado; \u00e9 uma quest\u00e3o de coer\u00eancia institucional.<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No Brasil, milh\u00f5es de pessoas convivem com doen\u00e7as cr\u00f4nicas e autoimunes que exigem acompanhamento constante, mas ainda esbarram em desafios de diagn\u00f3stico e tratamento adequado. 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