{"id":13464,"date":"2025-08-14T10:55:40","date_gmt":"2025-08-14T13:55:40","guid":{"rendered":"https:\/\/aprimora.site\/carvalhoalmeidaadvogados\/2025\/08\/14\/como-pensar-sobre-ia-para-o-juridico\/"},"modified":"2025-08-14T10:55:40","modified_gmt":"2025-08-14T13:55:40","slug":"como-pensar-sobre-ia-para-o-juridico","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/aprimora.site\/carvalhoalmeidaadvogados\/2025\/08\/14\/como-pensar-sobre-ia-para-o-juridico\/","title":{"rendered":"Como pensar sobre IA para o jur\u00eddico?"},"content":{"rendered":"<p>O t\u00edtulo deste artigo remete ao novo livro de Richard Susskind, <em>How to Think About AI: A Guide for the Perplexed<\/em>.<a href=\"https:\/\/www.jota.info\/#_ftn1\">[1]<\/a> Lan\u00e7ado no 1\u00ba semestre deste ano, o autor re\u00fane mais de 40 anos de estudo sobre <a href=\"https:\/\/www.jota.info\/tudo-sobre\/inteligencia-artificial\">intelig\u00eancia artificial<\/a> aplicada ao mundo jur\u00eddico perpassando a hist\u00f3ria da tecnologia, os cen\u00e1rios poss\u00edveis para o seu futuro e at\u00e9 mesmo a previs\u00e3o de que a d\u00e9cada de 2030 ser\u00e1 algo totalmente diferente do que conhecemos hoje, justamente pelas novas tecnologias que surgir\u00e3o nos pr\u00f3ximos anos.<\/p>\n<p>Entre reflex\u00f5es sobre a regulamenta\u00e7\u00e3o da IA para cada realidade normativa dos pa\u00edses ao redor do globo, os desafios \u00e9ticos e morais da utiliza\u00e7\u00e3o da tecnologia e v\u00e1rios questionamentos que colocam o leitor em um espiral de indaga\u00e7\u00f5es, contextualizamos a obra com a realidade que encontramos no cen\u00e1rio jur\u00eddico corporativo brasileiro: em todas as empresas s\u00f3 o que se fala \u00e9 de intelig\u00eancia artificial.<\/p>\n<h3><a href=\"https:\/\/www.jota.info\/produtos\/poder?utm_source=cta-site&amp;utm_medium=site&amp;utm_campaign=campanha_poder_q2&amp;utm_id=cta_texto_poder_q2_2023&amp;utm_term=cta_texto_poder&amp;utm_term=cta_texto_poder_meio_materias\"><span>Conhe\u00e7a o <span class=\"jota\">JOTA<\/span> PRO Poder, plataforma de monitoramento que oferece transpar\u00eancia e previsibilidade para empresas<\/span><\/a><\/h3>\n<p>Seja por uma press\u00e3o do board; da lideran\u00e7a executiva; do time de tecnologia; ou at\u00e9 mesmo quando vem de um time jur\u00eddico mais inovador. Muitas vezes, a press\u00e3o \u00e9 pelo uso da tecnologia com a promessa de reduzir horas operacionais de seres humanos, com uma vontade genu\u00edna de busca pela efici\u00eancia, o que naturalmente nos leva a pensar: como essa demanda de IA est\u00e1 chegando nessas organiza\u00e7\u00f5es? O pedido faz sentido e \u00e9 pautado em efici\u00eancia, ou s\u00f3 se quer fazer parte do hype?<\/p>\n<p>Observamos que, agora, cada pessoa agora quer uma IA para chamar de sua. Ter um agente para chamar de seu \u00e9 a nova moda dos anos 2025, uma tend\u00eancia gerada para acompanhar o Labubu, o Bobbie Goods e se voc\u00ea prefere refer\u00eancias culin\u00e1rias, o morango do amor ou at\u00e9 o [quase esquecido] recheio de pistache. A febre pela ado\u00e7\u00e3o de uma IA faz inveja ao apelo do infantil Tamagotchi dos anos 90, o Blackberry nos anos 2000, o iPhone em 2007. Chegou ao ponto de termos metas quantitativas que as organiza\u00e7\u00f5es est\u00e3o colocando para seus colaboradores. At\u00e9 disputas entre \u00e1reas, de qual tem mais agente de IA.<\/p>\n<p>De longe, at\u00e9 parece uma boa ideia para acelerar a ado\u00e7\u00e3o de tecnologia e de inova\u00e7\u00e3o. Mas quando uma inova\u00e7\u00e3o acontece s\u00f3 para seguir o protocolo de uma tend\u00eancia\u2026 Ser\u00e1 que \u00e9 inovadora mesmo? Resolve de fato uma dor? Ou seria somente o cumprimento de um \u201ccheck\u201d para abra\u00e7ar um modismo?<\/p>\n<p>Especialmente agora que as \u00e1reas e os colaboradores ainda n\u00e3o t\u00eam acesso irrestrito dessas solu\u00e7\u00f5es, \u00e9 importante refletirmos. Um projeto que crie um agente de IA de verdade \u00e9 caro, envolve horas de desenvolvimento e um investimento significativo por parte da organiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A realidade n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o simples como criar um ppt ou um link de uma reuni\u00e3o; \u00e9 algo t\u00e3o custoso que nas grandes organiza\u00e7\u00f5es, a \u00e1rea de TI e de Governan\u00e7a de Dados est\u00e1 trabalhando em projetos piloto com usu\u00e1rios chave justamente pelo valor por usu\u00e1rio ainda ser alto. Com o tempo certamente ficar\u00e1 mais barato, mas ainda estamos no come\u00e7o da curva.<\/p>\n<p>Desta forma, antes de sair adotando, automatizando ou investindo em ferramentas de IA, \u00e9 preciso dar um passo atr\u00e1s: repensar a forma como organizamos o trabalho jur\u00eddico. A IA n\u00e3o \u00e9 apenas mais uma tecnologia; ela representa uma mudan\u00e7a estrutural na forma de prestar servi\u00e7os jur\u00eddicos.<\/p>\n<p>E mudan\u00e7as estruturais exigem tamb\u00e9m uma mudan\u00e7a na forma de pensar. Neste artigo, propomos um pequeno manual pr\u00e1tico para guiar times jur\u00eddicos amplos e os focados em Legal Operations nessa nova jornada.<\/p>\n<p>Menos hype, mais estrat\u00e9gia.<\/p>\n<p><strong>1) Comece pelas perguntas certas<\/strong><\/p>\n<p>\u00c9 natural sentir um <a href=\"https:\/\/www.jota.info\/opiniao-e-analise\/artigos\/inovicio-como-evitar-o-vicio-em-inovacao-no-mundo-juridico\">FOMO<\/a> (fear of missing out, ou \u201cmedo de ficar para tr\u00e1s\u201d) quando se fala em intelig\u00eancia artificial. Em outro artigo j\u00e1 foi comentado que buscar inova\u00e7\u00e3o a qualquer custo pode ser t\u00e3o perigoso quanto ficar parado no tempo. No contexto de Legal Ops e transforma\u00e7\u00e3o jur\u00eddica, toda iniciativa de tecnologia deve servir a um prop\u00f3sito estrat\u00e9gico claro. N\u00e3o \u00e9 tecnologia pela tecnologia, \u00e9 a tecnologia como um servi\u00e7o, como um caminho.<\/p>\n<p>Por isso, antes de decidir onde e como usar IA nos fluxos da sua \u00e1rea, questione-se:<\/p>\n<p>Qual problema, de fato, estamos tentando resolver?<br \/>\nQuem ser\u00e1 impactado por essa tecnologia?<br \/>\nRealmente preciso de IA nesse fluxo ou uma automa\u00e7\u00e3o simples ou rob\u00f3tica (o famoso RPA) pode resolver?<\/p>\n<p>Refletir sobre IA \u00e9 refletir sobre decis\u00f5es, efici\u00eancia e impacto. Em outras palavras, foque primeiro no porqu\u00ea e para qu\u00ea, antes de sair discutindo o como.<\/p>\n<p><strong>2) Orquestre agentes, n\u00e3o apenas tarefas<\/strong><\/p>\n<p>Muitas equipes caem na armadilha de tentar usar a IA como um Google 2.0, para centralizar pesquisas, ter respostas imediatas e criar\/revisar textos. Mas a IA permite ir muito al\u00e9m: \u00e9 poss\u00edvel orquestrar um conjunto de agentes inteligentes trabalhando em sintonia, quase como um escrit\u00f3rio de advocacia interno automatizado.<\/p>\n<p>E agora, com a populariza\u00e7\u00e3o do GPT 5 que promete organizar verdadeiras tarefas complexas podendo at\u00e9 mesmo estar integrado ao seu calend\u00e1rio, a realidade muda completamente. Bem, imagine a seguinte orquestra\u00e7\u00e3o:<\/p>\n<p>Uma persona \u2018A\u2019 recebe e entende a demanda das \u00e1reas<br \/>\nOutra \u2018B\u2019 produz o documento\/ resposta com base em playbooks internos<br \/>\nOutra \u2018C\u2019 faz valida\u00e7\u00e3o de riscos<br \/>\nOutra \u2018D\u2019 traduz do juridiqu\u00eas para a para as \u00e1reas de neg\u00f3cio<br \/>\nOutra \u2018E\u2019 envia para a \u00e1rea certa, documenta a entrega e atualiza o sistema<\/p>\n<p>Agora pensa que<\/p>\n<p>Persona <strong>A<\/strong> pode ser um analista jur\u00eddico<br \/>\nPersona <strong>B<\/strong>, pode ser advogado j\u00fanior<br \/>\nPersona <strong>C<\/strong>, um pleno<br \/>\nPersona <strong>D<\/strong>, um s\u00eanior<br \/>\nE, finalmente, a Persona <strong>E<\/strong>, a controladoria jur\u00eddica<\/p>\n<p>Voc\u00ea passa a ter assistentes virtuais para cada etapa do fluxo, liberando os profissionais para as atividades em que o julgamento humano e a estrat\u00e9gia s\u00e3o insubstitu\u00edveis. E mais: todas essas pessoas podem ser resumidas em algumas linhas de um prompt bem trabalho, com c\u00f3digos estruturados que indiquem revis\u00e3o e o que fazer em caso de erro.<\/p>\n<p>Refletir sobre possibilidades, entender os poss\u00edveis gatilhos de erro e o que fazer sobre suas ocorr\u00eancias, delimitar fronteiras mediante a uma revis\u00e3o humana atenta aos resultados e, sobretudo, uma aprova\u00e7\u00e3o com o olhar atento do respons\u00e1vel pela prote\u00e7\u00e3o dos dados da organiza\u00e7\u00e3o\u2026 Far\u00e1 a diferen\u00e7a nessa orquestra. Essas a\u00e7\u00f5es unidas traduzem a melodia necess\u00e1ria para a plateia aplaudir de forma consistente e verdadeira.<\/p>\n<p><strong>3) Adote uma mentalidade de produto<\/strong><\/p>\n<p>Implementar uma IA n\u00e3o deve ser encarado como um projeto com in\u00edcio, meio e fim definidos. Encare a IA como um produto vivo. Isso significa que, ap\u00f3s entrar em opera\u00e7\u00e3o, sua solu\u00e7\u00e3o de IA passar\u00e1 por evolu\u00e7\u00f5es cont\u00ednuas e totalmente permanentes.<\/p>\n<p>Ela requer backlog de melhorias, vers\u00f5es sucessivas, m\u00e9tricas de desempenho e gest\u00e3o ativa no dia a dia. Em outras palavras, depois de colocar uma ferramenta inteligente para rodar, o trabalho est\u00e1 apenas come\u00e7ando: ser\u00e1 preciso lapid\u00e1-la, atualiz\u00e1-la e ajust\u00e1-la regularmente para que continue gerando valor. \u00c9 um processo de monitoramento e revis\u00e3o sem fim, tal qual um carro que precisa ser vistoriado com alguma frequ\u00eancia (s\u00f3 que no caso da IA, a frequ\u00eancia dever\u00e1 ser muito maior).<\/p>\n<p>Adotar essa mentalidade de produto certamente exigir\u00e1 uma mudan\u00e7a cultural no jur\u00eddico. Em vez de entregar um projeto de tecnologia e dar a miss\u00e3o por encerrada, o time passa a atuar como dono de um produto beta. Permanentemente beta, algo que vai de encontro ao perfil de muito profissional jur\u00eddico, que por excel\u00eancia sempre busca a perfei\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Hoje, lidar com uma IA \u00e9 justamente o oposto da excel\u00eancia: o produto excelente de hoje \u00e9 o obsoleto de amanh\u00e3. Portanto, isso implica priorizar demandas de usu\u00e1rios, dialogar com as \u00e1reas atendidas para entender onde a IA pode melhorar e acompanhar indicadores de sucesso (uso, acur\u00e1cia, tempo economizado etc.), realizando ajustes constantes em uma frequ\u00eancia muito alta, justamente porque a seguran\u00e7a da informa\u00e7\u00e3o deve ser o pilar basilar de toda a estrutura.<\/p>\n<p><strong>4) Mapeie riscos e (re)defina responsabilidades<\/strong><\/p>\n<p>Nenhuma iniciativa de IA est\u00e1 livre de riscos. Absolutamente nenhuma. E ignor\u00e1-los pode custar caro, tanto pelo aspecto reputacional, quanto pelo financeiro. Por isso, junto com a empolga\u00e7\u00e3o pela tecnologia deve vir uma dose saud\u00e1vel de governan\u00e7a. \u00c9 fundamental ter clareza sobre pontos cr\u00edticos como:<\/p>\n<p>Quem vai treinar o modelo?<\/p>\n<p>Quem ser\u00e3o os respons\u00e1veis por configurar e melhorar a IA ao longo do tempo?<\/p>\n<p>Quem aprova o que ser\u00e1 automatizado ou sugerido pela IA?<\/p>\n<p>Quais respostas a m\u00e1quina pode dar sozinha para os clientes internos do jur\u00eddico e quais precisam de valida\u00e7\u00e3o humana?<\/p>\n<p>Quais dados alimentar\u00e3o a IA e de onde eles v\u00eam?<\/p>\n<p>Os dados s\u00e3o confi\u00e1veis?<\/p>\n<p>Como detectar e corrigir eventuais desvios ou erros do sistema?<\/p>\n<p>Existe um processo de revis\u00e3o das sa\u00eddas da IA e feedback para ela aprender com equ\u00edvocos?<\/p>\n<p>O jur\u00eddico deve atuar de maneira pr\u00f3xima com o time de infraestrutura de TI e de Governan\u00e7a de Dados da organiza\u00e7\u00e3o para pensar em melhores estruturas de como operar. Isso significa estabelecer pol\u00edticas internas claras, definir limites \u00e9ticos, elaborar uma matriz RASCI de responsabilidades bem definidas e assegurar conformidade com leis e regulamentos relacionados \u00e0 intelig\u00eancia artificial. Tamb\u00e9m implica monitorar continuamente os resultados que a IA produz, auditando suas recomenda\u00e7\u00f5es e intervindo sempre que necess\u00e1rio.<\/p>\n<p>Lembre-se: mesmo que o time jur\u00eddico esteja tomando decis\u00f5es com aux\u00edlio da IA\u2026 Ainda s\u00e3o decis\u00f5es do jur\u00eddico. Em \u00faltima inst\u00e2ncia, se algo der errado, n\u00e3o adianta culpar o algoritmo \u2013 a responsabilidade recair\u00e1 sobre o usu\u00e1rio. Portanto, trate a governan\u00e7a da IA com a mesma seriedade com que trata os riscos legais tradicionais. Quem conseguir unir inova\u00e7\u00e3o com controle eficaz de riscos vai sair na frente.<\/p>\n<p><strong>5) D\u00ea escala ao que j\u00e1 funciona<\/strong><\/p>\n<p>A IA n\u00e3o substitui processos; ela os potencializa. Se um processo est\u00e1 mal desenhado ou \u00e9 ineficiente, jogar IA em cima dele s\u00f3 vai amplificar o problema. Por outro lado, se voc\u00ea tem um fluxo que funciona bem, a tecnologia pode multiplicar sua efici\u00eancia e alcance.<\/p>\n<p>Algumas aplica\u00e7\u00f5es de ganho r\u00e1pido que v\u00eam dando certo em algumas empresas:<\/p>\n<p><strong>Automa\u00e7\u00e3o de cl\u00e1usulas contratuais recorrentes<\/strong>: deixe que a IA preencha e revise cl\u00e1usulas padr\u00e3o \u2013 sabe aquelas que o seu playbook j\u00e1 prev\u00ea?<br \/>\n<strong>Preven\u00e7\u00e3o de riscos jur\u00eddicos com base em dados hist\u00f3ricos<\/strong>: usar modelos preditivos treinados em bases de processos e contratos passados para estimar, por exemplo, a probabilidade de \u00eaxito em lit\u00edgios ou identificar quais casos merecem mais aten\u00e7\u00e3o proativa.<br \/>\n<strong>Extra\u00e7\u00e3o de insights de grande volume de contratos<\/strong>: aplicar IA para revisar um grande reposit\u00f3rio de contratos e apontar cl\u00e1usulas fora do padr\u00e3o, obriga\u00e7\u00f5es esquecidas, prazos cr\u00edticos, etc; permitindo uma gest\u00e3o contratual mais inteligente e preventiva \u2013 incluindo a base legado.<\/p>\n<p>Em todos esses casos, a IA entra para turbinar algo que o jur\u00eddico j\u00e1 faz \u2013 s\u00f3 que de forma artesanal ou limitada (quando \u00e9 100% manual). Ao automatizar as partes repetitivas e operacionais, voc\u00ea libera a capacidade do time para as tarefas estrat\u00e9gicas: aquelas que demandam an\u00e1lise fina, negocia\u00e7\u00e3o e criatividade jur\u00eddica.<\/p>\n<p><strong>6) Capacite seu time\u2026 a IA j\u00e1 est\u00e1 mudando a forma de trabalhar<\/strong><\/p>\n<p>A essa altura, j\u00e1 n\u00e3o cabe mais perguntar se vamos usar IA no Jur\u00eddico, e sim como vamos reorganizar o trabalho a partir dela. Em outras palavras: de que maneira a aplica\u00e7\u00e3o da intelig\u00eancia artificial vai redesenhar pap\u00e9is, fluxos e atividades dentro do jur\u00eddico?<\/p>\n<p>Os profissionais e \u00e1reas que souberem redesenhar fluxos, reordenar tarefas e orquestrar a IA com governan\u00e7a e prop\u00f3sito estrat\u00e9gico sair\u00e3o na frente. O Jur\u00eddico que aprender a enxergar a IA como infraestrutura \u2013 e n\u00e3o apenas como uma ferramenta pontual, tarefeira \u2013 atingir\u00e1 um novo patamar dentro da organiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Para entender o que isso significa, pense em uma calculadora. Ningu\u00e9m duvida do resultado que ela entrega. Ningu\u00e9m resolve uma conta complexa na m\u00e3o s\u00f3 para \u201cconferir se est\u00e1 certo\u201d. A gente confia e segue em frente.<\/p>\n<p>A intelig\u00eancia artificial caminha para ocupar esse mesmo lugar: uma tecnologia confi\u00e1vel, integrada ao dia a dia, que libera tempo e energia para focarmos no que realmente importa. Ela n\u00e3o ser\u00e1 apenas mais uma ferramenta entre outras, mas uma nova infraestrutura de trabalho jur\u00eddico.<\/p>\n<p>Em suma, n\u00e3o basta comprar ferramentas de IA e esperar m\u00e1gica. \u00c9 preciso repensar pessoas, processos e estrat\u00e9gias em torno dessa nova realidade. A recompensa para quem fizer isso \u00e9 grande: mais tempo para atividades estrat\u00e9gicas, menos retrabalho, maior alinhamento com o core business e um papel mais relevante na tomada de decis\u00f5es da empresa.<\/p>\n<p>Por fim, como iniciamos esse texto com uma grande refer\u00eancia jur\u00eddica, encerramos com uma outra refer\u00eancia do mundo dos neg\u00f3cios: Jensen Huang. N\u00e3o poderia ser diferente. Ele \u00e9 o cofundador da Nvidia, atualmente a empresa mais valiosa do mundo, a primeira a alcan\u00e7ar a marca de US$ 4 trilh\u00f5es e, por produzir os chips que fazem a IA acontecer, uma das organiza\u00e7\u00f5es mais importantes.<\/p>\n<p>Ao dizer \u201cPreparem-se para uma nova era industrial \u2013 movida n\u00e3o por a\u00e7o e carv\u00e3o, mas por dados e algoritmos\u201d, em outras palavras, Jensen diz que a lideran\u00e7a atual dever\u00e1 pensar. Pensar antes de automatizar, pensar como lidar com dados, pensar com foco em algoritmos e, sobretudo, pensar em como abra\u00e7ar a mentalidade de protagonista para liderar \u2013 de verdade! \u2013 a transforma\u00e7\u00e3o que a advocacia tanto precisa.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.jota.info\/#_ftnref1\">[1]<\/a> Em tradu\u00e7\u00e3o livre para o portugu\u00eas: \u201cComo pensar sobre IA: um guia para os perplexos\u201d.<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O t\u00edtulo deste artigo remete ao novo livro de Richard Susskind, How to Think About AI: A Guide for the Perplexed.[1] Lan\u00e7ado no 1\u00ba semestre deste ano, o autor re\u00fane mais de 40 anos de estudo sobre intelig\u00eancia artificial aplicada ao mundo jur\u00eddico perpassando a hist\u00f3ria da tecnologia, os cen\u00e1rios poss\u00edveis para o seu futuro [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":0,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[1],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/aprimora.site\/carvalhoalmeidaadvogados\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13464"}],"collection":[{"href":"https:\/\/aprimora.site\/carvalhoalmeidaadvogados\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/aprimora.site\/carvalhoalmeidaadvogados\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/aprimora.site\/carvalhoalmeidaadvogados\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=13464"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/aprimora.site\/carvalhoalmeidaadvogados\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13464\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/aprimora.site\/carvalhoalmeidaadvogados\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=13464"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/aprimora.site\/carvalhoalmeidaadvogados\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=13464"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/aprimora.site\/carvalhoalmeidaadvogados\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=13464"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}