{"id":13081,"date":"2025-07-30T19:21:48","date_gmt":"2025-07-30T22:21:48","guid":{"rendered":"https:\/\/aprimora.site\/carvalhoalmeidaadvogados\/2025\/07\/30\/como-os-eua-tambem-pagam-o-preco-pelas-tarifas-contra-o-brasil\/"},"modified":"2025-07-30T19:21:48","modified_gmt":"2025-07-30T22:21:48","slug":"como-os-eua-tambem-pagam-o-preco-pelas-tarifas-contra-o-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/aprimora.site\/carvalhoalmeidaadvogados\/2025\/07\/30\/como-os-eua-tambem-pagam-o-preco-pelas-tarifas-contra-o-brasil\/","title":{"rendered":"Como os EUA tamb\u00e9m pagam o pre\u00e7o pelas tarifas contra o Brasil"},"content":{"rendered":"<p><span>Em ordem executiva nesta quarta-feira (30\/7), <a href=\"https:\/\/www.jota.info\/executivo\/trump-oficializa-tarifa-de-50-ao-brasil-resposta-as-politicas-do-pais\">Donald Trump oficializou as taxas de 50% sobre produtos brasileiros<\/a>. Ao mesmo tempo, f<\/span><span>oram poupados das tarifas quase 700 produtos brasileiros, entre itens com alto volume de exporta\u00e7\u00e3o pelo Brasil, insumos estrat\u00e9gicos para os EUA e produtos com tratamento especial, mas outros, bastante relevantes para o mercado consumidor, como caf\u00e9, ficaram no tarifa\u00e7o. <\/span><span>Com isso, n\u00e3o apenas o lado brasileiro pode sofrer, mas tamb\u00e9m diversos setores norte-americanos.<\/span><\/p>\n<h3><a href=\"https:\/\/conteudo.jota.info\/marketing-lp-newsletter-jota-principal-lancamento\">Informa\u00e7\u00f5es direto ao ponto sobre o que realmente importa: assine gratuitamente a <span class=\"jota\">JOTA<\/span> Principal, a nova newsletter do <span class=\"jota\">JOTA<\/span><\/a><\/h3>\n<p><span>Segundo levantamento do <\/span><span class=\"jota\">JOTA<\/span> <span>a partir de dados norte-americanos (veja abaixo), em alguns casos, at\u00e9 seria poss\u00edvel que os norte-americanos encontrassem outros vendedores para alguns produtos, mas condi\u00e7\u00f5es n\u00e3o s\u00e3o uniformes.<\/span><\/p>\n<div class=\"jota-article__table j-responsive-table\">\n<p>Produto \/ Setor<br \/>\nImporta\u00e7\u00f5es brasileiras representam\u2026<br \/>\nDe quem mais os EUA poderiam comprar esse produto?<\/p>\n<p>Suco de laranja (isento do tarifa\u00e7o)<br \/>\n<span>Aproximadamente 73% do consumo total desse produto nos EUA<\/span><br \/>\n<span>M\u00e9xico, Espanha<\/span><\/p>\n<p>Caf\u00e9\u00a0<br \/>\n<span>Aproximadamente 33% do consumo total desse produto nos EUA<\/span><br \/>\n<span>Col\u00f4mbia, Vietn\u00e3<\/span><\/p>\n<p>A\u00e7a\u00ed<br \/>\n<span>100% do consumo total desse produto nos EUA<\/span><br \/>\n<span>N\u00e3o h\u00e1<\/span><\/p>\n<p>Carne bovina<br \/>\n<span>Aproximadamente 20% do consumo total desse produto nos EUA<\/span><br \/>\n<span>Austr\u00e1lia, Nova Zel\u00e2ndia,<\/span><\/p>\n<p>Produtos qu\u00edmicos\u00a0<br \/>\n<span>Aproximadamente 10% do consumo total em segmentos espec\u00edficos<\/span><br \/>\n<span>Canad\u00e1, Alemanha, \u00cdndia<\/span><\/p>\n<p>Petr\u00f3leo bruto (isento do tarifa\u00e7o)<br \/>\n<span>Aproximadamente 7% do consumo total desse insumo nos EUA<\/span><br \/>\n<span>Canad\u00e1, Ar\u00e1bia Saudita<\/span><\/p>\n<p>Aeronaves (isentas do tarifa\u00e7o)<br \/>\n<span>Aproximadamente 20% da frota de jatos regionais operada nos EUA \u00e9 de fabrica\u00e7\u00e3o brasileira<\/span><br \/>\n<span>Canad\u00e1 (Bombardier), UE (Airbus), Jap\u00e3o (Mitsubishi)<\/span><\/p>\n<p>Celulose \/ papel<br \/>\n<span>Aproximadamente 15% do consumo total desse produto nos EUA<\/span><br \/>\n<span>Canad\u00e1, Chile, Su\u00e9cia, Indon\u00e9sia<\/span><\/p>\n<\/div>\n<p><span>Fontes: Dados de com\u00e9rcio exterior da USITC (United States International Trade Commission) e do USTR (Office of the United States Trade Representative); relat\u00f3rios do USDA (Departamento de Agricultura dos EUA).<\/span><\/p>\n<p><span>No caso de alimentos, por exemplo, os neg\u00f3cios norte-americanos teriam de avaliar a necessidade de operacionaliza\u00e7\u00e3o e prepara\u00e7\u00e3o burocr\u00e1tica, como certificados de origem e fitossanit\u00e1rios, caso procurassem outros vendedores. \u201cMesmo que haja disponibilidade do produto, tem uma s\u00e9rie de prepara\u00e7\u00f5es, contatos a serem feitos. Na internacionaliza\u00e7\u00e3o a coisa tende a levar tempo\u201d, diz Jo\u00e3o Alfredo Nyegray, coordenador do Observat\u00f3rio de Neg\u00f3cios Internacionais da Pontif\u00edcia Universidade Cat\u00f3lica do Paran\u00e1 (PUC-PR). \u201cAs empresas \u00e0s vezes acham que v\u00e3o conseguir exportar rapidamente porque t\u00eam um bom produto, mas isso n\u00e3o \u00e9 verdade\u201d.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span>Via de regra, com tarifas, a tend\u00eancia \u00e9 que o pre\u00e7o adicional seja repassado ao consumidor final, em casos em que a demanda \u00e9 menos sens\u00edvel ao pre\u00e7o. Essa infla\u00e7\u00e3o j\u00e1 come\u00e7ou a se manifestar nos EUA, apenas com os receios em torno das tarifas, e tende a se intensificar em rela\u00e7\u00e3o aos itens em que ela entrar\u00e1 em vigor. O pre\u00e7o do caf\u00e9 subiu 2,2% de maio para junho, por exemplo, e novos n\u00fameros da infla\u00e7\u00e3o norte-americana, que ser\u00e3o publicados nesta quinta-feira (31\/7), podem dar novas pistas sobre a tend\u00eancia de pre\u00e7os.<\/span><\/p>\n<h3><a href=\"https:\/\/www.jota.info\/produtos\/poder?utm_source=cta-site&amp;utm_medium=site&amp;utm_campaign=campanha_poder_q2&amp;utm_id=cta_texto_poder_q2_2023&amp;utm_term=cta_texto_poder&amp;utm_term=cta_texto_poder_meio_materias\"><span>Conhe\u00e7a o <span class=\"jota\">JOTA<\/span> PRO Poder, plataforma de monitoramento que oferece transpar\u00eancia e previsibilidade para empresas<\/span><\/a><\/h3>\n<p><span>Mas, como \u00e9 poss\u00edvel observar no levantamento do <\/span><span class=\"jota\">JOTA<\/span><span>, as importa\u00e7\u00f5es brasileiras s\u00e3o, em parte, utilizadas no meio da cadeia de produ\u00e7\u00e3o norte-americana \u2013 isto \u00e9, h\u00e1 margem para que produtores tentem reorganizar o sistema como um todo para n\u00e3o repassar os pre\u00e7os para o consumidor final. Em outros casos, os produtos do Brasil servem a produ\u00e7\u00f5es espec\u00edficas, o que limita o impacto geral das tarifas. \u201cO Brasil \u00e9 um player importante em certos produtos agr\u00edcolas, como caf\u00e9 e suco de laranja, mas n\u00e3o \u00e9 um grande exportador global de manufaturas para os EUA, como \u00e9 o caso da China, por exemplo\u201d, diz William Alan Reinsch, do Center for Strategic and International Studies (CSIS) e ex-subsecret\u00e1rio de com\u00e9rcio durante o governo de Bill Clinton.<\/span><\/p>\n<p><span>Isso n\u00e3o significa que as tarifas, de forma geral, n\u00e3o trar\u00e3o impactos negativos a quem as imp\u00f4s. Al\u00e9m dos tons nacionalistas, a pol\u00edtica de tarifas, segundo Donald Trump, visa contribuir para a reindustrializa\u00e7\u00e3o dos EUA e impulsionar o mercado de trabalho interno. Mas isso pode demorar anos para surtir efeito \u2014 isso se de fato surtir, segundo Sandra Rios, economista e diretora do Centro de Estudos de Integra\u00e7\u00e3o e Desenvolvimento (Cindes). \u201cE mesmo quando investimentos ocorrerem, vir\u00e3o com alt\u00edssimo grau de automa\u00e7\u00e3o, o que n\u00e3o se traduzir\u00e1 em gera\u00e7\u00e3o de empregos\u201d, diz. \u201cO fato de colocar tarifa, aumentar o custo de todo tipo de insumos na verdade tem impacto negativo sobre a produtividade\u201d.\u00a0<\/span><\/p>\n<h3><strong>Isentos do tarifa\u00e7o<\/strong><\/h3>\n<p>Entre os itens mais exportados pelo Brasil aos EUA, ficaram de fora do pacote de tarifas aeronaves civis, \u00f3leo bruto de petr\u00f3leo e suco de laranja. A lista de exce\u00e7\u00f5es, dividida em 30 categorias, inclui ainda castanha-do-par\u00e1, celulose, metais preciosos, ar-condicionado e unidades de refrigera\u00e7\u00e3o, lumin\u00e1rias e assentos e m\u00f3veis para aeronaves.<\/p>\n<p>Para os EUA, faz sentido derrubar as taxas no suco de laranja. <span>A produ\u00e7\u00e3o dom\u00e9stica norte-americana est\u00e1 longe de ser suficiente para cobrir a demanda do produto. A Fl\u00f3rida, no sul dos EUA, j\u00e1 foi refer\u00eancia mundial, por conta das condi\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas favor\u00e1veis. Mas os dias de gl\u00f3ria ficaram para tr\u00e1s, com furac\u00f5es, pragas como o <em>greening<\/em>, uma doen\u00e7a transmitida por insetos \u00e0s plantas c\u00edtricas. Em 2024, o estado registrou a menor safra em mais de 80 anos.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span>J\u00e1 a substitui\u00e7\u00e3o de fornecedor do suco, \u00e1rea na qual o Brasil lidera, com produ\u00e7\u00e3o de 1 milh\u00e3o de toneladas por ano, tamb\u00e9m seria dif\u00edcil. A ind\u00fastria americana j\u00e1 \u00e9 moldada para processar suco concentrado congelado brasileiro, e mudar o fornecedor exigiria adapta\u00e7\u00e3o para outros padr\u00f5es. Al\u00e9m disso, o M\u00e9xico tem produ\u00e7\u00e3o crescente, mas n\u00e3o no mesmo volume que o Brasil \u2013 em 2023, por exemplo, o pa\u00eds produziu apenas 208 mil toneladas de suco de laranja. A Espanha, que poderia se beneficiar com o recente acordo com a Uni\u00e3o Europeia, de tarifas reduzidas a 15%, tamb\u00e9m n\u00e3o tem produ\u00e7\u00e3o grande, estimada entre 47 e 50 mil toneladas no ano passado.<\/span><\/p>\n<p>Taxar aeronaves poderia tamb\u00e9m sair caro demais. <span>Lar de gigantes como Boeing e Lockheed Martin, h\u00e1, no entanto, um nicho que essas empresas n\u00e3o atendem: os jatos regionais, aeronaves menores utilizadas em voos curtos e m\u00e9dios, essenciais em pa\u00edses de grande extens\u00e3o como o Brasil e os EUA. \u00c9 justamente a\u00ed que entra a Embraer, cujos modelos como o E175 s\u00e3o amplamente usados por companhias americanas. <\/span><\/p>\n<p><span>Esses avi\u00f5es fazem parte de contratos de longo prazo e est\u00e3o integrados \u00e0 opera\u00e7\u00e3o das empresas, com pe\u00e7as, manuten\u00e7\u00e3o e tripula\u00e7\u00f5es treinadas especificamente para essa frota. Concorrentes como a canadense Bombardier reduziram sua atua\u00e7\u00e3o neste nicho de jatos, a Mitsubishi suspendeu o desenvolvimento de seu SpaceJet, enquanto a Airbus se concentra em aeronaves maiores. Uma mudan\u00e7a exigiria renova\u00e7\u00e3o de frota, requalifica\u00e7\u00e3o de pilotos e mec\u00e2nicos, renegocia\u00e7\u00e3o de contratos e adapta\u00e7\u00e3o de infraestrutura, algo caro e que levaria anos.\u00a0<\/span><\/p>\n<p>Tamb\u00e9m faz sentido para Trump excluir o petr\u00f3leo da lista.<span> Isso porque o petr\u00f3leo bruto extra\u00eddo domesticamente nos EUA via fracking, t\u00e9cnica usada no pa\u00eds, nem sempre tem o perfil ideal para todas as refinarias, especialmente aquelas da Costa do Golfo, que foram projetadas para processar blends mais pesados, como o petr\u00f3leo brasileiro. Sem o \u00f3leo brasileiro, esse tipo de cadeias de refino seriam obrigadas a se reorganizar.<\/span><\/p>\n<h3>Em casa de ferreiro\u2026<\/h3>\n<p><span>O caf\u00e9, que ficou taxado na ordem executiva de Trump, tamb\u00e9m tem produ\u00e7\u00e3o dom\u00e9stica limitada a fazendas no Hava\u00ed, uma ilha, e a experi\u00eancias recentes na Calif\u00f3rnia, que somam menos de 1% da demanda nacional. Mesmo assim, o impacto nos consumidores pode ser relativamente limitado, segundo William Alan Reinsch. \u201cSe voc\u00ea for ao Starbucks aqui e for comprar um latte, custa US$ 5,99. Mas o caf\u00e9, em si, custa um d\u00f3lar. Ent\u00e3o, com uma tarifa de 15%, se todo o custo for repassado, o latte passa a custar US$ 6,14. No caso do Brasil, se a tarifa for de fato de 50%, o latte custaria US$ 6,49. Algu\u00e9m vai notar? Eu n\u00e3o sei, \u00e9 algo a ver\u201d, diz.<\/span><\/p>\n<p><span>O tarifa\u00e7o de Trump tamb\u00e9m pode afetar um queridinho das celebridades e influencers dos EUA. O a\u00e7a\u00ed se popularizou nos Estados Unidos como um \u201csuperalimento\u201d e virou estrela de smoothies, tigelas e sobremesas, alardeado por personalidades como Kim Kardashian e Gwyneth Paltrow. No entanto, toda essa febre depende de um \u00fanico elo: o Brasil. O fruto \u00e9 nativo da Amaz\u00f4nia e quase inexistente em outras regi\u00f5es. O produto n\u00e3o entrou na lista de isen\u00e7\u00f5es, portanto, ter\u00e1 uma tarifa de 50% daqui 7 dias se nada mudar.<\/span><\/p>\n<h3><a href=\"https:\/\/www.jota.info\/produtos\/tributos?utm_source=cta-site&amp;utm_medium=site&amp;utm_campaign=campanha_tributos_q2&amp;utm_id=cta_texto_tributos_q2_2023&amp;utm_term=cta_texto_tributos&amp;utm_term=cta_texto_tributos_meio_materias\"><span>Conhe\u00e7a o <span class=\"jota\">JOTA<\/span> PRO Tributos, plataforma de monitoramento tribut\u00e1rio para empresas e escrit\u00f3rios com decis\u00f5es e movimenta\u00e7\u00f5es do Carf, STJ e STF<\/span><\/a><\/h3>\n<p><span>A situa\u00e7\u00e3o tem seus contornos particulares ainda para outros produtos que ficaram sob o peso de 50%, como a carne bovina. Os EUA s\u00e3o gigantes na produ\u00e7\u00e3o, com estados como Texas, Nebraska e Kansas, e a produ\u00e7\u00e3o dom\u00e9stica \u00e9 suficiente para atender boa parte da demanda interna. O Brasil entra na pauta de importa\u00e7\u00f5es principalmente para suprir variedade de cortes. Assim, o risco aqui n\u00e3o \u00e9 de desabastecimento generalizado, mas infla\u00e7\u00e3o em nichos espec\u00edficos, como hamb\u00fargueres.<\/span><\/p>\n<p><span>Algo parecido pode acontecer na ind\u00fastria qu\u00edmica, que tem grandes polos no Texas, Louisiana e Ohio. O pa\u00eds \u00e9 autossuficiente em muitos produtos, mas depende de insumos intermedi\u00e1rios importados, como resinas e solventes. Assim, o impacto das tarifas sobre o Brasil, que exporta cerca de US$\u202f2,4 bilh\u00f5es em produtos qu\u00edmicos para os EUA por ano, pode gerar distor\u00e7\u00f5es pontuais em certos nichos industriais, mas n\u00e3o uma disrup\u00e7\u00e3o em massa.<\/span><\/p>\n<p><span>A ind\u00fastria florestal americana tamb\u00e9m \u00e9 s\u00f3lida, com produ\u00e7\u00e3o de celulose e papel em estados como Ge\u00f3rgia, Oregon e Alabama. Ainda assim, os EUA importam celulose de alto rendimento, uma mais r\u00edgida, que preserva mais fibras da madeira, de pa\u00edses como Brasil. Elas s\u00e3o usadas para aplica\u00e7\u00f5es espec\u00edficas, como pap\u00e9is sanit\u00e1rios e embalagens, trazendo impactos mais restritos em caso de aumento de pre\u00e7os ou escassez dos produtos brasileiros.<\/span><\/p>\n<h3>O que \u00e9 mais f\u00e1cil\u2026<\/h3>\n<p><span>Para driblar as tarifas de 50% nessas importa\u00e7\u00f5es brasileiras, neg\u00f3cios norte-americanos poderiam se voltar para outros mercados, especialmente no caso de commodities, produtos simples sem diferencia\u00e7\u00e3o a partir de processamento. No caso do caf\u00e9, por exemplo, outros fornecedores como Col\u00f4mbia e Vietn\u00e3, j\u00e1 t\u00eam presen\u00e7a relevante no mercado dos EUA, o que significa que pontes comerciais e burocr\u00e1ticas j\u00e1 est\u00e3o estabelecidas. Por\u00e9m, substituir 33% da oferta brasileira exigiria negociar novos volumes, com risco de encarecimento, j\u00e1 que nenhum deles produz tanto quanto o Brasil.<\/span><\/p>\n<p><span>J\u00e1 com produtos mais sofisticados, h\u00e1 mais candidatos. O Brasil exporta uma variedade de produtos qu\u00edmicos e resinas, como polietileno, solventes e compostos org\u00e2nicos, e, embora empresas como a Braskem tenham presen\u00e7a internacional, a participa\u00e7\u00e3o brasileira nesse mercado \u00e9 modesta em compara\u00e7\u00e3o com grandes produtores como Canad\u00e1, Alemanha e \u00cdndia, que oferecem maior escala e tecnologia avan\u00e7ada. O Canad\u00e1 tem integra\u00e7\u00e3o log\u00edstica facilitada, a Alemanha lidera em especialidades qu\u00edmicas de alta qualidade, e a \u00cdndia fornece insumos a custos competitivos \u2013 embora o pa\u00eds asi\u00e1tico tamb\u00e9m seja alvo de tarifas de Trump, de 25%, tamb\u00e9m a partir de 1\u00ba de agosto.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span>A ressalva fica em nichos espec\u00edficos com exig\u00eancias t\u00e9cnicas mais restritas, como resinas usadas nas ind\u00fastrias automotiva e aeroespacial, intermedi\u00e1rios qu\u00edmicos para a ind\u00fastria farmac\u00eautica e pl\u00e1sticos certificados para embalagens aliment\u00edcias e cosm\u00e9ticas. Nesses casos, trocar de fornecedor exigiria novas homologa\u00e7\u00f5es, certifica\u00e7\u00f5es sanit\u00e1rias e valida\u00e7\u00f5es regulat\u00f3rias, o que pode atrasar a produ\u00e7\u00e3o e encarecer o processo.<\/span><\/p>\n<h3>\u2026e o que \u00e9 dif\u00edcil<\/h3>\n<p><span>O Brasil tamb\u00e9m \u00e9 l\u00edder mundial na produ\u00e7\u00e3o de carne bovina, e fornece cortes para hamb\u00fargueres e misturas com carne magra local nos EUA. Substitu\u00ed-lo n\u00e3o seria imposs\u00edvel, mas dif\u00edcil, pelo tamanho da produ\u00e7\u00e3o. Austr\u00e1lia e Nova Zel\u00e2ndia s\u00e3o os principais candidatos a preencher essa lacuna, pois j\u00e1 exportam para os EUA e possuem status sanit\u00e1rio. No entanto, ambos enfrentam limita\u00e7\u00f5es: a Austr\u00e1lia lida com secas recorrentes, e a Nova Zel\u00e2ndia tem produ\u00e7\u00e3o muito menor (a t\u00edtulo de compara\u00e7\u00e3o, o pa\u00eds da Oceania produz em torno de 680 mil toneladas por ano, enquanto o Brasil produz cerca de 11 milh\u00f5es de toneladas).<\/span><\/p>\n<h3><a href=\"https:\/\/whatsapp.com\/channel\/0029VaFvFd73rZZflK7yGD0I\">Inscreva-se no canal de not\u00edcias do <span class=\"jota\">JOTA<\/span> no WhatsApp e fique por dentro das principais discuss\u00f5es do pa\u00eds!<\/a><\/h3>\n<p><span>Al\u00e9m disso, no caso da celulose, o Brasil se destaca na celulose de eucalipto, gra\u00e7as ao clima favor\u00e1vel e ao cultivo intensivo, com empresas como Suzano e Klabin abastecendo grandes mercados nos EUA. Embora existam outros fornecedores, como Canad\u00e1, Chile e Indon\u00e9sia, esses pa\u00edses produzem principalmente celulose de fibras longas (como a de madeira pinus), com caracter\u00edsticas distintas. Assim, seria poss\u00edvel trocar o fornecimento brasileiro, mas por composi\u00e7\u00f5es menos eficientes nos produtos finais.\u00a0<\/span><\/p>\n<h2>Futuro<\/h2>\n<p><span>Parte dos canais de negocia\u00e7\u00e3o para discutir as tarifas pode ser do setor privado: segundo apura\u00e7\u00e3o da CNN, o setor de caf\u00e9 dos EUA foi a Washington, liderado por William \u201cBill\u201d Murray, CEO da NCA (National Coffee Association), para pressionar congressistas. No entanto, a capacidade brasileira de instrumentalizar essas press\u00f5es internas a seu favor \u00e9 limitada. As negocia\u00e7\u00f5es podem exigir \u201cter algo para oferecer\u201d, diz Jo\u00e3o Alfredo Nyegray, da PUC-PR. \u201cSer\u00e1 que n\u00f3s estamos preparados para abrir o mercado brasileiro para mais produtos dos Estados Unidos? Produtos da \u00e1rea de tecnologia ou farmac\u00eauticos, por exemplo?\u201d.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span>Al\u00e9m disso, Sandra Rios v\u00ea espa\u00e7o para gestos diplom\u00e1ticos com baixo custo pol\u00edtico e alto potencial de destravar canais de di\u00e1logo, como reduzir a tarifa de importa\u00e7\u00e3o do etanol (que hoje \u00e9 mais alta no Brasil do que nos EUA), e recuar de discursos sobre substitui\u00e7\u00e3o do d\u00f3lar no com\u00e9rcio internacional. Paralelamente, o Brasil pode tamb\u00e9m abrir canais com outros pa\u00edses. \u201cPrecisamos acelerar acordos com pa\u00edses asi\u00e1ticos. Os EUA est\u00e3o se mexendo, est\u00e3o falando com Vietn\u00e3, com Indon\u00e9sia, com Jap\u00e3o\u2026 Se a gente n\u00e3o fizer o mesmo, vamos ficar pra tr\u00e1s na disputa por esses mercados\u201d, diz. Em reuni\u00e3o no in\u00edcio do m\u00eas, o presidente Lula e Narendra Modi, da \u00cdndia, anunciaram a pretens\u00e3o de triplicar o com\u00e9rcio com a \u00cdndia, que atualmente est\u00e1 na casa de US$ 12 bilh\u00f5es anuais.<\/span><\/p>\n<p><span>J\u00e1 William Alan Reinsch, do Center for Strategic and International Studies (CSIS), v\u00ea poss\u00edveis negocia\u00e7\u00f5es com ceticismo. \u201cTrump \u00e9 um bully, a rea\u00e7\u00e3o dele a qualquer coisa \u00e9 pressionar mais. Isso \u00e9 teatro pol\u00edtico disfar\u00e7ado de pol\u00edtica comercial\u201d, diz. \u201cO Brasil n\u00e3o \u00e9 \u00fanico, mas \u00e9 peculiar porque se trata de um problema pol\u00edtico, n\u00e3o econ\u00f4mico. Isso n\u00e3o pode ser resolvido por negocia\u00e7\u00e3o. Se Trump e Lula tiverem finalmente uma reuni\u00e3o, o que v\u00e3o falar? O Trump vai dizer, diga a sua Supremo Corte de fazer algo diferente. E o Lula vai dizer, eu n\u00e3o posso fazer isso. E a\u00ed? Isso \u00e9 muito perigoso, estamos falando de problemas de soberania\u201d.<\/span><\/p>\n<p><span>Para ele, mesmo os acordos j\u00e1 feitos, como o com a Uni\u00e3o Europeia no \u00faltimo fim de semana, s\u00e3o na verdade, documentos curtos e vagos, \u201cduas ou tr\u00eas p\u00e1ginas de promessas\u201d. Ele exemplifica com o Reino Unido, cujo acordo ele classifica como \u201c80% aspiracional e 20% tang\u00edvel, muitos temas importantes n\u00e3o s\u00e3o sequer tratados nesses acordos, como com\u00e9rcio digital e regras farmac\u00eauticas. O governo Trump prefere o gesto de poder e a imagem de for\u00e7a a acordos comerciais bem estruturados\u201d.<\/span><\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em ordem executiva nesta quarta-feira (30\/7), Donald Trump oficializou as taxas de 50% sobre produtos brasileiros. 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